Sexta-feira, 30.12.11

Um semestre

«À medida que se aproxima a implementação das famosas reformas estruturais, há um elemento que ressalta: o Governo está com medo». Perante isto, uma certeza: é só deixar passar o primeiro semestre de 2012 e o que quer que fique por fazer já não será feito. Faltará força e vontade política para o efeito.

Quinta-feira, 29.12.11

Subsidiar o fracasso

O cinema português perdeu espectadores: Em 2011, o fracasso do cinema português nas bilheteiras acentuou-se. Apenas dois filmes tiveram mais de 10 mil espectadores, mas o mais impressionante é que apenas 13 fitas superaram os mil pagantes. Mas os subsídios do Estado para a criação e produção cinematográfica é que não se perdem. É procurar aqui para saber quanto custaram ao contribuinte algumas destas magníficas obras lusas da sétima arte.

Mr. Brown às 12:39 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 28.12.11

Ler os outros (CXV)

Nova técnica de chamar a atenção dos meios de comunicação social – entitular-se Comissão de Utentes [...] Seria curioso saber quantas pessoas estão inscritas em cada uma destas comissões, pergunta que nunca lhes foi feita, que me lembre de ter visto.

Mr. Brown às 14:30 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 27.12.11

Árvore das patacas

Em Portugal gerou-se a convicção de que o Estado pagava e conseguiria pagar tudo. Nunca faltaria dinheiro ao Estado. Que o dinheiro que o Estado gasta venha dos impostos pagos pelos cidadãos e empresas do país era uma consideração menor, um facto passível de ser ignorado. Que durante anos e anos a fio os impostos cobrados não tenham sido suficientes para suprir os gastos do Estado, idem. Os portugueses convenceram-se que havia uma árvore das patacas a que o Estado podia jogar mão em caso de necessidade. Dessa fantasia nasceu a defesa irresponsável das obras públicas, dos investimentos estatais, do Estado que a todos acorre e que nunca deixaria de acorrer. Agora, essa fantasia morreu e os portugueses deixam-se abater pelo duro peso da realidade. Desiludidos, atiram parte da culpa pela situação que enfrentam para quem lhes anuncia com um realismo surpreendente o que ai vem e está por vir. O mau da fita é o que quer reformar o Estado, porque o Estado que tínhamos estava a funcionar tão bem, não era? E é vê-los, ao comediantes insatisfeitos, verdadeiros vendedores de ilusões e fantasias a preencherem tinta e mais tinta nos jornais com soluções para a crise que passam por gastar mais e mais dinheiro. Na mente desta gente a árvore das patacas existe, só falta indicarem-nos o caminho para darmos com ela. Mas deixem ver se adivinho: fica ali para os lados de Frankfurt e Berlim, não?

Mr. Brown às 16:35 | link do post | comentar | favorito

O desespero, a tragédia, o horror!!!

Clubes desportivos da Madeira desesperam por não receberem subsídios prometidos.

Mr. Brown às 14:30 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 26.12.11

Mensagem de Natal

Entre amigos e familiares, nos jantares e almoços deste fim-de-semana de Natal consegui ouvir zero elogios a Passos Coelho. Um recorde. Boa sorte ao Governo.

Dois em cem

«na realidade, o Estado Social está a deixar de existir. O que dizer do aumento para o dobro ou mais das taxas moderadoras? Posso estar enganada, mas parece-me que esta opção política se assemelha na realidade à destruição do Estado social em Portugal». Gosto quando descubro que uma taxa que gerará de receita cerca de 2% de todo o custo do SNS e não afecta mais de metade dos portugueses é tida como representativa da destruição do Estado social. Aos outros 98% do SNS que continuarão a ser financiados por impostos devemos chamar do quê? Estado  neoliberal?!?

Mr. Brown às 09:06 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 23.12.11

Nem tudo o que parece é

Lê-se alguma opinião publicada e fica a ideia que Vítor Gaspar é o ministro mais feliz com a entrada dos chineses na EDP. Lê-se o Expresso e parece que foi o único ministro que defendeu a escolha da proposta dos alemães. Podemos estar perante um caso em que nem tudo o que parece é, se bem que como a minha memória não renova a cada semana, do que o Expresso diz desconfio e não é pouco.

