Terça-feira, 30.09.14

Ferro Rodrigues

É o regresso ao passado, mas não ao passado socrático (tempo esse que foi passado maioritariamente pelo novo líder da bancada parlamentar, convenientemente, exilado). António Costa, aliás, não pode deixar de saber que se se cola demasiado aos socráticos está entalado.

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Segunda-feira, 29.09.14

Coelho entalado

Como deve o PSD responder à vitória de Costa? Pedindo uma remodelação do Governo? Não. O que faz falta é um processo de primárias no PSD em tudo semelhante ao do PS, nomeadamente com abertura a simpatizantes, que permita a Passos Coelho testar a sua liderança. Isso é que era. Até porque estou convencido que à direita, houvesse uma candidatura forte contra Passos nessas condições - por exemplo, encabeçada por Rui Rio -, e mesmo sendo Passos o actual PM - ou até por isso -, militantes e simpatizantes do PSD não deixariam o Coelho passar de candidato a candidato à renovação do seu cargo de PM.

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Domingo, 28.09.14

Primárias e humilhação

Ainda que o partido do comité central diga que as primárias do Partido Socialista são «uma farsa», tenho para mim que são o caminho a seguir. E o imenso número de cidadãos que, na qualidade de simpatizantes, decidiram participar neste processo eleitoral do PS ajuda a demonstrar isso mesmo. Simpatizantes e militantes que falaram claríssimo: não queriam Seguro e Costa é muito bem-vindo como novo líder do maior partido da oposição. Por fim, brindou-nos a RTP Informação com o momento da noite: enquanto Seguro fazia um discurso de derrota digno e com elevação, Cristina Esteves corta-lhe a palavra para a passar ao comentador José Sócrates. Opção que fica muito mal à RTP. Para Seguro, foi a derradeira humilhação.

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Ónus da prova

1. Note-se que, na sua relação com o soberano, em nada adianta a Sócrates dizer que é inocente até prova em contrário. O soberano não está apenas interessado num primeiro-ministro contra quem não se pode provar nada. O soberano quer um primeiro-ministro que esteja acima de qualquer suspeita. Tendo em conta que o primeiro-ministro é um servidor do soberano, não lhe basta alegar que é o soberano que tem que provar a culpa. Porque não é. O primeiro-ministro é que tem que prestar todos os esclarecimento que provem que merce a confiança do soberano. Ou seja, na relação entre o primeiro-ministro e o soberano, inverte-se o ónus da prova. Quem tem que provar que está acima de suspeita é o primeiro-ministro. O soberano não tem que provar nada, porque é o soberano.

2. «Ele [José Sócrates] não tem que defender-se de provas que ainda não foram apresentadas. Estamos perante uma inversão do ónus da prova.».

3. Diga-se que concordo genericamente com a posição apresentada no ponto #1. Acrescentando que muito me divirto com a forma como, entretanto, alguns dos que eram pelo ponto #1 agora são pelo ponto #2 e vice-versa.

 

(Nota: registe-se contudo que a forma como Passos Coelho respondeu no Parlamento às perguntas levantadas pelos restantes deputados foi mil vezes melhor do que a atitude que Sócrates adoptou nestas situações.)

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O sistema

«Do BES eu não espero nada, porque eu não fui enganado pelo BES». Ou, descodificando, do BES e do dr. Salgado não posso dizer mal porque o BES e o dr. Salgado deram-me muitas vezes a mão e há cumplicidades e histórias que obrigam-me a ficar calado (nisto, os presidentes dos três grandes estarão completamente alinhados).

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Sábado, 27.09.14

Activo tóxico

José Sócrates, apesar de ter declarado o seu apoio, não teve presença em qualquer evento da campanha de António Costa. Evidentemente, Costa, ao contrário de Seguro, não é parvo. Seguro foi tão parvo que deixou Sócrates participar na  campanha das europeias, precisamente no último dia, levando agora com esta: «Capoulas Santos, que foi director de campanha de Sócrates nas eleições internas em 2011, recorda que a última vez que o ex-líder socialista apareceu numa campanha foi nas europeias e "não foi agradável a forma como a comunicação social tratou" esse acontecimento. "O centro dessa acção de campanha foi ele, e não o Seguro ou o Assis. Admito que o eng.º Sócrates tenha optado por ter uma posição mais discreta para não se repetir esse filme. Mas ninguém tem dúvidas sobre quem é que ele apoia", diz ao i o ex-eurodeputado.» É a paródia. É óbvio que não há dúvidas sobre quem tem o seu apoio, mas também não há dúvidas que a sua presença teria o potencial de tirar mais votos do que de os dar (os que podia dar, já estão assegurados), mas o reparo ao tratamento dado pela comunicação social é o que mais diverte: não só a direita fez da colagem do PS de Seguro a Sócrates o tema principal da sua campanha, como o homem apareceu e limitou-se a dizer que «a direita e em particular Paulo Portas – que aproveitou para fazer um trabalho sujo dentro da coligação -, alternaram entre o ódio e a imbecilidade». Uma pessoa até pode ser levada a pensar que Sócrates não só quis participar na campanha europeia para dar nas vistas, como fê-lo de forma a prejudicar Seguro tanto quanto possível.

