Sexta-feira, 31.08.12

Títulos sugestivos

STCP perde seis milhões de passageiros e passa de lucro a prejuízo. O quê que este título sugere? Que a perda de passageiros, em boa parte explicada pelo aumento do preço dos bilhetes e redução do desconto em algumas assinaturas sociais, levou à passagem de uma situação de lucro para uma de prejuízo. Contudo, a própria leitura da notícia elimina qualquer equivoco. A receita cresceu, é consultar a página 9 do relatório de contas da STCP: a receita passou de 24,682M€ no 1º semestre de 2011 para 26,292M€ em igual período deste ano, um feito notável quando o país atravessa um período de recessão (e que demonstra que o aumento dos preços mais do que compensou a diminuição de passageiros). Qual o problema, então? O custo do financiamento que disparou - o sector dos transportes públicos é só mais um que também vai ter de habituar-se a viver com menor endividamento -, uma explicação que por si só justifica ainda mais os aumentos de preços e a redução dos descontos que têm vindo a ser feitos no sector. É que basta imaginar o que seria hoje da STCP se as receitas não tivessem sequer aumentado, tal como teria acontecido se tudo tivesse ficado na mesma.

FMI já não vem

Hoje, lembrei-me disto: O canal público de televisão que será privatizado vai ser a RTP2, afirma neste sábado o semanário Expresso. Formalmente não há nenhuma decisão tomada nem sequer comunicada aos responsáveis daquele canal ou da televisão pública, mas existem os sinais de que será esta a escolha do Governo, sustenta o mesmo jornal. Ou como somos constantemente bombardeados com informação falsa e a credibilidade dos jornais anda pela rua da amargura. Neste abdicar da credibilidade em nome de interesse próprio, o Expresso está na linha da frente.

Mr. Brown às 19:08 | link do post | comentar | favorito

Privatização da ANA

Longe vai o tempo em que o PSD apresentava um projecto na AR que tinha por base a «não concordância com a transformação de um monopólio público num monopólio privado». Mas no processo de privatizações tudo o que os move neste momento é a maximização da receita. Nada contra a privatização da ANA, como é óbvio, apenas tenho sérias dúvidas em relação ao modelo escolhido. Nem sempre o que maximiza a receita é o que permite a transformação estrutural que o Governo garante estar a levar a cabo.

Mr. Brown às 13:30 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 30.08.12

Passar a mensagem

Duas notas sobre isto: 1) Paulo Portas e este CDS nunca coincidiram com este PSD de Passos na opção de privatizar a RTP. Compreende-se: Portas quer ter tão boa relação com a imprensa quanto possível, não vá a história dos submarinos emergir mais do que é desejável. 2) Paulo Portas quer demarcar-se de algumas das medidas dificeis que se adivinham. Vai sugerindo que o CDS é contra o aumento de impostos que se pespectiva, mas nada passa para a imprensa sobre o que faria de diferente. E depois conta com jornalistas como São José Almeida para lhe irem dando uma ajudinha a divulgar a mensagem. Habilidade política é isto. Mas não há qualquer «crise entre CDS e PSD» como títula a notícia. Tenho poucas dúvidas a esse respeito: a coligação está de pedra e cal e é para durar.

Para memória futura

António Borges: Portugal deixou de estar na 'bancarrota'

Dá lucro

RTP pede 80 milhões de euros de indemnização compensatória.

Mr. Brown às 13:40 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 29.08.12

Vale tudo

É ler o João Caetano Dias sobre esta pseudo-notícia. Depois é acrescentar que António Louçã, julgo não estar equivocado, é quem tem dado a cara pela Comissão de Trabalhadores da RTP. Deve ser isto que chamam de "serviço público".

