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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Milagre de Santo António

António Costa lembra que diminuiu a dívida da Câmara de Lisboa. Pudera: Estado assume 43% da dívida da Câmara de Lisboa.

«Se tiver vergonha na cara»

Este comediante não a tem, vergonha na cara: Deputado próximo de José Sócrates quer demissão de Passos Coelho. E enquanto o PS não se livrar desta gente no partido está muito mal servido e não pode ser levado a sério. Porque não pode ser levada a sério qualquer pessoa que rasgue as vestes a propósito das histórias mal contadas de Passos Coelho, mas mantenha silêncio ou relativize a sem-vergonhice a uma escala mil vezes superior que são as histórias em torno de José Sócrates. Para essa gentinha, o ataque à seriedade e autoridade moral de um político é apenas matéria instrumental para o ataque político do momento, dirigido a alguém que defende e aplica ideias diferentes das suas, mas nunca uma questão de princípio. O único principio é defender os nossos e atacar os outros. A indignação é selectiva. A indignação esconde uma peça de teatro. E o país tem sido isto, não passa disto e vai continuar a ser isto.

O eixo do mal ibérico *

Aqui este pobre coitado contínua desesperado. Percebe-se, o coitado não está com vida fácil. Enquanto os alemães já aprovaram a extensão do programa grego por larga maioria no Parlamento, alguns gregos voltaram às manifestações com vidros partidos, sendo que as divisões no Syriza em relação àquilo que foi acordado continuam a se fazer sentir. Cerca de 1/3 dos deputados do Syriza não gosta do que foi assinado e fá-lo por demonstrar, ao mesmo tempo que é colocado em causa o quê que aquilo que foi assinado obriga e compromete o novo governo em funções (que, aparentemente, assina coisas sem garantir de assegurar todas as implicações legais do que assina). Mais, o superstar Varoufakis, que nas palestras antes de se apanhar no poder era muito assertivo e sabia como resolver tudo, agora, revelando no mínimo amadorismo, tem de perder tempo no twitter a tentar explicar histórias que continuam por explicar (a história em causa está relacionada com algo que muita gente suspeita, para não dizer que existe certeza sobre o assunto: o documento enviado pelos gregos com aquilo que se comprometiam a fazer, teve de ser minimamente negociado com as instituições antes do draft final tornar-se público). Mas há mais: uma das coisas que o Syriza tenta apresentar como uma vitória relativa das negociações com o Eurogrupo é a possibilidade de maior flexibilidade no objectivo para superavit primário. Essa narrativa tem apenas um pequeno problema (bem sabemos como o diabo pode estar nos detalhes): os gregos tinham um objectivo que estava fixado para um país que já tinha alcançado superavit, contudo, desde que ficou claro que o Syriza ia conquistar o poder, parte dos gregos cortaram nos impostos que pagavam e o superavit que já tinham, se não virou défice, desapareceu quase por completo, o que significa que qualquer potencial ganho de menor austeridade passível de ser obtido pela flexibilidade da meta tenderá a ser perdido por irem partir para o cumprimento daquilo com que se comprometerem de um ponto de partida pior. Também por isso, não é de estranhar que para quem vinha com a conversa do fim da austeridade, dê alguma graça ver que já admitem uma contribuição extraordinária dos mais ricos. Mas a austeridade já não tinha acabado? Ou como é sobre os gregos ricos já não conta como austeridade? Com tudo isto, o dinheiro dos bancos, esse, teima em não regressar à Grécia descapitalizada (pelo contrário, continua a sair, o que contradiz declarações do ministro das finanças grego). Mas, enfim, nesta fase do campeonato, quem é que pode dar grande credibilidade a este bando de amadores e utópicos que tomou o poder na Grécia? Eles que continuem a espernear que eu sinto-me muito feliz por ver o meu país a par com a Espanha a ser tratado pelo poder grego como se da sua Coreia do Norte e Irão se tratassem.

