Terça-feira, 30.11.10

Em política, não devemos acreditar em nada até ser oficialmente desmentido *

"A posição do Governo português é muito clara, não precisamos de ajuda nenhuma. Precisamos de confiança na economia"

 

* da série Sim, Senhor Ministro

Mr. Brown às 22:45 | link do post | comentar | favorito

Keynesianismo primitivo

Pergunta: como se consegue contornar a austeridade nos gastos públicos portugueses com os problemas de financiamento existentes? Qual é a solução defendida pelo João?

Resposta do deputado João Galamba: A minha solução é europeia.

 

Outra pergunta: O João não votou favoravelmente as medidas de austeridade?

Resposta do deputado João Galamba: Enquanto a UE não mudar a sua política, estamos condenados a OEs como aquele que acabamos de aprovar. Por isso, e só por isso, votei a favor. Não é um bom orçamento - muito longe disso - mas é o possível, dados os constrangimentos políticos e financeiros que o país enfrenta. É trágico, mas é o que temos.

 

Nos comentários a este post. Nunca é demais insistir num erro, de facto. A solução europeia defendida por João Galamba não diferirá muito da solução europeia defendida por Castro Caldas ontem no Prós & Contras. Infelizmente, independentemente da bondade da solução proposta, esta não depende quase nada de nós. Por isso, a não ser que o senhor deputado Galamba ou o economista Castro Caldas pretendam propor que seja concedido aos portugueses o direito de voto nas eleições alemãs, com o benefício de eliminarmos de vez a Assembleia da República Portuguesa e deixarmos de contar com deputados que dizem votar num mau orçamento por força das políticas europeia, será bom que deixem-se de tretas e comecem a reflectir nas soluções que podemos adoptar no imediato e dependem exclusivamente de nós. O resto são desculpas e lamúrias de quem contínua a não querer enfrentar a realidade. E é muito curioso que os mesmos que bradam contra o recurso ao auxílio externo do FMI, confessem, afinal, que o sucesso das políticas que advogam está na completa dependência das opções tomadas por agentes externos.

Mr. Brown às 10:55 | link do post | comentar | favorito

O sonho no cinema

 

The Mad Hatter: Yes, yes - but you would have to be half-mad to dream me up.

 

 

I believe the words "Once Upon a Time" in the film's title imply that we should regard the movie as being fanciful, and certainly its predominant tone is dreamlike.

 

 

Every single moment of Inception is a dream.

 

 

A Love Story In The City Of Dreams

 

 

"It started in the crib, I was a baby. From the crib all the way to age 11, more or less, I had what is called lucid dreaming, which means you dream that you are awake. So I literally saw monsters. I was used to monsters, I loved them."

Mrs. Smith às 01:45 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 29.11.10

Notas blogosférias

1. Hoje, inserido na festa preparatória de mais um aniversário daquele blogue, escrevo no 2711: É a economia, estúpido! Aproveito ainda para agradecer publicamente o convite inesperado do Daniel Santos.

2. O Sapo colocou este blogue em destaque. Agradeço a amabilidade que fez disparar os números do sitemeter durante o fim de semana.

O jornalismo está cada vez pior neste país?

O João Campos deixou nos comentários a este post uma questão interessante. Qual a causa do jornalismo, em geral, estar cada vez pior neste país? Do ponto de vista de um consumidor compulsivo por tudo quanto é informação, como é o meu caso, tentarei dar uma resposta:

 

