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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Enriquecimento ilícito com Sócrates em pano de fundo

Numa entrevista entediante de Passos à RTP, talvez o aspecto que mais mereça ser registado é o primeiro exemplo de proposta política que poderá garantir ganhos à pala do caso Sócrates: «é tempo de não baixar os braços» e insistir na criminalização do enriquecimento ilícito. Do mero ponto de vista da estratégia política, para o PSD é perfeito: nem se pode dizer que seja uma discussão oportunista, pois estava agendado e garantido há muito o regresso do tema. Pelo meio, aproveita para malhar no Tribunal Constitucional que foi quem chumbou a proposta inicial. Proposta essa à qual só o PS se opôs. O regresso da discussão sobre este tema, com o caso Sócrates em pano de fundo, será uma enorme batata quente para os socialistas (basta ler as notícias recentes: Sócrates foi contra a lei do enriquecimento ilícito ou Lei do enriquecimento ilícito obrigaria Sócrates e Carlos Silva a justificar gastos, para dar dois exemplos). Mas, apesar de considerar que a nossa justiça dá demasiadas garantias à defesa, nesta matéria, estou com o PS (e com o TC). Não devemos aderir à táctica do «vale tudo». Acrescento, contudo, que no dia em que António Costa foi eleito secretário-geral do PS, nesse mesmo dia em que Sócrates era ouvido no TIC e no seguimento de uma semana em que tínhamos sido brindados com o caso vistos gold, o novo líder do PS enunciou, num breve discurso, as principais bandeiras do PS: nestas, sobre o combate à corrupção ou outros temas relacionados com a justiça, nem uma palavra. Não pude deixar de estranhar, até por Costa tratar-se de um ex-ministro da justiça que tinha puxado dos galões para relembrar tudo o que fez pelo combate à corrupção durante as primárias do partido.

Carlos Alexandre canta "Vá pra cadeia"

Só em Marte é que não existiria mediatismo

Este processo só agora começou. Sócrates não se assume como culpado? Confesso que não esperava uma destas. Enfim, ignorando o conteúdo banal da carta, a única coisa relevante a tirar disto é, evidentemente, o absoluto delírio daqueles que protestam contra o mediatismo do caso (ainda para mais culpando especialmente a justiça por isso: coitada da justiça, nos próximos meses vai ser culpada de muita coisa). Achar que se atira um ex-primeiro-ministro, conhecido por ser um animal feroz, cheio de amigos e de apoiantes por tudo quanto é lado, para as teias da justiça e que a coisa não teria impacto mediático é de quem acaba de aterrar em Portugal vindo de Marte.

Ainda o Proença de Carvalho

O motorista de José Sócrates, que segundo alguma imprensa é peça-chave na investigação em curso, é representado por um advogado da «Uría Menéndez - Proença de Carvalho». Segundo o Expresso, quando o motorista terá contactado o escritório com o desejo de encontrar quem o representasse, «ninguém percebeu que o caso envolvia o ex-primeiro-ministro». Há dias em que é-me impossível não pensar no belo título que arranjei para este blogue.

Já cá faltava este

Proença de Carvalho diz que Carlos Alexandre é «o super juiz dos tabloides». Já o Proença de Carvalho júnior, advogado de Ricardo Salgado, também não gosta muito do juíz Carlos Alexandre. Quem sai aos seus não degenera.

E voltamos a isto

O envolvimento do Presidente da República, Jorge Sampaio, do Procurador-Geral, Souto Moura, e do bastonário dos advogados à época, José Miguel Júdice, levado a cabo por amigos de Paulo Pedroso, como Ferro Rodrigues ou António Costa, é outra das razões que justificam a prisão de Pedroso: «Verifica-se a tentativa de contacto das mais altas instituições do Estado». Os juízes do Supremo, com base nas escutas existentes no processo, declaram aderir completamente às decisões do juiz Rui Teixeira e do Tribunal da Relação segundo as quais os políticos tentaram perturbar a prova no processo casa pia. «Terceiros, a pedido de Paulo Pedroso, realizaram diligências junto de instituições judiciais e políticas susceptíveis de criarem perigo de perturbação do inquérito e sentimento de insegurança e intranquilidade públicas, com consequências ao nível da prova», refere o acórdão, rejeitando que o juiz Rui Teixeira tenha errado ao prender Paulo Pedroso.

