Quarta-feira, 09.04.14

Gorduras do Estado: IPSS

A propósito deste texto de Nicolau Santos, com o qual não concordo na essência, diga-se contudo uma coisa: a maior parte das IPSS que conheço são geridas de forma totalmente amadora, com gente que replica para muito pior aquela que é a imagem colada a um certo funcionalismo público, actuando como verdadeiros sorvedouros de recursos públicos (sim, porque são fortemente subsidiadas), distribuindo empregos por gente em número muito maior do que aquele que, existindo gestão profissional que se dedicasse ao aumento da eficiência e da produtividade, seria necessário para cumprir tudo o que fazem actualmente. E, aproveitando a opacidade que envolve a relação do Estado com estas instituições, o sector lá vai sendo protegido pelos suspeitos do costume. Ministro Mota à cabeça. É o estado social que a nossa direita adora. Ao contribuinte, sai-lhe tão ou mais caro do que o outro.

Mr. Brown às 20:03 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 08.04.14

Ciclos eleitorais

Aumentar salário mínimo; baixar impostos; lançar os investimentos públicos; etc... etc... enfim, gastar toda a "folga" que a política dos últimos anos permitiu obter antes das próximas eleições. Com isto, não só ambicionam melhorar o score eleitoral, como limitam o campo de acção do PS no início da próxima legislatura. O que paira na cabeça dos actuais governantes é isto e só isto: «se não formos nós a fazê-lo, serão eles. Para isso, fazemos nós.» É a política, estúpido!

Segunda-feira, 07.04.14

A perturbação da tranquilidade nacional

Mudanças sugeridas pelo Banco de Portugal na gestão do Grupo Espírito Santo servem também para preparar chegada do BCE à supervisão da banca portuguesa. Em boa parte, é por causa disto que o BdP anda a cair em cima do BES: toda a banca nacional anda sujeita a uma pressão que lhe era, de todo, desconhecida. E cair em cima é chateá-los permanentemente. Pedir informações. Insistir nos pedidos. Queixar-se na comunicação social que o banco não responde aos pedidos de informação. Solicitar auditorias. Usar o poder de que dispõe para fazer exigências. Ontem, João Galamba, no twitter, usava o caso para desculpabilizar Constâncio. Dizia ele que Constâncio tinha feito o mesmo em relação ao BPN. Não, não fez. Não com a mesma insistência e urgência. E essa alegação seria mesmo motivo de chacota, não fosse estarmos perante coisas muito sérias. Constâncio, ao seu tempo, usou uma coisa muito típica que foi «o deixa andar» e «o que é preciso é não levantar muitas ondas». Enfim, isto dito, e podendo ter a União Bancária no espaço europeu alguns efeitos positivos como o que agora se constata ao nível de uma maior exigência ao nível da supervisão, fico á espera que isto nunca se confirme (a notícia é de 2012): Vítor Constâncio apontado para a presidência da União Bancária europeia.

Manuel Forjaz

Um tipo extraordinário que nos deixou.

Mr. Brown às 02:11 | link do post | comentar | favorito

O espaço de Sócrates no comentarismo nacional

Bill O'Reilly

 

Rush Limbaugh

 

Sócrates pode, perfeitamente - e jogando com a enorme falta de memória dos portugueses -, encarnar para o comentarismo nacional de tendência socialista o que os dois senhores da foto representam para o comentarismo norte-americano de tendência conservadora. O mesmo estilo trauliteiro. O mesmo desprezo pela verdade. O mesmo prosseguimento, custe o que custar, da imposição de uma certa e determinada narrativa. Embora muitos possam ver esse modelo de comentarismo político feito nos Estados Unidos como degradante, representante de uma evolução vertiginosa do comentarismo político semelhante à que os reality shows representam para o entretenimento televisivo - a forma sobre a substância e o recurso primário aos sentimentos mais básicos -, a verdade é que nunca percebi porquê que nenhuma estação portuguesa tentou igual modelo por cá: indicios de que seria bem sucedido não faltam, ou, por exemplo, não adoraram os portugueses o chá que Marinho e Pinto deu a Manuela Moura Guedes em pleno prime time nacional? A Constança Cunha e Sá, na TVI24, anda lá próximo, e Sócrates, na RTP, mostra-se sempre mais confortável quando é levado para a lama, podendo, facilmente, tornar-se um caso relativamente bem sucedido no que toca às audiências se mantiver o estilo permitido com José Rodrigues dos Santos (só esta possibilidade assusta alguns comentadores bem instalados, como é o caso de Marcelo: se bem que este não tarda deve estar a largar o osso e a procurar uma reforma dourada em Belém). Claro que, no fim, o modelo só poderá sobreviver se no programa de Sócrates abdicarem de vez de quem lhe interrogue ou modere. Dêem-lhe rédea solta e poderão ter um programa relativamente bem sucedido no que toca às audiências. Dito isto, felizmente nos Estados Unidos, O'Reilly e Limbaught nunca passaram de comentadores políticos. Já em Portugal, no caso do nosso querido animal feroz, não só tivemos de gramá-lo como primeiro-ministro, como há quem sonhe que o homem possa vir a ser Presidente da República. Sócrates? Perfil para Presidente da República Portuguesa? Nós estamos mal, mas mantenhamos alguma dignidade, se faz favor.

