Em política, não devemos acreditar em nada até ser oficialmente desmentido *
* da série Sim, Senhor Ministro
Pergunta: como se consegue contornar a austeridade nos gastos públicos portugueses com os problemas de financiamento existentes? Qual é a solução defendida pelo João?
Resposta do deputado João Galamba: A minha solução é europeia.
Outra pergunta: O João não votou favoravelmente as medidas de austeridade?
Resposta do deputado João Galamba: Enquanto a UE não mudar a sua política, estamos condenados a OEs como aquele que acabamos de aprovar. Por isso, e só por isso, votei a favor. Não é um bom orçamento - muito longe disso - mas é o possível, dados os constrangimentos políticos e financeiros que o país enfrenta. É trágico, mas é o que temos.
Nos comentários a este post. Nunca é demais insistir num erro, de facto. A solução europeia defendida por João Galamba não diferirá muito da solução europeia defendida por Castro Caldas ontem no Prós & Contras. Infelizmente, independentemente da bondade da solução proposta, esta não depende quase nada de nós. Por isso, a não ser que o senhor deputado Galamba ou o economista Castro Caldas pretendam propor que seja concedido aos portugueses o direito de voto nas eleições alemãs, com o benefício de eliminarmos de vez a Assembleia da República Portuguesa e deixarmos de contar com deputados que dizem votar num mau orçamento por força das políticas europeia, será bom que deixem-se de tretas e comecem a reflectir nas soluções que podemos adoptar no imediato e dependem exclusivamente de nós. O resto são desculpas e lamúrias de quem contínua a não querer enfrentar a realidade. E é muito curioso que os mesmos que bradam contra o recurso ao auxílio externo do FMI, confessem, afinal, que o sucesso das políticas que advogam está na completa dependência das opções tomadas por agentes externos.
1. Hoje, inserido na festa preparatória de mais um aniversário daquele blogue, escrevo no 2711: É a economia, estúpido! Aproveito ainda para agradecer publicamente o convite inesperado do Daniel Santos.
2. O Sapo colocou este blogue em destaque. Agradeço a amabilidade que fez disparar os números do sitemeter durante o fim de semana.
O João Campos deixou nos comentários a este post uma questão interessante. Qual a causa do jornalismo, em geral, estar cada vez pior neste país? Do ponto de vista de um consumidor compulsivo por tudo quanto é informação, como é o meu caso, tentarei dar uma resposta:
1. Primeiro, levando em conta o assunto do post original, limitemos o sector em análise ao jornalismo praticado na imprensa escrita. Depois, analisemos a premissa em causa: o jornalismo está cada vez pior neste país? O meu primeiro instinto é para concordar incondicionalmente, mas convém estabelecer alguns limites. Por exemplo, está pior desde quando? Quando começou a degradação do jornalismo praticado nos jornais? Se me pedirem uma data específica, não saberei responder, mas posso afirmar que algures nos últimos 10 anos essa degradação tem vindo a ocorrer. O motivo estará certamente relacionado com o aumento das fontes de informação, com origem sobretudo na internet, e com o decréscimo das receitas, mas já lá irei. Por outro lado, quer-me parecer que aquilo que identificamos como uma diminuição da qualidade do jornalismo mais não é do que um aumento do nosso espírito critico para com o sector (alteração da perspectiva que temos sobre determinado objecto sem que o objecto propriamente dito tenha sofrido alterações). A fundamentar esta última observação realço dois aspectos: i) aumento da quantidade de informação disponível, com origem em fontes diversas, o que permite com maior facilidade a identificação de erros; e ii) de certa forma relacionado com o ponto anterior, a maior facilidade de acesso à imprensa escrita internacional e o contraste entre a qualidade de algumas das coisas que são feitas lá fora com o que é feito cá dentro. Nesse sentido, a degradação do jornalismo made in portugal talvez não seja tão forte quanto por vezes cremos, mas ainda assim também não é inexistente. Avancemos:
2. A dificuldade de encontrar um modelo económico viável para o jornalismo on-line é real, o que é preocupante num mundo onde os leitores terão tendência a afastar-se da imprensa tradicional e a refugiarem-se no ciberespaço. Não era difícil adivinhar que o dinheiro começaria a escassear e isso teria repercussão na qualidade do jornalismo praticado. Foi assim em Portugal, está a ser assim um pouco por todo o mundo. No plano internacional há, contudo, alguns factores positivos na popularidade do jornalismo on-line: surgiram sites especializados em notícias que vieram acrescentar valor ao que já existia anteriormente. Neste campo, o efeito benéfico da concorrência prevaleceu. O problema português é que esse fenómeno é muito menos acentuado: os jornais não viram aumentar a concorrência nacional no mundo virtual, apenas viram diminuir o número de leitores pagantes e muitos leitores fugiram para os concorrentes internacionais. Contudo, no universo nacional, basta ler os nossos blogues para perceber que estes continuam a depender (quase) exclusivamente da imprensa tradicional e, salvo casos pontuais, contínua a ser a imprensa tradicional a marcar a agenda mediática nacional.