1. Primeiro, levando em conta o assunto do post original, limitemos o sector em análise ao jornalismo praticado na imprensa escrita. Depois, analisemos a premissa em causa: o jornalismo está cada vez pior neste país? O meu primeiro instinto é para concordar incondicionalmente, mas convém estabelecer alguns limites. Por exemplo, está pior desde quando? Quando começou a degradação do jornalismo praticado nos jornais? Se me pedirem uma data específica, não saberei responder, mas posso afirmar que algures nos últimos 10 anos essa degradação tem vindo a ocorrer. O motivo estará certamente relacionado com o aumento das fontes de informação, com origem sobretudo na internet, e com o decréscimo das receitas, mas já lá irei. Por outro lado, quer-me parecer que aquilo que identificamos como uma diminuição da qualidade do jornalismo mais não é do que um aumento do nosso espírito critico para com o sector (alteração da perspectiva que temos sobre determinado objecto sem que o objecto propriamente dito tenha sofrido alterações). A fundamentar esta última observação realço dois aspectos: i) aumento da quantidade de informação disponível, com origem em fontes diversas, o que permite com maior facilidade a identificação de erros; e ii) de certa forma relacionado com o ponto anterior, a maior facilidade de acesso à imprensa escrita internacional e o contraste entre a qualidade de algumas das coisas que são feitas lá fora com o que é feito cá dentro. Nesse sentido, a degradação do jornalismo made in portugal talvez não seja tão forte quanto por vezes cremos, mas ainda assim também não é inexistente. Avancemos:

2. A dificuldade de encontrar um modelo económico viável para o jornalismo on-line é real, o que é preocupante num mundo onde os leitores terão tendência a afastar-se da imprensa tradicional e a refugiarem-se no ciberespaço. Não era difícil adivinhar que o dinheiro começaria a escassear e isso teria repercussão na qualidade do jornalismo praticado. Foi assim em Portugal, está a ser assim um pouco por todo o mundo. No plano internacional há, contudo, alguns factores positivos na popularidade do jornalismo on-line: surgiram sites especializados em notícias que vieram acrescentar valor ao que já existia anteriormente. Neste campo, o efeito benéfico da concorrência prevaleceu. O problema português é que esse fenómeno é muito menos acentuado: os jornais não viram aumentar a concorrência nacional no mundo virtual, apenas viram diminuir o número de leitores pagantes e muitos leitores fugiram para os concorrentes internacionais. Contudo, no universo nacional, basta ler os nossos blogues para perceber que estes continuam a depender (quase) exclusivamente da imprensa tradicional e, salvo casos pontuais, contínua a ser a imprensa tradicional a marcar a agenda mediática nacional.

3. A falta de dinheiro teve impacto nas condições remuneratórias dos jornalistas, bem como no número de jornalistas que compõem as redacções dos jornais. Isto criou maior dependência entre o jornalismo e certos sectores económicos/políticos que levaram a uma informação de menor qualidade; a uma multiplicação do recurso a estagiários mal pagos, sem experiência e facilmente manipuláveis; e a uma diminuição do jornalismo de investigação.

4. A escala e os nichos de mercado. A nossa imprensa não consegue, por força da baixa quantidade de leitores que disputa, produzir um jornalismo heterogéneo. Veja-se a coincidência de posições na maior parte dos jornais a propósito da União Europeia; das alterações climáticas; da defesa do Estado Social; da adoração ao Obama; etc.. Esta homogeneidade tem de ser encarada como um factor de baixa qualidade. E se em tempos idos os leitores representantes de certos nichos teriam dificuldade em encontrar alternativas à imprensa nacional, nos tempos que correm não faltam publicações internacionais que servem os seus gostos e interesses. A situação anterior era um incentivo para que o jornalismo nacional procurasse fugir ao consenso absoluto, agora, foi-se esse incentivo. E a procura por estes nichos é feita por pessoas com um nível de formação acima da média. Ao deixarem de cativar estes clientes, a imprensa escrita luta cada vez mais por um conjunto de leitores com nível de formação mais baixo. Ou seja, a própria imprensa para sobreviver vê-se obrigada a baixar o nível.

5. Para terminar, se a imprensa escrita já tinha problemas, acrescente-se o empobrecimento generalizado que afecta o país. Há os leitores que deixam de comprar jornais porque encontram alternativas e depois há os leitores que deixam de comprar jornais porque não podem gastar esse dinheiro. E há o mercado publicitário que mingua, etc..

 

E para já, fico por aqui.

Domingo, 28.11.10

Ver, vêem-no, recusam-se é a falar dele

Um líder da oposição responsável diria antes: Portugal tem capacidade para resistir; nós temos uma situação diferente da Irlanda; confiemos nas instituições democráticas portuguesas para resolver; o momento da clarificação política chegará - se o recurso ao FMI for o melhor para Portugal, não será o fim da Pátria, mas é um cenário que, neste momento, não colocamos. Acreditemos em nós. Portugal. Passos Coelho anda com as premissas e as prioridades trocadas...

