Quinta-feira, 23.02.12

Da descrença

62% dos portugueses acham que o desempenho do actual governo é «mau» ou «muito mau», ao mesmo tempo que 73% não reconhecem capacidade a qualquer outro partido para fazer melhor do que o actual. Dados tirados daqui. O que significa que, na melhor das hipóteses e a crer na sondagem, cerca de 35% dos portugueses acham que com os partidos que temos não podemos ambicionar a mais do que uma governação «má» ou «muito má».

Mr. Brown às 01:40 | link do post | comentar
Quarta-feira, 22.02.12

Insuportável

 

Sá Fernandes pode ser - será certamente - muito bom advogado, mas já estou farto de gramar com ele em tudo o que é processo mediático.

Mr. Brown às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

A carta

Portugal excluído por Cameron por alinhar com Merkel. Tudo neste título deixa muito a desejar. Primeiro o «excluído», quando o Governo português muito provavelmente terá sido sondado para assinar a carta e a recusa terá vindo da nossa parte - é, portanto, uma auto-exclusão. Depois o «alinhar com Merkel», como se o não alinhar com Cameron - porque é disso que se trata - implicasse imediatamente o alinhar com Merkel. Ou estão com Cameron, ou estão com Merkel, não há outra hipótese. O que não deixa de ser curioso, visto que Holanda e Finlândia estão com Cameron, mas normalmente são tidos como estando com Merkel, contra a Grécia. Grécia que não está com Cameron, pelo que estará com Merkel? Fico baralhado com estes raciocínios simplistas, confesso.

E a coisa chegou ao ponto de Seguro criticar Passos por não assinar a carta, o que é hilariante visto que nesta é feita a defesa de uma agenda liberal para o crescimento económico que desconhecia ser igualmente defendida pelo Partido Socialista. Esta gente ouve falar em «crescimento económico» e alinha logo, será isso? Ou ainda descobrirei que o Tó Zé é mais liberal do que Passos Coelho? Quanto mais penso sobre o assunto, mais baralhado fico.

E já vamos para o terceiro dia em que vou ouvir falar desta carta. Não há pachorra. Chiça!

Mr. Brown às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 21.02.12

Efeito dominó

Resumindo este artigo: o plano para a Grécia é uma fantasia. Fiquemos pela conclusão: «Europe’s politicians know this, of course. But at the very least they’re buying time: this deal might well delay catastrophic capital flight from Greece, and give the Europeans more time to work out how to shore up Portugal if and when that happens. Will they make good use of the time that they’re buying? I hope so. Because once the Greek domino falls, it’s going to take a huge amount of money, statesmanship, and luck to prevent further dominoes from toppling». Com elevada probabilidade, é uma tempestade que aproxima-se e nós estaremos bem no centro dela.

Mr. Brown às 18:49 | link do post | comentar

Olvidar

Ontem, no Prós & Contras, um momento delicioso: o professor Ferreira Machado explicava que não podíamos ignorar as nossas responsabilidades pela situação em que nos encontramos e dava exemplos de políticas que foram manifestamente erradas. A seguir a palavra passa para Pedro Lains, que logo explica que esta coisa de andar a atirar culpas não nos leva a lado nenhum. Pois não, pensei eu, é por isso que alguns têm a lata de dizer que o «país estourou» nos últimos seis meses e há quem acredite nisso. Esta gente sempre que pode monta uma firewall que nos impede de discutir o passado. Esta prática de branqueamento, de insistência no reset à nossa memória, de esquecimento, só é útil para quem implementou as políticas erradas do passado e para quem as defendeu. Façamos por esquecer culpas passadas e concentremos a culpa nos responsáveis do presente. Que cómodo para tantos que por ai andam!

Veja-se como entre os "opinadores" dos mass media há uma larga fatia de gente que cavou o buraco onde nos enterramos e que aparece agora, com ar muito sério, a dar lições sobre como é que saímos do buraco. Somos um país pequeno, onde todos são amigos de todos e os dinossauros intocáveis proliferam. Mandar para a prateleira os responsáveis pela situação em que nos encontramos era coisa para ferir muito boa gente. Então, olvidemos. Tapemos os olhos. Façamos de conta que não nos lembramos do que esta gente defendeu, nem do buraco que cavaram.

