Quinta-feira, 31.03.11

Para as pessoas de bem do PS, que as há

O caminho é este: «Quando fui votar no boletim de voto não estava lá o nome do Pedro Santana Lopes (...) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava. Só que no boletim estava PSD. E eu sempre votei PSD». É só trocar Pedro Santana Lopes por José Sócrates e PSD por PS.

Entre a dúvida e a certeza

Não sei se Passos Coelho está à altura do que se exige ao próximo Governo. Sei que José Sócrates não está.

Claramente

1. Primeiro-ministro anunciou hoje que o défice de 2010 vai ficar “claramente” abaixo dos 7,3% previstos inicialmente pelo Executivo, tendo sido apurada uma folga na execução orçamental do ano passado de cerca de 800 milhões de euros.

2. O mundo tornou a mudar: Défice público em 2010 foi de 8,6 por cento

3. Sem fundo de pensões da PT, o défice de 2010 foi superior ao défice de 9,3% registado em 2009. Obrigado, Sócrates. Ainda está para nascer quem faça tanto pelo défice como tu, pá!

Adenda:

4. Novos valores dos défices: 3,1% em 2007 - 3,5% em 2008 - 10% em 2009. Foi tudo revisto, que coisa mais linda. Nem me vou dar ao trabalho de ir pesquisar tudo o que foi dito pelos socialistas sobre os défices históricos de 2007 e 2008. Não vale a pena.

5. E agora, o que importa mais: exigir ao PSD, de dedo em riste, que apresente medidas para resolver a bancarrota Sócrates - que terão de ser exigidas, certamente -, ou responsabilizar o culpado pela bancarrota? Faz sentido, algum sentido, que Sócrates seja candidato pelo PS às próximas eleições? Todo o PS está refém do seu líder? 93%? Por favor.

6. Desta vez, de quem é a culpa? Da alteração metodológica da UE e do Eurostat, naturalmente.

Um gráfico

Encargos anuais com PPP previstos nos OE’2005 a OE’2009 para o período 2008-2038, a preços correntes

 

A linha a vermelho é parte do legado de Sócrates para o próximo Governo. Relembrado por José Gomes Ferreira num excelente Negócios da Semana. Assim que o vídeo do programa de hoje estiver disponível tentarei colocá-lo neste blogue.

 

Adenda: o vídeo pode ser visto aqui.

Quarta-feira, 30.03.11

Teste de QI

 

Uma destas personagens está a mais. Qual delas?

Mrs. Smith às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito

Credibilidade

1. Logo agora que a credibilidade da Fitch estava em alta pelos lados do Largo do Rato: A agência Fitch deixa mais um aviso, peremptório, a Portugal: se o Estado não for socorrido pela União Europeia e pelo FMI, o rating da dívida soberana nacional pode baixar ainda mais em breve.

2. Entretanto, esta notícia em destaque no WSJ - que também deve ser culpa do PSD - contribui decisivamente para o aumento da crediblidade do país.

Outro capítulo

Governo pode congelar portagens nas Scut. Querem acrescentar outro capítulo a esta história, é? Não têm vergonha na cara?

Socrates School of Economics

É ler o Henrique Raposo e a Helena Matos. E lembram-se desta: "Estimular a economia e corrigir os desequilíbrios das finanças públicas é algo que quem o consiga fazer de forma consistente e sustentada é seguramente um sério candidato ao Prémio Nobel da Economia", disse Vieira da Silva, para imediatamente acrescentar que o FMI "não concorre a esses prémios". Aqui. Os membros da Socrates School of Economics pensavam-se candidatos a um Nobel, não perceberam que não passavam de crianças a brincar com o fogo.

Mr. Brown às 12:22 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29.03.11

O primeiro-ministro

1. O primeiro-ministro, o tal das medidas suficientes - uma história que já vai para o quarto capítulo -, exige ao PSD que diga que medidas vai apresentar pois mais medidas são necessárias.

2. O primeiro-ministro, do partido do há vida para além do orçamento, exige agora que toda a campanha eleitoral seja centrada em medidas para promover a consolidação orçamental.

3. O primeiro-ministro, que fez disparar o défice porque quis, vem agora pedir responsabilidades aos outros por não apresentarem medidas para reduzir o défice.

4. O primeiro-ministro, que se diz indisponível para governar com o FMI, refere um qualquer acordo histórico obtido numa cimeira em Bruxelas em que o FMI continuou a estar incluído no FEEF.

5. O primeiro-ministro, o mesmo que dizia que o défice diminuiria por via dos estabilizadores automáticos, exige ao PSD que diga que medidas vai apresentar para fazer aquilo que antes os estabilizadores automáticos tratariam de fazer por si.

6. O primeiro-ministro, que apresentou um PEC em Bruxelas sem ter acordado tais medidas com o maior partido da oposição, diz-se indisponível para ir a Bruxelas apresentar um PEC sem o apoio do maior partido da oposição.

7. 93%? Como é que os socialistas que apoiam Sócrates andam na rua de cabeça levantada?

Fool's Day

"É tão engraçado ter um debate com o primeiro-ministro no dia das mentiras."