Um líder da oposição, portanto, na douta opinião de João Lemos Esteves deve ser falso, hipócrita e mentiroso. Deve, perante o inevitável, manter um discurso redondo que fuja de abordar o futuro mais que certo. Deve fingir que não vê o elefante que temos dentro da sala. Como diz Vitor Bento: Quanto ao elefante que temos dentro da sala e que toda a gente se recusa a ver, eu não percebo como é que anda tudo a demonizar o auxílio externo a Portugal, sem pensar sequer onde é que o País vai arranjar os 47 mil milhões de euros de financiamento que o Estado vai precisar em 2011. Esta demonização do auxílio externo a Portugal a que se refere Vitor Bento parte sobretudo dos sectores socialistas, em parte porque não gostam do que é a prática do FMI, mas também porque o PS não saberá explicar, depois de prometer o paraíso e garantir que estava tudo bem encaminhado, como é que tudo aquilo que nos acontece agora não é maioritariamente responsabilidade dos governos socialistas. E então vamos atrasando o mais que certo: se não têm nenhuma ideia de onde virá esse dinheiro, porque é que se continua a viver no mundo do faz de conta, em vez de se despacharem a fazer o que é preciso fazer, enquanto há dinheiro do Fundo Europeu?!

Mr. Brown às 12:08 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 27.11.10

Invicto

Nem com recurso a um golo ilegal e uma expulsão conseguiram derrotar a melhor equipa do campeonato.

Mr. Brown às 23:26 | link do post | comentar | favorito

Não só tentou, como fez. Uma delas foi o museu com o nome do senhor comendador.

O primeiro-ministro está legitimamente à frente do Governo, afirmou hoje Joe Berardo, alegando que José Sócrates "tentou fazer qualquer coisa pelo país", mas "foi crucificado".

Mr. Brown às 21:23 | link do post | comentar | favorito

Uma acumulação temporária

O ministro da Justiça, Alberto Martins, vai assumir as competências do secretário de Estado João Correia que havia apresentado a demissão na segunda-feira, anunciou hoje o Ministério. A demissão, tendo em conta a notícia, foi apresentada na segunda-feira, mas era conhecida desde final de Outubro: Primeira queda no executivo de José Sócrates. Secretário de Estado da Justiça sai até 31 de Dezembro e pode abrir a porta a José Sócrates para fazer uma remodelação governamental pontual. João Correia não saiu sem lançar a sua farpa: "Há uma cultura contra a justiça em certos sectores do PS". Declarações que noutro contexto poderiam ter outra importância, mas durante a governação Sócrates  tornaram-se de tal forma banais que já ninguém dá-lhes a devida atenção. E fica a pergunta: a acumulação de competências por parte do ministro Alberto Martins é temporária até verificar-se a remodelação que dizem estar para breve, certo?

Por outro lado, compreende-se que o governo esteja com dificuldade em encontrar substitutos para os cargos que devem ser remodelados. São cada vez menos aqueles que, sendo do PS, ainda estão do lado de José Sócrates e não será qualquer um que aceitará exercer um cargo que tem vida limitada até ao inicio do próximo ano.

Mr. Brown às 21:03 | link do post | comentar | favorito

Portugal e Espanha

Na capa do Expresso. Depois da Grécia e da Irlanda, Portugal não tarda também estará a recorrer à ajuda europeia. A Espanha é a senhora que se segue na linha dos que necessitam de ajuda. Portugal e Espanha jogam tudo por tudo na resolução dos problemas económicos dos seus países? Nem por isso. A dupla Sócrates/Zapatero acha que é altura de apostar numa organização conjunta de um Mundial de Futebol. Não temos remédio. Em 2018 a maíoria dos portugueses estará mais pobre, mas podemos estar a realizar um Mundial de Futebol. Ainda bem, todos sabemos como o Euro 2004 revolucionou a economia nacional.