Mr. Brown às 21:35 | link do post | comentar | favorito

Jornalismo rasca

Jornal da noite da SIC, nos minutos iniciais foi dominado por: 1) o lóbi dos que querem que a RTP fique tal e qual como está, incluindo a aparição de um comentador televisivo que ocasionalmente realiza filmes, filmes esses que, além de serem financiados pelo contribuinte, costumam contar com o apoio da RTP na promoção e divulgação dos mesmos; 2) o lóbi da construção civil, que continua no queixume de que o sector está em queda livre, a ver se ainda consegue mamar qualquer coisinha; 3) o lóbi do ACP, com um ex-vice-presidente de clube de futebol a queixar-se que o Governo não adopta preços tabelados no sector dos combustíveis. Nesta última reportagem, de forma a não sobrarem dúvidas sobre a qualidade do jornalismo que se pratica actualmente pelos lados de Carnaxide, o jornalista chegou mesmo a afirmar, a propósito da subida dos preços dos combustíveis, das dificuldades do sector automóvel e de umas medidinhas quaisquer que estavam a ser tomadas em França e na Espanha - países onde, aparentemente, na leitura da realidade que o jornalista em causa pretendia passar, os respectivos governos não seguem pelo diapasão da austeridade que domina a realidade portuguesa -, que o «governo fecha os olhos a tudo isto». Os olhos não fechei, mas continuar com o televisor sintonizado no noticiário da SIC só se tapasse os ouvidos.

Mr. Brown às 20:56 | link do post | comentar | favorito

Eles comem tudo e não deixam nada

Claro: «a alternativa a cortar nos 13º e 14º meses - e Vítor Gaspar disse isso -, seria despedir pessoas da função pública». Se bem que, não tenho duvidas sobre isso, despedir pessoas passa por uma diminuição quer da quantidade, quer da qualidade, dos serviços actualmente prestados pelo Estado. Como o Governo quer evitar essa "revolução", demonstrando que a conversa do Gaspar sobre a alternativa ao corte de subsídios, não necessariamente na óptica do próprio, era paleio, continua a insistir no aumento da carga fiscal, agora até com «cortes nas deduções fiscais de quem apresenta IRS com filhos a cargo, ascendentes ou deficientes».

Mr. Brown às 19:30 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 28.08.12

Não, isto está tudo a correr tão mal que não pode

Portugal makes fiscal progress in the shadows. O risco que isto tudo corra muito mal continua elevado, mas em menor ou maior grau, o caminho correcto a percorrer no dia em que a troika pôs cá os pés era mesmo este. Para o perceber, parafraseando o dr.Soares a propósito da miopia socrática, basta «ler os jornais internacionais». Mas se nem o dr. Krugman quando esteve por cá a explicar isso mesmo conseguiu convencer os míopes, não devemos esperar milagres.

Mr. Brown às 21:08 | link do post | comentar | favorito

Polémicas estéreis

Esta, que merece destaque em quase toda a imprensa nacional e muitos comentários críticos da turba enraivecida, com acusações de «cunha» à mistura. Sem discutir a justificação para a existência de apoios do Estado - ou a falta de senso em publicar anúncios com candidato escolhido à partida -, só quem desconhece totalmente os procedimentos de contratação da maior parte das empresas é que ignora que estas recorrem, na maioria dos casos, aos apoios financeiros do IEFP quando já têm um candidato escolhido previamente e que o IEFP, naturalmente, dá seguimento às pretensões da entidade empregadora (nota: em relação ao caso concreto que gerou a polémica, até não me admiraria que a candidata referenciada estivesse a ocupar exactamente a mesma vaga na mesma empresa ao abrigo de outro programa do IEFP, o dos Estágios Profissionais). É assim há muito tempo e dificilmente poderia ser de outra maneira, a não ser que se julgue que o Estado deva forçar as empresas privadas a aceitarem os candidatos que os técnicos do IEFP bem entenderem enviar. De resto, basta dar uma vista de olhos por boa parte dos anúncios de oferta de emprego disponíveis na internet para encontrar como requisito para aceitação da candidatura que o candidato reúna as condições para usufruir dos apoios do IEFP. Maior clareza sobre a forma de funcionamento do sistema não podia existir. Resta o aviso para quem está à procura de trabalho: não vale a pena esperar que o IEFP arranje um emprego caído do céu, é preciso ser pró-activo e ir directamente às empresas. Mas se nesta altura do campeonato há quem ainda não tenha percebido isto...

Não me tirem o palco

Momento: sem a RTP, qual a televisão que me vai dar o destaque e os programas que mereço.