Domingo, 06.04.14

Um anjinho

Ao pé de um ex-PM deste país, o Nuno Melo é um anjinho.

É tudo prioritário

Cinquenta e nove (eram trinta na proposta inicial). Ou como maximizar a satisfação do maior número de interesses instalados com os recursos disponíveis.

Mr. Brown às 10:38 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 04.04.14

A concorrência destrói

Queixa-se o instalado. Por causa disto. Enfim, se há sector que nem tão cedo será destruído, pelo menos enquanto não se inventar a poção mágica para a imortalidade, é o dos funerais. Podem é ter de baixar os preços. Uma chatice.

Segredos, Mentiras e Comissão Europeia

Reparem que uma das "novidades" nas eleições europeias é a possibilidade destas decidirem quem será o próximo presidente da Comissão Europeia. E quem são os dois principais candidatos no terreno? Pelos socialistas, um tipo praticamente desconhecido, que nunca exerceu nenhum cargo de particular relevo no seu país, chamado Schulz, sobre o qual nem adianta perder muito tempo a falar. O do populares, por outro lado, é muito mais interessante, ainda que não necessariamente pelos melhores motivos: o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo e ex-presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Van Damme Juncker. É impossível não gostar dele, pela honestidade: «When it becomes serious, you have to lie» ou «I am for secret, dark debates». Quem diz a verdade não merece castigo (e reparem que, no caso concreto, diz mesmo a verdade). Um bom representante daquilo que são as exigências para, nos dias que correm, se sobreviver na União Europeia. Por mim, já ganhou.

Mr. Brown às 01:42 | link do post | comentar | favorito

Bombeiros e incendiários

Quaisquer que tenham sido as falhas de Constâncio no seu papel de comandante da insitituição que tinha por função supervisionar o BPN, estou absolutamente convencido de que não há nada, em incompetência, que se compare à enorme falha que foi a atitude do ex-governador do Banco de Portugal em relação à relevância do problema dos défices externos que o país teimava em não combater. Repito: não há nada que se lhe compare. E mal sabe a maior parte dos portugueses que é muito maior aquilo que esses défices externos consecutivos pesam hoje em sacrifícios do que todo o buraco do BPN. Incomensuravelmente maior. De resto, insisto: Constâncio e Durão são exemplos flagrantes da opacidade e obscuridade do sistema burocrático europeu. Na UE, a mediocridade não é um obstáculo à progressão na carreira. Pelo contrário, às vezes parece um bom cartão de visita. Quem realmente mexe os cordelinhos na UE lá saberá porquê. Chega a ser notável que aqui há uns tempos Schauble tenha mesmo afirmado que Vítor Gaspar daria um bom presidente do Eurogrupo, ressalvando, contudo, essa problemática de ser de «um país que foi intervencionado». Culpa de Gaspar, a intervenção, está visto. Já com Barroso e Constâncio fica tudo explicado. Na Europa, o bombeiro: out. Os incendiários: in.

Mr. Brown às 01:05 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 03.04.14

Olhó Miró

Há um investidor angolano muito interessado em comprar quadros do Miró para deixá-los durante 50 anos em exposição no Porto: óptimo, só tem de ir comprar os quadros, de forma transparente, no leilão da Christie's.

Baixa de impostos em 2015

 

Toma, toma, eleitoradozinho macaquinho lindo.

Mr. Brown às 19:24 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 02.04.14

Norma para determinados assuntos em Portugal

Shiuuuu....