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Sexta-feira, 26.09.14

Fosun vs Mello, descubra as diferenças

Ainda que o sindicato bancário nacional gostasse que os endividados Mello ficassem com a ES Saúde, eu também gostaria se, independetemente da sua nacionalidade, os Mello tivessem a capacidade de actuar desta forma: Quando anunciou preliminarmente a oferta, em que o preço a gastar era apenas de 451 milhões de euros, a Fosun garantiu que o dinheiro pago pela seguradora seria todo financiado com fundos próprios, ou seja, sem recurso a financiamento bancário. Mas se assim fosse, os Mello não estariam à rasca com a aprovação da sua OPA por parte da CMVM (que, parece-me, tem tido actuação exemplar neste processo).

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Sigílo bancário

Ainda no post que antecede este, por uma questão de transparência, sinalizei que veria com bons olhos que os (candidatos a) primeiros-ministros revelassem as declarações de impostos dos anos que precedem a candidatura, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América, mas este pedido de levantamento, por parte de António José Seguro, do sígilo bancário do PM é ridículo e perigoso. Há certos limites que não deviam ser ultrapassados em política. Seguro, que aparenta andar particularmente afectado pelo disputa com Costa nesta fase final das primárias, ultrapassou-os largamente. Com alegria nos livraremos deste tipo, pelo menos por uns tempos, em breve.

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Quinta-feira, 25.09.14

Sobre o IRS dos Primeiros-Ministros

President Obama and Vice President Biden: 12 Years of Tax Returns

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Quarta-feira, 24.09.14

O jogo

 

Acabei de ver a primeira temporada de The Wire, cujo argumento achei particularmente bom. Desta primeira temporada, a conclusão final a tirar é que por muito que um par de indivíduos tente mudar um sistema corrompido, o sistema tenderá a ganhar. A mensagem não é bonita, mas estará mais próxima da realidade do que qualquer outra. Às tantas, um personagem que no inicio é-nos apresentado como tendo os seus podres e estando a caminho do topo, opta por fazer o que está correcto. Ao tentar inverter as regras do jogo, falha miseravelmente e acaba posto de lado. Foram os podres que o colocaram numa posição na hierarquia capaz de fazer alguma diferença; foi a tentativa de distanciamento destes que o afastou dessa mesma posição. O sistema tritura quem se lhes opõe. E ter e continuar a somar podres ao longo da caminhada dentro do sistema, pela cumplicidade e garantia de controlo que acarreta por parte de quem os conhece, é uma necessidade para quem quer ascender na hierarquia. Finda esta primeira temporada, fiquei a pensar quanto daquilo também espelha a forma como se ascende ao poder em Portugal.

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Terça-feira, 23.09.14

Feminismo

 

