«Não podemos é esconder as responsabilidades do Governo do PSD na Madeira com outras eventuais responsabilidades. As questões são completamente diferentes», diz Seguro. Ora bem, mas quando a propósito do desvio que se verificou no primeiro semestre do défice das contas públicas o PS acena única e exclusivamente com as responsabilidades da Madeira - quando a Madeira nem explicará a maior parte do desvio -, esquecendo as responsabilidades do seu partido, o que dizer? Para não ir mais longe, digo apenas que estamos perante gente sem estatura para liderar um país.
Portugal deve precisar de mais medidas para cumprir metas. Já se adivinham medidas do lado da receita, como é evidente. Isto porque não é possível cortar despesa no imediato? Treta, se necessário e à falta de melhor opção, tirar o subsídio de natal por completo aos funcionários públicos é uma medida que actua do lado da despesa e que produz efeito no défice deste ano.
Preso ontem, preparado para ser libertado hoje. Já não há palavras para descrever a (falta de) justiça portuguesa.
Adenda: é preciso não esquecer a cereja no topo do bolo, a provável indemnização a Isaltino Morais que será paga por todos os contribuintes.
«Isto quer dizer que os 8,3% do défice público estão ainda mais distantes do objectivo definido com a troika do que os 7,7% herdados pelo Governo dos primeiros três meses do ano», escreve o Público. Recordo que o Governo não tomou posse no dia 1 de Abril, mas sim a 21 de Junho deste ano. Para efeitos de herança, o valor que importa é o que agora foi apurado.
Isto porque não é consensual a inclusão das dívidas das autarquias que a região não contabilizou com o argumento de que não estão sob a tutela do Governo Regional. Se a Madeira fosse independente quem é que arcava com as dívidas das autarquias madeirenses? Os "cubanos", não? Era bom, era. O objectivo não deve ser só o de apurar a dívida do Governo regional da Madeira, mas toda a dívida pública gerada na região, até para que o rácio da dívida em percentagem do PIB regional traduza efectivamente o verdadeiro estado calamitoso e insustentável para onde a região descambou e seja possível uma comparação séria e honesta com a situação do resto do país. 6,3 mil milhões de euros de dívida representa um valor superior a 120% do PIB gerado na região. Ora, Portugal enquanto um todo deverá terminar o ano com uma dívida pública em percentagem do PIB à volta dos 100,8%. É preciso dizer mais alguma coisa sobre a cratera da Madeira?
Casos de sucesso que apresentam sinais de insucesso. Diz-se que um dos problemas é que a empresa sempre viveu muito à custa de subsídios e apoios vários, nunca alcançando um modelo de negócio onde fosse competitiva e pudesse sobreviver por si só, mas independentemente disso é bom lembrar que falhar deve ser palavra presente no dicionário de qualquer empreendedor. Falhar e tentar de novo. Parece-me, pois, que esta é uma boa altura para António Câmara demonstrar que muitos dos elogios que recebeu, onde se inclui o Prémio Pessoa 2006, foram merecidos.
É possível que Barroso esteja enamorado pela União Europeia, nós descobrimos isso da pior forma possível quando ele fez as malas e abandonou-nos. E é ainda mais possível quando ao grande amor junta-se uma carteira recheada e a entrada em festas que de outra forma lhe estariam fechadas. Dêem-me o cargo de presidente da Comissão Europeia e eu prometo que uma paixão tórrida entre a minha pessoa e a União Europeia seria estabelecida de imediato. Mas se Barroso ainda está na fase em que gostava que o casamento fosse para a vida, é bom lembrar-lhe que há namoros que não dão certo e casamentos que resultam em divórcio.
«Se Portugal não quiser ser a Grécia número 2, tem de crescer», e nas circunstâncias actuais, só há um caminho: o do incentivo às famosas exportações através da, não menos famosa, desvalorização fiscal. Se o Governo tiver uma alternativa, apresente-a. Não pode é ficar quieto. Mas dado que quer o ministro da economia, quer o Presidente da República, andam por ai a prometer que Portugal em menos de um ano já estará a dar sinais de crescimento, gostava realmente de saber o que os leva a dizer isso. É que antes de virem com uma retórica cheia de optimismo - nos últimos dez anos ela sempre existiu com os resultados que se conhecem, pelo que está descredibilizada -, talvez não fosse má ideia focarem-se nesta fase inicial mais nas acções do que no palavreado inconsequente.
A BBC caiu na rasteira. Afinal, Alessio Rastani é um falso corretor que só queria atenção. Investir para ele não passa de um hobby. Não deixou de ser uma bela caricatura do que alguns à esquerda percepcionam como a realidade, talvez por isso tenham sido estes os mais predispostos a cair na esparrela. Mas note-se que muitos aproveitaram o vídeo para reforçar a tese dos tenebrosos especuladores. Agora que chegamos à conclusão de que tudo não passou de uma farsa, talvez possamos acabar por discutir o papel de alguns tenebrosos jornalistas na percepção errada que a opinião pública tem da realidade.
