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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Ar puro (XX)

Pfuhl era criatura de uma só peça e de uma teimosia tal que seria capaz de afrontar o martírio em defesa das suas ideias; era como só os Alemães sabem ser, pois só eles são capazes de uma cega confiança nas noções abstractas, na ciência, isto é, no conhecimento pressuposto da verdade absoluta.

O Francês é um homem seguro de si, persuadido de que, pessoalmente, quer pelo espírito, quer pelo físico, exerce uma irresistível sedução tanto nos homens como nas mulheres. O Inglês também goza da mesma segurança por estar persuadido de que é cidadão do Estado mais bem organizado do mundo, e daí saber sempre, na sua qualidade de inglês, que o que deve fazer e faz é indiscutivelmente perfeito. Pelo seu lado, o Italiano tem confiança em si próprio porque facilmente se emociona, esquecendo-se ainda mais depressa de si e dos outros. Ao Russo também não falta confiança, visto que tudo ignora e nada quer saber e estar convencido de que ninguém pode saber seja o que for. No que diz respeito ao Alemão, porém, esse é o pior de todos, mais obstinado que ninguém e mais desagradável para todo o mundo, convencido de que conhece a verdade, ou seja a ciência que ele próprio fabrica, para ele, a verdade absoluta.

Evidentemente Pfuhl era assim mesmo. Tinha na sua mão uma ciência: isto é, a teoria do movimento oblíquo, colhida na história das guerras de Frederico, o Grande, e vai daí tudo quanto observava na história das guerras recentes a seus olhos não passava de insensatez, barbaria e um tremendo caos. Tantos eram os erros nelas cometidos que a bem dizer nem sequer mereciam o nome de guerras. Como não acertavam com a sua teoria, não podiam mesmo ser objecto de estudo.

Em 1806, Pfuhl fora um dos autores do plano que conduzira a Iena e a Auerstaedt, mas o resultado dessa campanha não lhe provara a falsidade da sua teoria. Pelo contrário, em sua opinião haviam sido precisamente os desvios dela as únicas causas do seu malogro e por isso dissera com ironia, muito contente de si próprio, coisa que lhe era peculiar: «Imbecil... está tudo estragado... vai tudo por água abaixo...»

Pfuhl pertencia à família desses teóricos que de tanto amarem as teorias em si acabam por esquecer-lhes os fins, ou seja a sua aplicação prática. Por amor da própria teoria odiava tudo quanto fosse prático, recusando sistematicamente prestar atenção a esse aspecto. Até o próprio fracasso lhe dava satisfação, uma vez que o insucesso provocado pela violação da teoria na sua aplicação prática só servia para lhe provar a ele a justeza da teoria que professava.

 

Lev Tolstói, Guerra e Paz, Publicações Europa-América

 

Enquanto lia esta passagem não pude deixar de esboçar um sorriso.