Sexta-feira, 24.10.14

Posição negocial "muita" forte

Porquê que Portugal saiu com o rabo entre as pernas da cimeira europeia dedicada à energia e ao clima no que às interligações diz respeito? Porque a França má do nuclear assim forçou, como conta-nos simplisticamente a nossa bela imprensa? Se beneficia todos e só a França anda a empatar, não devia ser a França a estar isolada na matéria, invés de Portugal (que, pelos vistos, nem de Espanha pôde contar com muita ajuda)? Mas o que será isto: «a primeira - e única - interligação de electricidade a ser construída nessa zona [os Pirinéus], abre em 2015 e tem só 65 quilómetros e uma capacidade de transporte de 2800 MW, mas como incluiu um túnel para soterrar os cabos nas montanhas custou mais de 700 milhões de euros, segundo o Financial Times». Com esta informação começo a suspeitar do porquê da posição negocial de Portugal não ser assim tão forte.

publicado por Mr. Brown às 22:47 | link do post | comentar

Com a autoridade moral de quem não quer cumprir os défices acordados

O presidente francês, François Hollande, disse hoje que as regras orçamentais da União Europeia «são para todos».

publicado por Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar
Quinta-feira, 23.10.14

Uma aposta

O próximo Governo, à semelhança do actual, vai continuar a testar esta hipótese.

publicado por Mr. Brown às 20:54 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Manicómio

Em Portugal, é possível defender simultaneamente a imperiosa necessidade da reestruturação da dívida pública e a nacionalização da PT (não ia ficar muito cara aos cofres do Estado, dizem). Se esta gente que defende isto não existisse, tinha de ser inventada. Os nossos "debates" públicos mais não parecem do que um enorme sketch dos Monty Python recheado de protagonistas e figurantes.

publicado por Mr. Brown às 13:40 | link do post | comentar

Vendas ao desbarato entre privados

Algo relacionado com a distinção feita no post anterior, diga-se que os nossos grandes "analistas", de Rui Tavares a Freitas do Amaral, já fizeram a sua avaliação e acham que a PT vai ser vendida ao preço da uva. Caro historiador, professor de direito e demais "analistas", esse é um problema que só diz respeito aos actuais e futuros proprietários. Com os brasileiros da Oi à cabeça, principais interessados em que a venda se faça pelo melhor preço possível [a preocupação desta malta com o preço pelo qual os brasileiros venderão uma das suas empresas é constrangedora]. Que a empresa privada X (brasileira) venda à empresa privada Y (francesa ou de outra nacionalidade qualquer) um activo ao preço A ou B interessa zero ao contribuinte ou ao Estado português. Os debates sobre a PT aproximam-se do ridículo.

publicado por Mr. Brown às 13:11 | link do post | comentar

Ler os outros (CLXVIII)

Hoje, o diário económico apresenta uma longa entrevista com Armando Almeida, o novo presidente da PT Portugal – a empresa que vende serviços e que é agora detida pela Oi. E só para manter a distinção – esta não é a empresa cujas as acções desvalorizaram na bolsa – essa é a PT SGPS, que é accionista da Oi, que é a “dona” da PT Portugal. Confuso? pois, mas esta separação entre a empresa cotada em bolsa e a PT que presta serviços é relevante.

publicado por Mr. Brown às 13:10 | link do post | comentar
Quarta-feira, 22.10.14

Histórico de metas

O Governo espera um défice de 2,7% do PIB para 2015. A confirmar-se, será a primeira vez desde 1997 que fica abaixo de 3%. Mas não é por falta de optimismo: em 12 dos últimos 19 anos, o orçamento tinha uma meta inferior a 3%. Mas este ano há uma novidade: o Governo congratula-se e faz propaganda desenfreada só por ter a tal meta abaixo dos 3%. Originalidade tremenda para ano eleitoral. Já esta outra meta, parece ter ficado esquecida no tempo: «Nós temos de entrar numa trajetória nos próximos anos que nos conduza até 2015 a um peso da despesa pública que não seja superior a 43 por cento, e mesmo assim ainda teremos défice para cobrir. As nossas metas até 2015 são metas importantes, mas não são metas finais. Nós ainda teremos de superar essas metas nos anos subsequentes».

