Sexta-feira, 29.08.14

A rapidinha

Debates de 35 minutos? E Costa até queria 25 minutos? O PS até já pode ter primárias à "americana", mas ainda têm de pedalar muito para chegar àquilo que é política a sério e a doer: Romney precisou de ir a 19 debates antes de ser escolhido como o candidato Republicano às presidenciais de 2012; Obama precisou de 25 debates antes de ser escolhido como candidato Democrata às presidenciais de 2008. Cada um deles, posteriormente e como é tradição por lá, ainda teve de fazer 3 debates com o candidato opositor na eleição geral. Nenhum desses debates teve, obviamente, ridículos 35 minutos. Também é assim porque, ao contrário do que acontece por cá, a política americana, um duopólio partidário, permite uma variedade de candidatos e de propostas políticas que o nosso sistema aparentemente mais concorrencial não tem permitido. Por cá, estamos entregues à pasmaceira total como a campanha no PS tem sido exemplo evidente. Para isso, muito contribui uma comunicação social tão dedicada à pasmaceira como os partidos políticos.

Mr. Brown às 19:53 | link do post | comentar | favorito

Copa recessiva

O impacto económico de curto-prazo do Mundial de Futebol no Brasil é negativo? E é o próprio Governo que o diz? Perante isto, os brasileiros protestaram pouco... e folgaram demais.

Mr. Brown às 19:33 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 27.08.14

A política como arte da emoção

Propostas políticas racionais que justifiquem isto? Zero.

Cortar vs adiar

Uma coisa é cortar despesa, outra é adiar despesa. Nos últimos dias, a propósito do cumprimento das metas orçamentais, tenho ouvido falar demasiado em adiamentos. Não é um bom sinal e apenas quer dizer que se está a atirar o problema lá para a frente, não se está a resolver o que quer que seja.

Mr. Brown às 00:41 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 26.08.14

Solidariedade autárquica

Em duas destas quatro câmaras, nas últimas eleições autárquicas que ocorreram há menos de um ano, apesar de ter existido mudança de presidente, não houve mudança de cor política. Portimão era PS e ficou PS; Aveiro era PSD/CDS e ficou PSD/CDS. Noutra, Vila Nova de Poiares, tivemos durante anos o mesmo "dinossauro" a governar. Agora, todos os contribuintes de outras localidades que não estas são chamados a ajudar. Perante isto, os eleitores locais devem ou não sentir na pele o peso destas falências?

Segunda-feira, 25.08.14

Por outro lado

Se o socialismo anda sem sorte, o neoliberalismo é o que se vê: Despesa aumentou 5,8% face ao período homólogo, impostos voltam a compensar.

Mr. Brown às 20:52 | link do post | comentar | favorito

O entusiasmo popular

 

Hollande ganhou o duelo que teve com Sarkozy, na televisão francesa, mostrou uma preparação económica inesperada, um bom conhecimento da tragédia que vive a União Europeia e do que é preciso fazer para sair dela. Ou seja: criar um novo paradigma de desenvolvimento. O que os dirigentes europeus, institucionais ou nacionais, por preconceitos ideológicos, nunca quiseram ver nem, muito menos, fazer. São responsáveis por isso. Contudo, a vitória de François Hollande, o entusiasmo popular que provocou, não só em França mas por toda a Europa, o desafio que fez à chanceler Merkel, que o convidou, no dia seguinte às eleições, para um encontro em Berlim, criou um vento de mudança que poderá vir a abrir - espero - uma nova fase do projeto europeu [...] Ora, François Hollande, como bom socialista e com uma formação académica e política excecionais, antes e depois do seu discurso de vitória, declarou, sem papas na língua, que com a austeridade não se vai a lado nenhum, como se tem visto na Grécia e por todo o lado, incluindo Portugal. É, pois, urgente mudar de paradigma.

Os ratos abandonam o barco

Assim, de fora, sem ter de meter as mãos na massa, pode até construir um perfil para si próprio de António Costa. Um socialista na Europa do Euro só tem liberdade para ser socialista fora do poder.

Mr. Brown às 19:39 | link do post | comentar | favorito

A sina dos socialistas no poder na Europa do Euro

Valls, um dos ministros mais apreciados do anterior Executivo, perdeu mais de 20 pontos de apoio nos últimos três meses, ecoando a queda de 11 pontos no apoio total aos socialistas, segundo as sondagens.