Aqui há uns tempos, foi-me recomendado que visse o Antonia's Line. Se bem me recordo - e sou dos que se esquece rapidamente das obras a que não acha particular graça -, o filme, dirigido pela feminista Marleen Gorris, atribui papéis periféricos aos homens, na categoria (permitam-me simplificar e caricaturar um pouco) de canalha, violador, submisso, cobarde, suicida, tonto, playboy; enquanto reserva para as mulheres, a começar na personagem principal Antónia e passando pela sua filha e a sua neta, o estatuto de independência, liberdade, inteligência, justiça, fulgor. A título de exemplo, numa das histórias do filme, a filha de Antónia "produz" a neta desta última, de forma premeditada, num encontro com um qualquer playboy de quem se desfaz prontamente, sem o avisar do resultado do seu "trabalho", para assumir a recém-nascida como mãe solteira, acabando por se envolver posteriormente numa relação lésbica. A neta de Antónia, por seu lado, acabará por revelar-se um prodígio de inteligência (incompreendida por um professor limitado do sexo masculino) que, após a passagem de vários pseudo-intelectuais pelos lençóis da sua cama, acaba por aceitar juntar os trapos com um conhecido de infância com um QI bastante inferior ao seu, por mera questão de comodidade, e quando dessa relação resulta uma filha (o filme também se podia chamar o estranho caso das gajas que só dão à luz gajas), rapidamente demonstra desinteresse total na mesma, dando preferência às profundas questões intelectuais que fazem parte do seu trabalho. Não vou dizer que tudo no filme é mau, nem ignorar que o mesmo procura, parcialmente, reflectir no feminino aquilo que é a representação que é feita com naturalidade do lado masculino, demonstrando com isso as diferentes expectativas que recaem sobre «eles» e «elas» - o choque que me causou é propositado, portanto [e note-se que o filme é de 1995, vinte anos passados as expectativas já se alteraram alguma coisinha] -, mas também não vos vou mentir ao ponto de dizer que não considero algumas dessas diferentes expectativas como naturais, tão naturais como o facto de à mulher ter sido dada pela natureza a função de engravidar (e amamentar o recém-nascido) e ao homem maior força física (destas e outras diferenças, algumas diferenças socioprofissionais têm de resultar; a igualdade absoluta em todos os campos é uma impossibilidade). E vem isto a propósito da forma como o feminismo está de novo na berra: seja pela actuação recente da Beyonce no VMA (foto no topo) assumindo a palavra como uma que a define, seja pelo discurso de Emma Watson na ONU no mesmo sentido. Mas uma mera palavra, como se sabe, pode esconder em si diferentes significados e, embora as feministas não gostem que tal seja dito, algumas delas deram mau nome à causa ao não conseguirem esconder a misandria subjacente ao seu pensamento. Além disso, diz-me a experiência (e a lógica: lembre-se que é o enquadramento do que é bem aceite socialimente que elas pretendem mudar), que típico das feministas pretenderem ser polícias dos costumes e advogadas de acusação pelo novo politicamente correcto que procuram criar - lembram-se da treta da criminalização dos piropos? -, o que é somente das coisas que mais detesto. Suspeito, aliás, que uma esquerda que vai perdendo as suas bandeirinhas possa ter nessa ressurgência em força do feminismo outra a que se agarrar. Entretanto, noto, estabelecendo associação clara entre as duas coisas, que Hillary Clinton (citada no discurso de Watson) está à beira de se recandidatar à presidência dos Estados Unidos. Hillary que, para alguns sectores - onde se incluem muitas feministas -, tem de ser eleita Presidente dos Estados Unidos só porque sim, ou, melhor dizendo, porque é mulher. E será de estranhar que Hillary seja tão do agrado de muitas feministas, enquanto Merkel, igualmente mulher, não provoque igual delírio? Talvez o defeito de Merkel seja não precisar a toda a hora de fazer vingar o seu estatuto de mulher enquanto argumento político: ela é boa política porque é boa política. Na prática, ela representa a concretização daquilo a que as feministas deviam aspirar, não? Também por isso, abaixo Clinton, viva Merkel.

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Da investigação (2)

Mais dados para cima da mesa. Dados que colocam o próprio Parlamento, perante a informação prestada aos jornalistas, na berlinda. E o busílis da história mantém-se: Passos Coelho recebeu, ou não, dinheiro da Tecnoforma enquanto era deputado no final da década de noventa? É a partir desse pressuposto que todas as outras acusações fazem, ou não, sentido. A suspeita de que o terá recebido - facto que o próprio optou, alegando falta de memória, não negar de pronto -, coisa que pode ser suficientemente grave, independentemente da sua prescrição perante a justiça, para justificar a queda do primeiro-ministro, não pode ficar no ar como se nada fosse. A questão agora é essencialmente política (é o carácter e a seriedade do homem que lidera o Governo o que está em causa) e seria inadmissível que viesse a morrer em águas de bacalhau sem que mais esclarecimentos fossem prestados.

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Segunda-feira, 22.09.14

Da investigação

«Na sequência de um pedido efetuado hoje pela Lusa». Portanto, durante dias informam-nos que Passos exercia o cargo em regime de exclusividade e hoje, só hoje, é que lembram-se de averiguar se tal é verdadeiro?

