Segunda-feira, 15.09.14

Da perseguição política

Ao contrário do que sucede com Armando Vara, não tenho convicção pessoal formada, por falta de elementos, a propósito do caso pelo qual Maria de Lurdes Rodrigues foi julgada (e mesmo políticamente, por estranho que possa parecer, tenho alguma simpatia pelo seu trabalho à frente do ministério). E sendo certo que a infalibilidade da justiça não existe, Maria de Lurdes Rodrigues pode e deve recorrer da condenação de que foi alvo. Agora, o que não tenho pachorra, mesmo, é para o discurso da «perseguição política». Um discurso que é recorrente em todo e qualquer político e, também por isso, desprovido de valor. Este achincalamento da justiça foi, aliás, traço dominante durante a governação socrática - que se dizia perseguida por esta - e são tempos de muito má memória. E menos pachorra tenho quando alguns dos que alinham pelo mesmo diapasão são, em boa parte, aqueles que demonstraram profunda indignação com as críticas que alguns políticos fizeram e fazem a um tribunal inegavelmente político como é o Tribunal Constitucional. Será que não reparam na contradição, na hipocrisia?

Mr. Brown às 19:23 | link do post | comentar | favorito

Os plantéis (Porto)

 

Quem pode, pode. E o Porto, em Portugal, deve ser o único capaz de fazer uma revolução do plantel ao nível da que fez este ano. Revolução absolutamente necessária num clube que apresenta um bom historial de entradas a matar após temporadas futebolísticas de má memória. Mas vamos às mexidas: jogadores que já demonstravam cansaço/falta de ambição ou pouco potencial para progredir, como Defour, Varela ou Fernando, saíram, a que se soma a venda milionária do defesa francês Mangala. Por outro lado, um jogador que se pensava estar de saída, o matador Jackson Martinez, não só ficou, como aparenta ter novo fulgor e estar longe do jogador desanimado da última época. Além disso, mostrando que a direcção terá aprendido alguma coisa com os problemas evidenciados em épocas passadas, o ataque foi reforçado com Adrián López, que ainda não fez por justificar o preço pago por ele, e o camaronês Aboubakar, o que torna a frente de ataque portista, pelo menos em teoria, numa armada poderosíssima e, se necessário, menos Jackson-dependente. Mas as entradas de jogadores não se ficaram pela frente de ataque. Na defesa - entre muitos outros reforços que aparentam vir para ter um papel mais secundário -, para colmatar a saída de Mangala, entrou o internacional holandês Martins Indi, defesa sólido que não deve ter problemas em impor o seu futebol. No meio-campo, de forma algo inesperada, apareceu um Rúben Neves de meros dezassete anos, a praticar bom futebol e a prometer muito para o futuro. A coisa torna-se ainda mais inesperada quando sabemos estar numa época em que se fala tanto, com razão, da falta de jogador portugueses a dar nas vistas. Este, pelo menos, está merecidamente a dar. Mas nem o Porto tem dinheiro para fazer uma revolução sem recurso a soluções que podem trazer alguns problemas: por exemplo, Casemiro para colmatar a saída de Fernando; Tello para ocupar o lugar de Varela; e Óliver Torres para dar uma criatividade à equipa que na época passada por vezes escasseava, vieram todos por empréstimo (curiosamente, cada um de um dos três primeiros classificados do campeonato espanhol da época passada). Todos eles podem acrescentar algo de novo ao Porto, mas todos eles parecem traduzir-se mais numa aposta de curto-prazo, período em que o Porto sente-se forçado a dar a volta à má época do ano passado sem deixar margem para qualquer dúvida, enquanto descura questões de médio-longo prazo. O mesmo pode ser dito daquele que tem sido, pelo menos até agora, o reforço com maior impacto nos jogos já realizados: Yacine Brahimi. Talento puro. Mas foi contratado e logo o Porto vendeu a maior parte do seu passe à Doyen, num negócio que parece estar associado ao de Mangala, num esquema semelhante ao que terá sido proposto ao Sporting no caso Rojo. O futuro dirá se o Porto decidiu melhor do que o Sporting, ou vice-versa, mas enquanto Brahimi passeia a sua classe pelo relvado do Dragão - tal como Rojo, sem que os sportinguistas então se queixassem, passeou a sua classe pelo relvado de Alvalade -, não posso deixar de achar que o Porto terá razão e os fundos, se bem aproveitados, sem demagogia e populismo, são um bom instrumento para rentabilizar a actividade do clube. Que mais pode ser dito do plantel do Porto? Que ainda falta provar se Herrera e Quintero deixam apenas de ser jogadores com enorme potencial e elevam o seu nível de jogo ao que o potencial promete. Que se outras soluções falharem, o Porto ainda foi buscar um talento brasileiro chamado Otávio. Que com tantos recursos, para tristeza de alguns portistas, Quaresma anda a ser sentado no banco. Que Julen Lopetegui tem tudo para ser herói, mas, se falhar, rapidamente virar vilão.