Cabala no país vizinho

Dimite Ana Mato tras su implicación en el ‘caso Gürtel’ por el juez Ruz.

O nosso Xanana

«Todo o PS está contra esta bandalheira», porque o PS é ele. «Este é um caso político», Costa agita-se. «Toda a gente acredita na inocência do ex-primeiro-ministro», ouvem-se risos. «Os malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar», esses malandros, pá: suspenda-se toda e qualquer investigação ao homem. «Isto é tudo uma infâmia [...] Afinal o que é que ele fez?», não fez nada, é um santo e Soares põe as mãos no fogo por ele, é uma cabala. Esta visita do ex-Presidente da República, fundador do PS, a Sócrates, num dia em que não há espaço para visitas naquele estabelecimento prisional, com estas declarações despudoradas e gravíssimas, dizem muito sobre o nosso regime. Como a defesa por parte de Soares de Salgado já dizia. Como o abraço a Isaltino já indiciava. Era suposto os que faziam parte da cúpula dos poderosos manterem-se intocáveis. Mas a cúpula rachou e está tudo com medo que parta de vez. «Isto é muito estranho», dado que não os podemos mandar embora, é prender os juízes, nomeadamente Carlos Alexandre, que isto tudo regressa logo à normalidade.

Segundo o provedor de justiça

É ilegal excluir um incompetente da possibilidade de obter um emprego no Estado. Imaginem o que não será despedir um já contratado.

Leitura política

«À política o que é da política, à justiça o que é da justiça» é um belo refúgio para não reconhecer o óbvio: o caso José Sócrates tem de ter leitura política. Da mesma forma que a presunção de inocência é válida a titulo pessoal, mas a política está para além dela, no sentido em que um político não pode, nem deve, refugiar-se nela (volto a lembrar que a propósito do caso da demissão de Miguel Macedo houve quem procurasse constatar que a sua demissão era coisa normalíssima - e eu acho que o devia ser -, mas repito que isso ainda está por provar). Sem que a situação do ex-PM, que pode muito bem acabar por não ser condenado - não é isso que está em questão  -, não mude, torna-se inadmissível que o PS continue sendo representado e dominado por socráticos. Ainda que esses socráticos tenham sido a principal força dentro do PS a provocar a queda de Seguro e a garantir a ascensão de Costa, o que coloca problemas evidentes ao actual líder. Contudo, se Costa é mesmo um líder forte e assim quer apresentar-se, tem agora a oportunidade para mostrar o que vale. Nem quero imaginar que, em 2015, com Sócrates a braços com a justiça, a campanha para as legislativas por parte do PS seja conduzida por socráticos ou que um futuro governo do PS tenha no seu núcleo duro socráticos - entendam-se os socráticos como aqueles que sempre rodearam o querido líder, tendo para com ele até relações de amizade; gente que foi promovida de forma sistemática dentro do PS por este; e que fez da defesa da honra de Sócrates uma das suas causas -, é inadmissível. Tão inadmissível como imaginar que Paulo Portas seria apanhado nas teias da justiça com o caso dos submarinos e, tirando o afastamento de Portas, tudo no CDS ficasse igual. Imaginam que assim seria? Achariam admissível que assim fosse? Se um partido não demonstra verdadeira capacidade de regeneração quando a necessidade desta é por demais evidente, esse partido não vale nada. E aqui, sim, essa incapacidade dos partidos de se regenerarem, isso é que coloca em causa, a prazo, o regime. Já a justiça seguir o seu rumo - investigando, acusando e condenando, quem quer que seja, se assim tiver de ser -, se alguma coisa, é sinal de vitalidade do regime.