Da mais pura má-fé

Borges admitiu que esta diferença está na origem do descontentamento. “A crise é mais injusta, mais penosa e mais difícil e leva mesmo a sentimentos profundos de revolta que todos devemos sentir”, afirmou na abertura do encontro da Pastoral Social este sábado, acrescentando que “não foram os mais pobres” a beneficiar da política do Governo de Pedro Passos Coelho. Quem ouve as palavras de António Borges percebe que este se refere às políticas erradas do passado que estão na origem desta crise. Crise que, obviamente, não afecta todos por igual (por exemplo, os desempregados estão entre os que mais sofrem com a crise e estão longe de terem sido os que mais beneficiaram com as políticas erradas do passado, se é que beneficiaram alguma coisa). Basta alguma honestidade intelectual para perceber o que Borges quis dizer. Lendo a imprensa portuguesa, sendo que o Público está longe de ser caso único - o próprio faz referência a uma notícia da SIC; a TSF escreve que «António Borges entende que não foram os mais pobres a ganhar com a política do Governo»; e no dinheiro Digital diz-se que «O consultor do Governo António Borges reconheceu que a distribuição dos sacrifícios tem sido desigual, estando uns a ser beneficiados e outros prejudicados pela política do actual Governo» -, o que se nota é que as palavras de António Borges, num exercício da mais pura má-fé - são tantos os casos em que isto acontece que é preciso muita ingenuidade para acreditar em erros de interpretação -, são completamente deturpadas. Não quero ser confundido com o intérprete de Borges como o Pacheco Pereira era da Manuela, mas uma coisa vos digo: com "intérpretes" jornalisticos destes é que não vamos longe.

publicado por Mr. Brown às 18:12 | link do post | comentar