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Domingo, 21.09.14

Luta na lama

António Costa não faz ataques pessoais, mas ainda em entrevista recente dada à RTP informação respondeu à observação de Seguro de que o autarca lisboeta tinha passado os últimos anos a ver os problemas do país da janela do município com referência à vida nos corredores do Parlamento de Seguro. Se a observação de Seguro foi um ataque pessoal, a de Costa será o quê? Uma constatação da realidade? Enfim, é óbvio que António Costa também passa a vida em ataques pessoais dirigidos ao seu adversário, a própria existência da sua candidatura - anormal em política segundo José Sócrates - é em si mesmo um ataque pessoal a Seguro. É a pessoa de Seguro que está em causa, não as suas ideias. E se os apoiantes de Costa não gostam da estratégia de vitimização de Seguro, que outra coisa que não vitimização é esta de Costa passar a campanha eleitoral a lamentar a opção de Seguro pelos ataques pessoais? O estilo é menos calimero, mas nem por isso deixa de ser uma estratégia de vitimização. Há mais: sobretudo os socráticos, agora alinhadíssimos com Costa, abominam a estratégia de Seguro de opor a sua candidatura à da corte lisboeta. Talvez o erro de Seguro seja não ter optado pela «aristrocracia», ou como afirmou José Sócrates um dia: «Aqueles gajos que se achavam a aristocracia pensavam que eu tinha que ir lá pedir, pedir se podia, pedir autorizações. E eu pensei, raios vos partam, vou vencer-vos a todos! E foi o que fiz!». Mas há mais: Costa não gosta de "insinuações", nem de ataques pessoais, o que será isto: «Eu acho que ele sabe seguramente do que fala, basta ler o Correio da Manhã para percebermos que quem partilha consultores e colaboradores com Luís Filipe Menezes sabe certamente o que é esse bloco central do ‘bafon’ que existe em certos domínios da vida portuguesa. Eu, felizmente, tenho tido a minha vida política longe desses mundos». A declaração é de entrevista à CM TV, onde Costa deu-lhes precisamente o que eles queriam e fez capa no jornal. Mas o amigo que trabalhou para Menezes e "trabalha" para Seguro, também trabalhou para Costa, e não se coibiu de tecer um ou outro comentário sobre a observação costista. Como se constata, a campanha no PS não está bonita.  E ainda que admitamos que é Seguro quem tem levado a mesma para a lama, se Costa tem a vitória assegurada - é o que a comunicação social nos conta -, porque leva o debate para o mesmo terreno? Algo aqui não bate certo. 

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Sábado, 20.09.14

Das falhas de memória

Quando li esta notícia de José António Cerejo no Público pensei imediatamente que era obrigação de Passos Coelho esclarecer se tinha ou não recebido dinheiro da Tecnoforma enquanto exercia a função de deputado em regime de exclusividade e, se sim, por que motivo tem a «convicção de que sempre cumpriu as suas obrigações legais». E é assim porque quem tem a responsabilidade política de um PM não está só obrigado a justificar-se perante a justiça. A fraca memória evidenciada, que entendo como reveladora de alguém que não se quer comprometer com afirmações agora que possam ser desmentidas posteriormente, não é tranquilizadora. Não larguem o osso senhores jornalistas: investiguem, pois a investigação também não é só do domínio da polícia judiciária.

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Sexta-feira, 19.09.14

Mobilizar Portugal

Quinta edição do reality show teve 105 mil inscritos

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Quinta-feira, 18.09.14

Civilização e democracia

Antes (é o melhor que foi possível encontrar):

 

 

 

Depois:

 

 

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O fim da impunidade

Agora que estão assumidas as «responsabilidades políticas» podemos todos descansar.

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Quarta-feira, 17.09.14

Modelo de sociedade e sistema económico

(imagem tirada daqui)

 

