2011
façam o favor de ser felizes no próximo ano.

Já li este texto, Cavaco acusa administração do BPN pelo falhanço da recuperação, por duas vezes, e pelo que percebo o Público voltou a disponibilizar textos de opinião gratuitos na sua página online, será isso?
Enfim, enquanto no meio aceitar-se alegremente gentinha do nível de São José Almeida bem podem clamar pela necessidade de valorizar o jornalismo made in Portugal.
1. No debate de Cavaco Silva contra Manuel Alegre esperava-se um Alegre ao ataque e um Cavaco à defesa, um pouco à semelhança do que aconteceu no debate da última campanha presidencial entre Mário Soares e Cavaco Silva (se bem que, tomando esse debate como referência, de pouco serviu a estratégia a Soares). Contudo, Cavaco Silva trocou as voltas neste debate e do primeiro ao último minuto nunca deixou de estar ao ataque.
2. Manuel Alegre demorou a entrar no ritmo, entrou em modo derrotado e derrotado saiu.
3. O poeta perdeu mais tempo com o caso BPN, onde considero que Cavaco em pouco ou nada é beliscado, muito por culpa da forma como o candidato de Viana do Castelo abordou o tema, do que com o caso dos mails da presidência e Fernando Lima, um caso que teria maior potencial para dar frutos e que se enquadraria facilmente no campo do jogo limpo.
4. Um Cavaco Silva animado e vivo tornou este debate muito mais atractivo do que os outros a que assisti. Mas contínuo a lamentar a meia-hora de debate. Assim, no que toca ao esclarecimento do eleitor, estes debates pouco ou nada acrescentam.
5. O actual Presidente da República vinha com uma estratégia claramente definida: associar a verdade à sua pessoa e desmontar inverdades promovidas por Alegre. Inserida nesta estratégia, a defesa que Cavaco Silva fez do Estado Social, uma bandeira que Manuel Alegre tenta ter como sua, foi particularmente assertiva.
6. Manuel Alegre demonstrou que no que toca à avaliação do mandato do actual Presidente da República é o que fez melhor o trabalho de casa. Atacou, bem, as promulgações de Cavaco Silva com notas exculpantes (para usar o termo proposto por Medeiros Ferreira) e referiu a atitude submissa de Cavaco perante o presidente checo. Mas perdeu-se muitas vezes na forma. E em política, por boa que seja a mensagem, é necessário alguém que a saiba transmitir. Manuel Alegre, claramente, não esteve à altura do que se lhe exigia.
7. O candidato apoiado pelo BE e pelo PS, que em boa parte da sua campanha insistiu muito no tema da co-responsabilização de Cavaco Silva pela situação em que nos encontramos, demonstrou que o assunto não tem pernas para andar quando vindo da sua parte. O apoio do PS socrático tem custos elevados.
8. Será preciso muito spin para alguém dar este debate como uma vitória de Manuel Alegre. Cavaco Silva, algo apático em debates anteriores, naquele que mais contava, ganhou por larga margem. Ninguém diga que o homem não sabe o que faz. Profissional até ao 'osso'.
Nuno Gouveia acha que a Universidade do Minho está de parabéns por causa desta história. Discordo, ou como aqui é tão bem colocado, a verdadeira notícia é que a Universidade do Minho não demonstrou capacidade para avaliar as teses dos seus doutorandos. O que me leva a este post, onde é feita a distinção entre correcção, entendida como a eliminação do sintoma, e a acção correctiva, a eliminação da causa dos problemas.
Na mesma onda, isto: Finanças vão obrigar empresas do Estado a devolver três milhões em juros, se não resultar em qualquer outra acção, como parece ser o caso, é o exemplo típico de uma correcção sem acção correctiva.