Mr. Brown às 19:00 | link do post | comentar | favorito

Os plantéis (Benfica)

 

O Benfica parecia que ia atravessar uma época difícil, fruto de problemas financeiros derivados do caso BES, mas eis que pelos lados de Carnide alguém deve ter encontrado petróleo. Tanto assim é que entre algumas aquisições dispendiosas, o clube da Luz ainda "investiu" na recompra da maior parte dos passes que estavam no Benfica Star Funds por "meros" 30 milhões de euros. A alteração foi tão brusca que o mesmo Carlos Daniel que dizia das vendas do Benfica serem o exemplo de como se destruía uma excelente equipa num abrir e fechar de olhos, passou a observar que este Benfica é mais forte do que o do ano passado. Será mesmo? Não tenho tanta certeza. Mas continua forte, não há dúvidas quanto a isso. A maior sangria esteve no sector defensivo, onde as perdas de Oblak, Garay e Siqueira não terão sido colmatadas com jogadores de igual valor: nem desportivo, nem de potencial de valorização para venda futura. Eliseu, apesar de tudo, cumpre - e ainda há Silvio, que manteve-se por empréstimo e pode vir a ser peça importante -; Júlio César, em fim de carreira, é esperar para ver - Artur, entretanto, já custou pontos -; e Jardel é um defesa certinho, suficientemente bom para o campeonato português, mas muitos furos abaixo de Garay. No meio campo, a perda de André Gomes não parece preocupante, tanto mais quando o Benfica investiu forte com a compra do internacional grego Samaris e do italiano ainda jovem, mas talentoso, Cristante. Mas o principal para as aspirações do Benfica é a a continuidade, pelo menos até Janeiro, do trio argentino constituído por Enzo Perez, Salvio e Gaitan. Com estes três - e ainda que Markovic tenha saído -, a dinâmica ofensiva do Benfica continuará certamente a dar cartas. Por falar no sérvio que foi vendido ao Liverpool, também há este ano o miudo Talisca, que começa a dar ares de poder vir a ser um jogador com futuro, e sobre o qual José Mourinho, ao afirmar que só não está já em Inglaterra por faltar-lhe um «work permit» (licença de trabalho), deixou no ar a impressão de que seguirá os passos de Ramires e do próprio Markovic, sendo que o clube lampião só está a servir de interposto para o jogador antes deste chegar ao seu destino final (esta estratégia do Benfica de servir de interposto a jogadores que, por falta de «work permit», não podem ir imediatamente para Inglaterra, na verdade e como se pode constatar pelos dois nomes que já mencionei, não tem corrido propriamente mal). Talisca que tem andado a fazer o lugar de Rodrigo, jogador que deixou saudades nos adeptos encarnados. Mas se Talisca terá potencial, não é menos verdade que ainda está muito verdinho. Talvez por isso - a que se soma a saída de Cardozo -, sentiu necessidade o Benfica de ir buscar o experiente e «com historial de golo» Jonas. Some-se a isto o defesa regressado de empréstimo e internacional argentino, Lisandro Lopez; o segundo melhor marcador do campeonato do ano passado, Derley; o português, que alguns diziam que devia ter sido convocado por Paulo Bento para o Mundial, Bebé, agora Tiago; jogadores que nem calçam no Benfica, mas seriam titulares na maior parte dos clubes portugueses, e percebe-se que, sim, o Benfica continua a ter um plantel fortíssimo para a liga portuguesa. Jorge Jesus, ao contrário de Marco Silva, não se pode queixar da falta de ovos.