Bancarrota Sócrates

O homem que está indisponível para governar com o FMI deixa o país um nível acima do lixo. Com perspectiva de recessão prolongada e continuação da subida do desemprego. Há quem nos queira convencer que isto deve-se tudo às últimas duas semanas. Não, nem uma minúscula parte do que se passa deve-se às últimas duas semanas. E não é preciso mais do que dois neurónios para perceber isso. Também não se deve tudo a Sócrates, não exageremos, mas isto não andará muito longe da verdade: Sócrates é o pior primeiro-ministro desde 1922.

Se a S&P's atribui BBB- ao país, a Comedians&Fool's atribui um CCC como rating do primeiro-ministro. Sócrates, o primeiro-ministro lixo, do pior lixo.

Ler os outros (XXXVIII)

Depois de uma década perdida, uma década de retrocesso? Muito provavelmente. Era interessante que falássemos do assunto, da possibilidade, da probabilidade e de como evitá-lo. Nenhum dos avisos, no começo da década passada, de que corríamos o risco de perder uma década, teve qualquer efeito. Desta vez será diferente? Tal como os termos do debate estão fixados, não será. Continuamos a equacionar o futuro pelo ângulo retrovisor. É normal que não vejamos nada do que verdadeiramente importaria.

Segunda-feira, 28.03.11

Programa minimalista

Na sondagem da Intercampus para a TVI, parece que a maioria dos portugueses está convencida que medidas como as do PEC4 não só são necessárias como serão, muito provavelmente, insuficientes. Têm razão. Mas poucos, muito poucos, imaginarão o que acontecerá à sociedade portuguesa nos próximos anos com um pessimismo que se aproxime do meu. Certo é que o próximo Governo terá uma situação de tal forma terrível à frente dele que pouco mais pode prometer do que dificuldades. Isso é certo: seguem-se anos difíceis e de grande incerteza. Se Ferreira Leite elaborou um programa minimalista, mais minimalista deve ser o programa de Pedro Passos Coelho. Acusá-lo-ão de não ter ideias, de não apresentar medidas, tal como fizeram com sua antecessora, mas Passos deve aguentar firme e não prometer nada que não tenha a certeza absoluta de conseguir cumprir. De igual modo, deve abandonar esta prática de anunciar medidas avulsas. Dizia José Pedro Aguiar Branco a propósito do programa de Ferreira Leite: "Vai ser um programa minimalista, pequeno, na dimensão daquilo que é exequível. É um programa com propostas para serem facilmente sindicáveis pelos portugueses". Assim foi em 2009, por maioria de razão, assim deve ser em 2011.

Desculpabilização

Para marcar o dia do anúncio de Bagão Félix como o mais recente conselheiro de Estado, um artigo do próprio que merece ser lido. Ontem, na SIC N, passava um documentário sobre a crise irlandesa onde Brian Lenihan, o ministro das finanças do Governo entretanto substituído, dizia, com ar abatido, que o seu partido tinha cometido muitos erros e adoptado políticas erradas. Não ouvi, nem conto ouvir, coisa igual a Teixeira dos Santos. Pelos piores motivos.

Questão central

Tomás Vasques escreve que a questão central da próxima campanha eleitoral é saber, em substância, o que é que o PSD propõe para a situação presente. Achei que as eleições serviam não só para os partidos anunciarem ao que vêm, mas também para avaliar o Governo cessante, sobretudo quando a figura de proa da governação dos últimos seis anos, com o apoio espectacular de 93% dos do seu partido, é um dos candidatos que vai a jogo. Mas compreendo que para Tomás Vasques a avaliação e responsabilização de José Sócrates pelos resultados obtidos nos últimos seis anos - os que, em parte, nos colocaram na situação presente - não seja propriamente relevante e central. Em nome do PS, se necessário, há quem finja esquecer os princípios mais básicos do jogo democrático.

Ponderemos a questão central colocada por Tomás Vasques: de que forma a situação presente é diferente da de Setembro de 2009? Não é. É a mesma situação com mais um ano e meio em cima, o que torna mais urgente a resolução da mesma, mas não torna a situação presente, no fundamental, diferente da que já se vivia antes do último acto eleitoral. Ora, se Tomás Vasques acha que a questão fundamental nestas eleições é sobre as propostas do PSD para a situação presente, imagino que em 2009 terá igualmente considerado essa a questão essencial que se colocava ao PS e ao PSD. E o que o PS propôs, então? Lembrar-se-á o Tomás Vasques? Imagino que não, até porque do proposto, tirando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nada ou pouco foi levado à prática. Pergunto-me: se as propostas de um partido para a situação presente são tema central numas eleições, como é que devemos lidar com aqueles que já haviam proposto algo e nada do que propuseram levaram à prática? É que, enfim, se continuarmos nesta lengalenga de colocar questões centrais para determinadas eleições, mas depois não penalizarmos, e duramente, aqueles que, tendo sido eleitos, não cumpriram o que deram como resposta, fica bem evidente a treta da identificação de questões centrais na boca de certa gente. Meros jogos florais de retórica para manter o poder e defender os seus. Substância? Nenhuma.

