É normal que o Governo pretenda subir o IVA de imediato. Um filme repetido ao longo da última década. Em parte será por culpa da execução orçamental que não está a correr pelo melhor, mas uma outra motivação é a de aplicar as medidas mais duras tão cedo quanto possível, independentemente do calendário definido pela «troika». É dos livros que os governos eleitos devem concentrar a parte mais dura dos seus programas nos primeiros meses/anos do seu mandato. Mas espero sinceramente, sob pena de pouca diferença existir entre este e o Governo cessante, que este sentido de urgência não seja só aplicado à consolidação orçamental pelo lado da receita. Há despesa que deve ser atacada de imediato e reformas que têm de ser postas em prática tão cedo quanto possível, ou - também é dos livros - nada será feito e tudo ficará por fazer. Daqui a dois anos, salvo raríssimas excepções, a vontade de fazer diferente terá se esvaido por completo de muitos dos novos governantes. Portanto, toca a demonstrar trabalho. Este filme já cansa.
Nota1: Dizia o PSD no seu programa eleitoral que «a eventual reestruturação do IVA deve manter a aplicação da taxa reduzida ao cabaz alimentar básico» e acrescentava que esta medida não devia «prejudicar a política de desvalorização fiscal que o PSD pretende lançar, na primeira fase, com o OE/2012». Recordo também que no acordo com a «troika» estava previsto, para 2012, «raise VAT revenues to achieve a yield of at least EUR 410 million for a full year by: i) reducing VAT exemptions; ii) moving categories of goods and services from the reduced and intermediate VAT taxes rates do higher ones; iii) proposing amendments to the regional finance law to limit the reduction of VAT in the autonomous regions to a maximum of 20% vis-à-vis the rates applicable in the mainland».
Nota2: O presidente da Confederação Empresarial Portuguesa, António Saraiva, disse esta terça-feira que o Governo deu indicações à CIP de que a Taxa Social Única (TSU) será reduzida em mais de 4%.