Mr. Brown às 21:31 | link do post | comentar | favorito

Ler os outros (CLVIII)

Acemoglu e Robinson, na sua obra monumental Porque Falham as Nações, distinguem 'instituições extractivas' e 'instituições inclusivas'. As primeiras dedicam-se a garantir as rendas de uns poucos indivíduos que cerceiam a concorrência e a inovação e são obstáculos ao progresso. A concertação social, como existe, insere-se nesta categoria.

Mr. Brown às 13:35 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 01.04.14

Mediocridade europeia

Uma das coisas que indicia claramente que não devemos ter grandes expectativas em relação à "Europa" é o facto de Durão e Constâncio terem chegado onde chegaram.

Segunda-feira, 31.03.14

Agora é que é

Primeiro eram as eleições francesas que iam mudar a política «ideologicamente extremista» da Europa. Venceu quem os socialistas queriam que vencesse. Mas pouco mudou na política europeia: o socialista Hollande, pelo contrário, adoptou mesmo a política «ideologicamente extremista» como sua (a expressão de Assis é adorável, mas não se preocupem que assim que os nossos queridos socialistas forem para o governo descobriremos que o discurso extremado do actual PS não era para levar a sério). Depois eram as eleições alemães. Nem sequer ganhou quem os socialistas queriam. Ainda assim, Merkel para governar precisou de coligar-se com o SPD e as últimas novas que tivemos numa área tutelada por uma ministra do partido que partilha o partido político europeu com os nossos queridos socialistas foi esta. Agora, são as eleições para o Parlamento Europeu que são decisivas e vão mudar a política europeia (note-se que, para já, o mais certo até é terminarmos com a direita a dominar o Parlamento Europeu e Juncker à frente da Comissão Europeia, embora isso nem interesse tanto quanto isso). Alguém acredita? Enfim, sempre que alguém argumentar a favor da importância das eleições europeias para uma alteração da política que tem vindo a ser seguida pela Europa, das duas, uma: ou é eleitoralismo básico, de quem quer iludir para ganhar votos - atribuindo uma importância a uma eleição que não a tem -, ou é ignorância pura. O eleitor que decida.

Mr. Brown às 19:12 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 30.03.14

Da relevância de certos e determinados assuntos

Dá para perceber que não é tanto o que gostam de Sócrates, mas mais o que odeiam do actual governo que os faz agir assim. Claro que sim, a recordação de Sócrates tem dois efeitos: 1) lembra que não é este governo quem tem a maior fatia da responsabilidade pelo estado lastimável em que está o país; 2) é, apesar da tentativa de distanciamento de Seguro em relação ao animal feroz, um entrave ao crescimento eleitoral do PS. E isso é algo que quem detesta este Governo não pode suportar, porque Passos, sobretudo ele, tem de ser massacrado e tudo o que prejudique esse objectivo é para contestar. Da minha parte, há uma coisa com que não precisam de se preocupar: nas próximas legislativas, não irei votar em nenhum dos partidos que suportam este Governo. Mas não contem, nunca, que passe uma esponja pelo pior governação que o país conheceu nos últimos vinte e cinco anos. E, se esta coisa das petições for para levar a sério - prefiro não as levar, desculpem -, não mereceria isto reflexão: petição pela reestruturação: 9 mil assinaturas; petição pela recusa da presença de sócrates como comentador da RTP: 140 mil assinaturas (tinha 110 mil ao fim de dois dias).

Sábado, 29.03.14

A realidade e a cabeça

Apesar de ter votado favoravelmente* o Tratado Orçamental na Assembleia da República, reafirmo que as minhas teorias estavam absolutamente correctas e em nada contradizem o que digo agora porque não assumiam a possibilidade de ser votado favoravelmente um Tratado Orçamental na Assembleia da República (o que foi, diga-se de passagem, uma manifesta estupidez). E a verdade, insisto, é que para que a nossa dívida seja sustentável seria necessária uma política que deliberadamente levasse ao aumento da nossa dívida. Capisce? Recordando o outro: «se não quiserem reconhecer a realidade, não a reconheçam, batam com a cabeça na parede, porque a realidade é sempre mais resistente do que a cabeça».

 

* com declaração de voto pelo meio, é certo.