Quem põe em causa o novo «modelo de sociedade» defendido pelo Governo, «está a pôr o sistema económico em causa», explica agora Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida, economista artista que estava radicada em Paris, filha do maestro Victorino de Almeida, sendo que o pai ainda na última segunda-feira estava do lado dos "artistas" que foram ao Prós e Contras defender a proposta do Governo (vê-los ali como os únicos que davam o peito às balas pela proposta do tonto do secretário de Estado provoca ao mesmo tempo riso e tristeza: esta gente vende-se por pouco). Um debate que, segundo o ex-liberal e deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim, foi ganho claramente pelos Prós. O único de toda a gente que sigo no twitter e que acompanhou o debate a considerar tal coisa, mas revelador do que se segue na Assembleia da República (declaração pessoal: tenho vergonha de um dia ter tido boa opinião de Carlos Abreu Amorim). O bloco central de interesses, muito alinhado, a revelar o que há de pior na sua natureza. O próprio CDS quer distanciar-se, mas bem sabemos que quando o CDS quer mesmo bloquear a aprovação de uma proposta na AR, não lhe têm faltado armas e o PSD acaba por ceder. Se neste caso não as utilizou/utiliza, é porque não dá particular relevância ao novo «modelo de sociedade» e, perante isso, da minha parte, dou-me por esclarecido. Dito isto, a título de curiosidade e porque era um dos artistas na plateia do Prós e Contras, lembrei-me de ir ver quantos seguidores tem no spotify o brilhante Carlos Alberto Moniz. Sabem quantos? 6. Seis. Gatos. Pingados. E, lembrei-me dele vá-se lá saber porquê, Fernando Tordo, quantos terá? 69. Sempre é dez vezes mais. Paulo de Carvalho, outro dos artistas presente no Prós e Contras? 227. Está a melhorar. Para fechar as contas dos artistas do Prós e Contras, Miguel Ângelo, quantos seguidores terá? 224. Ó diacho, autores com tão grande valor e o número de seguidores no Spotify não passam desta pobreza franciscana? Haverá alguma relação entre esta pobreza no número de seguidores no spotify e o seu alinhamento com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)? Por outro lado, como é que será com outras figuras que não vi entre os mamistas do Prós e Contas? Por exemplo, Ana Moura? 9672. Anselmo Ralph? 16716. Os Moonspell? 11604. Até o Tony Carreira, no universo digital do Spotify, chega aos 3764 seguidores. Entre as elites culturais, há um desprezo pelo popularucho Tony, mas o meu desprezo vai todo dirigido para aquele grupo de "artistas" que praticamente ninguém tem interesse em ouvir de borla, quanto mais efectuar cópias de trabalhos adquiridos previamente, que foi dar a cara por uma proposta sem sentido deste Governo.

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Segunda-feira, 15.09.14

Da perseguição política

Ao contrário do que sucede com Armando Vara, não tenho convicção pessoal formada, por falta de elementos, a propósito do caso pelo qual Maria de Lurdes Rodrigues foi julgada (e mesmo políticamente, por estranho que possa parecer, tenho alguma simpatia pelo seu trabalho à frente do ministério). E sendo certo que a infalibilidade da justiça não existe, Maria de Lurdes Rodrigues pode e deve recorrer da condenação de que foi alvo. Agora, o que não tenho pachorra, mesmo, é para o discurso da «perseguição política». Um discurso que é recorrente em todo e qualquer político e, também por isso, desprovido de valor. Este achincalamento da justiça foi, aliás, traço dominante durante a governação socrática - que se dizia perseguida por esta - e são tempos de muito má memória. E menos pachorra tenho quando alguns dos que alinham pelo mesmo diapasão são, em boa parte, aqueles que demonstraram profunda indignação com as críticas que alguns políticos fizeram e fazem a um tribunal inegavelmente político como é o Tribunal Constitucional. Será que não reparam na contradição, na hipocrisia?

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Os plantéis (Porto)

 