Quando o crescimento económico afunda, o desemprego pula rumo ao céu. Sensibilidade social é gerar as condições para a existência de crescimento económico. Só medidas sérias, estruturadas e sustentáveis que promovam o crescimento económico é que combatem eficazmente o desemprego. No inicio da crise o governo fez disparar o dinheiro gasto em medidinhas para ajudar os desempregados e do quê que isso nos serviu? Com o passar do tempo o desemprego piorou e as medidas foram-se com o vento. O Estado, por sua vez, também ficou em pior situação: gastou dinheiro em medidas sem qualquer rentabilidade futura (a rentabilidade quedou-se pela maximização dos votos socialistas das últimas eleições) e acabou com os cofres vazios, situação que explica o fim de muitas das medidinhas com que havia brindado a economia e os desempregados portugueses. Forçou o fim das medidinhas e, pior que isso, levou à adopção de um programa que invés de promover o crescimento económico irá prejudicá-lo. A estratégia contínua a ser a mesma: enfrentamos os problemas no curto-prazo conforme vão surgindo e sejam de resolução premente e continuamos a não vislumbrar qualquer estratégia de longo-prazo para nos tirar do buraco em que estamos metidos.
Basicamente querem que o tribunal me mande apagar os posts que escrevi sobre a Ensitel. Estão ali, linkados na barra da direita do Blog. São 6. Com este 7.
Ensitel (the Streisand Effect)
Isto é muito mais do que um telefone Nokia. Isto diz respeito à Liberdade de Expressão. A comunidade percebeu-o, e ontem à noite, gerou-se o Efeito Ensitel. Em cerca de trinta minutos, aquilo que era um obscuro detalhe de conflito de consumo (já encerrado, recordo), virou pasto de chamas altissimas com evidentes custos de imagem para a Empresa.
Ensitel e o pesadelo das redes sociais
Decidiu retaliar com o pior dos argumentos: exigiu que a cliente apagasse os posts que tinha escrito sobre o assunto, gerando uma onda geral de indignação numa comunidade unida, exactamente, pelos posts, isto é, por um sentimento muito próprio e pessoal de liberdade de expressão.
(Gráfico do post Desemprego por Vítor Bento)
Aquela linha vermelha que ultrapassa a linha azul é motivo de preocupação para todos e devia envergonhar aqueles que se dizem socialistas, uma vez que foi com estes no poder que a situação degradou-se (os tais da sensibilidade social). Foram mais de vinte anos, todo o período do cavaquismo incluído (o tal da insensibilidade social), com desemprego abaixo da média europeia. No final do guterrismo começou a ascensão vertiginosa do desemprego. Um dos ministros do guterrismo, José Sócrates, o homem dos 150 mil empregos prometidos, veio completar o trabalho e deixar-nos um legado de miséria. Chegou, viu, e no pior indicador possível, deixou-nos acima da média europeia. Felicitações e votos de bom ano novo a todos os que contribuíram, e continuam a contribuir, para a permanência no poder de político tão brilhante.
O ponto de partida de muitos apoiantes de Fernando Nobre é a premissa de que todos os políticos, sem excepção, são responsáveis pela situação calamitosa em que nos encontramos. Ponderemos sobre isso. Todos os políticos são maus, uma réplica do discurso de que todos os empresários são maus, um discurso recorrente mas que não cola com a realidade. Até podem existir poucos políticos e empresários bons, mas existem, e é com esses que temos de contar. E se na sua maioria são maus, mais não será do que reflexo do povo que temos (e o povo, enfim, não pode ser substituído como quem muda o pneu de um carro). Depois, a consequência lógica dessa forma de pensar, a de que todos os políticos são maus e nenhum deles pode ser aproveitado para resolver os problemas do país, desagua na seguinte conclusão lógica: se não são os políticos que nos podem tirar da crise, resta-nos aguardar por um messias (o que para o cidadão desesperado, cansado de esperar por soluções efectivas e que se façam notar, será o primeiro que lhe apareça à frente e não tresande a política). No caso em apreço esse messias é Fernando Nobre - figura que, por boa parte dos seus apoiantes, é quase elevado à categoria de santo quando posto em comparação com os tenebrosos políticos que fazem parte do sistema. Nobre é o escolhido para ocupar o posto de Presidente da República não pelo seu percurso político, mas exactamente pela ausência desse percurso, um absoluto contra-senso quando nos referimos a um cargo eminentemente político.