Mr. Brown às 19:25 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 24.08.14

Mundo Novo

 

Com base neste gráfico apenas, que conclusões podemos imediatamente tirar? 1) A última crise foi mais local do que global: a economia mundial não deu mostras de queda significativa do seu crescimento (ainda que antes da crise tenha-se assistido a um pico no crescimento mundial, o que não será alheio ao ajustamento que se seguiu: parte desse crescimento era artificial e devia-se a políticas irrealistas e insustentáveis). Mas note-se que a economia mundial de 1986 até hoje nunca deixou de crescer a mais de 2% ao ano. 2) As economias avançadas desde a década de noventa, com acentuação a partir dos anos 2000, crescem a um ritmo inferior ao da economia mundial, ou seja, tem existido convergência entre estas economias e outras mais pobres, a que não será alheio o factor globalização. E 3) as economias da zona Euro, desde o começo, mesmo desde quando o dinheiro jorrava e não era um problema, têm vindo a ter uma performance inferior à norte-americana.

Mr. Brown às 12:24 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 22.08.14

Capitalistas sem capital

O GES afunda e quem ficará com os activos valiosos serão grupos estrangeiros: para já, perspectiva-se americanos na Tranquilidade e mexicanos no ES Saúde. O império Espírito Santo já era. Muitos, especialmente os pertencentes ao grupinho de apoio aos centros de decisão nacional, lamentam: está-se a vender o país ao desbarato! Preços de saldo! Ao contrário destes "especialistas" em avaliações, diria que estes activos - e outros que ainda estão por vender, como é o caso do próprio Novo Banco -, serão vendidos a quem os pode comprar por um valor que não fugirá muito ao seu real valor neste momento. Outrora a Tranquilidade foi avaliada em 700 milhões de euros? Sim, também a marca ES foi outrora avaliada em 813 milhões. Dito isto, no fundo, todas as movimentações a que se assiste actualmente na sequência da ruptura do GES representam o fim de um modelo no qual Portugal se especializou no passado e revelou-se, como é da natureza das coisas, insustentável. Esse modelo, parafraseando Ulrich, era o de «financiar capitalistas sem capital que compram tudo». Não que a tentação tenha desaparecido: os Mello vieram logo avisar que estavam atentos a «oportunidades». Perante isso, coloque-se logo a pergunta: com que dinheiro, o da CGD?

Quinta-feira, 21.08.14

Go fuck youself

 