Mr. Brown às 12:00 | link do post | comentar | favorito

Os plantéis (Sporting)

 

O Sporting ganhou Nani, o que lhe garante maior poder de fogo nas alas, mas perdeu Rojo, o pilar da sua defesa. E ficou ainda sem Dier que, até por já estar ambientado, parece-me que seria melhor alternativa para o eixo defensivo do que Sarr. Além disso, no ataque, continua sem Montero, tem um Slimani desmotivado (a cenoura é importante: no primeiro ano o jogador dá o seu melhor, se a coisa corre bem, no segundo é normal que o jogador só mantenha a felicidade ou com melhoria salarial substancial - que o Sporting aparentemente não lhe quis dar -, ou com saída para um clube que lhe dê o salário pretendido - o que o Sporting impediu que acontecesse) e um japonês, bem como um francês, que são duas incógnitas. Contratou um escocês que pode não passar de um puto com tão bom marketing quanto o Freddy Adu e um búlgaro que ainda nem vi jogar. No meio campo, o trio do ano passado manteve-se, mas se Adrien continua a ser um jogador bom, mas não de top, André Martins mantém-se um jogador mediano e William Carvalho está uma sombra do que foi no passado. Um espanhol qualquer que andava a jogar pelo campeonato super competitivo que se disputa em terras do Tio Sam veio para ser alternativa a Carvalho, mas este, até por nem calçar muitas vezes, nem do «efeito Montero» de curto-prazo beneficiará e suspeito que pode ir imediatamente para a categoria de flop onde o avançado colombiano já faz figura de corpo presente. A forma como o Sporting actua no mercado demonstra evidentemente - e relativamente a Porto e Benfica - um clube com parcos recursos, que nas compras procura pechinchas em mercados mais periféricos e até nas vendas, de forma a assegurar liquidez de curto-prazo, meteu-se num imbróglio jurídico para assegurar mais dinheiro do que aquele que estaria inicialmente previsto receber. Para piorar as coisas, se o melhor jogador do Sporting é Nani, qualquer fruto da sua valorização no mercado não irá para o clube visto que o jogador só está em Alvalade por empréstimo. E não sei até que ponto o «efeito Nani», que chegou e já é a estrela incontestável da equipa, se repercute de forma negativa nos restantes jogadores do plantel, que estando efectivamente muitos furos abaixo do internacional português, são em boa parte os mesmos que fizeram o brilhante campeonato do ano transacto e devem sentir que esse mérito não lhes está a ser reconhecido (era um efeito previsível - ampliado pela forma como os sportinguistas reagiram à contratação de Nani -, pois a partir do momento em que foi contratado só William podia disputar-lhe a influência, mas se o vai fazer, nestes primeiros jogos, ainda não o demonstrou: o que traz velhos fantasmas do passado de jogadores com potencial que ao não sairem do Sporting logo que tiveram oportunidade acabaram por ficar prejudicados, como Moutinho). Por fim, se este Sporting parece estar pior do que o do ano passado, pior ainda estará se pensarmos que o plantel desta vez vai ser sujeito aos jogos desgastantes, mas muito importantes, da Liga dos Campeões. Marco Silva, sobre quem já recai alguma contestação, não terá vida fácil. Até porque muito depende este Sporting, por ter um plantel mais fraco do que os dos seus opositores, de um treinador competente.

Mr. Brown às 02:05 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 14.09.14

