Na entrevista de Teixeira dos Santos, ontem, na RTP, foi dito algo que é importante realçar. Segundo o excelentíssimo ministro, o PSD propôs-se a impedir o aumento de impostos, o que implica uma diminuição mais que certa (palavra do senhor ministro) da receita que o governo colocou no projecto base para o OE2011, e como contrapartida defendeu cortes cuja concretização era incerta (novamente, palavra do senhor ministro) no lado da despesa. Teixeira dos Santos diz que não aceita substituir o que é certo pelo que é incerto. Diz que os mercados também não atribuirão credibilidade a um orçamento que opte por essa via. Digo eu: com este governo em funções, tudo o que sejam medidas de diminuição da despesa será sempre de concretização incerta, pois eles não conseguem (incompetência), ou não querem (estupidez), ser rigorosos e sérios na execução de tais medidas. Se os mercados não atribuem credibilidade a um orçamento que corte brusca e fortemente na despesa, tal deve-se, em boa parte, à falta de credibilidade atribuída aos executantes do orçamento, ou seja, a José Sócrates (credibilidade abaixo de zero) e a Teixeira dos Santos (credibilidade zero). A execução orçamental de 2010 é prova mais do que suficiente para os mercados não acreditarem neste governo. Como os mercados não acreditam no governo para cortar na despesa, é necessário dar um sinal que reforce a crença de que somos capazes de diminuir o défice e, como José Sócrates já explicou mais do que uma vez, a subida dos impostos é o caminho mais fácil.
PS: a justificação do excelentíssimo ministro para o descalabro da execução orçamental de 2010 é, para quem duvidasse, prova mais do que suficiente que não podemos contar com este governo para controlar a despesa. E, mais importante, devia ser suficiente para qualquer cidadão minimamente sério e livre de preconceitos ideológicos perceber que o estado social, tal como o conhecemos, caminha para uma morte agonizante. A saúde, especialmente a saúde, precisa de um novo modelo com urgência. Talvez valha a pena ponderar, quanto tanto se fala em colocar de lado jogos partidários e pensar no bem do país, em proceder a alterações na CRP rapidamente.