Mr. Brown às 15:34 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22.12.11

Nota negativa?

 

O Expresso avisa que «sete ministros têm nota negativa», depois vai-se ler a notícia e percebe-se que não foi pedido aos portugueses que dessem notas aos ministros, mas sim que respondessem «quais foram os melhores ministros nestes seis meses». As sete notas negativas são afinal sete ministros que foram referenciados em menos de 10% das respostas. Por sua vez, Paulo Portas foi considerado um dos melhores ministros por 16,6% do inquiridos e Passos Coelho por 15%. Reparem que sendo 12 os ministros, se a distribuição de resultados fosse igual entre os 12, cairiam todos (100% a dividir por 12) no conceito de «nota negativa» do Expresso. Só para terminar, tivesse-me sido feito o inquérito e a minha resposta ficaria por um único ministro: Vítor Gaspar. Parece que 13,1% das respostas vão no mesmo sentido. Não está mal.
Mr. Brown às 22:56 | link do post | comentar | favorito

EDP - Three Gorges

Ganhou quem ofereceu mais e, além disso, parece-me uma óptima decisão estratégica a de abrir a nossa economia ao capital chinês. Pedro Guerreiro faz o resumo do negócio: «O capital foi mais importante que os lóbis brasileiro e alemão». António Costa converge: «Pedro Passos Coelho pôs o racional económico à frente dos interesses (leia-se pressões) políticos e isso é o melhor cartão de visita para um governo e um País que precisa de investimento estrangeiro como nunca precisou na sua história recente». Resta a ironia de concluirmos a privatização de uma empresa portuguesa com a venda a uma empresa controlada pelo Estado comunista chinês. Mas quanto a isso permitam-me ser pragmático: se é na China que está o dinheiro, venha ele.

Dívida e crescimento económico

 

 

Our results support the view that, beyond a certain level, debt is a drag on growth. For government debt, the threshold is around 85% of GDP. The immediate implication is that countries with high debt must act quickly and decisively to address their fiscal problems. The longer-term lesson is that, to build the fiscal buffer required to address extraordinary events, governments should keep debt well below the estimated thresholds.

Mr. Brown às 11:36 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 21.12.11

O Estado paizinho-falido

Passos Coelho baixou os braços e desistiu de nós, choram uns quantos opinadores pela comunicação social. O que os leva a dizer isto resulta de uma mentalidade que tende a olhar para o Estado como o paizinho de todos nós. Foi essa mesma mentalidade que nos colocou em boa parte na situação actual. Pois quem quiser olhar para o Estado à espera que este lhe resolva a vida vai ter muitas, enormíssimas dificuldades nos próximos tempos, porque ainda que este quisesse acorrer aos seus cidadãos e empresas como acorria antes, a verdade é que está falido e não o conseguiria fazer. Cabe às empresas e cidadãos não desistirem deles mesmos e fazer pela vida, apesar do Estado. Ou seja, o Estado não tem de vir em nosso socorro, tem é de sair de cima. Por isso mesmo as reformas estruturais a realizar passam quase todas por diminuir o peso e a intervenção deste na vida económica nacional. Esperemos que haja coragem para avançar com essas mesmas reformas tão cedo quanto possível, apesar da inevitável oposição dos mesmos de sempre. Contudo, já sabemos que em falta ficará a necessidade de nos deixarem de sugar a vida com impostos, pois nesse departamento as perspectivas só animam, se animarem, lá para 2015. O que deixa a pergunta: como é que os que nos governam poderiam desistir de nós se somos nós que os sustentamos a eles, não é?

Mr. Brown às 11:58 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20.12.11

Ler os outros (CXIV)

Os alemães fabricam os submarinos, e depois corrompem-se entre si para os venderem ao estrangeiro próximo. No fundo fazem tudo. Os compradores só navegam...

Mr. Brown às 21:46 | link do post | comentar | favorito

Genial

1. Seguro tem proposto uma solução para a crise: mais crescimento económico. Genial, como é que ninguém se lembrou disto antes.

2. Indemnizações por despedimento entre 8 e 12 dias? Seguro está contra. Este contínua a seguir à letra o manual para uma boa oposição.

3. Projecto político de conquista do poder: balbuciemos banalidades e esperemos que o povo se farte dos que estão no poder. Sempre foi mais ou menos assim, mas nunca de forma tão deprimente como o é agora.