Segunda-feira, 27.08.12

Pontos nos ii

Se há coisa que António Borges sabe fazer é contas: ao contrário do que tem sido sugerido, o modelo de concessão divulgado pode ser considerado excelente se o objectivo do Governo é maximizar a receita imediata do Estado no que toca à resolução da questão RTP. Está longe de ser é o melhor negócio para o consumidor e contribuinte*. Na EDP passou-se o mesmo: o Estado arrecadou uma receita fantástica no imediato com a privatização da mesma, mas passou parte da factura ao consumidor e contribuinte, deixando que a valorização que os chineses fizeram da empresa levasse em conta a existência de rendas excessivas. O que move este Governo é a maximização da receita no curto-prazo e para isso, se necessário, não se coíbe de esmagar o zé povinho. E essa é uma realidade triste quando estes mesmos governantes não demonstram ser igualmente eficientes quando o que está em causa é a minimização da despesa.

 

* por outro lado, é o negócio que melhor serve os interesses da SIC e da TVI, bem como dos grupos privados de capitais nacionais interessados em ficar com a RTP.

Mr. Brown às 20:42 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 26.08.12

O fenómeno

Tem razão João Távora sobre o fenómeno Marcelo. Relacionado com o tema, ainda há uma semana as alcoviteiras socráticas do twitter - entenda-se: na sua devida escala, não falta quem queira fazer no pequeno palco do twitter o que Marcelo faz no grande palco da TVI - punham em causa a credibilidade do comentador da estação de Queluz. Hoje, deliciavam-se com os pormenores de Marcelo sobre o affair RTP como se fossem a coisa mais credível do mundo, excepção feita à referência a esta história que muito as irritou. Há um método na forma de fazer comentário do professor Marcelo. Um método bem sucedido.

Mr. Brown às 22:14 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 25.08.12

Parciais e desonestos

A esmagadora maioria da comunicação social está contra a privatização da RTP. O que nesta se escreve, vê e ouve sobre o tema, sendo o caso mais flagrante o do Expresso, é deprimente, por estar recheado de falsidade, má-fé e passar a ideia clara de que para travar a privatização da RTP, para esta gente, vale tudo, até tirar olhos. Relacionado com isto, Carlos Guimarães Pinto diz que a capa do Expresso retrata a «ignorância económica da imprensa», eu digo que o Carlos é, no caso em concreto, ingénuo.

Cumprir promessas

«Esse debate não pode é ser enviesado agora para se saber se deve ou não deve haver a privatização, porque a privatização foi sufragada pelos portugueses no acto eleitoral, ao darem a maioria ao atual Governo». Não devia ser preciso, mas pelos vistos é necessário explicar esta evidência a algumas alminhas - das quais destaco o comentador da estação de Carnaxide e colunista do Expresso, Miguel Sousa Tavares - que dizem não compreender quem mandatou o actual governo para privatizar a estação pública. Acham que a coisa caiu do céu, andam distraídas as alminhas. Fiquem a saber: foi o povo português. Habituem-se. E, acho que é de aceitação geral, aos políticos deve ser exigido que cumpram o que prometem. Já o dr. Aguiar Branco, autor da frase que inicia este post, faça o favor de ir explicar ao seu colega de Governo, o ministro sem pasta Borges, que uma concessão não é uma privatização.

Mr. Brown às 15:18 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 24.08.12

Dinheiro que não jorra

O BNP Paribas estima que o défice orçamental português vai a caminho dos 6% do PIB este ano e antecipa mais medidas de austeridade. Quem diria? Recordemos notícia do final do ano passado: Portugal deverá registar um défice de 6% do PIB em 2012, e não de 4,5%, como está acordado com a ‘troika', e um ano depois, quando termina o programa de ajuda, o défice ainda estará nos 5%. Apesar de tudo, recorde-se que em 2011 o défice real ficou nos 7,8%. E a partir destes dados, tendo em conta a nossa absoluta necessidade de acabar com o desequilíbrio permanente das contas públicas, não é preciso ser doutor em economia para ter uma ideia relativamente clara do esforço que ainda temos pela frente. Há quem pense que estamos a atravessar uma fase temporária para durar um par de anos - bem expresso na ideia do nosso querido Coelho de que 2013 será o ano da inversão -, nada mais errado. O tempo do dinheiro que jorrava não voltará tão cedo.