A porca da política

Quando Vítor Bento e João Moreira Rato foram escolhidos para ficar à frente do BES, houve quem os confundisse com os Armandos Vara do PSD. Por outro lado, outros não se cansaram de elogiar a escolha e, com isso, elogiavam obviamente quem os tinha escolhido. O pedido de demissão de Vítor Bento e de Moreira Rato, mostra, pelo menos, que Varas não eram certamente. Nada que incomode os que já eram críticos, agora criticam por outro motivo qualquer. Para esses, Vítor Bento, por questões políticas passadas, é alvo a abater, dê lá por onde der. Por outro lado, por parte de quem achava a escolha muito boa, agora descobre-se defeitos que anteriormente não tinham ou, se tinham, não haviam sido realçados como particularmente relevantes. A capa do DN deu o mote: «nova equipa com perfil mais técnico e menos político». O spin para responsabilizar Bento como uma má escolha (com o foco mais na escolha do que em quem escolheu) e justificar os novos como uma boa escolha, melhor do que a anterior, é evidente. João Vieira Pereira, jornalista do Expresso sempre muito benevolente para com Carlos Costa, escreve agora no twitter que «finalmente uma equipa de banqueiros». Maravilhoso, até porque ao que me recordo Vieira Pereira foi dos que concordou com a escolha de Vítor Bento. Mas a ideia que importa passar agora é a seguinte: Bento tinha perfil político e não era um técnico. Bento era má escolha. Bento era incompetente para o papel. Bento não aguentou a pressão. Bento andava aos papéis. Ainda bem que Bento foi-se embora. «Finalmente uma equipa de banqueiros»: que enorme lata! Por fim, e para não me alongar mais, ontem, Marques Mendes, hoje, Paulo Portas - o homem da «demissão irrevogável» (a diferença da dele para a de Bento é que a dele, reveladora de um homem sem palavra, foi apenas jogada estratégica para ganhar peso no Governo, meter o amigo Pires de Lima lá dentro e livrar-se de Santos Pereira) -, também trituram Vítor Bento. Sobre Carlos Costa, a alcoviteira do reino foi muito mais contida, do ministro não lhe ouvi sequer um único indicio de crítica. Nuno Melo, entretanto, também anda desaparecido em combate. Bento é o bode expiatório para explicar o insólito. Feliz dia o dele em que recusou ser ministro das finanças - já lhe teria acontecido o mesmo que aconteceu com Vítor Gaspar -, infeliz dia aquele em que decidiu aceitar a missão BES. Resumindo: em política, qualquer pessoa séria e integra está sujeita a ser enxovalhada.

Sábado, 13.09.14

O irmão metralha

Quando o caso BES já estava bem quente e Salgado praticamente queimado, Mário Soares alegou que «nós fizemos tudo e estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável», acrescentando que teve «sempre o culto da amizade. E [teve] sempre o culto da amizade por muita gente.». Na altura, suspeitei que o ex-presidente tinha, entre outras coisas, Ricardo Salgado - e o que sucedia ao BES - na cabeça. Julgo que não me equivoquei. Até porque agora, em declarações à RTP, disse ainda que «Quando ele [Ricardo Salgado] falar, e vai falar, as coisas vão ficar de outra maneira. Ao princípio era tudo banditismo, mas agora os portugueses já perceberam que não é assim». Proença de Carvalho tem aqui um belo adjunto e se o branqueamento das actividades fraudulentas do amigo Salgado, ainda que a imprensa internacional tenha dado grande destaque ao caso (exibindo-o como um irmão metralha), é para levar em frente no âmbito nacional, o amigo Soares dá um bom tiro de partida. Acrescente-se que na mesma reportagem exibida hoje na estação pública, Mário Soares contou com brevidade a história de como o BES, aquando da privatização, regressou à família Espírito Santo por sua intervenção directa: em conversa onde Soares solicitava a Salgado para assumir o controlo do banco, este respondeu-lhe que não tinha dinheiro para concretizar tal operação, mas super Mário logo o tranquilizou, dizendo que dinheiro não era um problema. Bastou um telefonema a François Mitterrand, o Crédit Agricole foi metido ao barulho e, voilá, fez-se luz. E o dinheiro nunca mais foi um problema. Até agora. Quando tantos falam na promiscuidade entre poder político e económico como algo de muito negativo, achei esta uma bela história. É, aliás, exemplar de um certo modus operandis enraizado na sociedade portuguesa. Assim geraram-se os grupos de amigos influentes que deviam favores uns aos outros e garantia-se a preservação do status quo [Cavaco - Dias Loureiro - Oliveira e Costa: a mesma história precisamente]. Nunca houve um só «dono disto tudo», existem é os que se julgam e, em parte, têm sido «donos disto tudo». É um grupo, não é uma individualidade. E Soares faz parte desse grupo. De resto, bem diz Seguro que quem apoia Costa tem mais queda para a promiscuidade.