Quem pode, pode. E o Porto, em Portugal, deve ser o único capaz de fazer uma revolução do plantel ao nível da que fez este ano. Revolução absolutamente necessária num clube que apresenta um bom historial de entradas a matar após temporadas futebolísticas de má memória. Mas vamos às mexidas: jogadores que já demonstravam cansaço/falta de ambição ou pouco potencial para progredir, como Defour, Varela ou Fernando, saíram, a que se soma a venda milionária do defesa francês Mangala. Por outro lado, um jogador que se pensava estar de saída, o matador Jackson Martinez, não só ficou, como aparenta ter novo fulgor e estar longe do jogador desanimado da última época. Além disso, mostrando que a direcção terá aprendido alguma coisa com os problemas evidenciados em épocas passadas, o ataque foi reforçado com Adrián López, que ainda não fez por justificar o preço pago por ele, e o camaronês Aboubakar, o que torna a frente de ataque portista, pelo menos em teoria, numa armada poderosíssima e, se necessário, menos Jackson-dependente. Mas as entradas de jogadores não se ficaram pela frente de ataque. Na defesa - entre muitos outros reforços que aparentam vir para ter um papel mais secundário -, para colmatar a saída de Mangala, entrou o internacional holandês Martins Indi, defesa sólido que não deve ter problemas em impor o seu futebol. No meio-campo, de forma algo inesperada, apareceu um Rúben Neves de meros dezassete anos, a praticar bom futebol e a prometer muito para o futuro. A coisa torna-se ainda mais inesperada quando sabemos estar numa época em que se fala tanto, com razão, da falta de jogador portugueses a dar nas vistas. Este, pelo menos, está merecidamente a dar. Mas nem o Porto tem dinheiro para fazer uma revolução sem recurso a soluções que podem trazer alguns problemas: por exemplo, Casemiro para colmatar a saída de Fernando; Tello para ocupar o lugar de Varela; e Óliver Torres para dar uma criatividade à equipa que na época passada por vezes escasseava, vieram todos por empréstimo (curiosamente, cada um de um dos três primeiros classificados do campeonato espanhol da época passada). Todos eles podem acrescentar algo de novo ao Porto, mas todos eles parecem traduzir-se mais numa aposta de curto-prazo, período em que o Porto sente-se forçado a dar a volta à má época do ano passado sem deixar margem para qualquer dúvida, enquanto descura questões de médio-longo prazo. O mesmo pode ser dito daquele que tem sido, pelo menos até agora, o reforço com maior impacto nos jogos já realizados: Yacine Brahimi. Talento puro. Mas foi contratado e logo o Porto vendeu a maior parte do seu passe à Doyen, num negócio que parece estar associado ao de Mangala, num esquema semelhante ao que terá sido proposto ao Sporting no caso Rojo. O futuro dirá se o Porto decidiu melhor do que o Sporting, ou vice-versa, mas enquanto Brahimi passeia a sua classe pelo relvado do Dragão - tal como Rojo, sem que os sportinguistas então se queixassem, passeou a sua classe pelo relvado de Alvalade -, não posso deixar de achar que o Porto terá razão e os fundos, se bem aproveitados, sem demagogia e populismo, são um bom instrumento para rentabilizar a actividade do clube. Que mais pode ser dito do plantel do Porto? Que ainda falta provar se Herrera e Quintero deixam apenas de ser jogadores com enorme potencial e elevam o seu nível de jogo ao que o potencial promete. Que se outras soluções falharem, o Porto ainda foi buscar um talento brasileiro chamado Otávio. Que com tantos recursos, para tristeza de alguns portistas, Quaresma anda a ser sentado no banco. Que Julen Lopetegui tem tudo para ser herói, mas, se falhar, rapidamente virar vilão.

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Os plantéis (Benfica)

 

O Benfica parecia que ia atravessar uma época difícil, fruto de problemas financeiros derivados do caso BES, mas eis que pelos lados de Carnide alguém deve ter encontrado petróleo. Tanto assim é que entre algumas aquisições dispendiosas, o clube da Luz ainda "investiu" na recompra da maior parte dos passes que estavam no Benfica Star Funds por "meros" 30 milhões de euros. A alteração foi tão brusca que o mesmo Carlos Daniel que dizia das vendas do Benfica serem o exemplo de como se destruía uma excelente equipa num abrir e fechar de olhos, passou a observar que este Benfica é mais forte do que o do ano passado. Será mesmo? Não tenho tanta certeza. Mas continua forte, não há dúvidas quanto a isso. A maior sangria esteve no sector defensivo, onde as perdas de Oblak, Garay e Siqueira não terão sido colmatadas com jogadores de igual valor: nem desportivo, nem de potencial de valorização para venda futura. Eliseu, apesar de tudo, cumpre - e ainda há Silvio, que manteve-se por empréstimo e pode vir a ser peça importante -; Júlio César, em fim de carreira, é esperar para ver - Artur, entretanto, já custou pontos -; e Jardel é um defesa certinho, suficientemente bom para o campeonato português, mas muitos furos abaixo de Garay. No meio campo, a perda de André Gomes não parece preocupante, tanto mais quando o Benfica investiu forte com a compra do internacional grego Samaris e do italiano ainda jovem, mas talentoso, Cristante. Mas o principal para as aspirações do Benfica é a a continuidade, pelo menos até Janeiro, do trio argentino constituído por Enzo Perez, Salvio e Gaitan. Com estes três - e ainda que Markovic tenha saído -, a dinâmica ofensiva do Benfica continuará certamente a dar cartas. Por falar no sérvio que foi vendido ao Liverpool, também há este ano o miudo Talisca, que começa a dar ares de poder vir a ser um jogador com futuro, e sobre o qual José Mourinho, ao afirmar que só não está já em Inglaterra por faltar-lhe um «work permit» (licença de trabalho), deixou no ar a impressão de que seguirá os passos de Ramires e do próprio Markovic, sendo que o clube lampião só está a servir de interposto para o jogador antes deste chegar ao seu destino final (esta estratégia do Benfica de servir de interposto a jogadores que, por falta de «work permit», não podem ir imediatamente para Inglaterra, na verdade e como se pode constatar pelos dois nomes que já mencionei, não tem corrido propriamente mal). Talisca que tem andado a fazer o lugar de Rodrigo, jogador que deixou saudades nos adeptos encarnados. Mas se Talisca terá potencial, não é menos verdade que ainda está muito verdinho. Talvez por isso - a que se soma a saída de Cardozo -, sentiu necessidade o Benfica de ir buscar o experiente e «com historial de golo» Jonas. Some-se a isto o defesa regressado de empréstimo e internacional argentino, Lisandro Lopez; o segundo melhor marcador do campeonato do ano passado, Derley; o português, que alguns diziam que devia ter sido convocado por Paulo Bento para o Mundial, Bebé, agora Tiago; jogadores que nem calçam no Benfica, mas seriam titulares na maior parte dos clubes portugueses, e percebe-se que, sim, o Benfica continua a ter um plantel fortíssimo para a liga portuguesa. Jorge Jesus, ao contrário de Marco Silva, não se pode queixar da falta de ovos.

