Segunda-feira, 20.10.14

Dos interesses

Accionista. Assessora. Opinadora (sobre preço-alvo). Extraordinário, não? Já estranho? Nem por isso: ainda este ano, a propósito do BES, tivemos o caso espectacular do Nomura, banco de investimento japonês que apostou forte no BES, que recomendou, no final de Julho, aos investidores a compra de acções do banco português (com um preço-alvo de 1,10€), para passadas poucas horas estas estarem a cair mais de 50% para os 0,17€ (o resto da história é a que já se sabe). Conflito de interesses? É melhor assobiar para o ar.

publicado por Mr. Brown às 22:37 | link do post | comentar
Domingo, 19.10.14

O Reino Unido e a austeridade

O Governo britânico já assegurou que a austeridade deve continuar para equilibrar as contas públicas e que não pode aumentar os salários no sector público. Continua a austeridade para o sector público no Reino Unido? Deve ser mentira, uma vez que são os campeões do crescimento dos países do G7 este ano.

publicado por Mr. Brown às 18:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)

«Um país onde a memória é uma maria-vai-com-todos»

Recordemos alguns factos: devido ao uso da golden share por parte de Sócrates, a Telefónica não subiu substancialmente a sua oferta para ficar com a Vivo, apenas foi feito um esquema de dilatamento do prazo de pagamento para parecer que o novo valor oferecido pela Telefónia (7,5 mil milhões de euros) era superior ao valor que o governo Sócrates tinha vetado (7,15 mil milhões de euros). Entre os 7,15 mil milhões pagos a pronto e os 7,5 mil milhões dos quais só 4,5 eram pagos a pronto e os restantes 3 eram atirados para tempo futuro a diferença foi pouca ou nenhuma. Mas já sabemos que este país além de ter uma má relação com a memória, não tem outra muito melhor com a matemática. Depois temos a história do fim da golden share, com a qual, para Miguel Sousa Tavares, Sócrates não teve nada a ver. Até parece que o fim das golden shares - um fim com o qual congratulei-me - não decorreu do que estava acordado no Memorando com a troika negociado pelo governo Sócrates ou, mesmo no famigerado PEC IV, não estivesse lá isto: «No sector energético, bem como em todos os outros sectores, o Governo irá rever os direitos especiais detidos pelo Estado sobre empresas privadas e abolir esses direitos, quando necessário, de forma a garantir o cumprimento da lei comunitária». Mas, tudo bem, com Sócrates devemos ter alguma tolerância porque já sabemos que a sua relação entre o que manifestava pretender fazer e o que era concretizado nem sempre foi brilhante. Mas, acima de tudo, não estraguemos uma boa história ao escritor de ficção Sousa Tavares e aos apaniguados de Sócrates ou dos Espírito Santo.

publicado por Mr. Brown às 12:40 | link do post | comentar

O jornalismo do spin

B0PtI-9CUAEfo_3.jpg

(via: Henrique Figueiredo)

 

«Só os ministros do CDS se opuseram à taxa», conta também o Expresso. Abençoado CDS (isto teria sido tão pior não fosse o caso do partido dos contribuintes estar no Governo). Ou então isto é tudo spin do partido centrista com o alto patrocínio do Expresso. Enfim, analisando as capas do jornal dirigido por Ricardo Costa no seguimento da apresentação de medidas impopulares e parece-me que só um tolo não percebe que estamos perante o segundo caso.

publicado por Mr. Brown às 12:03 | link do post | comentar

Os tentáculos dos Espírito Santo

Tem alguns floreados jornalísticos que preferia que tivessem sido evitados, mas no global é muito boa e elucidativa esta peça do Público: Crónica do fim do império: Ascensão e queda dos Espírito Santo. E, ainda assim, faltam algumas histórias interessantes e reveladoras. Por exemplo, o dr. Manuel Pinho até para a nossa candidatura à Ryder Cup escolheu a Comporta.

publicado por Mr. Brown às 11:46 | link do post | comentar
Sábado, 18.10.14

Da "arte" dita moderna

São maiores vândalos os que deitaram a "obra" abaixo ou os que permitiram a exibição de uma "obra" daquelas naquele espaço público?

