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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Recordar que PCP e BE ajudaram a correr com José Sócrates

António Costa, repetindo uma cassete socialista que ganhou força com o feliz chumbo desse golpe de teatro chamado PEC IV, lembra o eleitorado que PCP e BE deram o seu contributo para a queda do governo socrático. Repito: PCP e BE deram o seu contributo para a queda do governo liderado por José Sócrates, o tipo cujas histórias agora conhecidas deviam envergonhar o país por ter tido tal sujeito como primeiro-ministro. Não me parece um mau cartão de visita para as forças à esquerda do PS. Ainda que Costa escusasse de lembrar isso à malta. Penso eu. Mas ele lá sabe.

Gestão do processo Novo Banco

A seguir este caminho, começará a fazer lembrar a gestão do processo BPN, ainda que seja o Governador do Banco de Portugal quem, pelo menos na aparência, controla e decide tudo: O adiamento será menos difícil de justificar, sobretudo porque as necessidades de recapitalização só deverão ser conhecidas convenientemente em Novembro (data de divulgação dos testes de stress pelo BCE), ou seja, depois das eleições. Protelar a decisão de venda do banco para adiar a prestação de contas é péssimo sinal. E começo a lamentar, muito, ter escrito este post. Até porque, da mesma forma que Carlos Costa plantou notícias falsas na imprensa para favorecer o processo negocial, também começo a suspeitar que o governo não está tão interessado na venda imediata do banco quanto tem tentado passar cá para fora.

Défice em ano de eleições

Há uma coisa que se tem notado muito nesta recta de aproximação para as legislativas: muitos lóbis a reclamar mais dinheiro e o governo a ir fazendo várias cedências quer para não ter chatices, quer para transmitir a ideia de que a austeridade já lá vai e a partir daqui é só a melhorar. Um filme frequentemente visto neste país. Depois dá nisto: défice terá ficado em 4,9% no primeiro semestre deste ano.

Ao cuidado dos tontos que não percebem e dos demagogos que fingem não perceber

Incluindo o candidato Costa que volta e meia usa o argumento de que o governo fracassou porque a dívida subiu:

 

À pergunta: Assumiram ao início que não se conseguiria reduzir a dívida? A resposta: No sector público é uma questão de aritmética. Começou-se com um défice muito elevado, reduziu-se, mas ainda se tem um défice, por isso continua a somar-se à dívida. E muita dívida que estava escondida apareceu. Era algo que não tinha sido antecipado. E é ver a malta que escondeu dívida a fazer de conta que não só não tem nada a ver com isto, como a dizer que os outros fracassaram. Se ao menos as pessoas tivessem ideia do que aconteceu em Portugal nos quinze anos antes da troika.

Subconcessão do metro do Porto e dos STCP

Não consigo compreender como é que o governo demorou tanto tempo a tratar do processo que apanha-se agora na situação inadmissível de ter de fechar a coisa a fugir, por ajuste directo - ainda que aproveitando as bases do concurso internacional lançado anteriormente -, em cima das eleições. Tenho Sérgio Monteiro por um tipo muito competente, mas neste caso, à falta de outros dados, foi, no mínimo, imprudente. Esta justificação, no fundo, não abona muito a favor do próprio. Agora, ainda que fosse necessário avançar no imediato - por um mix de pressões de Bruxelas, que as há, e financeiras, que também as há -, não dá para ignorar que uma nuvem negra ficou a pairar sobre o caso. E todo e qualquer barulho sobre o mesmo acaba por ser facilmente justificado.

Dos grandes analistas

«Parece não haver dúvida que ao Governo interessa que a venda ocorra depois das eleições». Pelo contrário, se o melhor lado deste governo de Passos Coelho voltar a manifestar-se - e há sinais nesse sentido -, o governo nada fará para travar a venda antes das eleições, antes pelo contrário. Existirão perdas? Sim, suportadas pelo fundo de resolução. Mas ou bem que se acredita na virtude do modelo de resolução escolhido - que atira as perdas para o sector bancário (entenda-se, igualmente: a coisa vai ser paga pelos clientes dos bancos) -, ou então o Governo estaria a dar razão aos que querem confundir perdas para o fundo de resolução com perdas para o contribuinte. Carlos Costa que venda o banco e deixe aparecer um novo player, plenamente capacitado, no mercado.

Não centremos o debate na dívida

Enganam-se, por isso, aqueles que acham que nada devemos fazer senão resignar-nos, assim, como os que acham que a prioridade está em centrar a discussão na dívida. Boa, Costa, deixa-me lá lembrar quem é que assinou o manifesto do 74 (onde nos subscritores internacionais aparecia essa figura de peso na cena internacional de nome Yannis Varoufakis). Ferro Rodrigues, Trigo Pereira, Quintanilha, Galamba, Sampaio da Nóvoa, Carlos César... tanta gente que andava enganada. Felizmente, Costa, que na altura considerou o manifesto «inteligente», existe para nos afastar do engano.

Sobre as declarações de Rangel

É óbvio para qualquer pessoa com dois dedos de testa que Rangel referia-se à instrumentalização que o PS fez da justiça. É igualmente óbvio que Sócrates, até pelas histórias agora conhecidas, era gajo para instrumentalizar a justiça. Essa evidente instrumentalização da justiça ficou personificava pelas figuras sinistras de Pinto Monteiro e Cândida Almeida. Instrumentalização que contou com o silêncio cúmplice de todo o PS, inclusive do ex-ministro da justiça e número dois socrático, António Costa. O PS, invés de estar com lágrimas de crocodilo em relação às declarações de Rangel, devia antes fazer mea culpa sobre esse seu passado recente e demarcar-se da governação socrática. Coisa que não só ainda não fez, como Costa e seus apaniguados, nunca nos esqueçamos, vinham preparados para recuperá-la em forma de elogio, provavelmente a tempo de lançarem Sócrates para as presidenciais. A lata desta malta é tal que João Galamba, sempre muito activo na frente demagógica, até veio falar no PSD como o «partido dos banqueiros», esquecendo, como Rangel também fez questão de sublinhar, a ligação do seu partido a Salgado e as salganhadas verificadas em várias empresas nacionais no seguimento disso mesmo. Enfim, a malta sem vergonha que suporta o PS bem pode vir com Tecnoformas, submarinos e quejandos, que essa realidade triste do nosso passado não apagam. De resto, em qualquer sociedade séria, o que se passou com Sócrates seria motivo para amplo debate, ponderação e reflexão, no sentido de evitar que tal voltasse a suceder. Nunca este silêncio podre para onde muitos gostam de atirar o caso socrático. Por isso mesmo, obrigado Paulo Rangel. Alguma malta ficou incomodada? É normal, a verdade dói.