Mr. Brown às 13:50 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 23.08.12

Concessão não é privatização

Cada vez pior. A necessidade de contentar todos os lóbis continua a favorecer más soluções. E julgam que devemos aplaudir porque vão baixar os custos? Sim, mas de que forma? Para começar, iríamos ficar com menor oferta televisiva, uma vez que ficaríamos sem um dos canais em sinal aberto. Depois, mantêm essa coisa do "serviço público" sustentado pelo contribuinte, que mais não é do que uma forma de manter a mãozinha do Estado no canal, o que dá sempre muito jeito ao poder instalado. E, para terminar, a RTP continuaria pública e no fim da concessão tudo poderia regressar ao ponto de partida. Aliás, já imagino a história do hospital Amadora-Sintra all over again. Cada vez tenho menos pachorra para aturar esta gente. Toda esta gente.

Um país ingovernável

Digo mais, será outro motivo a acrescentar aos que já existem para este Governo demitir-se. E, para simplificar as coisas, escusamos de ter eleições, é pôr os juízes do Tribunal Constitucional no poder para serem eles a equilibrar as contas públicas do país. Além do mais, compreende-se que os socialistas irritem-se com a mera hipótese de introdução da regra de ouro na Constituição da República Portuguesa, a esperança é que o quadro constitucional actual constitucionalize o défice permanente.

Quarta-feira, 22.08.12

Isto não vai correr bem

Desde finais de 2009, o índice cambial efetivo real ligado aos ordenados caiu 6% em Portugal, enquanto na zona euro o recuo foi de 14%.

Mr. Brown às 19:28 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 21.08.12

Desvarios

O ministro da economia é insensível e devia ser demitido. Porque, como está bom de ver, sensíveis foram aqueles que apostaram forte na construção civil, tão sensíveis que parte significativa dos recursos da nossa economia, quer humanos, quer financeiros, foram desviados em excesso para tal actividade e ajudaram a colocar o país nesta situação de bancarrota não oficial. No dia em que a evidente insustentabilidade da nossa aposta permanente na construção civil chegasse, o que esperavam mesmo que acontecesse? As falências e o desemprego aos magotes no sector só surpreendem os mais desatentos. E como é que acham que isto se resolve? Continuando a apostar no sector? Por favor, mesmo percebendo o desespero das gentes ligadas à construção civil e obras públicas, esse discurso míope mete nojo. E se pretendem descarregar a frustação em alguém, pois descarreguem naqueles que, com sensibilidade, foram apostando no esticar da corda até que esta rompesse mesmo. Deviam ter pensado na forma como tudo isto iria afectar a vida de milhares de pessoas antes de deixarem a corda romper. Agora, não culpem o Álvaro, que neste caso limita-se a fazer o seu trabalho ao não ceder a pressões, nem a entrar em desvarios.

Mr. Brown às 19:47 | link do post | comentar | favorito

É ler, sff

Não pode valer tudo

Mr. Brown às 13:27 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 20.08.12

Casos de sucesso

Petit Patapon foi para a insolvência com 2,5 milhões do IAPMEI

Mr. Brown às 23:21 | link do post | comentar | favorito

Disputa do poder no BE

1. Um coordenador para o Bloco com as mesmas condições de trabalho do seu antecessor

2. Drago contraria Louçã e diz que há outros modelos para dirigir o BE

3. O BE irá ruir em pedaços se não definir rapidamente um rumo e libertar-se definitivamente do peso de Louçã. A escolha do sucessor do actual coordenador deixará tudo muito mais claro.

 

Adenda: passa-me ao lado o motivo porque João Semedo precisaria da porta-chaves Catarina Martins para fazer o mesmo trabalho de Louçã. E coloco as coisas nestes termos porque é claro quem na dupla Semedo/Martins teria a upper hand.

Domingo, 19.08.12

Incompreensão

Afinal o estado de graça de Hollande não durou mais de três meses. Isto, mais do que dizer o que quer que seja sobre a política de Hollande, diz muito sobre a incapacidade dos eleitores perceberem a dimensão dos problemas com os quais a França se confronta.

Mr. Brown às 11:38 | link do post | comentar | favorito

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