Mr. Brown às 15:41 | link do post | comentar | favorito

Isto agora não interessa nada

 

 

 

 

(isto com gráficos é sempre outra coisa: daqui)

No longo prazo, os que agora têm muito espaço de antena, Presidente incluído, estarão todos mortos. Os velhos de então, jovens de hoje, que gramem com as consequências óbvias do que ai vem (eles que já gramam forte e feio com as consequências da crise actual em salários mais baixos e desemprego). Só não vê quem não quer: é preciso reestruturar a dívida implícita com a segurança social. Ainda que a contragosto dos pensionistas actuais.

Mr. Brown às 15:14 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 28.03.14

O erro

Governo chocado com declarações do Governo. O objectivo é adoptar o discurso do maior partido da oposição e tirar margem de manobra a Seguro.

 

[O secretário de Estado tem condições para continuar no Governo? Se o senhor irrevogável teve... quem é que não tem?]

Mr. Brown às 20:06 | link do post | comentar | favorito

Noites Brancas

 

 

 

 

 

 

 

 

Mr. Brown às 19:12 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 27.03.14

Não bate a bota com a perdigota

1. O membro da direcção do MURPI considerou que os reformados são "um dos grupos mais afectados pela crise", salientando que a acção nacional de luta pretende também ser um protesto contra "cortes nas pensões" e "agravamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade".

2. Só os reformados e idosos escaparam à subida da taxa de pobreza

Quarta-feira, 26.03.14

Escalpe

O Banco de Portugal não é credível, segundo o PS. Longe vai o tempo em que as contas do BdP, liderado pelo dr. Constâncio, até para um exercício especulativo de previsão de um défice ainda por acontecer calculado à centésima era intocável. O PS, nos últimos tempos, fruto da radicalização do discurso protagonizada por alguns dos seus deputados, adoptou uma posição de oposição frontal à instituição BdP (até podiam criticar aspectos da actuação do governador da instituição - por sinal nomeado por um executivo socialista -, Carlos Costa; mas isso já não basta: agora até as previsões saídas da instituição são alvo de tentativa de descredibilização; ao mesmo tempo, também deixaram de gramar a doutora Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, quiçá porque a senhora deve ter-se convertido recentemente ao neoliberalismo ou coisa que o valha, isto depois de uma vida inteira ligada ao pensamento de sectores da esquerda em Portugal). Enfim, está-se a inaugurar uma nova forma de fazer política em Portugal. No novo espírito institucional dos índios socialistas, estamos perto de descobrir que não temos uma única instituição credível - interna ou externa - a fazer previsões sobre a economia portuguesa. Para nos guiarmos, temos de fazer fé nos números sugeridos ou atirados para o ar pelos índios socialistas.

[o que vai fazer crescer a economia é a procura interna: podem crer que vai ser um crescimento sustentado (alerta: ironia), mas as eleições aproximam-se e o governo precisa de ter sinais positivos para mostrar.]

Terça-feira, 25.03.14

Made in Germany

 

Sorte.

Mr. Brown às 23:03 | link do post | comentar | favorito

I'll be back

1. Manuel dos Santos conta voltar ao PE (acreditem que ficou chateado pelo lugar em que foi colocado e por ter perdido o estatuto de eurodeputado, mas bem avisou «i'll be back».)

2. Manuel dos Santos considerou depois que os últimos episódios que se registaram na vida interna do seu partido “constituem um desrespeito em relação a António José Seguro, para mais um desrespeito vindo daqueles que são responsáveis pela actual situação do país e por a direita estar a governar Portugal”.

3. O dirigente do PS Manuel dos Santos fez a intervenção mais polémica na reunião da Comissão Política do PS, anteontem à noite, pedindo o afastamento daqueles que tiveram responsabilidades no governo de José Sócrates. Em declarações ao i, Manuel dos Santos diz que “os principais responsáveis políticos do PS nos últimos três anos deviam resguardar-se por iniciativa própria e não aceitarem protagonizar grandes causas”.

4. Pedro Silva Pereira, Carlos Zorrinho, Manuel dos Santos são outros dos nomes nos primeiros dez lugares.

 

Não deixa de ser irónico que Manuel dos Santos esteja ali pertinho do socrático Silva Pereira, mas se num caso estaremos perante uma promoção - o nono lugar da lista do PS em principio assegura a eleição -, no outro estaremos mais perante um «vai para Bruxelas e desampara-me a loja». De resto, entre deixar cair Elisa Ferreira - a melhor do grupo de eurodeputados do PS nesta última legislatura -, Ana Gomes ou Edite Estrela - a «mais famosa» eurodeputada nas palavras da própria -, a socrática vai de vela. Seguro começou a fazer listas.

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