Porque não toma o PS a iniciativa?

Deixo passar muito do lixo argumentativo que leio no blogue oficioso do governo, mas a isto apetece-me responder. O que impede o PS de tomar a iniciativa de solicitar que as contas públicas sejam auditadas por entidade independente com validação por técnicos internacionais? Afinal, poupariam ao próximo Governo a necessidade de fazer o mesmo que o PS fez em 2005 por via do doutor Constâncio. Já em 2009 só não foi preciso auditoria porque o próprio do PS, tendo continuado no poder, mais do que sabia a dimensão do buraco que tinha andado a esconder.  Mas é inegável que teria sido vantajoso que os dois últimos actos eleitorais tivessem sido antecedidos por uma auditoria às contas públicas. Por isso, torno a perguntar: se tudo corre pelo melhor e não há nada a temer, o que impede o PS de tomar a iniciativa? Até porque, no caso da auditoria confirmar as contas do Governo, estaríamos perante um trunfo eleitoral com enorme peso na campanha socrática.

Mr. Brown às 04:30 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 27.03.11

Cenário

Está percebido que a campanha do PS terá por base um cenário ilusório: "Este é o momento de os portugueses escolherem se querem um Governo com o FMI ou sem o FMI". Já aqui escrevi que uma campanha desse estilo seria inadmissível, mas devia saber que com Sócrates tudo é possível e expectável. E o que acontecerá se o PS ganhar as eleições? José Sócrates é eleito primeiro-ministro; no espaço de um mês o país seria obrigado a recorrer ao FEEF, com FMI acoplado; e José Sócrates, com a cara-de-pau que é a dele, explicaria ao país que nesse mês o mundo tornou a mudar.

Sporting, Dewey, BES e TGV

Ontem à noite foi anunciado que Bruno de Carvalho seria o novo Presidente do Sporting. Tal notícia foi veiculada - cito apenas os que tenho a certeza de o terem feito - pelo jornal Público; Correio da Manhã; Diário de Notícias; rádio Renascença; página online da SIC; e, naturalmente, pelos três diários desportivos (A Bola; Record; e O Jogo). Errado. Num acto final a recordar a célebre disputa de Truman contra Dewey numas eleições americanas, às seis da manhã todos descobriram que Godinho Lopes seria o novo presidente daquele que é, definitivamente, um clube diferente. A essa hora, Alexandre Pais, director do jornal Record que havia sido o primeiro a anunciar a vitória de Bruno de Carvalho, não satisfeito com a proeza, espalhava notas no twitter sobre provável marosca nas eleições do Sporting. Exemplar sobre o que esta gente entende por jornalismo.

Entretanto, já Godinho Lopes, numa sala onde estava menos gente para aplaudir o novo presidente eleito do que é habitual num Belenenses ou num Boavista, fazia a festa. O BES suspirava de alivio. Menos alivio terá com o anúncio do PSD de que pretende travar a fundo o TGV e as PPP's. Da campanha para eleição do presidente de um clube desportivo, o BES passará imediatamente para outra.

Mr. Brown às 13:23 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 26.03.11

Sócrates explica

 

É deste tamanho o buraco nas contas públicas que deixamos para o próximo Governo resolver.

Mrs. Smith às 22:24 | link do post | comentar | favorito

Kim Il-Sung

1. Animado com o score das directas, Paulo Portas voltou à ribalta: 95 por cento dos votos não são para qualquer um. Kim Il-Sung e talvez o seu filho, Fidel nos melhores tempos e alguns “democratas” africanos podem aspirar a tão honroso resultado.

2. A candidatura de José Sócrates obteve uma votação “seguramente superior a 90 por cento” no primeiro dia de votações das eleições directas para o cargo de secretário-geral do PS.

Auditoria às contas públicas

Cavaco; Barroso; Merkel e Trichet não querem uma auditoria, não se vá confirmar que Portugal é tão criativo na contabilidade pública quanto a Grécia. Verdade e transparência, o que é isso? Sócrates esfrega as mãos de contente.

E Sócrates, o que é?

Manuela Ferreira Leite era velha e ultraconservadora. Passos Coelho é novo e ultraliberal.

Sexta-feira, 25.03.11

Inadmissível

Que a próxima campanha eleitoral venha a ocorrer sem que a elevada probabilidade de pedir ajuda externa seja admitida pelos principais partidos, ainda que de forma implícita e contida. Uma explicação simples: pedir ajuda externa implica negociação com entidades supranacionais; negociação implica resultado incerto; logo, quem espera governar não pode prometer muito porque sabe que terá de se comprometer com medidas que não fariam parte das suas ideias iniciais.

O eleitoralismo e a avaliação dos professores

O Abrupto entra hoje para as ligações no lado direito, ainda que não esperemos receber uma ligação de retribuição de Pacheco Pereira. O voto de hoje contra a suspensão da avaliação dos professores é retribuição suficiente. Gostamos de deputados que não se limitam a actuar como carneiros.

Eleições nacionais sob a batuta de uma alemã chamada Merkel

Governo e oposição devem tornar públicas alternativas às medidas chumbadas, diz Merkel

 

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