4. A malta do PS que assinou o memorando de entendimento finge que não percebe qual o caminho para o crescimento económico que nos foi proposto. Grau de seriedade e honestidade igual a zero.

Mr. Brown às 19:06 | link do post | comentar | favorito

Bode expiatório

Revisão do memorando de entendimento indica que a 'troika' quer aumentar pelo menos em 20% o número de doentes por médico de família. Permitam-me: a troika quer ou alguém quis que a troika quisesse? Não me interpretem mal, não estou a criticar a medida, mas quer-me parecer que as 'revisões' do memorando facilmente podem ser usadas para dar guarida a algumas medidas que o próprio do Governo pretende implementar. Já assim foi das outras vezes que o FMI esteve cá: a grande vantagem de ter técnicos estrangeiros em Portugal não é necessariamente a utilização do seu conhecimento para resolver problemas que os nossos governantes e técnicos não saibam resolver, mas sim o de se lhes puder atirar para cima das costas a responsabilidade pelas medidas impopulares que tiverem de ser tomadas.

Mr. Brown às 14:43 | link do post | comentar | favorito

Reformas estruturais

A nova palavra de ordem agora é que são necessárias mais e verdadeiras reformas estruturais. Óptimo: concordo. Mas não se esqueçam que tais reformas passam essencialmente pelo tal «choque liberal» a que Luís Amado fez referência há não muito tempo. Por exemplo, alterações que permitam maior flexibilização do mercado de trabalho. Todos queriam cortes na despesa, os cortes na despesa chegaram e as críticas choveram. Todos querem reformas estruturais, as reformas estruturais chegarão e as críticas choverão. Certo é que aquilo a que muitos foram habituados, de que quando existiam problemas atirava-se dinheiro para cima deles, acabou. Não há dinheiro e não há milagres.

Segunda-feira, 19.12.11

Por falar em médicos

Este enganou-se e julga que é bastonário da ordem dos economistas. Pela facilidade que teria em acabar com a economia paralela ainda ganharia um prémio Nobel da Economia.

O paciente português

O desemprego e a emigração são sintomas de uma doença que nos aflige e desde o fim do último governo de Guterres que os sintomas dessa doença - que passa, entre outras coisas, pela falta de competitividade - começaram a ser tão evidentes que não podiam ser ignorados. Durante dez anos pouco ou nada fizemos para nos tratarmos e fugimos sempre dos tratamentos mais agressivos que nos foram apresentados. Os sintomas é que nunca deram tréguas e o desemprego e a emigração continuaram a subir durante todo esse período. Como seria expectável, o deixa andar não resultou e acabamos por ir parar ao hospital em estado lastimoso. Sem alternativas, o médico passou-nos o tratamento mais agressivo e desde então que levamos a noite a chorar lamentando que não nos deixem fazer nos próximos dez anos o que fizemos nos dez anos anteriores. Até certo ponto é compreensível, o tratamento agressivo terá como efeitos secundários um acentuar momentâneo dos sintomas que se fazem sentir há mais de uma década e isso não é agradável para ninguém. Mas sendo compreensível, não altera a realidade. É que por muito que nos custe, não podemos ter como opção continuar doentes daqui a dez anos. E sendo este o tratamento escolhido, até por ser dos disponíveis o melhor, daquele que tem como função aplicá-lo não espero que me diga que não existirão efeitos secundários negativos quando é certo que existirão. «Os portugueses querem um primeiro-ministro que lhes diga: Eu vou governar de tal maneira que não será preciso emigrar». Os portugueses querem que o médico lhes minta? Certamente que não, só o médico de bancada que não tem responsabilidades algumas é que pode dizer o que o paciente gostaria de ouvir e não o que o paciente precisa de ouvir.