Mau demais

A solução de Carlos Costa era a melhor possível dadas as circunstâncias? Com coisas destas, deixa rapidamente de o ser. Perceba-se: se o Novo Banco já tem andado a perder activos, com notícias insólitas deste calibre essas perdas só podem intensificar-se. Contudo, não me passa pela cabeça, ainda que com a (pouca) informação disponível, responsabilizar os gestores pela situação, estes apenas terão pretendido ser mais do que meros «verbos de encher» - recorde-se que foram chamados quando a realidade era o BES e não o Novo Banco e, mesmo quando a realidade mudou, teriam legítima pretensão de querer ter no banco papel semelhante ao de Horta Osório no Lloyds e não o papel de meros temporários que se limitarão a dar a cara pela venda apressada do mesmo (venda rápida que defendi e, agora com razões reforçadas, continuo a defender; o que não me impede de perceber a leitura diferente que o gestor do banco quererá fazer) -, mas responsabilizo sim o governador do Banco de Portugal. Se na questão da supervisão já tinha revelado problemas, dos quais, ainda recentemente, quis sacudir a água do capote, atirando as culpas para o vice-governador, agora demonstra problemas graves na forma como lidou com a solução final encontrada (não garantindo à partida que os gestores encarregues de pegar no banco aceitariam um timing rápido para a venda deste). Perante isto, e como em quase tudo, no fim, a competência das pessoas mede-se pelos resultados. E os resultados de Carlos Costa começam a ser maus demais.

Mr. Brown às 01:15 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 12.09.14

Zorrinho surreal

Primeiro foi a ideia da «pasta da Investigação, Ciência e Inovação» como não sendo uma pasta da «economia real». Agora diz que Marianne Thyssen, política do centro-direita belga de ideologia democrata-cristã (a mesma que o CDS de Portas ou a CDU de Merkel), é uma «socialista». As primárias do PS estão mesmo a ser um processo desgastante.

Mr. Brown às 22:25 | link do post | comentar | favorito

Copycat

Demonstrando que a cópia é sempre pior do que o original, Marinho e Pinto faz de José Manuel Coelho um político respeitável.

Silva "Maria João Rodrigues" Peneda

Como se não bastasse Maria João Rodrigues, temos aqui outro - bem como a sua facção, que inclui o senhor presidente Silva mais a Manelinha - com um grande melão por Passos ter escolhido Moedas para comissário. Triste Peneda que como bom oportunista se fez ao cargo, mas garante que não se quer «meter em bicos de pés». O que seria se quisesse.

Mr. Brown às 19:24 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 11.09.14

A máquina socrática

Não basta os políticos tomarem-nos por parvos, alguns jornalistas também nos tomam. Fica a dúvida, na «interpretação das palavras de Costa» promovida pelo jornalista Nuno Sá Lourenço do, cada vez pior, Público, sobre a necessidade do PS se «demarcar, na especialidade, das propostas com as quais não concorda» se o que este defendia era a votação contra no OE 2012. Ou será que - e isso resulta claro do visionamento do vídeo no youtube -, «independentemente do conteúdo» do OE, na generalidade, Costa defendia, era sabido «há mais de um ano» segundo o próprio, qualquer coisa como a «abstenção violenta» que tão criticada foi quando praticada por Seguro? Enfim, estes fretes jornalísticos não são nada de novo, diga-se. Contudo, Seguro nunca beneficiou deles. Já Costa, beneficia. Não é de estranhar, temos a máquina socrática toda no terreno novamente.

Mr. Brown às 22:22 | link do post | comentar | favorito

A OPA dos Mello

Claro que levanta problemas de concorrência. E esses problemas repercutem-se inclusive na disputa entre os diferentes proponentes à aquisição da ES Saúde: um operador que queira ficar com a ES Saúde sabendo que terá concorrência dos Mello no sector não pode valorizar a empresa no mesmo valor que os Mello o podem, sabendo que ficam líderes dominantes incontestados no sector da saúde privada. E é uma história muito nossa esta: a dos açambarcadores nacionais que querem ficar «donos disto tudo». Os reguladores que actuem, pelo menos desta vez, em conformidade com aquilo que lhes é exigido: a defesa intransigente das condições de concorrência efectiva em Portugal.