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Os plantéis (Sporting)

 

O Sporting ganhou Nani, o que lhe garante maior poder de fogo nas alas, mas perdeu Rojo, o pilar da sua defesa. E ficou ainda sem Dier que, até por já estar ambientado, parece-me que seria melhor alternativa para o eixo defensivo do que Sarr. Além disso, no ataque, continua sem Montero, tem um Slimani desmotivado (a cenoura é importante: no primeiro ano o jogador dá o seu melhor, se a coisa corre bem, no segundo é normal que o jogador só mantenha a felicidade ou com melhoria salarial substancial - que o Sporting aparentemente não lhe quis dar -, ou com saída para um clube que lhe dê o salário pretendido - o que o Sporting impediu que acontecesse) e um japonês, bem como um francês, que são duas incógnitas. Contratou um escocês que pode não passar de um puto com tão bom marketing quanto o Freddy Adu e um búlgaro que ainda nem vi jogar. No meio campo, o trio do ano passado manteve-se, mas se Adrien continua a ser um jogador bom, mas não de top, André Martins mantém-se um jogador mediano e William Carvalho está uma sombra do que foi no passado. Um espanhol qualquer que andava a jogar pelo campeonato super competitivo que se disputa em terras do Tio Sam veio para ser alternativa a Carvalho, mas este, até por nem calçar muitas vezes, nem do «efeito Montero» de curto-prazo beneficiará e suspeito que pode ir imediatamente para a categoria de flop onde o avançado colombiano já faz figura de corpo presente. A forma como o Sporting actua no mercado demonstra evidentemente - e relativamente a Porto e Benfica - um clube com parcos recursos, que nas compras procura pechinchas em mercados mais periféricos e até nas vendas, de forma a assegurar liquidez de curto-prazo, meteu-se num imbróglio jurídico para assegurar mais dinheiro do que aquele que estaria inicialmente previsto receber. Para piorar as coisas, se o melhor jogador do Sporting é Nani, qualquer fruto da sua valorização no mercado não irá para o clube visto que o jogador só está em Alvalade por empréstimo. E não sei até que ponto o «efeito Nani», que chegou e já é a estrela incontestável da equipa, se repercute de forma negativa nos restantes jogadores do plantel, que estando efectivamente muitos furos abaixo do internacional português, são em boa parte os mesmos que fizeram o brilhante campeonato do ano transacto e devem sentir que esse mérito não lhes está a ser reconhecido (era um efeito previsível - ampliado pela forma como os sportinguistas reagiram à contratação de Nani -, pois a partir do momento em que foi contratado só William podia disputar-lhe a influência, mas se o vai fazer, nestes primeiros jogos, ainda não o demonstrou: o que traz velhos fantasmas do passado de jogadores com potencial que ao não sairem do Sporting logo que tiveram oportunidade acabaram por ficar prejudicados, como Moutinho). Por fim, se este Sporting parece estar pior do que o do ano passado, pior ainda estará se pensarmos que o plantel desta vez vai ser sujeito aos jogos desgastantes, mas muito importantes, da Liga dos Campeões. Marco Silva, sobre quem já recai alguma contestação, não terá vida fácil. Até porque muito depende este Sporting, por ter um plantel mais fraco do que os dos seus opositores, de um treinador competente.