É preciso uma regeneração política em Portugal? É, mas não se começa pelo cargo mais alto da nação. Estas coisas têm de ter inicio na base para serem sustentáveis e produzirem os efeitos que se desejam. Colocar a carroça à frente dos bois, invés de resolver qualquer dos problemas que nos afectam, só irá acrescentar outro aos já existentes.
"A minha análise económica mostra que é discutível que o euro seja um grande sucesso. O Banco Central Europeu é responsável pelos doze Estados e é praticamente impossível satisfazer todos", vaticinava Milton Friedman aquando da entrada em circulação da moeda única europeia. Demorou tempo, mas o insucesso do euro está ai para quem não quiser fechar os olhos à evidência. O ministro das finanças eslovaco é directo e certeiro: Portugal e Grécia estariam melhor "no longo prazo" se não partilhassem o euro. Por outro lado, a actual situação instável do euro provoca danos políticos na tenebrosa pátria alemã: 49 por cento dos inquiridos desejam o regresso do marco alemão, contra 41 por cento que recusam essa ideia.
Fazia bem em ler Irene Pimentel e reconhecer-lhe a razão: Não ao aproveitamento político dos arquivos da PIDE/DGS. E se em relação a Cavaco Silva a história da Sábado provocou-me urticária, a história em torno de Manuel Alegre, que parte de comunicação pessoal interceptada pela PIDE, deixa-me enjoado. Uma campanha rasteira e suja.
Sócrates vê "animadores sinais de recuperação". Um primeiro-ministro que necessita, urgentemente, de óculos para ver melhor. E esta falta de visão, crónica no senhor primeiro-ministro, será a responsável pelo sujeito não ler os inúmeros relatórios, produzidos por entidades nacionais e internacionais, que vão sendo elaborados sobre a situação portuguesa e o que nos espera em 2011. Com um primeiro-ministro tão míope, não é de admirar que sejam cada vez menos os portugueses a ver qualquer luz ao fundo do túnel.
O último debate presidencial, entre Cavaco Silva e um gajo qualquer de Viana do Castelo, foi visto por míseros 604 mil espectadores. Um registo ao nível do conteúdo do debate. Consta que irão realizar-se mais três debates, mas considerando a participação do gajo qualquer que não interessa a ninguém nos dois debates que se seguem, só conto assistir ao último debate, entre Cavaco e Alegre. Depois é deixar a campanha arrastar-se penosamente até dia 23 de Janeiro, onde Cavaco triunfará, e dessa data para a frente apagar da memória uma das campanhas mais medíocres que a democracia portuguesa alguma vez assistiu.
Este levou o debate para a lama. A lama é para javardos, pelo que quem a ela se atira não fica numa posição muito digna. O figurão na foto parece que é deputado, do Partido Socialista, fica registado. É que até nos Estados Unidos, onde há uma cultura de lama na política, há limites que ninguém ultrapassa, muito menos em plena televisão nacional e por voz própria. Este passou todos os limites, chegando mesmo a afirmar, como se de um facto se tratasse, que Cavaco Silva pactuou com negócios ilícitos. Que há um ódio de estimação de uma minoria em relação a Cavaco não existem dúvidas, que esse ódio levaria ao elogio da chafurdice na lama e à pulhice, era coisa que não imaginava. Estava enganado, constatei-o durante o debate, em tempo real, no twitter. Não mais voltarei ao tema, há cenas que mais não merecem do que repulsa.
Observa-se o quadro e depois, pasme-se, temos de levar com coisas deste nível: a insensibilidade social e o novo riquismo foram aliás duas marcas da governação cavaquista, um escrito da senhora f.
Uma das cenas mais deprimentes de uma certa esquerda portuguesa é a incapacidade de reconhecerem que Cavaco, para o bem e para o mal, fez muito daquilo que eles gostariam que tivesse sido feito por um governo socialista (o governo socialista que se seguiu quis repetir a dose de Cavaco, não percebendo que tal não era repetível, nem sustentável). Essa é uma das marcas cavaquistas que tanto irrita os socialistas, Cavaco bateu-lhes no que eles julgavam ser o seu jogo. Teve as circunstâncias da época a seu favor? Teve, mas isso não invalida que fez muito do que a esquerda gostaria de ter sido ela a fazer.