Mr. Brown às 13:56 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 10.09.14

Seguro vs Costa

O debate de hoje foi mais centrado sobre a oposição que o PS tem feito ao Governo e o lero-lero socialista. Seguro, neste campo, demonstrou toda a sua insegurança e os seus defeitos. Por outro lado, Costa não só fez acusações fortes sobre a tibieza e pouco fulgor com que o PS se demarcou em certos momentos do actual Governo, algumas dessas acusações que passaram sem resposta de Seguro, como esteve muito bem a demonstrar que o lero-lero que constitui boa parte daquilo que Seguro tem como o seu programa - banalidades que foram passadas para um papel que Costa diz também ter aprovado e ser de todo o PS e não apenas de Seguro, para logo depois ridicularizar tal documento, o que não deixa de ser uma posição curiosa -, mais não passa do que o lero-lero que o PS vem dizendo de há muitos anos a esta parte, incluindo no tempo de Sócrates e ainda antes disso. Seguro contra-argumenta que não, que traz uma novidade consigo, com ele chega o milagre da revolução industrial. Mais e pior lero-lero, no fundo. E é nesta vacuidade, de que Seguro se gaba, que o futuro ex-líder do PS demonstra todas as suas fragilidades. Claro que Costa também só tem lero-lero, mas ao menos não se gaba dele da mesma forma que Seguro. É uma diferença que se restringe ao estilo, mas o estilo de Costa é claramente mais agradável. De resto, a referência de Seguro ao laboro intenso do laboratório de ideias e da convenção novo rumo, de onde saíram as ideias deste PS que o preparam para governar, de forma tão intensa que Seguro garante que as contas estão feitas e não será necessário aumentar a carga fiscal - se tiver que a aumentar, demite-se, diz o homem seguro de estar preparado -, só convencem os tolos. Por fim, o único momento onde me diverti com o debate, bem conduzido por Clara de Sousa, foi o da acusação de Seguro a Costa de que ele, Seguro, não passou os últimos três anos a fazer política da janela do município e, pelo contrário, andou por todo o país. Costa, que antes tinha dito que com Seguro era tudo «eu, eu, eu», achou por bem aproveitar para dizer que a observação de Seguro era indelicada para todos os autarcas, o que não deixa de ter a sua ironia: o edil lisboeta também achou por bem confundir a sua pessoa com a de todos os autarcas. Afinal, não será só Seguro a ter o ego inflamado. Dito isto, da minha perspectiva de gajo de direita que será sempre oposição quer o candidato socialista se chame Seguro ou Costa, este segundo round foi muito menos divertido do que o anterior. Mas muito melhor para Costa, que o venceu. Imaginando-me na pele de um socialista, confesso que julgo que não hesitaria um segundo sobre em qual dos candidatos votar.

Terça-feira, 09.09.14

Seguro vs Costa

De substantivo, pouco foi dito, e do que foi dito fica claro que o ponto fraco de Seguro é as "ideias" que tem, sendo que em boa parte estas resultam de compromissos que se sentiu "forçado" a fazer pelo tempo que já leva no lugar de líder da oposição, enquanto a parte forte de Costa é não ter "ideias", continuando a resistir a comprometer-se com coisas que não poderá cumprir. Mas perante esta posição de Costa, que alega incerteza futura para não se comprometer com propostas concretas, os debates só podem ser sobre lero-lero, que de ideias para o país nunca o serão. Também por isso, não é de estranhar que o sumo do debate tenha sido outro: aquilo que verdadeiramente marcou este primeiro confronto foi a forma como Seguro, com a sua narrativa política da traição, mas também da hipocrisita do seu adversário, linha essa muito criticada por certos opinion makers, encostou Costa de tal forma às cordas que este último chegou mesmo a gaguejar. Caso para perguntar: na ausência de razão para Seguro, porque haveria Costa de se sentir tão incomodado? Mais: reparem que Costa sabia de antemão que Seguro seguiria esta linha no debate e, ainda assim, tendo tido tempo para se preparar, gaguejou e foi levado às cordas. Não estava preparado. Talvez seja preciso rever algumas opiniões sobre a brilhante capacidade política do edil lisboeta. Outra parte que registei do debate foi a forma como Costa, espicaçado por Seguro que faz tudo para colá-lo ao passado socrático, quis demarcar-se do ex-PM dizendo que aproveitou a Quadratura do Círculo várias vezes para criticar a governação socrática: deve ser falta de memória minha, porque não me lembro nem de uma dessas críticas. Dito isto, logo após o debate, lá vieram alguns analistas - alguns desses ainda que reconhecendo o óbvio a contragosto, ou seja, que o azelha Seguro (imaginem se não o fosse) ganhou o primeiro round - com a ladainha de que a linha narrativa do Seguro não é grande coisa. Só mesmo em Portugal alguém pode afirmar, com ar sério, que uma linha política narrativa que mete o adversário a gaguejar é má. Não é má, é óptima. É tudo o que um político pode querer para usar contra o seu adversário. Os opinion makers não gostam? É normal, estavam a torcer para que a passadeira vermelha fosse estendida a Costa. Ainda assim, num debate conduzido por Judite de Sousa, Costa falou mais seis segundos do que Seguro. Caso para concluir, Costa esmagou Seguro.

