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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Hollandice

O dr. Santos Silva explica aqui (no penúltimo video), a propósito da oposição às hollandices que toma como o comprometimento à priori com medidas que à posterior se revelem impossíveis de concretizar - em linha com a estratégia seguida até agora por parte de António Costa de nada dizer sobre o que pretende fazer -, que a pergunta mais relevante nas eleições de 2015 não está relacionada com as questões habituais de quem tem as melhores propostas políticas, o melhor programa eleitoral - até porque, está mais do que percebido, o PS se pudesse abdicava de ter um e preferia um cheque em branco -, mas antes sobre quem terá melhor golpe de rins, quem estará em melhor posição para obter através de negociações em Bruxelas uma das muitas soluções disponíveis que nos facilitariam a vida. Tirando isso, para o dr. Santos Silva, tudo o resto são questões menores. Esquece-se de dizer, porque importa alimentar a ilusão e sem essa ilusão o PS pouco mais tem para se diferenciar perante o eleitorado dos partidos da actual maioria, que a relevância de Portugal para o resultado dessa negociação (nunca existirá uma negociação só com e para Portugal) a que faz referência é diminuta, desprezível mesmo, fazendo, portanto, dessa questão uma questão menor. Ou alguém no seu perfeito juízo acha que por Portugal se posicionar mais ao lado da Alemanha ou mais ao lado da França e da Itália fará alguma diferença no resultado dessa negociação europeia de âmbito mais global? Só um tolo pode achar que sim. Mais importante é perceber que as medidas impopulares que Hollande e Renzi estão a aplicar nos seus respectivos países já fazem parte desse jogo de negociação. Talvez Costa, com o seu golpe de rins, queira fazer o favor de sinalizar à priori o tipo de medidas impopulares - por exemplo, no campo orçamental: mais impostos ou menos despesa? - pelas quais terá preferência caso tenha de recorrer a elas. E, excepto se algum factor exógeno de curto-prazo nos ajudar de forma significativa, podem crer que Costa terá de tomar medidas impopulares. E, escondendo-as ou não durante a campanha eleitoral - vai ser engraçado ver como o tema OE 2016 será abordado nessa mesma campanha -, não deixarão de ser o tema dominante da vida política nacional no período imediatamente a seguir às legislativas. Questões menores? Não dá é jeito ter de falar sobre elas.

Decadência académica

A verdade é que isto é uma bela merda de ensaio para uma revista de carácter académico. Além da questão censória ser discutível, chamar «artigo cientifico» àquilo é ofensivo para quem escreve verdadeiros artigos cientificos (o que explica, aliás, porquê que a questão censória é discutível). Além disso, não sei se já vos contei a minha opinião sobre a maior parte da sociologia que se ensina nas universidades e dos sociólogos produto desse mesmo ensino (opinião que não se restringe ao panorama nacional)? Estão ao nível do ensaio em causa. E esta história só reforça essa minha convicção.

Do grau de preparação

Não sei se é monumental, mas que isto dá uma ajudinha a explicar o silêncio de Costa sobre as soluções governativas que preconiza para o país, dá. Os assessores económicos do PS ainda devem estar a estudar a lição e não dominam a matéria toda. Mais vale o novo querido líder manter-se calado.

Anti-Dilma

Foi a primeira campanha política que acompanhei com alguma atenção que, à luz do que estou habituado, foi do domínio do execrável. Com uma brutalidade e agressividade que não me passa pela cabeça que possa ter lugar num país desenvolvido (coisa que o Brasil ainda não é). Entre a candidata socialista do poder e o candidato social-democrata da oposição (uma luta esquerda vs centro-esquerda que na comparação quase torna Portugal um país maioritariamente "neoliberal"), a vitória deste último tenho para mim que seria melhor para o Brasil, mas não tanto no sentido do que Aécio pudesse fazer, mas mais no sentido da vitória anti-Dilma, da quebra de um poder que já dura há doze anos (sendo que nos últimos quatro com Dilma a comandar, ao contrário do que sucedeu com Lula, o crescimento económico travou). Alternância que seria tão mais bem-vinda quanto menos possível é negar a magnitude da corrupção que grassa neste Brasil petista. Dito isto, apesar de tudo, não conto que o Brasil nos próximos anos siga o caminho da macroeconomia populista de uma Venezuela ou de uma Argentina. Ainda assim, se a economia continuar a arrefecer e depois do que vi nestas eleições por parte da máquina do PT, pode existir a tentação de inventar para segurar o poder a todo o custo. Se tal acontecer, ao preferirem o status quo à mudança nestas eleições, ainda que por escassa margem, os brasileiros só se poderão queixar de si próprios. Como, aliás, em democracia sempre acontece.

Sem stress

EDP. Défice tarifário. Pois...

Do regime

Depois do BES há cinco anos, agora é a vez dos três grandes do futebol português perderem o apoio da Portugal Telecom. BES e PT, o primeiro na parte de trás das camisolas e o segundo na da frente, chegaram mesmo - julgo não me equivocar - a ter o domínio em simultâneo da publicidade nas camisolas dos três grandes. É certo que o mercado futebolístico português tem características especiais, mas, na verdade, esta simples história diz muito sobre o país. O país tem sido isto e não passava disto. E isto é só mais uma história para ir completando este puzzle: O fim do Império Espírito Santo: Gestores da PT iam a despacho ao BES para receber instruções. Prova que a PT era mesmo uma empresa estratégica, ainda que o «para quem» e «para quê» não seja necessariamente no sentido que outros gostam de atribuir. Continuação de um trabalho jornalístico que já tinha destacado aqui. Já agora, nem de propósito, eis que nesta semana somos brindados com esta notícia: Manuel Pinho exige mais de dois milhões de euros ao BES.

Posição negocial "muita" forte

Porquê que Portugal saiu com o rabo entre as pernas da cimeira europeia dedicada à energia e ao clima no que às interligações diz respeito? Porque a França má do nuclear assim forçou, como conta-nos simplisticamente a nossa bela imprensa? Se beneficia todos e só a França anda a empatar, não devia ser a França a estar isolada na matéria, invés de Portugal (que, pelos vistos, nem de Espanha pôde contar com muita ajuda)? Mas o que será isto: «a primeira - e única - interligação de electricidade a ser construída nessa zona [os Pirinéus], abre em 2015 e tem só 65 quilómetros e uma capacidade de transporte de 2800 MW, mas como incluiu um túnel para soterrar os cabos nas montanhas custou mais de 700 milhões de euros, segundo o Financial Times». Com esta informação começo a suspeitar do porquê da posição negocial de Portugal não ser assim tão forte.

Com a autoridade moral de quem não quer cumprir os défices acordados

O presidente francês, François Hollande, disse hoje que as regras orçamentais da União Europeia «são para todos».

Uma aposta

O próximo Governo, à semelhança do actual, vai continuar a testar esta hipótese.

Manicómio

Em Portugal, é possível defender simultaneamente a imperiosa necessidade da reestruturação da dívida pública e a nacionalização da PT (não ia ficar muito cara aos cofres do Estado, dizem). Se esta gente que defende isto não existisse, tinha de ser inventada. Os nossos "debates" públicos mais não parecem do que um enorme sketch dos Monty Python recheado de protagonistas e figurantes.