Sexta-feira, 26.11.10

O Espírito Natalício

Há muito tempo que tento acabar com a tradição de compra de prendas nesta época do ano. Mas há entre os que me são próximos quem ache isto tudo muito divertido e vou sendo 'forçado', de forma a não deixar ninguém indisposto, a ir na onda. Mas este é um ano especial: há quem na família, por força de se encontrar em situação de desemprego, não possa comprar prendas; há quem na família tenha confessado que chegou a deitar brinquedos para o lixo, pois pretendia que ano após ano a parafernália de brinquedos dos filhos fosse renovada. Levando isso em conta, este ano a decisão é definitiva e irreversível: não há prendas para ninguém. O Natal não pode ser isto.

Jukebox (VII)

Sprawl I (Flatland), Arcade Fire, The Suburbs (2010), Canadá

Mr. Brown às 18:29 | link do post | comentar | favorito

Isto não é uma derrapagem

"Não há qualquer derrapagem dos custos. Pelo contrário, há até uma redução do custo de investimento anunciado", disse à agência Lusa Paulo Campos. No vídeo que se segue também não há qualquer derrapagem, pelo contrário, há uma redução da duração da corrida:

 

Mr. Brown às 13:09 | link do post | comentar | favorito

Cavaco 'Terminator' Silva

Segundo este estudo, o actual chefe de Estado recolhe a preferência de 78,3 por cento dos inquiridos contra os 15 por cento de Manuel Alegre, que caiu cinco pontos percentuais em relação a Outubro.

Não é possível cortar na despesa (3)

Arrancou há quase dez anos, já custou aos contribuintes mais de 74 milhões, realizou "cerca de 50% dos contratos adjudicados" com "ausência de procedimentos competitivos", ainda não foi estreado e já precisa de obras.

Memória, é preciso ter memória. O que nos venderam foi isto: As obras deverão estar concluídas em menos de dois anos, garantiu o primeiro-ministro. No total vão ser gastos 33 milhões de euros, «um baixo investimento para um grande benefício» e que aproveita algumas estruturas já existentes, explicou o chefe do Governo.

Mr. Brown às 07:26 | link do post | comentar | favorito

Ler os outros (XIV)

Several countries, most notably Spain, will be forced to choose between giving up sovereignty to Germany, suffering extremely high rates of unemployment for several years, or giving up the euro. They will almost certainly choose the third option. [...] This has been said before, but in a way this crisis is the European equivalence of the American Civil War. Once the dust finally settles Europe will either be a unified country with fiscal sovereignty firmly established in Berlin or Brussels, or it will be fragmented with little chance of reunion.

Mr. Brown às 07:20 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 25.11.10

Não é possível cortar na despesa (2)

Os mais de 4800 funcionários do Hospital de São João, no Porto, vão passar a vestir Nuno Gama. O estilista desenhou novas fardas - túnica e calças - para o pessoal de todas as áreas funcionais desta unidade. A administração do maior hospital do Norte do país confirmou ontem o "segredo", depois de este ter sido revelado, num tom extremamente crítico, pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que fala numa despesa que pode ultrapassar o milhão de euros.

Mr. Brown às 19:56 | link do post | comentar | favorito

Os testes de resistência à banca europeia foram uma fachada

23/06/2010: European Bank Stress Tests: AIB and Bank of Ireland pass tests.

25/11/2010: The Irish government is expected to take Allied Irish Banks, the weaker of the two, into full public ownership with Bank of Ireland set to have around 85 per cent of its shares held by the Irish government.

Como é costume dizer-se: mais depressa apanha-se um mentiroso que um coxo. Pensar que aumentam a confiança dos mercados mentindo-lhes só piora o fosso em que estamos metidos. Agora, é lógico que os mercados tenham ainda mais dúvidas quanto à situação dos bancos espanhóis: The looming question is whether Spanish banks are really as healthy as the government and the banks say they are. E as dúvidas estão  bem fundamentadas: Foreclosed Homes May Flood Spanish Market as Banks Offload Unwanted Assets.

Mr. Brown às 15:02 | link do post | comentar | favorito

A dívida portuguesa e o contribuinte alemão

Para a chanceler alemã, o debate é simples: "Será que os políticos têm a coragem de obrigar os que ganham dinheiro a partilhar o risco? Ou será que o investimento em [títulos de] dívida dos governos é o único negócio na economia mundial que não envolve riscos?", interrogou-se ontem no Parlamento alemão. "Não vou desistir" porque "não há nenhuma empresa que possa esperar transferir os seus riscos a 100 por cento para os contribuintes se as coisas correrem mal", afirmara na véspera.