Segunda-feira, 08.09.14

Jamais

Tribunal não deu credibilidade a depoimento de Mário Lino. Este homem foi ministro, de má memória, mas foi ministro. Que a palavra dele não tinha grande credibilidade já o sabíamos.

Mr. Brown às 12:39 | link do post | comentar | favorito

Balaj de água fria

 

Não fui dos seus maiores críticos e não só percebi, como aceitei muitas das suas opções mais criticadas, mas também escrevi que Paulo Bento não teria condições para continuar à frente da selecção depois do Mundial e o jogo de hoje vem, infelizmente, ajudar a demonstrar que provavelmente tinha razão. Os responsáveis da selecção, por seu lado, com o presidente Fernando Gomes em primeiro lugar, meteram a cabeça na areia e acharam por bem atirar responsabilidades para cima do médico e seguir como se nada de substancial precisasse de ser mudado. Sem novo técnico, sem mudança, não houve novo e revigorado ânimo transmitido aos jogadores e o peso da decisões e exibições passadas contínua a se fazer sentir fortemente não só sobre Paulo Bento, mas também sobre todo o grupo de trabalho, tenha este mais ou menos caras novas. Não admira, portanto, que o jogo de hoje tenha sido uma continuação do que já tínhamos assistido durante o Mundial de má memória. E sendo certo que a escassez de caras novas com qualidade reconhecida que possam ser chamadas à selecção para a tão badalada renovação explica parte dos fracassos a que temos assistido, um desaire contra a Albânia está longe de poder ser explicado só, nem sequer especialmente, por isso: a nossa selecção não tem opções disponíveis à altura das que teve no passado, mas por muito maus que os jogadores disponíveis sejam, continuam a ser muito melhores do que os da Albânia. Não se admite perder com estes coxos e Paulo Bento devia abandonar a selecção. Já vai tarde.

Domingo, 07.09.14

Do spin bem feito

Sexta-feira, realizaram-se eleições para as federações socialistas: Costa ganhou a maior parte. Logo, o candidato veio avisar que os militantes estavam a «falar de forma muito clara». Sócrates, no comentário televisivo durante o dia de ontem, reforçou a ideia, as eleições de sexta-feira deram «sinal claro» de que o PS deseja uma mudança na sua liderança. Entretanto, e para a edição de Domingo, o Público mete na capa que «PS em batalha de impugnações com Costa em vantagem: Extrapolando os resultados das federações, António Costa obteria 70% dos votos nas primárias de 28 de Setembro». A notícia do Público é de Margarida Gomes, a mesma que esteve ligada a isto, nada de novo, portanto. Os resultados finais, que levam em consideração as eleições ocorridas no sábado, onde Seguro ganhou a maior parte, demonstram, contudo, um equilibrio de forças (a nível de votos expressos, há mesmo quem garanta que o resultado global dita uma vitória para os afectos a Seguro, muito longe da historieta que aparece na capa do Público). Perante isto, se estas eleições contam para alguma coisa - não sei até que ponto contam -, em boa verdade, nada de muito claro se pode depreender a propósito de quem tem o apoio maioritário no partido. Mas isso pouco interessa, para todos os efeitos a imagem que acabou por passar é que mesmo ao nível do aparelho António Costa esmagou António José Seguro.

João Marcelino e o Face Oculta

Aguentou mais de três anos no cargo depois disto, finalmente, vai ser substituido por André Macedo.