 

* como sugerido aqui.

O paralítico português

Portanto, "tontos" foram aqueles que, de entre os 107 mil portugueses em situação semelhante, notificados ou não, acabaram por pagar a contribuição exigida pela Segurança Social. Até porque, depreende-se pela história, muitos não o fizeram dado que estes pagamentos em falta não foram participados para efeito de cobrança coerciva e a prescrição era o destino óbvio destas dívidas. Afinal: 1) não são só os gregos que usam de todas as artimanhas para não pagar impostos; 2) falta moral e autoridade a um governo liderado por este PM para levar a cabo o maior aumento de impostos de que há memória na história da democracia portuguesa, fazendo acompanhar esse mesmo aumento por mecanismos de perseguição aos contribuintes incumpridores particularmente agressivos; e 3) melhor que a notificação da máquina fiscal, só mesmo a notificação do Público para pôr o PM Coelho a pagar voluntariamente o que o homem, vejam bem, já imaginava pagar em data futura. Enfim, note-se que se se tratasse de um cidadão vulgar, alegar a prescrição da coisa e não pagar nada seria aquilo que me parecia mais apropriado e teria o meu apoio: mas um PM não é um cidadão vulgar e se tomou (ou voltou a tomar) conhecimento dessa dívida passada que tinha ficado sem cobrança logo em 2012, devia imediatamente ter aproveitado para dar o exemplo. Quanto à perplexidade manifestada pelo primeiro-ministro da «circunstância de terceiros estarem alegadamente na posse de dados pessoais e sigilosos relativos à sua carreira contributiva, os quais nunca lhe foram oportunamente transmitidos pelas vias oficiais», a segunda parte desta afirmação fica arrumada pelo próprio reconhecer que tomou conhecimento da situação em 2012 (já não havia uma obrigação legal, mas a obrigação moral era evidente) e a primeira recorda-me as críticas dos socráticos à violação do segredo de justiça (não sendo difícil perceber qual a fonte, para o trabalho jornalístico de José António Cerejo ou a relevância política do principal assunto em causa, isso é matéria marginal). Para terminar, sobre questões de timing da publicação da notícia que venham a ocorrer (o que chegou aos ouvidos do PM em 2012, também já devia ter chegado aos ouvidos dos jornalistas há algum tempo): faz parte do jogo. O que interessa, no fim, é se o que é publicado é verdadeiro ou não. Se é verdadeiro, não adianta atacar o mensageiro.

Default unilateral grego dentro do Euro?

O governo de Tsipras, como não conseguiu que os parceiros europeus acordassem um perdão da dívida grega, parece tentado a levar avante, unilateralmente, um default grego dentro da zona Euro (sugerindo contrariar, portanto, tudo aquilo que anunciou nos últimos dias e exibindo toda a sua má-fé). O pensamento por trás de tal estratégia está muito bem explicado aqui. Por mim, continuo a pensar que do ponto de vista da zona Euro, perante estes gajos do Syriza, forçar a saída da Grécia do Euro é o melhor caminho a seguir e deve ser seguido sem medo.

Portugal está diferente para melhor

A polémica contextualizada: depois de em 2011 termos chamado a troika, Portugal hoje estaria sempre melhor do que estava há quatro anos (o quadro "clínico", ou seja, o quadro macroeconómico, ainda que continue a apresentar uma situação difícil, é muito mais favorável do que era há quatro anos). E seria sempre assim mesmo que tivéssemos deixado Sócrates a governar isto (enfrentar e ter de resolver parte dos nossos problemas tornou-se quase uma inevitabilidade, mais do que um fruto do mérito e clarividência do governo do momento). Contudo, dirão os críticos, durante estes quatro anos vários indicadores sociais sofreram uma degradação? Claro que sofreram. Mas isso é consequência da "doença" que nos obrigou a chamar a troika. Há processos de cura que implicam sofrimento.

