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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

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Só pode ser uma brincadeira

«O Estado é responsável pelo desequilíbrio nas pensões»? Sem dúvida. «Pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos»? Certíssimo. Mas o que importa perguntar é: independentemente disso, e agora? Além de que é preciso não esquecer que o Estado não é propriamente um organismo com pensamento próprio e independente, caido do céu; é fruto da construção dos homens e nós, desde 1974, vivemos em democracia. Muitos dos que agora recebem pensões, votaram nos políticos que lhes prometeram as reformas que agora auferem. Fizeram o que é habitual fazer neste país: votaram naqueles que consideraram melhor defender os seus interesses e barimbaram-se pura e simplesmente para quem é que havia de pagar a conta. As «regras do sistema» foram estabelecidas de acordo com a vontade do povo de então. E quem é que tem de pagar a conta agora? A geração mais jovem, que tem de ser sugada até ao tutano para pagar os erros reconhecidos do Estado, mas que nunca foi tida nem achada na matéria, pois na altura não tinha idade para votar? Só pode ser uma brincadeira. Mudar as regras depois do jogo, não, que é inaceitável, mas mudar as regras a meio do jogo, como já mudaram para centenas de milhares de pessoas, sim? É isso justo? Da mesma forma que os netos não devem deixar os seus avôs entregues à sua sorte, também não julgo que vivamos numa sociedade decente se os avôs acham-se no direito de sugar os netos. E não há coesão social possível se não existirem mecanismos implacáveis que protejam a geração vindoura dos erros da geração passada e presente.

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