Quinta-feira, 30.09.10

Incompetência

A ministra Helena André é personificação do desgoverno a que estamos sujeitos. Há uns tempos lembrou-se de sugerir que o congelamento dos salários da função pública significava a actualização destes pelo valor da inflação. Estava errada e foi corrigida. Desculpou-se que tinha sido mal entendida. Agora, ainda esta semana, veio dar a entender que o governo vai cumprir a meta dos 500 euros de salário mínimo para 2011. Bastaram três dias para que o ministro das finanças desse a entender o contrário. A declaração de Teixeira dos Santos é coerente com as propostas ontem anunciadas. Já Helena André anda na lua e é a incompetência em pessoa.

Debate na Assembleia

Três vezes Miguel Macedo perguntou o quê que correu mal neste ano de 2010 para que o PEC II, o tal que era "necessário e suficiente" para resolver o problema das contas públicas portuguesas, não tivesse sido suficiente para evitar as medidas ontem anunciadas. O primeiro-ministro por três vezes teve oportunidade de responder à pergunta da bancada do PSD. Não respondeu. Ignorou. Chutou para o lado. Bem sei que é recorrente, mas cada vez percebo menos como é que os portugueses aceitam ter como primeiro-ministro um sujeitinho destes. É que a falta de resposta à pergunta implica não explicar cabalmente o porquê dos sacrifícios que nos pede. Ao não responder, o primeiro-ministro opta pelo come e cala-te. E há quem cale-se.

 

De resto, o engenheiro relativo conseguiu levar boa parte do debate a discutir a compra de submarinos cuja responsabilidade está assumida desde 2004. É puta falta da vergonha.

Mr. Brown às 22:03 | link do post | comentar | favorito

Humorista

"as crises não são só do Governo, são do povo e o povo tem que sofrer as crises como o Governo sofre".

 

Almeida Santos, o mesmo que disse uma vez que a construção da Margem Sul pode ser perigosa, contínua a demonstrar que escolheu a profissão errada. É político, mas ele tem mesmo jeito é para humorista. Não fosse esta merda ser demasiado séria e até podíamos esboçar um sorriso.

Ai Agostinho, Ai Agostinha

TAGS:
Mr. Brown às 08:21 | link do post | comentar | favorito

Como passa senhor contente, como está senhor feliz

Diga à gente, diga à gente, como vai este país.

 

TAGS:
Mr. Brown às 08:09 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 29.09.10

Imagem do dia

(no Jornal de Notícias)

Mr. Brown às 22:19 | link do post | comentar | favorito

Duas vitórias para a Alemanha

O engenheiro relativo vai tentar colocar o nosso défice ao nível do alemão. A senhora Merkel ganhou. O Benfica contínua sem ganhar na Alemanha. O Schalke 04 ganhou.

O fim do país das maravilhas

Salários acima de 1500 euros com cortes entre 3,5 e 10 por cento (no país das maravilhas de Sócrates, há bem pouco tempo, os funcionários públicos tiveram direito a um aumento de 2,9%)

 

Governo sobe IVA para os 23% em 2011 (no país das maravilhas do engenheiro formado na universidade de Coimbra Independente, o IVA começou por subir de 19 para 21%; descer para 20% antes das eleições; e subir novamente para 21% há poucos meses)

 

PT cobre má execução fiscal e paga submarinos (não eram os dois sujeitinhos que hoje apresentaram as medidas de austeridade que criticavam forte e veio as receitas extraordinárias de determinada senhora?)

TAGS:
Mr. Brown às 21:20 | link do post | comentar | favorito

Com metade do ano decorrido, tínhamos tudo por fazer

Défice público atingiu 9,6 por cento na primeira metade de 2010: O Governo terá de conseguir registar na segunda metade deste ano um défice que seja quase metade do registado nos primeiros seis meses de 2010, se quiser cumprir o objectivo de défice de 7,3 por cento do produto interno bruto (PIB) prometido a Bruxelas.

 

Ou como as eleições de Setembro de 2009 tiveram um custo elevado.

Mr. Brown às 08:12 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 28.09.10

Se

o Eduardo Pitta e o João Galamba pretendessem limitar-se a criticar o modelo económico irlandês pré-crise e que era tido como um exemplo a seguir por Portugal, tinham alguma razão do seu lado. Mas como o que lhes interessa é sugerir que a actual situação irlandesa é culpa das medidas de austeridade adoptadas recentemente, limitam-se a fazer demagogia e a errar tremendamente o alvo. É que a Irlanda estaria pior sem as medidas de austeridade adoptadas e será, certamente, obrigada a apertar ainda mais o cinto. O acentuar do problema irlandês deve-se tão só ao inesperado aumento dos custos com a salvação da banca e esses poderão ser de tal ordem que não há austeridade, ou outra coisa qualquer, que lhes valha.

Mr. Brown às 15:10 | link do post | comentar | favorito

Onde cortar?