Angela Merkel está cheia de razão, sobretudo quando a ideia era a de que a dívida pública portuguesa não tinha risco porque estava garantida pelo contribuinte alemão. Não está, nem podia estar. Habituem-se. Nem Portugal é a Madeira, nem a Alemanha é o Continente.

Mr. Brown às 09:02 | link do post | comentar | favorito

Posição negocial

Governo e PT ainda não chegaram a acordo sobre o valor que a operadora terá de injectar nos fundos de pensões. Ainda não chegaram, mas irão chegar, isto porque a concretização do acordo é essencial para o actual governo e a PT sabe-o. Esse conhecimento, sinalizado pelo próprio governo desesperado, coloca a PT numa posição negocial privilegiada. Em nome de interesses de curto prazo, o governo sacrificará parte do nosso futuro. A situação não é virgem, havia sucedido coisa semelhante no badalado negócio com o Citigroup em 2003. Mas há uma diferença: a situação de desespero em que Manuela Ferreira Leite se encontrou não tinha origem no governo de que fazia parte. Já o mesmo não pode ser dito do actual desespero de Teixeira dos Santos. E, entretanto, acentua-se o desespero do povo.

Mr. Brown às 07:47 | link do post | comentar | favorito

2 Milhões

Mais precisamente 2.068.560 eleitores votaram no Partido Socialista nas últimas eleições legislativas. Foi há pouco mais de um ano. Por esta altura, podíamos ter outro governo e outras políticas, sabiam? Não foi por falta de aviso. Já vai sendo tempo dos eleitores assumirem alguma da responsabilidade pela situação em que nos encontramos.

Mr. Brown às 00:13 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 24.11.10

Notas blogosféricas

1. O Arrastão mudou de grafismo e de plataforma, mais um que junta-se à galáxia Sapo.

2. N'O Cachimbo de Magritte gerou-se uma discussão interessante em torno da "questão alemã". Ide ler, ide. Por outro lado, se Jorge Costa abandonar o blogue é desvalorização garantida na bolsa dos blogues.

Mr. Brown às 19:27 | link do post | comentar | favorito

Prémio Cervantes

Ana María Matute, Premio Cervantes 2010

aqui referi o quanto gostei do seu livro Olvidado Rei Gudu.

Mr. Brown às 17:47 | link do post | comentar | favorito

FMI pre-party

 

Arrancou a greve geral. Uma massa humana composta maioritariamente por funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas, ao mesmo tempo que estraga o dia a muito trabalhador maioritariamente do sector privado, não irá trabalhar em protesto contra políticas que provocam desemprego, pobreza e regressão da economia. É uma greve 'política', portanto. 'Política' no sentido em que é contra um conjunto de políticas levadas a cabo por um governo eleito e não contra qualquer tirania/abuso de um qualquer empregador. Basicamente, é uma greve com o patrocínio do BE e do PCP. Ora, não consta que as políticas defendidas por esses dois partidos tenham obtido, ou estejam em vias de obter, êxito nas eleições legislativas e a colocação do seu eleitorado em protesto não pode subverter o jogo democrático que se quer limpo. Por fim, quer-me parecer que a greve funcionará mais como uma celebração a antecipar a previsível chegada do FMI a Portugal. Mas se sem FMI já há festança da pesada, esperem só pela farra que está para se realizar quando o FMI começar a influenciar as nossas políticas.

Mr. Brown às 07:13 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 23.11.10

Ler os outros (XIII)

E como o FMI não quer saber de retóricas e demagogias políticas sobre a Constituição, certamente que iria para a frente com a liberalização do mercado de trabalho. Neste sentido, não seria irónico que o governo que andou a criticar duramente o principal partido da oposição com a questão da revisão constitucional fosse o mesmo governo que se veria forçado a implementar estas mesmas medidas?

Mr. Brown às 17:35 | link do post | comentar | favorito

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