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Domingo, 14.09.14

A porca da política

Quando Vítor Bento e João Moreira Rato foram escolhidos para ficar à frente do BES, houve quem os confundisse com os Armandos Vara do PSD. Por outro lado, outros não se cansaram de elogiar a escolha e, com isso, elogiavam obviamente quem os tinha escolhido. O pedido de demissão de Vítor Bento e de Moreira Rato, mostra, pelo menos, que Varas não eram certamente. Nada que incomode os que já eram críticos, agora criticam por outro motivo qualquer. Para esses, Vítor Bento, por questões políticas passadas, é alvo a abater, dê lá por onde der. Por outro lado, por parte de quem achava a escolha muito boa, agora descobre-se defeitos que anteriormente não tinham ou, se tinham, não haviam sido realçados como particularmente relevantes. A capa do DN deu o mote: «nova equipa com perfil mais técnico e menos político». O spin para responsabilizar Bento como uma má escolha (com o foco mais na escolha do que em quem escolheu) e justificar os novos como uma boa escolha, melhor do que a anterior, é evidente. João Vieira Pereira, jornalista do Expresso sempre muito benevolente para com Carlos Costa, escreve agora no twitter que «finalmente uma equipa de banqueiros». Maravilhoso, até porque ao que me recordo Vieira Pereira foi dos que concordou com a escolha de Vítor Bento. Mas a ideia que importa passar agora é a seguinte: Bento tinha perfil político e não era um técnico. Bento era má escolha. Bento era incompetente para o papel. Bento não aguentou a pressão. Bento andava aos papéis. Ainda bem que Bento foi-se embora. «Finalmente uma equipa de banqueiros»: que enorme lata! Por fim, e para não me alongar mais, ontem, Marques Mendes, hoje, Paulo Portas - o homem da «demissão irrevogável» (a diferença da dele para a de Bento é que a dele, reveladora de um homem sem palavra, foi apenas jogada estratégica para ganhar peso no Governo, meter o amigo Pires de Lima lá dentro e livrar-se de Santos Pereira) -, também trituram Vítor Bento. Sobre Carlos Costa, a alcoviteira do reino foi muito mais contida, do ministro não lhe ouvi sequer um único indicio de crítica. Nuno Melo, entretanto, também anda desaparecido em combate. Bento é o bode expiatório para explicar o insólito. Feliz dia o dele em que recusou ser ministro das finanças - já lhe teria acontecido o mesmo que aconteceu com Vítor Gaspar -, infeliz dia aquele em que decidiu aceitar a missão BES. Resumindo: em política, qualquer pessoa séria e integra está sujeita a ser enxovalhada.

publicado por Mr. Brown às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 13.09.14

O irmão metralha

Quando o caso BES já estava bem quente e Salgado praticamente queimado, Mário Soares alegou que «nós fizemos tudo e estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável», acrescentando que teve «sempre o culto da amizade. E [teve] sempre o culto da amizade por muita gente.». Na altura, suspeitei que o ex-presidente tinha, entre outras coisas, Ricardo Salgado - e o que sucedia ao BES - na cabeça. Julgo que não me equivoquei. Até porque agora, em declarações à RTP, disse ainda que «Quando ele [Ricardo Salgado] falar, e vai falar, as coisas vão ficar de outra maneira. Ao princípio era tudo banditismo, mas agora os portugueses já perceberam que não é assim». Proença de Carvalho tem aqui um belo adjunto e se o branqueamento das actividades fraudulentas do amigo Salgado, ainda que a imprensa internacional tenha dado grande destaque ao caso (exibindo-o como um irmão metralha), é para levar em frente no âmbito nacional, o amigo Soares dá um bom tiro de partida. Acrescente-se que na mesma reportagem exibida hoje na estação pública, Mário Soares contou com brevidade a história de como o BES, aquando da privatização, regressou à família Espírito Santo por sua intervenção directa: em conversa onde Soares solicitava a Salgado para assumir o controlo do banco, este respondeu-lhe que não tinha dinheiro para concretizar tal operação, mas super Mário logo o tranquilizou, dizendo que dinheiro não era um problema. Bastou um telefonema a François Mitterrand, o Crédit Agricole foi metido ao barulho e, voilá, fez-se luz. E o dinheiro nunca mais foi um problema. Até agora. Quando tantos falam na promiscuidade entre poder político e económico como algo de muito negativo, achei esta uma bela história. É, aliás, exemplar de um certo modus operandis enraizado na sociedade portuguesa. Assim geraram-se os grupos de amigos influentes que deviam favores uns aos outros e garantia-se a preservação do status quo [Cavaco - Dias Loureiro - Oliveira e Costa: a mesma história precisamente]. Nunca houve um só «dono disto tudo», existem é os que se julgam e, em parte, têm sido «donos disto tudo». É um grupo, não é uma individualidade. E Soares faz parte desse grupo. De resto, bem diz Seguro que quem apoia Costa tem mais queda para a promiscuidade.

publicado por Mr. Brown às 23:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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