Mas a verdade é que também gostaria de olvidar o passado. Podia ser útil, reconheço. Virar a página. Mas para isso era preciso que os culpados do passado desamparassem a loja. Fizessem como António Guterres que assumiu as suas responsabilidades e desapareceu sem deixar soldados no terreno a preparar o seu regresso (nesse sentido, o melhor dos mais recentes primeiros-ministros). Contudo, como alguns recusam em reconhecer os seus erros e a desaparecer da minha vista, permitam-me que também me recuse a esquecer todo o mal que fizeram ao país. Andar a atirar culpas não nos leva a lado nenhum? Talvez, mas prestar atenção e seguir os conselhos dos que defenderam as políticas que levaram o país à falência ainda menos nos leva.

Mr. Brown às 13:45 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 20.02.12

Escolhas passadas

Sem comentar outras considerações do colunista, mas ficando pelo título provocador de que a «Grécia deve falir se quiser democracia», parece-me que a coisa faz sentido. Afinal, não seria mais do que o assumir na plenitude por parte do povo grego das consequências das suas escolhas democráticas passadas.

Mr. Brown às 16:45 | link do post | comentar

Prioridades

É preciso «dar prioridade ao emprego e ao crescimento económico», diz o Tó Zé. Nos últimos onze anos o desemprego subiu e o crescimento económico nem vê-lo. Reparem: não foi nos últimos seis meses, foi nos últimos onze anos. Portanto, alguma coisa correu mal nesse período e algo tinha de mudar. Prioridade ao emprego e ao crescimento económico é perceber o que correu mal no passado e proceder às alterações necessárias para que no futuro as coisas corram melhor. Fica apenas por saber aquilo que o PS acha que deve mudar face às políticas sem resultados dos últimos onze anos. Como sete dos quais foram sobre liderança socialista, compreende-se que prefiram ficar por declarações sem grande substância. A troika tem «pontos de vista bem divergentes» dos do PS? Abençoada seja a troika.

Mr. Brown às 16:30 | link do post | comentar

Já estava estourado

«Em pouco mais de seis meses de governo PSD/CDS, o país estourou». Depois de Santana Lopes ter arruinado o país em seis meses, Passos Coelho parece ter conseguido a mesma proeza. O autor do post acreditará mesmo no que escreve ou asneirar é mera forma de chamar a atenção?

Mr. Brown às 13:29 | link do post | comentar
Domingo, 19.02.12

Emprego jovem

Se temos um ministro da economia e do emprego, porquê que esta recém-criada comissão de duvidosa utilidade ficou nas mãos do ministro adjunto e dos assuntos parlamentares? Entretanto, diga-se que o PS pediu e a JSD, liderada pelo melhor líder jovem do mundo, já tem 35 medidas prontas para apresentar ao ministro Relvas. Tenham medo, muito medo!

Mr. Brown às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Relações luso-angolanas

O lado bom e o lado mau. A primeira encontra-se em destaque no Sol, a segunda no Expresso. Mera coincidência, certamente.

Mr. Brown às 14:44 | link do post | comentar
Sábado, 18.02.12

De modo que é isto

«The idea instead is that the Greek government should officially declare itself bankrupt and begin negotiating an even bigger cut with its creditors. For Schäuble, it is more a question of when, not if». Não vale a pena adiar o inevitável. Acabe-se com a farsa.

Mr. Brown às 22:30 | link do post | comentar

Do fantástico

«O exemplo da Islândia deveria ser uma lição de economia para todos», nem o nosso problema é igual ao islandês - que pode ser melhor comparado com o caso irlandês, visto que o problema esteve essencialmente na banca privada -, nem a Islândia estava inserida na zona Euro - tinha moeda própria o que lhe permitiu proceder a uma desvalorização monetária. «Há uma conjugação das estrelas que permitiu que o livro “Mudar” – o manifesto ideológico liberal lançado muito antes de Pedro Passos Coelho ser alcandorado a líder do PSD – se tornasse a bíblia nacional», a avaliar pelo que Ana Sá Lopes escreve antes de fazer esta afirmação, parece que o principal problema é que Merkel, Sarkozy e restantes senhores da troika também se renderam ao livro de Passos Coelho. Enfim, tonterias. Mas esperar uma análise mais profunda da situação por parte de Ana Sá Lopes seria «do domínio do fantástico».