Taxa sobre transacções financeiras fará recuar PIB europeu em 1,8%. Não estivesse o homem do choque fiscal à frente da Comissão Europeia. Esperemos que a unanimidade necessária entre os estados-membros para a implementação de tal taxa nunca seja uma realidade.
O anterior Governo ter planeado tudo mal é que nos trouxe até aqui. E Carlos Zorrinho, apesar da simpatia pessoal que tenho por ele, como ex-secretário de Estado da Energia não fica nada bem na fotografia. Também por isso é normal que o actual Governo não esteja a ser penalizado nas sondagens. Enquanto estiverem frescas na memória as acções do anterior Governo - e algumas caras do "novo" PS, como a de Zorrinho, dão uma ajudinha para isso - os portugueses lembrar-se-ão que a austeridade não caiu propriamente do céu.
A DGO proibiu todos os organismos da Administração Pública e as empresas públicas de assumirem qualquer despesa se não tiverem dinheiro disponível e reservado para o efeito. Contudo, esta regra que devia ser prática corrente, segundo o Sol ameaça paralisar os serviços públicos. O problema é outro: a bandalheira a que chegamos e a falta de controlo do ministério das finanças sobre a execução orçamental é que ameaça paralisar todo o país.
Assunção Cristas a semana passada; Álvaro Santos Pereira hoje e Miguel Relvas daqui a uma semana no Prós&Contras. Compreende-se que este Governo diga existir uma parte da RTP que não pode ser privatizada.
Quanto mais dizem que uma qualquer reforma «deve passar por cima de quaisquer interesses», mais evidente fica que há certos e determinados interesses que estão a ser levados em conta.
Se o FMI estimou uma quebra do PIB da economia nacional para o próximo ano em 1,8%, segundo o Económico o Governo pode avançar com um cenário base para a elaboração do OE2012 que prevê uma quebra do PIB a rondar os 2,5%. No que significa de mais austeridade não são boas notícias, mas ao menos vem de encontro a algo que Luís Campos e Cunha defendeu e que o Governo anterior sempre fez por não respeitar: «as projecções do Governo têm que ser as mais conservadoras e cautelosas que há no mercado».
Há 327 mil portugueses a viver do Rendimento Social de Inserção. A notícia adianta ainda que por dia há 60 novos beneficiários deste subsídio. Acredito que sim, mas a verdade é que desde o inicio do ano a quantidade de beneficiários tem-se mantido estável e está muito longe dos mais de 400 mil beneficiários existentes no ínicio de 2010. Considerando que desde então a situação do país não melhorou, muito pelo contrário, é lógico presumir que alguma coisa foi feita no sentido de garantir que só beneficia deste rendimento quem dele efectivamente precisa. E tenho poucas dúvidas que a maior parte dos que o recebem actualmente precisam e a diminuta prestação que auferem está longe de poder/dever ir para o famoso lote das gorduras do Estado.
1. Parece que este espaço conta desde ontem com mais de um ano de vida. Agradeço ao Pedro Correira e ao Aniversário de Blogues a referência a tal ocasião.
2. Agradeço igualmente à Ana Margarida Craveiro pela escolha e as palavras simpáticas que dedicou a este espaço aqui.
Há quem diga: "Agora temos de fazer sacrifícios para pagarmos o que devemos", não é tempo de protestar. Lamenta Carvalho da Silva que assim seja, mas parte logo de um ponto de vista errado: a austeridade a que estamos submetidos não é só para pagar o que devemos, é para deixarmos de dever cada vez mais a cada ano que passa. Como perceberão, não é propriamente o mesmo problema. Claro que o problema de Carvalho da Silva, como de outros, é que preferiria uma estratégia para a nossa crise digna de um bolchevique.
Na entrevista onde também lança a sua candidatura presidencial, diz Marcelo Rebelo de Sousa: «Miguel Relvas é íntimo de Seguro, é verdade. É raro encontrar-se uma intimidade assim».
1. «Quando forem aos mercados escolham aquilo que é nosso», diz Cavaco Silva nos Açores.
2. Empresa estatal [açoriana] lança concurso de milhões para estrangeiro ganhar
«Toda a gente conhece e é sabido o que tem sido o enriquecimento de pessoas e empresas ligadas a pessoas da direção do PSD Madeira ao longo destes anos». O pior é que algumas das coisas que se conhecem são contadas por quem delas beneficiou em conversas privadas onde demonstram enorme orgulho pela forma como conseguiram enriquecer - por exemplo, ao nível da valorização fantástica de certos e determinados terrenos. A pergunta que se coloca é: se toda a gente conhece, porquê que a judiciária nunca investigou a sério o que se fez pela ilha?