publicado por Mr. Brown às 23:55 | link do post | comentar

Da governação desonesta

«Queremos tudo. Somos o povo do sol na eira e da chuva no nabal. É evidente que, assumindo como pressuposto a manutenção da carga tributária – num cenário à economista, em que tudo o resto se mantém constante –, obviamente que se há desagravamento do ambiente fiscal para as famílias com dependentes, há um agravamento necessariamente relativo [para] as que não têm dependentes. É tão óbvio… Não percebo como é que se possa mascarar uma coisa destas.» Como já tinha escrito, só quero que deixem de me tomar por parvo. Isto, além de ser uma «salganhada», é uma cortina de fumo para esconder uma opção política óbvia do Governo. Da forma como a coisa é feita e anunciada, estamos a brincar com coisas sérias. É propaganda. Não há decência. Não há honestidade. Há trafulhice. Pura e dura. De um Governo em avançado estado de decomposição que se sentiu na necessidade de atirar medidas para cima da mesa neste orçamento, em ano eleitoral, só para mostrar que mexe, ainda que mexa mal e tenha vergonha de assumir de forma transparente o que faz, o que apenas mete maior dó. Há em mim sobretudo desilusão. Este orçamento, este final de legislatura, as opções reveladas, revelam uma fraude política. Os despiques propagandísticos nos jornais entre os partidos da coligação, insuportáveis. Esta dupla, Passos-Portas, assim que possível, tem de ser afastada do poder. Mas afastada com humilhação nas urnas. E afastada, de preferência, para todo o sempre. Quase ao ponto de merecer ser tratada abaixo de Sócrates.

publicado por Mr. Brown às 19:21 | link do post | comentar
Terça-feira, 21.10.14

À atenção do Sr. Silva

Se Jardim quiser sair antes do tempo, é convocar eleições antecipadas.

publicado por Mr. Brown às 20:45 | link do post | comentar

Do retrocesso

Se o PCP queria nacionalizar a ES Saúde, o BE não se deixa ficar e quer nacionalizar a PT. Ainda assim, se me permitem a recomendação, olhando para o valor superior actual da sua principal concorrente, não seria melhor nacionalizar a NOS? Ou podemos matar dois coelhos de uma cajadada e nacionalizar logo ambas. Um dia seria bonito ver o PS a governar em coligação com esta gente. Ó se seria.

publicado por Mr. Brown às 19:35 | link do post | comentar

Ainda que indirectamente

É claro que penaliza. Logo a começar porque a reforma do IRS foi viabilizada a partir da subida de outras taxas e contribuições (garantindo a neutralidade fiscal no âmbito global). Agravamento de taxas e contribuições que não serão apenas suportada por aqueles que beneficiam da introdução do novo quociente familiar, não é? O senhor Paulo "chico-esperto" Núncio toma os outros por parvos?

publicado por Mr. Brown às 14:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Coisíssima nenhuma

Dinheiro virou coisíssima nenhuma (nota: e não é só dinheiro que trazem, mas não me pretendo alongar).

publicado por Mr. Brown às 13:57 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 20.10.14

Dos interesses

Accionista. Assessora. Opinadora (sobre preço-alvo). Extraordinário, não? Já estranho? Nem por isso: ainda este ano, a propósito do BES, tivemos o caso espectacular do Nomura, banco de investimento japonês que apostou forte no BES, que recomendou, no final de Julho, aos investidores a compra de acções do banco português (com um preço-alvo de 1,10€), para passadas poucas horas estas estarem a cair mais de 50% para os 0,17€ (o resto da história é a que já se sabe). Conflito de interesses? É melhor assobiar para o ar.

publicado por Mr. Brown às 22:37 | link do post | comentar
Domingo, 19.10.14

O Reino Unido e a austeridade

O Governo britânico já assegurou que a austeridade deve continuar para equilibrar as contas públicas e que não pode aumentar os salários no sector público. Continua a austeridade para o sector público no Reino Unido? Deve ser mentira, uma vez que são os campeões do crescimento dos países do G7 este ano.