3. A falta de dinheiro teve impacto nas condições remuneratórias dos jornalistas, bem como no número de jornalistas que compõem as redacções dos jornais. Isto criou maior dependência entre o jornalismo e certos sectores económicos/políticos que levaram a uma informação de menor qualidade; a uma multiplicação do recurso a estagiários mal pagos, sem experiência e facilmente manipuláveis; e a uma diminuição do jornalismo de investigação.
4. A escala e os nichos de mercado. A nossa imprensa não consegue, por força da baixa quantidade de leitores que disputa, produzir um jornalismo heterogéneo. Veja-se a coincidência de posições na maior parte dos jornais a propósito da União Europeia; das alterações climáticas; da defesa do Estado Social; da adoração ao Obama; etc.. Esta homogeneidade tem de ser encarada como um factor de baixa qualidade. E se em tempos idos os leitores representantes de certos nichos teriam dificuldade em encontrar alternativas à imprensa nacional, nos tempos que correm não faltam publicações internacionais que servem os seus gostos e interesses. A situação anterior era um incentivo para que o jornalismo nacional procurasse fugir ao consenso absoluto, agora, foi-se esse incentivo. E a procura por estes nichos é feita por pessoas com um nível de formação acima da média. Ao deixarem de cativar estes clientes, a imprensa escrita luta cada vez mais por um conjunto de leitores com nível de formação mais baixo. Ou seja, a própria imprensa para sobreviver vê-se obrigada a baixar o nível.
5. Para terminar, se a imprensa escrita já tinha problemas, acrescente-se o empobrecimento generalizado que afecta o país. Há os leitores que deixam de comprar jornais porque encontram alternativas e depois há os leitores que deixam de comprar jornais porque não podem gastar esse dinheiro. E há o mercado publicitário que mingua, etc..
E para já, fico por aqui.
Um líder da oposição, portanto, na douta opinião de João Lemos Esteves deve ser falso, hipócrita e mentiroso. Deve, perante o inevitável, manter um discurso redondo que fuja de abordar o futuro mais que certo. Deve fingir que não vê o elefante que temos dentro da sala. Como diz Vitor Bento: Quanto ao elefante que temos dentro da sala e que toda a gente se recusa a ver, eu não percebo como é que anda tudo a demonizar o auxílio externo a Portugal, sem pensar sequer onde é que o País vai arranjar os 47 mil milhões de euros de financiamento que o Estado vai precisar em 2011. Esta demonização do auxílio externo a Portugal a que se refere Vitor Bento parte sobretudo dos sectores socialistas, em parte porque não gostam do que é a prática do FMI, mas também porque o PS não saberá explicar, depois de prometer o paraíso e garantir que estava tudo bem encaminhado, como é que tudo aquilo que nos acontece agora não é maioritariamente responsabilidade dos governos socialistas. E então vamos atrasando o mais que certo: se não têm nenhuma ideia de onde virá esse dinheiro, porque é que se continua a viver no mundo do faz de conta, em vez de se despacharem a fazer o que é preciso fazer, enquanto há dinheiro do Fundo Europeu?!
Nem com recurso a um golo ilegal e uma expulsão conseguiram derrotar a melhor equipa do campeonato.
O ministro da Justiça, Alberto Martins, vai assumir as competências do secretário de Estado João Correia que havia apresentado a demissão na segunda-feira, anunciou hoje o Ministério. A demissão, tendo em conta a notícia, foi apresentada na segunda-feira, mas era conhecida desde final de Outubro: Primeira queda no executivo de José Sócrates. Secretário de Estado da Justiça sai até 31 de Dezembro e pode abrir a porta a José Sócrates para fazer uma remodelação governamental pontual. João Correia não saiu sem lançar a sua farpa: "Há uma cultura contra a justiça em certos sectores do PS". Declarações que noutro contexto poderiam ter outra importância, mas durante a governação Sócrates tornaram-se de tal forma banais que já ninguém dá-lhes a devida atenção. E fica a pergunta: a acumulação de competências por parte do ministro Alberto Martins é temporária até verificar-se a remodelação que dizem estar para breve, certo?
Por outro lado, compreende-se que o governo esteja com dificuldade em encontrar substitutos para os cargos que devem ser remodelados. São cada vez menos aqueles que, sendo do PS, ainda estão do lado de José Sócrates e não será qualquer um que aceitará exercer um cargo que tem vida limitada até ao inicio do próximo ano.
Na capa do Expresso. Depois da Grécia e da Irlanda, Portugal não tarda também estará a recorrer à ajuda europeia. A Espanha é a senhora que se segue na linha dos que necessitam de ajuda. Portugal e Espanha jogam tudo por tudo na resolução dos problemas económicos dos seus países? Nem por isso. A dupla Sócrates/Zapatero acha que é altura de apostar numa organização conjunta de um Mundial de Futebol. Não temos remédio. Em 2018 a maíoria dos portugueses estará mais pobre, mas podemos estar a realizar um Mundial de Futebol. Ainda bem, todos sabemos como o Euro 2004 revolucionou a economia nacional.