Domingo, 18.12.11

Chocados

Isto é muito engraçado, não fosse não ter graça nenhuma. O quê que queriam mesmo? Que Passos Coelho assumisse como função do Estado empregar todos os professores? Não só essa não é a função do Estado como sabe-se que há professores a mais no mercado de trabalho português e este não gerará soluções de empregabilidade a uma grande fatia desses trabalhadores. Ao Estado, como maior empregador do sector - que passará por uma fase de redução das necessidades de novas contratações -, cabe não criar falsas expectativas a quem pretende ser professor. As declarações de Passos cumprem essa função e muito bem. São, como no caso das declarações sobre as reformas, pedagógicas. À maior parte destes professores desempregados restará duas opções «ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa». Estas declarações chocam? Por amor de Deus, só se quem as ouve estiver no modo que o Governador do Banco de Portugal tão bem definiu como o «se não querem reconhecer a realidade, não a reconheçam. Mas a realidade é sempre mais resistente que a cabeça». Afinal, já lá cantava o Tim: «Eu queria ser astronauta, o meu país não deixou». A culpa é do Passos, Tim. A culpa é do Passos.

Asneirar

Tanta asneira junta num só artigo. A parte que mais gosto é esta: «É uma falácia argumentar com o aumento da esperança de vida, como se o sistema de Segurança Social tivesse de estar baseado numa solidariedade intergeracional . Isso seria admitir que o nosso sistema de pensões deve funcionar como a Dona Branca, em que só é possível pagar a quem depositou se houver sempre quem deposite mais». Ignorância total sobre o que é o sistema pay-as-you-go, o nosso, mas que segundo Baldaia não podemos admitir como sendo o nosso. Parece que Baldaia está convencido que com este sistema poderá estar a contribuir para si próprio (por outro lado, também parece acreditar no seu contrário, tão confuso é o artigo). Por resolver fica a problemática dos actuais pensionistas que só recebem o que recebem porque há outros a descontar para eles. Mas, sobretudo, o que dizer quando se refere ao aumento da esperança de vida como uma qualquer falácia, não percebendo que mesmo num sistema de capitalização, onde cada um descontaria efectivamente para si, a esperança de vida teria sempre de ser levada em conta: afinal, será assim tão dificil de perceber que ainda que tivesse uma continha em meu nome, chegando à idade da reforma o valor que atribuiria a mim mesmo a cada mês não poderia ser o mesmo independentemente de esperar viver mais 5 ou mais 10 anos?

Sábado, 17.12.11

Feriados religiosos e civis

66,7 por cento dos inquiridos quer manter o Corpo de Deus contra 53,9% que quer manter o dia da Implantação da República.

Mr. Brown às 18:30 | link do post | comentar | favorito

Boas festas

Um diz que deseja "um ano de 2012 tão bom quanto possível" e o outro diz que "o que eu desejo de todo o coração é que tenhas relações sexuais incríveis", e quem está em risco de ser demitido é o segundo? Não me lixem!

Contas à vida

Isto de novidade tem muito pouco, mas é bom que quem tem responsabilidades governativas o vá dizendo e não deixe o aviso ao cuidado exclusivo de Medina Carreira.

Sexta-feira, 16.12.11

Indelicadezas

A Europa debatida nas costas dos povos. Por mim, acho que era chegado o tempo de tirar este assunto da estrita esfera de Coelho, Portas e Seguro para dar a palavra ao povo.

Mr. Brown às 14:46 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 15.12.11

Dr. Nuno Santos or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

 

Houve algumas pessoas que ficaram muito indignadas com as declarações do presidente do Banco Central Alemão que comparou o nosso vício em crédito com o de um alcoólico perante o álcool. Querem mesmo traçar comparações entre a forma branda como lidamos com essas declarações e a dureza com que reagimos às do deputado Pedro Nuno Santos. Esta gente não pára para pensar. Para começar, a "jovem estrela em ascensão" do PS, para quem não tenha reparado, anunciou uma estratégia para usar com os alemães declarando desde logo que tudo não passaria de bluff. Sobre a inteligência de tais declarações estamos conversados. Em segundo lugar, tudo nunca passaria de bluff porque... tcharan, estamos viciados em crédito. É que para quem ainda não percebeu nós não estamos em fase de "pagamento" da dívida, esta contínua a aumentar a cada dia que passa e pelas poucas ideias que o PS tem transmitido a dívida não deixaria de crescer tão cedo (na prática, só temos a hipótese de fazer explodir a bomba atómica em Portugal e ameaçar os alemães com poeira radioactiva). Enfim, só posso imaginar as gargalhadas que Jens Weidmann teria soltado se as declarações de Pedro Nuno Santos lhe chegassem aos ouvidos.

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