Mr. Brown às 10:02 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 06.09.14

Lisboa e o interior

Babaca Seguro queixa-se frequentemente das barreiras que diz enfrentar por ter nascido no interior e não ser lisboeta, por oposição ao mui amado Costa. É uma queixa que não sobrevive a poucos segundos de reflexão. Logo a começar porque o principal adversário de Seguro, aquele que, antes e acima de Costa, lhe minou o caminho no PS, trata-se de um homem com nascimento registado em Vilar de Maçada, Alijó, que deu os primeiros passos na sua "brilhante" carreira profissional na Covilhã/Guarda, a projectar estas maravilhas:

 

 

Quem tem isto como principal sombra a atormentá-lo no PS - e não pode haver qualquer dúvida que os peões de Costa que mais e melhor combatem Seguro são os mesmos que estavam alinhados com o ex-projectista de Vilar da Maçada -, de cada vez que abre a boca a lamentar as dificuldades acrescidas por que passa junto de certos sectores por ser do interior, não pode ser levado a sério. Isso não é, definitivamente, um obstáculo.

Mr. Brown às 14:25 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 05.09.14

O maravilhoso mundo dos não executivos

Não posso dizer que isto seja uma total novidade para mim, nem se enganem a pensar que era coisa só do BES, pelo que a pergunta que valerá a pena colocar é quantos destes (a que se somam muitos outros) mais não são ou foram, em certos cargos que ocupam ou ocuparam, com os seus belíssimos ordenados, «verbos de encher»? Há por ai umas "vedetas" da TV que fazem dinheiro com presenças em discotecas, outras "vedetas", algumas delas também com passagem recorrente pelas TVs, arranjaram forma de fazer uns trocos extra recorrendo a expediente semelhante.

Mr. Brown às 19:45 | link do post | comentar | favorito

Robalos

Talvez alguma coisa esteja mesmo a mudar na justiça portuguesa. Mas é apenas o resultado de uma batalha na luta pela credibilização da justiça, a guerra está longe de estar ganha.

Mr. Brown às 13:59 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 04.09.14

Awareness

Estava a ouvir a entrevista de Fernando Pinto na RTP e a reflectir que os voos com problemas da TAP são os novos velhos que morrem sozinhos em casa. Nisso, pelo menos, dou razão ao presidente da TAP.

Mr. Brown às 20:40 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 02.09.14

Da falta de vergonha na cara

António Costa faz uma piadola sobre militantes mortos que aparecem em listas e é suposto toda a gente achar muita graça e a comunicação social dar muito destaque ao caso, já a esta acusação que também se sabe ser verdadeira - não acredito é que seja só do lado de Costa, muito menos que seja só problema do PS (uma pesquisa no google revelará facilmente inúmeras notícias semelhantes com o PSD, por exemplo)  -, aparece mister Perestrello a dizer que só faz «campanha eleitoral pela positiva» e não levanta «calúnias e falsidades em desespero de causa». Mais comentários para quê? É a política partidária no seu pior. Aliás, um conhecido apoiante de Costa no twitter, farta-se de malhar em Seguro e nos seus peões com toda a autoridade moral que lhe deve ser reconhecida (foi, para mim de forma surpreendente, extraordinariamente difícil dar com esta notícia, mas sabia que a minha memória não podia estar a falhar): Tiago Barbosa Ribeiro, líder da concelhia portuense da Juventude Socialista vivia com 20 militantes na Rua da Constituição.

Novela brasileira

Para desanuviar da nossa politiquice interna, é interessante prestar alguma atenção à campanha brasileira: compra de votos às claras por parte de Dilma, em cima da eleição, com intuito claro de ir atrás do eleitorado da candidata opositora que vai à frente nas sondagens. Perante isto, até é possível ter algum orgulho nos nossos políticos. Aliás, quanto mais de perto acompanho a campanha brasileira, também por entender que a política é sempre reflexo do eleitorado a que se destina, menos simpatia vou tendo por alguns aspectos que tenho cada vez mais como certos de serem característicos da generalidade da sociedade brasileira.

Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 31.08.14

Muro de Berlim

Na vida, já se sabe, não há almoços grátis. Se quisermos voltar a ter a social-democracia no ocidente teremos que efectuar alterações profundas na ordem mundial: voltar a impor barreiras alfandegárias (impedindo o dumping social) e controlar os mercados de capitias e os offshore. Já o comunismo também só falhou porque tinha o capitalismo do outro lado.

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