A lei é complexa, diz o senhor secretário de Estado, para logo de seguida acrescentar que não é «muito bem entendida pela generalidade das pessoas», como que sugerindo que se as pessoas compreendessem a lei mais facilmente a aceitariam. É óbvio que as pessoas compreendem o que é essencial compreender: alguns equipamentos tecnológicos que a maioria da pessoas compra e utiliza com regularidade vão ficar mais caros, por via de uma nova taxa que o Governo criou e que irá reverter para um conjunto minoritário de indivíduos sem que uma linha objectiva e comprovada se possa estabelecer entre o comprador do equipamento e o agente cultural beneficiário da medida que justifique o pagamento pelo primeiro de uma taxa ao segundo. A complexidade da lei, aliás, resulta precisamente da intenção do governante e do lóbi que a defende para que assim seja, pois jogam na obscuridade para levar a cabo os seus intentos. Depois, vem a opção espanhola - que vai directamente ao Orçamento do Estado -, chutada para canto por ser singular, ainda que seja muito mais transparente. Mas tudo no discurso deste secretário de Estado e do Governo, nesta matéria, é desonesto e hipócrita. Usar como argumento que muitos países adoptam medidas desta natureza é falacioso quanto à necessidade e justiça da medida em si, pode muito bem apenas demonstrar - como julgo que demonstra - que em muitos outros países existem lóbis semelhantes aos que existem em Portugal e têm igual sucesso a convencer o poder político a beneficiar a sua causa. Mas, voltando ao caso espanhol, aproveita o Governo para fazer referência à opção pelo recurso ao «utilizador-pagador» e não ao contribuinte. Enfim, falar em «utilizador-pagador» é um ultraje, quanto muito podemos falar em «provável utilizador-pagador». Utilizador-pagador é o que temos nas auto-estradas com portagens: quem não passa, não paga nada; quem passa muito, paga por cada uma das vezes que passou; quem só passa uma vez, só paga uma vez. Neste caso, para podermos manter a analogia com as portagens, o que está aprovado é semelhante ao Governo abdicar de colocar portagens e optar por cobrar uma taxa a cada veículo vendido, apenas variável pela cilindrada ou o peso do veículo, na base da presunção de que quem compra veículos muito provavelmente irá passar nas novas auto-estradas sem portagens. Isto é complexo? Não, não é, é apenas estúpido. Atira-se com a complexidade da coisa para dar mostras de muita inteligência quando estamos, apenas, perante uma medida pensada por chicos espertos. Para concluir, dizem ainda que as receitas desta taxa «não são receitas do Estado». Formalmente, podem não o ser - e que jeito isso dá quer ao governante (a coisa não passa como um novo imposto que o Estado, intermediário, depois distribui como despesa ao sector cultural, mas fica antes como um pagamento directo do consumidor ao sector cultural, ainda que imposto pelo Estado), quer ao beneficiário (que pode manter a lata de dizer que não recebe do Orçamento do Estado) -, mas são objectivamente receitas que só existem por imposição do Estado e que vão sobrecarregar aqueles que já estão sobrecarregados com outras taxas e impostos vários, como, já que gostam de comparações entre países, poucos cidadãos de outros países com o nosso nível de actividade económica estarão. E se o cidadão pode ser sobrecarregado por mais taxas e impostos, como, depreendendo por esta iniciativa, o Governo julga que pode, cabe perguntar porque não usam essa folga nas costas do burro de carga para servir causas mais urgentes de serem combatidas num país em crise? Bem, certamente essas causas não têm a força de um lóbi a defendê-las, nem um secretário tontinho a representar os necessitados dentro do Governo para agilizar - forçar seria mesmo o termo mais adequado - o processo legislativo. Ah, não ignoro que ainda falta os deputados aprovarem a medida. Mas a maior parte dos deputados são paus mandados, raramente pensam pela sua cabeça e muito menos ouvem quem os elegeu, pelo que há muito que não conto com eles. Na verdade, e para ser bem claro, não conto voltar a aproximar-me de uma urna de voto tão cedo. No sistema americano, limitaria-me a riscar um congressista ou senador das minhas escolhas, em Portugal mais vale eliminar logo toda a corja. E se os termos são fortes é porque pretendo vincar muito bem aquilo que sinto.

 

Nota: um pormenor delicioso, na notícia a que faço ligação logo a abrir o post, «o armazenamento de ficheiros na internet (na nuvem) ainda não é contemplado». «Ainda», o jornalista entendeu muito bem o espírito da coisa.

Quarta-feira, 20.08.14

Asco

Desde 2011, tem existido muita indignação com mil e uma medidas que este Governo aprovou, mas de tudo o que me recordo que foi ou ainda pode vir a ser feito, não há nada que me indigne mais do que esta merda. Tenho asco a este tipo de proposta política.

Mr. Brown às 21:02 | link do post | comentar | favorito (1)
Terça-feira, 19.08.14

Alabama, 1956

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gordon Parks: Segregation Story

Segunda-feira, 18.08.14

GES/BES

Estava a ler este texto de César das Neves e lembrei-me de Miguel Frasquilho - agora presidente da AICEP -, o homem que dizia uma coisa enquanto deputado e subscrevia outra enquanto economista do BES.

Mr. Brown às 22:03 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 16.08.14

A Martha Stewart portuguesa

A propósito do texto de Ricardo Reis a que faço ligação no post anterior, recorde-se uma bonita história, para perceber como é que as coisas se processam por cá: Miguel Sousa Cintra foi condenado a pagar 499 mil euros por vender acções da Vidago & Pedras Salgadas antes de ser anunciada, em Novembro de 1996, a oferta sobre a empresa que dirigia. Terá lucrado mais de três milhões de euros com o uso da informação privilegiada. Perceberam? Como admito que ao leitor possa ter escapado esse pequeno pormenor, insisto: pagou 499 mil euros; lucrou três milhões (sendo que os 499 mil euros serviram para comprar a suspensão da pena de prisão). É a Martha Stewart a que tivemos direito. Quando se fala de reformas estruturais e se quer fazer comparações entre países, ou abordar o quão funcional é o modelo capitalista, convém ter este tipo de informação presente.