Profissionalismo

De Mariana Mortágua, a malhar no super-gestor Zeinal Bava que larga um sorriso quando lhe atiram à cara o seu "amadorismo" (eu também sorria se tivesse os bolsos tão recheados quanto os dele).

«o Ministério Público adorar efabulações»

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A frase que dá título a este post, de Augusto Santos Silva (referida aqui), é de enorme relevância para explicar o actual e maior problema que enfrenta o PS de António Costa (e que replica o problema que ToZé Seguro encontrou): os socráticos continuam a ter uma influência muito grande dentro do partido e não querem largar o querido líder nem por nada. E que falta fazia ao PS libertar-se de José "Activo Tóxico" Sócrates. Nota-se, aliás, cada vez maior desconforto entre a malta socrática pelo novo líder não atirar o partido numa campanha política contra o ministério público e a justiça em defesa de Sócrates (para piorar um pouco, Costa até atreveu-se a dar uma entrevista ao Correio da Manhã, legitimando o jornal mais odiado pelo socratismo). Enfim, a liderança do PS limita-se a fazer o que um mínimo de bom senso exigia e que, recorde-se, o próprio Sócrates "pediu", mas todos sabemos que entre o que Sócrates diz e o que quer vai uma grande diferença. Sem o partido que o promoveu e onde ele promoveu muita gente, o animal feroz tem menos armas para jogar a sua defesa na praça pública e pressionar o ministério público como bem gostaria. Uma chatice: para Sócrates e para Costa.

Ahahahahahah (4)

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Sondagem. PSD e CDS coligados conseguem empate técnico com o PS

Ahahahahahah (3)

Augusto Santos Silva, outro ideólogo socrático - não confundir com o Carlos -, também no facebook:

 

1. Então vocês achavam que isto ia ser favas contadas, que o facto de a direita dominar Belém e São Bento, e os interesses dominarem os média, e o Ministério Público adorar efabulações, e os ricos terem ficado mais ricos, e os bancos terem escapado à ruína com dinheiro do Estado, e os privados estarem a comer nos despojos do Estado social, e os instalados do novo regime não quererem desinstalar-se, vocês achavam que nada disto ia contar e que ia ser um passeio triunfal do António Costa até às eleições legislativas? [nota minha: mas não bastava correr com o Seguro?] 2. Vocês não tinham ainda percebido que ia ser usado o que fosse preciso e sucessivamente abandonado o que não colasse (por ordem, a colagem aos interesses na campanha das primárias; a 'contaminação' pela detenção de Sócrates; a permanência na Câmara de Lisboa; o 'socialismo' de Ricardo Salgado; as 'taxinhas' dessa Câmara; ou, a mais ridícula, ainda não ter Costa apresentado formalmente o orçamento de Estado para 2016!), numa barragem poderosa e contínua? [nota minha: não foram os colegas de partido que colaram Costa aos interesses? Então mas não era Costa que vinha para defender o legado do querido Sócrates, agora queixa-se de contaminação? Aliás, era essa a principal marca distintiva de Costa face a Seguro. Qual é o problema de Santos Silva, afinal? É com os colegas de partido?] 3. Que ia ser aproveitado qualquer deslize, qualquer ambiguidade, qualquer palavra e qualquer silêncio? [nota minha: não, iam estender uma passadeira vermelha ao messias] 4. E que em tudo isso a direita ia poder contar, garantidamente, com o entusiasmo jornalístico por casos e descasos e com a precipitação de todos quantos, vagamente nas hostes do PS, vêem nestes momentos a oportunidade de se resgatarem a si próprios de um merecido esquecimento com alguma atitude bombástica? [nota minha: a comunicação social e este governo tem sido um caso de amor] 5. Ó camaradas, que ingenuidade! E tantos de vocês com tantos anos de tarimba, que já viram isto várias vezes! Vá lá, um pouco mais de sangue frio. [nota minha: e, no entanto, pelo comentário de Santos Silva, diria que o sangue dele está a ferver].