Estrutura da Despesa Corrente, 2009 (em % do PIB)

 

Prestações Sociais: 21,9

Despesas com Pessoal: 11,5

Consumos intermédios: 4,4

Juros: 2,9

Outras: 2,7

Subsídios: 1,5

 

Fonte: PEC2010_2013, pag.25

 

Tudo somado, dá-nos que a despesa corrente do Estado, em 2009, foi de 44,9% do PIB. Tendo em conta o peso de cada uma das rúbricas, se a opção for cortar na despesa, é impossível diminuir o défice em 2,7% do PIB (de 7,3% para 4,6%) que não seja por via das Prestações Sociais ou das Despesas com Pessoal. A grandeza dos números também deixa a nu a triste realidade de que este modelo económico está esgotado, mas como a alteração do modelo tem custos sociais, económicos e políticos elevadíssimos no curto prazo, nada melhor do que recorrer à opção facilitista do aumento dos impostos. Ou, ainda melhor, como certos sectores parecem advogar, a solução passaria por abdicar do combate ao défice. Tudo em nome de um modelo económico finado há muito e que deita um cheiro nauseabundo insuportável.

 

Adenda: ainda relacionado, é ler Habilidosos do Miguel Noronha.

TAGS:
Mr. Brown às 08:56 | link do post | comentar | favorito

Sem noção do ridículo

"Nas competições europeias da época passada houve duas grandes equipas, o Barcelona e o Benfica"

Mr. Brown às 08:15 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 27.09.10

O PSD sempre soube, já o senhor primeiro-ministro parece que desconhecia

“Em 2011 o que vai acontecer é exatamente o que aconteceu em 2010, o que vai aumentar impostos é o que aumenta agora a partir junho”, reafirmou.

 

Quem terá dito a frase citada? Mas reparem na lata do deputado socialista João Galamba:

 

Ou seja, o PSD sempre soube que o próximo OE teria de incluir mais medidas do lado da receita, pelo que não pode vir agora fingir que está perante uma novidade que resulta de uma qualquer quebra de compromisso por parte do governo.

 

Que é como quem diz, entre outras coisas, que a palavra do senhor primeiro-ministro vale zero. Ou que o PSD sabia mais do que o senhor primeiro-ministro. Mas isso acho que já todos devíamos saber.

Mr. Brown às 15:39 | link do post | comentar | favorito

Kevlar

OCDE diz que Governo português deve estar pronto para aumentar mais os impostos

 

O governo não deve estar pronto, está prontíssimo. A OCDE é que anda pela pátria lusa, a pedido do governo, para sugerir aos portugueses que devem estar prontos para um aumento dos impostos.

Subscrevo

Tudo o que aqui é dito.

Mr. Brown às 15:06 | link do post | comentar | favorito

A dimensão do buraco

IVA e subsídio de Natal não chegam para tapar buraco orçamental de 2011

 

Referem-se a duas rúbricas altamente relevantes na receita e despesa do Estado. Percebem porquê que é urgente debater o essencial? É que ao pretendermos abdicar de uma destas medidas, não podemos abdicar da outra. Por esta altura, isso já devia ser óbvio na mente de todos os portugueses. Dúvido que seja.

TAGS:
Mr. Brown às 07:56 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 26.09.10

Senhor Primeiro-Ministro,

Que sinal de esperança pode dar aos portugueses se nos últimos anos lhes foram pedidos sacrifícios no sentido de combater o défice, agora atravessamos uma crise e nos próximos anos, certamente, vão ser necessários novos sacrifícios, no sentido de reduzir uma vez mais os valores do défice?


Não me parece que seja assim. O défice será reduzido com estabilizadores automáticos, não é preciso pedir sacrifícios especiais a ninguém. Se a nossa economia começar a recuperar, aumentam as receitas fiscais.

 

Aqui, em Maio de 2009. Em Stalag 17, de Billy Wilder, a acção decorre num campo de prisioneiros e um deles recebe uma carta da mulher que se encontra na pátria distante. Ao lê-la, o prisioneiro responde constantemente "eu acredito". Acredita no quê, questiona-se o espectador. Acredita na mulher quando esta lhe escreve: "não vais acreditar no que aconteceu, encontrei um bébé na rua que dá para nossa casa". Porque não haveria de acreditar, ele acredita. E quantos serão os que ainda acreditam neste primeiro-ministro?

Mr. Brown às 12:13 | link do post | comentar | favorito

André Villas-Boas

O FC Porto soma e segue. Conseguiu a sexta vitória consecutiva no campeonato, a décima em jogos oficiais esta temporada e a vigésima contando com a recta final da época anterior. Números impressionantes.

 

Por esta altura, na época passada, com um percurso inferior, certo treinador foi transformado em messias no reino da mitologia encarnada. O messias tratou-se bem e esta época passou a ganhar 200 mil por mês. No reino do dragão, há um sorriso na cara dos seus habitantes.

