A carta
Portugal excluído por Cameron por alinhar com Merkel. Tudo neste título deixa muito a desejar. Primeiro o «excluído», quando o Governo português muito provavelmente terá sido sondado para assinar a carta e a recusa terá vindo da nossa parte - é, portanto, uma auto-exclusão. Depois o «alinhar com Merkel», como se o não alinhar com Cameron - porque é disso que se trata - implicasse imediatamente o alinhar com Merkel. Ou estão com Cameron, ou estão com Merkel, não há outra hipótese. O que não deixa de ser curioso, visto que Holanda e Finlândia estão com Cameron, mas normalmente são tidos como estando com Merkel, contra a Grécia. Grécia que não está com Cameron, pelo que estará com Merkel? Fico baralhado com estes raciocínios simplistas, confesso.
E a coisa chegou ao ponto de Seguro criticar Passos por não assinar a carta, o que é hilariante visto que nesta é feita a defesa de uma agenda liberal para o crescimento económico que desconhecia ser igualmente defendida pelo Partido Socialista. Esta gente ouve falar em «crescimento económico» e alinha logo, será isso? Ou ainda descobrirei que o Tó Zé é mais liberal do que Passos Coelho? Quanto mais penso sobre o assunto, mais baralhado fico.
E já vamos para o terceiro dia em que vou ouvir falar desta carta. Não há pachorra. Chiça!