TAGS: ,
publicado por Mr. Brown às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 17.10.14

Desta originalidade não se lembraram eles

Se cortarmos mais na despesa do que o que está previsto no OE2015, pagará menos de sobretaxa em 2016.

publicado por Mr. Brown às 19:34 | link do post | comentar

Da pouca vergonha

São os números que indicam que o risco de pobreza das famílias com crianças dependentes se tem vindo a agravar. Felizmente, o Governo não foi em eleitoralismo para agradar ao lóbi das famílias numerosas e optou por aumentar o abono de família que beneficia a população com rendimentos mais baixos (que não ganhará nada com a alteração do coeficiente familiar no IRS). Ou então não foi nada disto e este Governo é uma vergonha.

publicado por Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar

Outro erro na fórmula

Dados que lançam dúvidas sobre a poupança de 661,7 milhões que o Ministério anunciou para 2015. É que, quando foi apresentado o Orçamento para 2014, também se estimou em cerca de 500 milhões a poupança face ao ano anterior e, afinal, é agora assumido, serão gastos não só mais 528,9 milhões do que o previsto como mais 356,2 milhões do que em 2013.

 

Nota: claro que as decisões do TC pesam fortemente nesta equação.

publicado por Mr. Brown às 01:10 | link do post | comentar
Quinta-feira, 16.10.14

Entre o mau e o péssimo

Mobilizar Portugal passava por trazer de volta o guterrismo e o socratismo e nada mais do que isso, certo? É só esta gente que Costa tem mobilizada à sua volta? É que não há ali um único nome que dê ares de renovação e originalidade. É tudo o mesmo ar bafiento do passado. Com o actual governo a cheirar, também, cada vez pior, este país está irrespirável.

publicado por Mr. Brown às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 15.10.14

Brutal

A política fiscal expansionista seguida nos Estados Unidos (nota):

 

10.9.14.2.jpg

publicado por Mr. Brown às 19:33 | link do post | comentar

Abbas Kiarostami

Nem consigo precisar há quanto tempo tinha o iraniano Abbas Kiarostami na minha lista de realizadores cujos filmes tinha de experimentar ver. Mas, provalmente, não fosse a minha paixão pelo cinema oriental e o facto dele ter realizado um filme no Japão, arrastaria-se muito mais tempo na minha lista dos «a ver». Felizmente, depois de ter visto o Like Someone in Love e o Copie Conforme, os seus últimos dois filmes e únicos rodados fora do Irão - de onde tirei as imagens abaixo só para embelezar este espaço, pois ambos são de uma beleza estética inegável -, devo dizer que as suas restantes obras consagradas não demorarão muito mais tempo até estarem todas vistas. E é sempre um prazer estes momentos de descoberta do trabalho de alguém com obra original que nos encanta e surpreende. [Nota: li algures na net que quando Kiarostami começou a dar nas vistas no palco internacional, perdia para Zhang Yimou - cineasta chinês cujo filme Not One Less foi depois e noutra fase da sua carreira fortemente influenciado pelo iraniano -, porque a Kiarostami faltava-lhe uma Gong Li para embelezar os seus filmes. Talvez seja verdade, mas como se vê nas imagens abaixo, pelo menos fora do Irão, ele não se tem cansado de procurar por uma musa inspiradora à altura da diva chinesa - e na verdade, pelo menos a Binoche, mesmo perto dos 50 anos, está divinal].

 

01.jpg

 

02.png

 

03.jpg

 

04.jpg

 

05.jpg

 

06.jpg

 

07.jpg

 

LSIL-Copyright-Eurospace-4bd.jpg

TAGS:
publicado por Mr. Brown às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 14.10.14

A solução é o crescimento

A Irlanda voltará a ser "tigre" do crescimento na Europa: 4,7% é a nova projecção para a evolução do PIB neste ano; 3,6% é a previsão para 2015. Mas estes são aqueles que têm uma taxa sobre os lucros das empresas de 12,5% (deve explicar em parte esse crescimento, não?). Entretanto, embora isto seja mais simbólico do que outra coisa, os irlandeses anunciam ao mundo que dos 2,9% de défice com que estavam comprometidos para o próximo ano, contam afinal ficar pelos 2,7%. O mesmo que o nosso querido PM acaba de anunciar para Portugal, só que no nosso caso tal valor trata-se de uma subida em relação à meta (2,5%) com que estávamos comprometidos.

publicado por Mr. Brown às 20:37 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Skinny bitches

bullies.png

 

