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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

O mamarracho dos coches

«O atual secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, foi um dos que manifestou publicamente as suas dúvidas. A inauguração tem sido sucessivamente adiada mas hoje Barreto Xavier concorda que o edifício não pode continuar fechado», sobretudo porque não iam deixar ser outro Governo a inaugurar o mamarracho. Um mamarracho cuja construção implicou uma pipa de massa, que tem o potencial de custar muito mais dinheiro no futuro, cuja construção foi impulsionada por essas duas figurinhas esbanjadoras que foram Santana e Sócrates, e que até António Costa numa fase inicial teve o bom censo de declarar desnecessário. Outro bom simbolo do que deu cabo do país (não, não foi o actual Governo).

A certeza do dia-a-dia socialista: uma história de enganos

Vai acabar a lixar a malta que ainda não recebe pensão. Mas o discurso de Costa é o discurso certo para o eleitorado que não consegue largar a lógica do pensamento «dia-a-dia». Uma lógica limitada e tonta, ainda que compreensível numa sociedade onde parte da população vive amedrontada e sem grande esperança e perspectiva para o futuro. Mas responde o PS a essa falta de esperança? É o PS factor de confiança? Enfim, o PS quer dar certezas no curto-prazo, aumentando a incerteza e imprevisibilidade do futuro. Todo o discurso do PS está carregado desta carga imediatista, de resolução dos problemas do presente num abrir e fechar de olhos. Tivemos toda a primeira década do século XXI nesta lógica, tem corrido optimamente como se constata. No final da década de noventa do século passado, qual era o futuro risonho que o PS prometia para a primeira década do século XXI, lembram-se? E durante a governação socrática, durante a segunda metade da primeira década do século XXI, qual era o futuro risonho que o PS prometia para a segunda década do século XXI, lembram? E agora, na segunda metade da segunda década do século XXI, qual é o futuro risonho que o PS nos promete para a terceira década do século XXI? Aqui já não é uma questão de lembrança, é mais de confiança. Confiança de que o futuro risonho com que o PS acena nunca se irá concretizar, com todas as consequências que dai advirão para quem agora, no presente, não souber fazer as escolhas acertadas, desbaratando o futuro em nome do curto-prazo. Há aquele provérbio do «engana-me uma vez, a vergonha é tua; engana-me outra vez, a vergonha é minha». Como é que isto fica para quem se deixar enganar uma terceira vez?

A recondução de Carlos Costa

Uma péssima decisão. Muito diferente, na sua lógica, da que levou - e bem - Teixeira dos Santos a nomear Carlos Costa em primeiro lugar (uma nomeação socialista que, à altura, contou desde logo com o apoio do PSD). E isto digo eu que, neste blogue, muitas vezes defendi Carlos Costa de algumas críticas injustas. Mas é inegável que existiram erros durante o mandato do actual governador que deviam levar a uma penalização. Não existindo, com a decisão agora anunciada, o actual Governo mostra-se solidário e deve ser co-responsabilizado por esses mesmos erros. Mas percebe-se o alcance da nomeação: a actual maioria sente-se melhor defendida politicamente com Carlos Costa no cargo. Quer agora - onde Governo e BdP estão completamente alinhados em relação ao que deve ser feito no caso BES/Novo Banco -, como quiçá no futuro, com o PS a governar e um governador hostil ao poder socialista para contrabalançar.

Campos e Cunha, Centeno et al.

Em 2005, Campos e Cunha aceitou ser o rosto da credibilização das propostas económico-financeiras do PS. Antes das eleições, já se suspeitava que seria o ministro das finanças socialista e o reputado economista dava entrevistas por tudo quanto é lado. À pala disso, aceitou fingir que não sabia que o futuro governo ia ter de subir impostos e adoptou postura comedida na crítica às obras públicas. Não lhe serviu de grande coisa: é certo que acabou no Governo, mas não por muito tempo e foi ele que ficou com o ónus da subida do IVA que não tinha sido anunciada na campanha eleitoral. Às vezes, é bom recordar o passado para analisar o presente e perspectivar o futuro.

Da dimensão positiva do cenário à despesista do programa

Afinal, os socialistas não se comprometem com prazos para acabar com a sobretaxa no IRS. E também já não é líquido que baixem a TSU para as empresas. Porque será? Lê-se o que foi apresentado hoje, com o lero-lero que acompanha o PS, pelo menos, desde o tempo do Guterres, e percebe-se que se algum do lero-lero é para acabar na apresentação de medidas concretas, isso vai implicar gastar mais dinheiro na saúde, na educação, etc. De onde virá esse dinheiro? Se o cenário macro do PS já apontava para um défice de 3% em 2016, um objectivo que representa o mínimo dos mínimos, a resposta fica dada. Além disso, se assumirmos, como assumo, que o cenário tal como estava desenhado já era, ainda assim, demasiado optimista, e que as medidas que agora estão a cair são as melhorzinhas do documento, a que lhe davam uma dimensão positiva, de preocupação com o crescimento e de alteração da estrutura económica no caminho desejado, e não apenas uma dimensão despesista, de atirar dinheiro para cima dos problemas, o que se pode concluir? Que o PS aprendeu pouco com o passado. E que, como por aqui escrevi, os socialistas serão os primeiros a destruir o trabalho do Centeno.