publicado por Mr. Brown às 18:58 | link do post | comentar | ver comentários (5)

«Um país onde a memória é uma maria-vai-com-todos»

Recordemos alguns factos: devido ao uso da golden share por parte de Sócrates, a Telefónica não subiu substancialmente a sua oferta para ficar com a Vivo, apenas foi feito um esquema de dilatamento do prazo de pagamento para parecer que o novo valor oferecido pela Telefónia (7,5 mil milhões de euros) era superior ao valor que o governo Sócrates tinha vetado (7,15 mil milhões de euros). Entre os 7,15 mil milhões pagos a pronto e os 7,5 mil milhões dos quais só 4,5 eram pagos a pronto e os restantes 3 eram atirados para tempo futuro a diferença foi pouca ou nenhuma. Mas já sabemos que este país além de ter uma má relação com a memória, não tem outra muito melhor com a matemática. Depois temos a história do fim da golden share, com a qual, para Miguel Sousa Tavares, Sócrates não teve nada a ver. Até parece que o fim das golden shares - um fim com o qual congratulei-me - não decorreu do que estava acordado no Memorando com a troika negociado pelo governo Sócrates ou, mesmo no famigerado PEC IV, não estivesse lá isto: «No sector energético, bem como em todos os outros sectores, o Governo irá rever os direitos especiais detidos pelo Estado sobre empresas privadas e abolir esses direitos, quando necessário, de forma a garantir o cumprimento da lei comunitária». Mas, tudo bem, com Sócrates devemos ter alguma tolerância porque já sabemos que a sua relação entre o que manifestava pretender fazer e o que era concretizado nem sempre foi brilhante. Mas, acima de tudo, não estraguemos uma boa história ao escritor de ficção Sousa Tavares e aos apaniguados de Sócrates ou dos Espírito Santo.

publicado por Mr. Brown às 12:40 | link do post | comentar

O jornalismo do spin

B0PtI-9CUAEfo_3.jpg

(via: Henrique Figueiredo)

 

«Só os ministros do CDS se opuseram à taxa», conta também o Expresso. Abençoado CDS (isto teria sido tão pior não fosse o caso do partido dos contribuintes estar no Governo). Ou então isto é tudo spin do partido centrista com o alto patrocínio do Expresso. Enfim, analisando as capas do jornal dirigido por Ricardo Costa no seguimento da apresentação de medidas impopulares e parece-me que só um tolo não percebe que estamos perante o segundo caso.

publicado por Mr. Brown às 12:03 | link do post | comentar

Os tentáculos dos Espírito Santo

Tem alguns floreados jornalísticos que preferia que tivessem sido evitados, mas no global é muito boa e elucidativa esta peça do Público: Crónica do fim do império: Ascensão e queda dos Espírito Santo. E, ainda assim, faltam algumas histórias interessantes e reveladoras. Por exemplo, o dr. Manuel Pinho até para a nossa candidatura à Ryder Cup escolheu a Comporta.

publicado por Mr. Brown às 11:46 | link do post | comentar
Sábado, 18.10.14

Da "arte" dita moderna

São maiores vândalos os que deitaram a "obra" abaixo ou os que permitiram a exibição de uma "obra" daquelas naquele espaço público?

TAGS: ,
publicado por Mr. Brown às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 17.10.14

Desta originalidade não se lembraram eles

Se cortarmos mais na despesa do que o que está previsto no OE2015, pagará menos de sobretaxa em 2016.

publicado por Mr. Brown às 19:34 | link do post | comentar

Da pouca vergonha

São os números que indicam que o risco de pobreza das famílias com crianças dependentes se tem vindo a agravar. Felizmente, o Governo não foi em eleitoralismo para agradar ao lóbi das famílias numerosas e optou por aumentar o abono de família que beneficia a população com rendimentos mais baixos (que não ganhará nada com a alteração do coeficiente familiar no IRS). Ou então não foi nada disto e este Governo é uma vergonha.

publicado por Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar

Outro erro na fórmula

Dados que lançam dúvidas sobre a poupança de 661,7 milhões que o Ministério anunciou para 2015. É que, quando foi apresentado o Orçamento para 2014, também se estimou em cerca de 500 milhões a poupança face ao ano anterior e, afinal, é agora assumido, serão gastos não só mais 528,9 milhões do que o previsto como mais 356,2 milhões do que em 2013.