A propósito do "caso" Jessica Athayde, não estranho que sejam as mulheres as que mais críticam a sua imagem a desfilar na Moda Lisboa. No local de trabalho, e mesmo fora dele, as gajas são as piores inimigas delas próprias. Invejosas, intriguistas, e outras coisas tais. A imagem acima é tirada de um estudo do Workplace Bullying Institute e ajuda a demonstrar isso mesmo: nesse estudo, chegava-se à conclusão que ainda que elas fossem menos "bullies" do que os homens, quando o eram faziam das próprias mulheres, muito mais do que os homens, o seu alvo preferencial. Algo relacionado com isto, recordo-me de um director regional de uma entidade bancária que tinha como regra (não oficial) não colocar nenhum balcão só com mulheres. Dizia ele que todas as experiências que tinha tido nesse sentido tinham corrido mal: faltava-lhes a elas a capacidade masculina de conseguir gerir um ambiente que tinha de ser ao mesmo tempo competitivo e agradável. Dito isto, é agora tendência - nota-se, por exemplo, nas referências da pop contemporânea às skinny bitches - a defesa, muito bem-vinda, de que cada um(a) deve sentir-se bem com o corpo que tem. Mas, vamos lá ver, se uma gaja tipo Jessica Athayde for a referência nessa matéria para as restantes mulheres, acham mesmo que será o modelo perfeito para acabar com «a escravidão da imagem»? Não me gozem, pá.

 

01.jpg

02.jpg

publicado por Mr. Brown às 19:50 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 13.10.14

Correr com eles nas urnas

Por um lado, temos a oposição em peso a pedir a demissão de Crato e Teixeira da Cruz. Por outro, temos os comentaristas afectos ao Governo a pedir uma remodelação. Portanto, todos querem o mesmo. Eu, contra corrente, gostaria antes que estes dois fossem até ao fim da legislatura e dessem a cara nas urnas pelas políticas que aplicaram durante os últimos anos.

publicado por Mr. Brown às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Transparência

Além disso, recebo todos os meses, por transferência directa para uma das minhas contas bancárias, a quantia denominada Subsídio para Despesas Gerais (SDG) no montante de 4.299,00 € para despesas, pelas quais, estranhamente, o Parlamento Europeu não emite qualquer recibo ou documento que titule esse pagamento. Essa omissão será suprida através de uma declaração pessoal que eu próprio emitirei. De referir que sobre esta última quantia não há necessidade de apresentar quaisquer justificativos para as despesas efectuadas. Ou seja, se fizer as despesas, muito bem, ficam pagas, mas se as não fizer, muito bem também, pois fico com o dinheiro para mim. Trata-se, obviamente, de um expediente para furtar ao pagamento de impostos uma fatia importante da remuneração dos deputados. Uma rica vida a destes eurodeputados. E, neste aspecto específico, fazia-nos falta uma cultura mais exigente como a britânica, por exemplo: The European Parliament insists that the allowance is paid into a personal bank account of each member, a situation that Rebecca personally does not approve of. As Rebecca does not think it is appropriate that this allowance is paid into the same bank account as her salary, she opened a second bank account purely for the purposes of receiving this allowance, most of which is then sent on to the bank account for the Hull office which is managed by the Office Manager. The Parliament does not require MEPs to produce receipts to justify use of this money. However, the major British political parties including the Liberal Democrats demand that their MEPs publish accounts annually, to varying degrees of detail, and that these be verified annually by an accountant.

publicado por Mr. Brown às 13:18 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Este país não existe (3)

Que grande cara de pau. Mas isto é verdade: «nós opusemo-nos a isso [à venda] e dissemos que a PT devia ter uma posição no Brasil, porque essa posição é fundamental». O Brasil é mesmo fundamental, até porque, da relação de promiscuidade entre negócios e política - onde a PT é caso impar -, a experiência e os contactos que o nosso poder político ganhou a gerir interesses económicos do outro lado do Atlântico podem posteriormente ser transformados em empregos interessantes no sector privado.

publicado por Mr. Brown às 12:03 | link do post | comentar

Este país não existe (2)

No jornal da Ongoing, um dos principais accionista da PT, a capa pertence a um tal de Murteira Nabo que acha que o Estado devia intervir na eventual venda de uma empresa privada através da «mobilização de um conjunto de empresários que possam comprar a companhia em Portugal». Neste país, até para os empresários se mobilizarem é preciso o Estado? Querem melhor exemplo de uma cultura empresarial nacional que só sabe viver debaixo das saias do Estado do que este? Enfim, não é preciso muita inteligência para saber o que o Nabo quer e o porquê de ter de ser o Estado a "mobilizar" os empresários. Nabo ele não é, mas somos nós sempre que chamados a alimentar esta cultura parasita.

publicado por Mr. Brown às 11:51 | link do post | comentar

Este país não existe (1)

