Foi com estas duas palavras que Miguel Relvas descreveu o que se passa no Conselho de Ministros. Achava bem que assim fosse e também por isso permitam-me pegar em três histórias: i) a do Conselho de Ministros onde só Vítor Gaspar defendeu a proposta alemã para a EDP; ii) a do Conselho de Ministros onde Vítor Gaspar, com o apoio de Paulo Portas, entrou em rota de colisão com Álvaro Santos Pereira; e iii) a do Conselho de Ministros onde Vítor Gaspar concordou com a escolha de Teixeira dos Santos para a PT, a qual teve oposição feroz de Paulo Portas. E permitam-me constatar que não tendo a menor dúvida que em cada uma delas existirá algo de verdadeiro, também não duvido que numa ou noutra história existirá uma quota parte de ficção à mistura.
Mas vou ficar pela última história, pelo que peço a vossa atenção para o artigo escrito pelo director do jornal que primeiro a divulgou: «A CGD prepara-se para propor o nome de Teixeira dos Santos para administrador não-executivo da PT, uma escolha, claro, que só pode ter sido feita pelo próprio Governo e ‘encomendada’ a Faria de Oliveira, o chairman do banco público». Só pode?!? Já perceberam onde quero chegar, certo? Porquê que a escolha não pode ter partido de Faria de Oliveira que, tal como o Governador do Banco de Portugal que também terá tido intervenção no processo, foi nomeado para a CGD pelo próprio Teixeira dos Santos e que entretanto já vai a caminho da presidência da Associação Portuguesa de Bancos com o apoio, como não podia deixar de ser, de Ricardo Salgado? E se Vítor Gaspar, invés da atitude activa que lhe atribuem, tenha se limitado a ser consentâneo com aquilo que este Governo prometeu e optado por não interferir na escolha feita por Faria de Oliveira? Regresso ao artigo do director do Económico: «Pior, fica a ideia, outra vez, que a gestão da Caixa, e neste caso Faria de Oliveira, têm uma palavra muito pequena a dizer sobre uma matéria em que deveria ser, verdadeiramente, da escolha estrita do conselho de administração do banco público». Pois, muito bem: mas é por isso mesmo que não coloco de parte a hipótese da história ter saltado para a imprensa da forma como saltou, atribuindo a escolha a uma decisão de Vítor Gaspar, para criar o clima propício que permitisse uma interferência real do Governo na escolha que Faria de Oliveira pretendia fazer. Essa é que é essa.