Mr. Brown às 17:00 | link do post | comentar

Alinho

«A consolidação das contas públicas não deve ser feita exclusivamente pelo lado da despesa e da austeridade, mas deve também ser feita pelo lado da receita, do crescimento económico». Lado da receita e crescimento económico?!? Terá Seguro na cabeça a baixa dos impostos? A curva de Laffer? Explique-se melhor que ainda alinho com ele!

Mr. Brown às 15:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Para ganhar eleições

A propósito destas declarações de Marques Mendes, pergunto: tendo em conta que estamos sujeitos a um acordo com a troika, qual a melhor estratégia para quem quisesse governar para «ganhar eleições»? Olhando para o exemplo de George Papandreou, parece-me que um primeiro-ministro preocupado com a sua reeleição tentará fazer tudo por tudo para não desagradar a quem nos está a financiar e tentará cumprir o que ficou acordado. Os incentivos para quem quer ser reeleito estão centrados no cumprimento do acordado. O risco de não ser reeleito é grande, mas a estratégia adoptada não lhe aumenta o risco. Antes pelo contrário.

Mr. Brown às 13:22 | link do post | comentar
Sexta-feira, 17.02.12

A evidência das coisas

João Gonçalves acerta no alvo, mas reconheça-se ao dr. Soares a capacidade, que poucos têm naquele partido, de pôr os socráticos em ordem. Seguro é líder, mas o S em PS é disputa entre Soares e Sócrates.

Mr. Brown às 13:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 16.02.12

Salários e emprego

«O custe o que custar do primeiro-ministro levou à maior taxa de desemprego de sempre». Está bem, abelha. Entretanto, enquanto fico aqui mortinho por descobrir as medidas do partido socialista para combater o desemprego, as tais que não aplicou nos seis anos em que foi Governo (ouvi qualquer coisa sobre meter jovens empreendedores à frente de empresas próximas da falência, uma maravilha que revolucionará tudo), vou escutando o Vitor Bento, que a propósito da busca do aumento da competitividade por via dos custos diz isto (no vídeo): «Nós temos de saber fazer a escolha, isto é, se estamos dispostos a ceder rendimento para preservar emprego ou se estamos dispostos a defender rendimento sacrificando o emprego». Já sei, ninguém gosta que se diga que é essa a escolha que está neste momento disponível, mas, infelizmente, é.

 

Nota: Do desemprego em Portugal.

Mr. Brown às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Finanças públicas

Que ao Conselho de Finanças Públicas seja dada a autoridade e a relevância que merece, num país que só tem a ganhar com a existência de um órgão deste género que fiscalize a acção governativa em matéria orçamental. Recorde-se que em parte irá fazer um trabalho semelhante ao que era feito pela UTAO, que ainda recentemente avisava em relação às previsões constantes no OE2012: «Para 2012 perspectiva-se uma contracção da actividade económica superior à verificada em anteriores episódios de redução real do PIB, porém esta é acompanhada por um aumento inferior do desemprego». Um reparo que fazia todo o sentido como se nota nos dados referentes à taxa de desemprego que foram divulgados recentemente. E se o desemprego está a subir acima das previsões do Governo, convém recordar que, salvo algo que me possa estar a escapar, também a despesa do Estado em prestações sociais o estará. Como é que fica o cumprimento do défice acordado nesta história toda?

Mr. Brown às 18:41 | link do post | comentar

Estabilização do desemprego

Infelizmente, não posso garantir que esta opinião esteja errada, mas por uma questão de pudor era preferível que o "opinador" em causa estivesse calado e não desse muito nas vistas.

Mr. Brown às 15:34 | link do post | comentar

Somos todos portugueses

Mas se é para sermos todos outra coisa qualquer, não podemos optar por sermos todos alemães em vez de gregos?