«O que se está a falar é algo mais complexo, de moral política. O Governo pode estar a impor ao novo Governo uma obrigação [...] Tenho dúvidas de que seja inconstitucional, mas poderá ser imoral politicamente». Ó diacho, o doutor bastonário, militante do PS, nunca terá ouvido falar em dívida pública? Será imoral politicamente?

publicado por Mr. Brown às 11:43 | link do post | comentar
Domingo, 12.10.14

Medida que só se explica pelo ano eleitoral

Sobretaxa só desce se a receita fiscal ficar acima do previsto. Não tivesse o Governo tanta ânsia de propagandear descida de impostos neste preciso momento para usar essa treta em campanha eleitoral e esta medida não faria qualquer sentido. Se há condicionalismos e limitações este ano, adiava-se a decisão da descida de impostos para o Orçamento do Estado de 2016. O mal é que esta malta que nos governa sabe, ou teme, que não será ela quem irá elaborar tal orçamento - e tanto mais teme quanto pior o histórico que tem para apresentar na frente fiscal -, dai a necessidade desta originalidade orçamental.

publicado por Mr. Brown às 22:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O pior de Portugal

O Relvas do PS, braço direito de Costa, diz que este Governo remete para «o pior» de Santana, já deste PS só falta apurar se remete para o pior do guterrismo ou do socratismo. Que remete para o pior de qualquer coisa não tenho dúvidas, porque no PS a renovação foi zero (como Perestrello é exemplo evidente). E isto está mesmo a pedir uma implosão do sistema partidário.

publicado por Mr. Brown às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 11.10.14

Empresa estratégica vs sector concorrencial

 

Também precisamos de uma golden share do Estado na NOS? As saudades que alguns vão exibindo dos tempos da PT monopolista e de propriedade estatal é engraçada. Falam de uma empresa privada como se o país ainda se confundisse com ela. Felizmente, nisso, Portugal mudou. E assim foi, em parte, porque na OPA do Belmiro à PT nem tudo foi fracasso: no seguimento desta, a autoridade da concorrência conseguiu forçar a separação entre a rede cobre e o cabo, na altura ambas nas mãos da PT. Esse é o tipo de intervenção estatal, de carácter regulador e promotor da concorrência, que estou habitualmente disposto a defender. O que não aceito é que o Estado e o mundo político, em nome de um suposto interesse nacional, tenha particular carinho por determinada empresa a actuar num sector que se quer concorrencial, provocando uma distorção do mercado. E, também por isso, quando os indicios vão no sentido de que a dona da Cabovisão e da ONI quer comprar a Portugal Telecom, constato uma oportunidade para a autoridade da concorrência tornar a introduzir maior concorrência no sector, indo de encontro às queixas do próprio Grupo Altice.

publicado por Mr. Brown às 16:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)

«Como é que ele foi preso sem razão nenhuma?»

ng3247173.jpg

 

É importante que a justiça esclareça rapidamente como é que o homem na foto acabou na prisão.

publicado por Mr. Brown às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Criaram o montro, têm medo do monstro?

Ferro Rodrigues, que a avaliar pelo primeiro debate parlamentar tem tanto carisma  e habilidade quanto Seguro, também neste elogio a Marinho e Pinto foi particularmente honesto. Até ao inclui-lo na esquerda, de onde muitos outros tentam exclui-lo. Alguns companheiros e simpatizantes do partido que agora falam de um "monstro" do populismo sem se lembrarem do tempo em que o alimentaram faziam bem em ter a mesma memória histórica. Até porque podem muito bem vir a ter de precisar dele para governar.

publicado por Mr. Brown às 11:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Em defesa do Estado Social

Habituem-se: os impostos altos vieram para ficar e aposto que num futuro próximo acabarão por subir ainda mais. Mas é mais sincero este discurso do que o discurso hipócrita e ilusório que os partidos da actual maioria andam a ensaiar para ano eleitoral.

publicado por Mr. Brown às 11:05 | link do post | comentar

AUTORES

PESQUISAR

 

E-MAIL

REDES SOCIAIS

LINKS

ÚLT. COMENTÁRIOS

  • «O facto da recessão no UK ter sido mais profunda ...
  • What goes down must come up. O facto da recessão n...
  • Logo ao lado esta um feel o'right à séculos e ning...
  • Então mas não era uma àrvore de Natal :DTenho pena...
  • Espetaculares as suas seis linhas sobre o estado n...

TAGS

ARQUIVOS

FEEDS

blogs SAPO