E claro que o assunto também não é propriamente cómodo para a direita, ou como Pedro Pestana Bastos nota, esta aparente fragilidade é o segredo do sucesso de Cavaco. Consegue reunir os votos da direita e do centro sem ser considerado um político de direita.
No primeiro debate realizado na TVI, entre Cavaco Silva e Francisco Lopes, a estação líder de audiências deu inicio ao debate bem no meio do Jornal da Noite, às 20:30, mesmo assim a audiência não passou dos 815 mil espectadores. Entretanto, as sondagens continuam a favorecer largamente Cavaco e o candidato sorri. Acho, contudo, que nem para o candidato destacado existem muitos motivos para sorrir. Este desinteresse pelas eleições presidenciais, ainda que facilmente compreensível, não augura nada de bom. Cavaco Silva, com um primeiro mandato banal e para esquecer, irá ganhar pela inépcia, pela desistência, pela falta de comparência. Neste último caso, falta de comparência de adversários à altura e, suspeito, dos eleitores. Mas se a abstenção ganhar largamente no dia 23 de Janeiro de 2011, todos os candidatos perdem, até o suposto vencedor. Era bom que quem agora vai à frente isolado não esquecesse esse pequeno pormenor: a democracia é feita da participação e do envolvimento das pessoas, não do seu alheamento.
1. Se dúvidas existissem, hoje ficaram desfeitas, a candidatura de Fernando Nobre prejudica sobretudo Manuel Alegre. Para Cavaco é uma bênção.
2. Manuel Alegre estava ligeiramente despenteado. Ficou a dúvida se entrou despenteado no estúdio, se foi o vendaval Nobre que o deixou naquele estado.
3. Depois dos cantos dos Lusíadas, de Alegre, passamos para o custo do litro do leite, de Nobre. Não há pachorra.
4. A discussão até versou sobre uma casa em Parma de Manuel Alegre. O debate é tão pobrezinho que mete dó.
5. Na primeira declaração de Fernando Nobre o debate ficou arrumado a seu favor. Manuel Alegre mal teve tempo de perceber o bombardeamento, muitas vezes com Napalm à mistura, que vinha a caminho. Mário Soares, em casa, de pantufas no sofá, deve ter soltado umas gargalhadas e pensado com os seus botões: cá se fazem, cá se pagam.

Luís Novaes Tito chama-lhe respeitinho, eu chamo-lhe juizinho, da jornalista, por não remexer na lama para onde, do Chico Lopes a alguns apoiantes do Alegre, muitos gostavam de levar a campanha presidencial. Mas quem quer lama que se atire primeiro a ela, não espere que os jornalistas façam o trabalho sujo. Cá por mim, estou com o João Gonçalves, as "associações" de Cavaco ao episódio BPN a título de argumentário político é coisa de pulhas. Ponto final.
Tomás Vasques explica aqui, muito bem explicado, o jogo de Manuel Alegre, Francisco Louçã e José Sócrates nestas eleições presidenciais. Um jogo que José Sócrates prepara-se para ganhar sem dificuldades de maior. Mas Sócrates não jogou sozinho, se quando chegou ao poder, em 2005, já tinha contado com a ajuda de Cavaco Silva, a quem dava jeito eleger um governo socialista antes das presidenciais de 2006, também em 2009 a Cavaco interessou que Sócrates mantivesse o poder. Por isso, o actual presidente jogou activamente do outro lado do tabuleiro de Alegre e ganhou. Quem também ganhou foi o outro jogador, Passos Coelho, que arriscou tudo na maioria relativa de Sócrates e na derrota de Ferreira Leite. Tudo a contar com novas eleições em 2011. Veremos se Sócrates não lhe passa uma rasteira.
Feita por Nobre, Lopes e Alegre podia ser uma arma forte contra Cavaco Silva se existisse um candidato de direita. Não existindo, a tempestade passa ao lado e Cavaco continuará a navegar num oceano tranquilo, rumo à reeleição.