Há muito tempo que tento acabar com a tradição de compra de prendas nesta época do ano. Mas há entre os que me são próximos quem ache isto tudo muito divertido e vou sendo 'forçado', de forma a não deixar ninguém indisposto, a ir na onda. Mas este é um ano especial: há quem na família, por força de se encontrar em situação de desemprego, não possa comprar prendas; há quem na família tenha confessado que chegou a deitar brinquedos para o lixo, pois pretendia que ano após ano a parafernália de brinquedos dos filhos fosse renovada. Levando isso em conta, este ano a decisão é definitiva e irreversível: não há prendas para ninguém. O Natal não pode ser isto.
"Não há qualquer derrapagem dos custos. Pelo contrário, há até uma redução do custo de investimento anunciado", disse à agência Lusa Paulo Campos. No vídeo que se segue também não há qualquer derrapagem, pelo contrário, há uma redução da duração da corrida:
Arrancou há quase dez anos, já custou aos contribuintes mais de 74 milhões, realizou "cerca de 50% dos contratos adjudicados" com "ausência de procedimentos competitivos", ainda não foi estreado e já precisa de obras.
Memória, é preciso ter memória. O que nos venderam foi isto: As obras deverão estar concluídas em menos de dois anos, garantiu o primeiro-ministro. No total vão ser gastos 33 milhões de euros, «um baixo investimento para um grande benefício» e que aproveita algumas estruturas já existentes, explicou o chefe do Governo.
23/06/2010: European Bank Stress Tests: AIB and Bank of Ireland pass tests.
Como é costume dizer-se: mais depressa apanha-se um mentiroso que um coxo. Pensar que aumentam a confiança dos mercados mentindo-lhes só piora o fosso em que estamos metidos. Agora, é lógico que os mercados tenham ainda mais dúvidas quanto à situação dos bancos espanhóis: The looming question is whether Spanish banks are really as healthy as the government and the banks say they are. E as dúvidas estão bem fundamentadas: Foreclosed Homes May Flood Spanish Market as Banks Offload Unwanted Assets.
Angela Merkel está cheia de razão, sobretudo quando a ideia era a de que a dívida pública portuguesa não tinha risco porque estava garantida pelo contribuinte alemão. Não está, nem podia estar. Habituem-se. Nem Portugal é a Madeira, nem a Alemanha é o Continente.
Governo e PT ainda não chegaram a acordo sobre o valor que a operadora terá de injectar nos fundos de pensões. Ainda não chegaram, mas irão chegar, isto porque a concretização do acordo é essencial para o actual governo e a PT sabe-o. Esse conhecimento, sinalizado pelo próprio governo desesperado, coloca a PT numa posição negocial privilegiada. Em nome de interesses de curto prazo, o governo sacrificará parte do nosso futuro. A situação não é virgem, havia sucedido coisa semelhante no badalado negócio com o Citigroup em 2003. Mas há uma diferença: a situação de desespero em que Manuela Ferreira Leite se encontrou não tinha origem no governo de que fazia parte. Já o mesmo não pode ser dito do actual desespero de Teixeira dos Santos. E, entretanto, acentua-se o desespero do povo.
Mais precisamente 2.068.560 eleitores votaram no Partido Socialista nas últimas eleições legislativas. Foi há pouco mais de um ano. Por esta altura, podíamos ter outro governo e outras políticas, sabiam? Não foi por falta de aviso. Já vai sendo tempo dos eleitores assumirem alguma da responsabilidade pela situação em que nos encontramos.
1. O Arrastão mudou de grafismo e de plataforma, mais um que junta-se à galáxia Sapo.
2. N'O Cachimbo de Magritte gerou-se uma discussão interessante em torno da "questão alemã". Ide ler, ide. Por outro lado, se Jorge Costa abandonar o blogue é desvalorização garantida na bolsa dos blogues.
Ana María Matute, Premio Cervantes 2010
Já aqui referi o quanto gostei do seu livro Olvidado Rei Gudu.

Arrancou a greve geral. Uma massa humana composta maioritariamente por funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas, ao mesmo tempo que estraga o dia a muito trabalhador maioritariamente do sector privado, não irá trabalhar em protesto contra políticas que provocam desemprego, pobreza e regressão da economia. É uma greve 'política', portanto. 'Política' no sentido em que é contra um conjunto de políticas levadas a cabo por um governo eleito e não contra qualquer tirania/abuso de um qualquer empregador. Basicamente, é uma greve com o patrocínio do BE e do PCP. Ora, não consta que as políticas defendidas por esses dois partidos tenham obtido, ou estejam em vias de obter, êxito nas eleições legislativas e a colocação do seu eleitorado em protesto não pode subverter o jogo democrático que se quer limpo. Por fim, quer-me parecer que a greve funcionará mais como uma celebração a antecipar a previsível chegada do FMI a Portugal. Mas se sem FMI já há festança da pesada, esperem só pela farra que está para se realizar quando o FMI começar a influenciar as nossas políticas.