Ler os outros (CLXVII)

No dia seguinte, Martha deu ordens para vender os 230 mil dólares de ações que tinha nesta empresa. Poupou com isso 45 mil dólares, uma ninharia na sua fortuna. Mas a CMVM americana investigou as vendas das ações da farmacêutica nessa manhã, como faz sempre nestes casos de desvalorização súbita. Apesar da sua fortuna e celebridade, Martha Stewart foi condenada por inside trading. Passou cinco meses na cadeia e mais cinco em prisão domiciliária.

Mr. Brown às 17:36 | link do post | comentar | favorito

Abenomics

Entretanto, no Japão, o aumento de impostos aqui referido - e é extraordinário o pouco espaço que a comunicação social portuguesa dá à política económica que está a ser seguida no Japão, facto de que José António Abreu já dava conta no Delito de Opinião há mais de um ano -, não correu pelo melhor:

 

 

Japan’s economy: Fingers crossed

 

 

Japan’s economy: Feeling the pinch

 

Perante isto, vale a pena ler o Edward Hugh: Abenomics - What Could Possibly Go Wrong?  

Mr. Brown às 16:07 | link do post | comentar | favorito

Ao cuidado do drº Costa e dos jornalistas de serviço

The end of Matteo Renzi’s Italian honeymoon: «If Mr Renzi hoped he would arrive at the right time to ride a wave of economic recovery, he has been disappointed. His success in the European elections brought the unusual prospect of an Italian prime minister with a clear mandate for radical change. In reality, and not for the first time (Georges Papandreou, François Hollande), a centre-left eurozone leader has come to power being defined by the state of the economy rather than his electoral platform.»

Italian Prime Minister Renzi Struggles to Find Funds for Economic Plan: «But Mr. Renzi is struggling to scrape together the funds needed to pay for his far-reaching platform [...] "If you exclude health care and pensions, reaching the savings targets becomes almost impossible," said Massimo Bordignon [...] The financial squeeze has stoked expectations that Mr. Renzi will be forced to raise taxes in the fall to meet EU budget requirements—a move that could erode the public support he needs to push through the tough measures Italy needs. [...] "One by one, we are addressing the main causes of Italy's lack of competitiveness: the inefficiencies of the public administration; the long delays of the justice system; an oppressive fiscal regime," he said.»

Mr. Brown às 15:40 | link do post | comentar | favorito

Paloma Megra

TAGS:
Mr. Brown às 00:40 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 15.08.14

Supervisão e confiança

Outros que vão ver os seus problemas agravados pela intervenção do Banco de Portugal. Ou acham que esta publicidade negativa não terá impacto no Montepio, em contexto de enorme desconfiança de todos os agentes do mercado? E, ainda assim, deve ou não o Banco de Portugal adoptar este tipo de acção? Quão difícil é a gestão entre a confiança nas instituições reguladas que o regulador deve inspirar a todos os que actuam no mercado e a investigação de suspeitas que deva/possa ter sobre essas mesmas instituições? Resumindo: é possível agitar as águas sem levantar ondas? Não me parece.

Not my fault

Se vale para a desresponsabilização do "pequeno" accionista, porque não pode valer igualmente para ele: segundo conta-nos o Expresso, a ideia de que «a intervenção do Banco de Portugal agravou o problema no BES» poderá fazer parte do argumentário de defesa de Ricardo Salgado. Não tarda estará também a exigir uma indemnização ao Estado. Entretanto, esta história, onde o ex-presidente do BES esteve directamente envolvido, é exemplificadora do poder que Salgado, pelo conhecimento de que dispõe, continua a ter na vida política e empresarial portuguesa.

Quinta-feira, 14.08.14

BES; Constitucional; Manta Rota

(fonte)

Bruno "Vale e Azevedo" de Carvalho

"Rasgar" contratos, tendo por base um discurso absolutamente populista - talvez inspirado na cruzada de Christina Kirchner contra os fundos abutres -, com a Doyen Sports a assumir o papel da Oliverdesportos e parte substancial da massa adepta excitada a aplaudir (veremos por quanto tempo).

Mr. Brown às 20:36 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 13.08.14

Lauren Bacall

AUTORES

PESQUISAR

 

E-MAIL

REDES SOCIAIS

LINKS

ÚLT. COMENTÁRIOS

  • Seguro ou Costa?É igual. Mas como falta mais tempo...
  • A imaginação humana é um prodigio que me deixa sem...
  • É relativamente fácil criarem-se clientelismos gen...
  • Devem.
  • Sobre a analogia com as portagens, já há o Imposto...

TAGS

ARQUIVOS

FEEDS

blogs SAPO