 

Nota: claro que as decisões do TC pesam fortemente nesta equação.

publicado por Mr. Brown às 01:10 | link do post | comentar
Quinta-feira, 16.10.14

Entre o mau e o péssimo

Mobilizar Portugal passava por trazer de volta o guterrismo e o socratismo e nada mais do que isso, certo? É só esta gente que Costa tem mobilizada à sua volta? É que não há ali um único nome que dê ares de renovação e originalidade. É tudo o mesmo ar bafiento do passado. Com o actual governo a cheirar, também, cada vez pior, este país está irrespirável.

publicado por Mr. Brown às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 15.10.14

Brutal

A política fiscal expansionista seguida nos Estados Unidos (nota):

 

10.9.14.2.jpg

publicado por Mr. Brown às 19:33 | link do post | comentar

Abbas Kiarostami

Nem consigo precisar há quanto tempo tinha o iraniano Abbas Kiarostami na minha lista de realizadores cujos filmes tinha de experimentar ver. Mas, provalmente, não fosse a minha paixão pelo cinema oriental e o facto dele ter realizado um filme no Japão, arrastaria-se muito mais tempo na minha lista dos «a ver». Felizmente, depois de ter visto o Like Someone in Love e o Copie Conforme, os seus últimos dois filmes e únicos rodados fora do Irão - de onde tirei as imagens abaixo só para embelezar este espaço, pois ambos são de uma beleza estética inegável -, devo dizer que as suas restantes obras consagradas não demorarão muito mais tempo até estarem todas vistas. E é sempre um prazer estes momentos de descoberta do trabalho de alguém com obra original que nos encanta e surpreende. [Nota: li algures na net que quando Kiarostami começou a dar nas vistas no palco internacional, perdia para Zhang Yimou - cineasta chinês cujo filme Not One Less foi depois e noutra fase da sua carreira fortemente influenciado pelo iraniano -, porque a Kiarostami faltava-lhe uma Gong Li para embelezar os seus filmes. Talvez seja verdade, mas como se vê nas imagens abaixo, pelo menos fora do Irão, ele não se tem cansado de procurar por uma musa inspiradora à altura da diva chinesa - e na verdade, pelo menos a Binoche, mesmo perto dos 50 anos, está divinal].

 

01.jpg

 

02.png

 

03.jpg

 

04.jpg

 

05.jpg

 

06.jpg

 

07.jpg

 

LSIL-Copyright-Eurospace-4bd.jpg

TAGS:
publicado por Mr. Brown às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 14.10.14

A solução é o crescimento

A Irlanda voltará a ser "tigre" do crescimento na Europa: 4,7% é a nova projecção para a evolução do PIB neste ano; 3,6% é a previsão para 2015. Mas estes são aqueles que têm uma taxa sobre os lucros das empresas de 12,5% (deve explicar em parte esse crescimento, não?). Entretanto, embora isto seja mais simbólico do que outra coisa, os irlandeses anunciam ao mundo que dos 2,9% de défice com que estavam comprometidos para o próximo ano, contam afinal ficar pelos 2,7%. O mesmo que o nosso querido PM acaba de anunciar para Portugal, só que no nosso caso tal valor trata-se de uma subida em relação à meta (2,5%) com que estávamos comprometidos.

publicado por Mr. Brown às 20:37 | link do post | comentar | ver comentários (5)

AUTORES

PESQUISAR

 

E-MAIL

REDES SOCIAIS

LINKS

ÚLT. COMENTÁRIOS

  • Nisso, até é verdade que os chineses é que têm a g...
  • Já os investidores portugueses, claro, é só «know-...
  • Gostei de ler. Poucas palavras e está tudo dito d...
  • "«um pouco à direita», só um «pouco»!? Já vi que c...
  • É com grande pesar que verifico e confirmo que Por...

TAGS

ARQUIVOS

FEEDS

blogs SAPO