No Grande Ecrã (I)

 

 

12 Angry Men

 

Perante um cinema actual dominado por pirotecnia e efeitos especiais, onde a grandeza de certos filmes mede-se pelo valor do número do orçamento de que dispõe, é reconfortante e revigorante o visionamento de alguns clássicos. Este é um deles. Uma sala; doze actores, entre os quais o destaque vai para Henry Fond; com Sidney Lumet ao leme e um argumento inteligente; foi quando bastou para fazer uma obra-prima. Os diálogos interpelam-nos e obrigam-nos a pensar. A tensão é permanente. A dinâmica do processo de decisão é influenciada por factores externos como o calor que se faz sentir. 12 homens decidem o destino de outro homem, e o espectador é convidado a tomar uma decisão com eles. Inesquecível.

Mr. Brown às 10:46 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 25.09.10

Abdicar da oposição

Por aqui, dá-se conta da opinião de Fernando Madrinha no Expresso:

 

"Ao fazer um braço de ferro com o Executivo a propósito do Orçamento para 2011, Passos Coelho escolheu o pretexto errado no momento errado."

 

Já, segundo ilustres opinadores, a proposta de revisão constitucional veio "no momento errado". Afinal, qual o papel reservado ao maior partido da oposição neste momento? Limitar-se a dançar o tango?

Mr. Brown às 22:25 | link do post | comentar | favorito

Aplaudo

a resposta clara de Fernando Moreira de Sá aqui. E digo mais: se Passos Coelho resistir à pressão de que vai ser alvo para aprovar o orçamento dos impostos socialistas, é merecedor do meu voto.

Orçamento 2010 vs 2011

PSD não negoceia... mas vai deixar passar o Orçamento

 

Na capa do Expresso de hoje. Deve existir um equívoco. Ora, recordemos:

 

Se já fosse líder do PSD, teria viabilizado, em nome do combate à crise, este Orçamento?

Este Orçamento como está não serve ao País.

 

Mas a minha pergunta é muito directa: teria viabilizado, ou o PSD chumbaria este Orçamento?

Eu tive ocasião de dizer que, se fosse líder do PSD quando se iniciou esta discussão, teria dito que não aceitava viabilizar este Orçamento sem duas condições. Primeira: sem que o Governo aceitasse suspender todas as decisões que tinha tomado quanto a grandes obras públicas até elas poderem ser reavaliadas, porque são encargos que não se reflectem neste Orçamento mas que se vão reflectir nos 30 orçamentos dos 30 anos subsequentes a este e, em segundo lugar, sem haver um compromisso claro da parte do Governo de ter um Orçamento de combate à crise, que é como quem diz, de diminuição séria da despesa pública, mas já no ano de 2010!

 

Votaria contra, portanto?

Em consciência votaria contra, porque eu não posso, em nome de uma qualquer estabilidade, de uma paz podre para o País, viabilizar um Orçamento que sei que é um mau Orçamento. Essa, de resto, é a posição em que o PSD está hoje, ninguém percebe a posição do PSD, eu não percebo a posição do PSD. A dr.ª Manuela Ferreira Leite disse-o publicamente, que viabilizaria este Orçamento do Estado não porque concordasse com ele mas porque do ponto de vista externo seria muito mau que o País não tivesse um Orçamento aprovado.

 

E o que pensam disso alguns dos que escrevem por aqui e aqui. A propósito, subscrevo esta declaração do jcd.

Debater o essencial

Aumento dos impostos ou diminuição dos salários da função pública?

 

A forma como evitamos esta discussão em Portugal é absolutamente assustadora, porque a resposta à pergunta em causa é essencial para traçar um caminho que solucione o problema do défice com que somos confrontados no imediato. Curiosamente, todos, à excepção do governo, parecem ser contra o aumento dos impostos, mas poucos têm a coragem de colocar a diminuição dos salários dos funcionários públicos como o reverso da medalha.

Mr. Brown às 16:08 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 24.09.10

Outras lembranças

Manuel Castelo-Branco recorda aqui Jorge Sampaio a propósito do famoso "Há vida para além do deficit". Mas as culpas não ficam por Sampaio, recordemos que isto: Economia e emprego são prioridade face ao défice, fez parte do discurso que transformou determinado partido dito de direita em terceira força política nacional.

Mr. Brown às 18:56 | link do post | comentar | favorito

Comédia de mau gosto

TGV: Governo mantém intenção de construir linha Lisboa-Madrid

 

Não será antes a linha Portugal-Abismo?

Mr. Brown às 18:13 | link do post | comentar | favorito

AUTORES

PESQUISAR

 

E-MAIL

REDES SOCIAIS

LINKS

ÚLT. COMENTÁRIOS

  • Se, no que diz respeito ao futebol, todos achariam...
  • Li-o em inglês. A julgar por este pequeno excerto,...
  • Troika fora daqui, já! Mas que deixe cá o dinheiri...
  • Ah, sim, muito melhor do que este «Engano» (que, a...
  • O seu «Everyman» é um dos «meus» livros. Tão human...

TAGS

ARQUIVOS

FEEDS

blogs SAPO