Mr. Brown às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 15.02.12

Era tudo evitável

Gostava de recordar isto (infelizmente, a totalidade do post já não está disponível, mas o essencial resumia-se àquelas linhas).

Mr. Brown às 23:37 | link do post | comentar

Divórcio

«Quem é o Sr. Schauble para criticar a Grécia? Quem são os holandeses? Quem são os finlandeses?» O sonho dos Estados Unidos da Europa, ainda alguém acredita nele? Recordo o que escrevi aqui sobre a permanência da Grécia na moeda única: «acho que estamos a chegar àquele ponto em que o divórcio realmente parece melhor opção do que a manutenção do casamento à força».

 

Nota: para quando uma manifestação de apoio aos gregos semelhante às que haviam para com os palestinianos?

Mr. Brown às 22:47 | link do post | comentar

Negócios da China

Boas novas que nos chegam no domínio das relações luso-chinesas: quer as exportações para a China cresceram 67,9%, quer os chineses andam a investir em Portugal. Relacionado com isto, reparem qual o ministro neste Governo que anuncia os investimentos estrangeiros geradores de emprego: Paulo Portas. O líder centrista sabe-a toda. Mas muito mais importante do que estas questões de visibilidade serão os resultados obtidos e nesse ponto acho que foi uma boa decisão entregar a tutela da AICEP ao actual ministro dos negócios estrangeiros. Que a «diplomacia económica» corra pelo melhor. O país agradece!

Mr. Brown às 13:30 | link do post | comentar

O artista

 

Alberto João Jardim quer mesmo os três mil milhões. É um artista português, com certeza.

Mr. Brown às 11:30 | link do post | comentar

Não há alternativa

A propósito deste post de Priscila Rêgo onde é feita referência a um texto meu, reproduzo o pequeno comentário que por lá deixei: a certa altura é dito «pode ser do interesse mútuo de credores e devedores que o período de ajustamento se prolongue um pouco mais no tempo. Deste ponto de vista, há de facto alternativa à austeridade». Vejamos: uma coisa será prolongar o ajustamento um pouco mais no tempo nos termos em que está a ser feita a discussão no espaço público, o que equivale a permitir uma austeridade que não esta, ainda assim, austeridade. Outra coisa é adoptar uma política que não seja austera, ou seja, expansionista. Bem, claro que se os alemães nos quisessem financiar ad eternum tudo é possível, mas parece-me que isso dificilmente será do interesse deles. E por isso repito e mantenho que é ilusão vender outra ideia que não esta: «não há alternativa à austeridade».

Mr. Brown às 03:11 | link do post | comentar
Terça-feira, 14.02.12

É deixá-los sair

Não foram recebidas «as garantias políticas pedidas aos líderes dos partidos da coligação grega sobre a implementação do programa». Na Grécia querem brincar ao faz de conta. Antonis Samaras, líder da Nova Democracia e provável vencedor das eleições em Abril, segundo o que aqui se noticia, andou a anunciar no último domingo no Parlamento grego, apesar do voto favorável do seu partido, que pretendia renegociar o acordo alcançado com a troika. Note-se igualmente que o seu partido diz que o «crescimento económico» - onde é que já ouvi isto? - deve ser a prioridade. Com tal nível de resistência dos partidos gregos em comprometerem-se com toda e qualquer reforma, com toda e qualquer medida, julgo que não restará outra opção aos restantes líderes europeus do que a de deixar a Grécia sair do Euro. É que se os partidos gregos não clarificarem a sua posição antes das eleições, a utilidade destas será reduzida. E se é para manter tudo na mesma, é melhor assumir a ruptura desde já antes de enterrar lá mais dinheiro para nada. Só fico verdadeiramente preocupado com as consequências negativas imprevisíveis para Portugal.

 

Nota: Líder conservador compromote-se com medidas de austeridade. Assim é que deve ser e é melhor para todos: para a UE e para o povo grego que sabe no que vota. Se bem que para uma maioria parlamentar, a avaliar pelas sondagens, Nova Democracia e PASOK não bastam.

Mr. Brown às 20:55 | link do post | comentar

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