Tomás Vasques escreve que a questão central da próxima campanha eleitoral é saber, em substância, o que é que o PSD propõe para a situação presente. Achei que as eleições serviam não só para os partidos anunciarem ao que vêm, mas também para avaliar o Governo cessante, sobretudo quando a figura de proa da governação dos últimos seis anos, com o apoio espectacular de 93% dos do seu partido, é um dos candidatos que vai a jogo. Mas compreendo que para Tomás Vasques a avaliação e responsabilização de José Sócrates pelos resultados obtidos nos últimos seis anos - os que, em parte, nos colocaram na situação presente - não seja propriamente relevante e central. Em nome do PS, se necessário, há quem finja esquecer os princípios mais básicos do jogo democrático.
Ponderemos a questão central colocada por Tomás Vasques: de que forma a situação presente é diferente da de Setembro de 2009? Não é. É a mesma situação com mais um ano e meio em cima, o que torna mais urgente a resolução da mesma, mas não torna a situação presente, no fundamental, diferente da que já se vivia antes do último acto eleitoral. Ora, se Tomás Vasques acha que a questão fundamental nestas eleições é sobre as propostas do PSD para a situação presente, imagino que em 2009 terá igualmente considerado essa a questão essencial que se colocava ao PS e ao PSD. E o que o PS propôs, então? Lembrar-se-á o Tomás Vasques? Imagino que não, até porque do proposto, tirando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nada ou pouco foi levado à prática. Pergunto-me: se as propostas de um partido para a situação presente são tema central numas eleições, como é que devemos lidar com aqueles que já haviam proposto algo e nada do que propuseram levaram à prática? É que, enfim, se continuarmos nesta lengalenga de colocar questões centrais para determinadas eleições, mas depois não penalizarmos, e duramente, aqueles que, tendo sido eleitos, não cumpriram o que deram como resposta, fica bem evidente a treta da identificação de questões centrais na boca de certa gente. Meros jogos florais de retórica para manter o poder e defender os seus. Substância? Nenhuma.