Isabel a 3 de Março de 2013 às 09:05
Se o Governo os ouvisse, concluiria que deveria governar para defender o interesse público e não o interesse das suas gentes. .. Até dei o benefício da dúvida a este governo. Mas, é para mim agora claro que o que o PSD/CDS pretendia era derrubar o PS, para que as suas gentes pudessem aceder aos benefícios dos "anéis" que ainda nos restavam e que iam ser vendidos/privatizados.
Cara Isabel,
é por causa das privatizações que aquela gente toda saiu à rua? Não, não é. Claro que há muita gente descontente porque estão convictas que os políticos governam para si proprios e não para o povo, mas aquelas pessoas foram todas para a rua porque a austeridade está a ir-lhes ao bolso. Não fosse isso e não existia aquele mar de gente. De resto, o processo de privatizações, dado o encaixe que houve para o erário público, correu extraordinariamente e inegavelmente bem no que toca à defesa do interesse público. Não é por ai.
Cara Isabel,
Peço imensa desculpa por me intrometer numa discussão que de conversa muito pouco tem!
Como podemos levar a sério esta gente que usurpa o meu "direito à indignação", afirmando que fala em meu nome e que se manifesta para defender os "meus interesses"?
Esta manifestação reafirma a ambição de cristalizar o poder instituído e esse não é dos políticos. Os verdadeiros senhores deste país continuam a ser todos aqueles que ao longo da Sua História negaram a alma de Ser português. São corporativistas, que neste momento tentam reescrever os tempos de modo a travarem a verdadeira revolução - a da sociedade da informação! O que vi nas ruas foi gente sem instrução e cheios de educação. Vi os anafados, não os esfomeados! Vi os "empregados reformados", não os desempregados excluídos! Vi os "idiotas úteis" e os "ignorantes" modernos que exigem que uma minoria de gente "de Bem-educados" possa dirigir um "povo pobre e desqualificado". Os políticos capitalizam estas manifestações, tornando-as "em margens" ou "caudais" que afirmam os Status dos Senhores das Rendas e dos Favores. Estes últimos têm como principais arautos a pretensiosa Comunicação Social e os senhores jornaleiros.
Era necessário que o português ainda fosse gente lusa. Não há Portugal e o que nos resta são os portugais do Mundo!
Ajom Moguro a 3 de Março de 2013 às 10:41
TOPAS?
Nada contra manifestações que demonstrem legítimo desagrado pela governação. Mas é bom lembrar os resultados de tais iniciativas que se sucedem sucessivamente sem cessar contra a constante pinta de governos de ocasião, sempre com selo PS ou PSD, com o trapezista CDS pendurado em qualquer deles conforme o número que lhe convém. É visível e inequívoco que a raiz do problema reside no sistema político e eleitoral, que de democrático só tem a fachada, com as elites partidárias fechadas num casulo exclusivo de participação e representação política. O comum cidadão votante é limitado á condição de mero peão sempre manipulado e vergado aos interesses e negociatas da doutorada manajeira . Se queremos mesmo resolver o problema de base sem ficarmos pelo faz de conta, existe uma solução infalível. Se não parirem uma lei eleitoral que abra as portas á sociedade civil temos força e capacidade para os obrigar a tal cambalhota. BOICOTE GERAL A ELEIÇÕES COM AUSÊNCIA TOTAL DAS URNAS. Vai uma aposta que não conseguiam descalçar a bota sem usar a nossa calçadeira, e seria remédio santo para alterar uma pantomina que imortaliza os mamões de sempre na gamela do orçamento?
Meu caro,
sem fazer disso um objectivo, acho que vou contribuir para o seu boicote, porque nas próximas eleições não me apanharão perto de uma urna.
Caro castaninho " ",
Não se diminua! Não acredito que a Sua posição seja um boicote, é uma desistência!
A mim vão-me apanhar juntos das urnas e em todos os momentos anteriores e posteriores às eleições! Quero continuar a ter direito a exercer o meu voto e a privilegiar uma sociedade democrata. Só posso "opinar" se votar e respeitar o voto de outrem Não estarei presente nesta rua das manifestações de gente mal instruída e muito bem educada. Estarei sempre na rua, instruindo-me e deixando instruir, em discussão, em dialéctica e acreditando que posso sempre desiludir-me, mas nunca abdicar da minha Liberdade em errar e em iludir-me. Não creio que há direita ou esquerda, nem sequer acredito que exista um "centro". Há somente o direito da Pessoa Humana e esse torna-se imperativo da nossa cidadania ! Cumprimentos!
«Não acredito que a Sua posição seja um boicote, é uma desistência! [...] Quero continuar a ter direito a exercer o meu voto e a privilegiar uma sociedade democrata».
Eu, desistente, me confesso. Sabe que essa história de que a democracia só sobrevive se formos todos votar e outras coisas tais é, para mim, uma treta absoluta. Eu não irei votar, mas nem por isso deixarei de atribuir total legitimidade ao Governo que sair dessas eleições, por isso digo que não tenho o "boicote" às eleições como objectivo. É circunstancial: não penso votar porque pura e simplesmente não prevejo que me seja apresentada uma força política que mereça o meu voto e, sinceramente, acho que não se perderá grande coisa se os que agora estão no poder - que tiveram o meu voto - sairem de lá (nem imagina como gostaria de ser convencido do contrário). Fossem todos como eu e pode ter a certeza que a democracia estaria de muito boa saúde.
Isabel a 3 de Março de 2013 às 13:05
Caro Mr. Brown: Não, não acho que aquela gente toda saiu à rua por causa das privatizações. Nem todos foram, também, por a austeridade lhes estar a ir aos bolsos. Eu, pelo menos, não fui por isso. Fui porque acho que os partidos políticos (todos, e não só os do Governo) precisam de sinais (ou de incentivos, para usar uma linguagem mais económica) que os force a mudar e a respeitar a democracia, embora não tenha grande esperança nisso! Aquela manifestação (a do Porto, que fui onde estive) não foi a maior desde o 25 de Abril, como alguns media afirmam. A maior, para mim, foi a do 1.º de Maio de 1974. Mas, para além de maior, era também diferente: era a da esperança de que todos podíamos construir uma sociedade mais justa, livre e democrática, mais decente enfim.
«Fui porque acho que os partidos políticos (todos, e não só os do Governo) precisam de sinais (ou de incentivos, para usar uma linguagem mais económica) que os force a mudar e a respeitar a democracia, embora não tenha grande esperança nisso!»
Essa conversa levava-nos longe: até que ponto os partidos são ou não representativos do povo que temos? Se o povo manifesta o seu descontentamento, mas mantém a generalidade das suas crenças e convicções, como podem os partidos mudar se são um reflexo do próprio povo? Ou quando se olha para os povos do sul vs povos do norte - e peço antecipadamente desculpa pela simplificação - não se nota como as diferentes culturas de um e de outro povo têm influência na forma de organização política de cada sociedade?
Enfim, é inequívoca uma enorme manifestação de descontentamento, mas os incentivos mantêm-se para que os partidos e a sociedade não mudem. Destas manifestações retiro muito mais um desejo de resistência à mudança, por receio das consequências que dai possam advir, do que o seu contrário. Mas isto sou eu que posso estar a ler mal os sinais.
Acrescento só outro pequeno apontamento: no microcosmos da política local, em pequenas localidades onde as cúpulas partidárias têm pouca ou nenhuma influência e o povo e os dirigentes partidários locais andam de mãos dadas, aprende-se muito sobre o povo e o seu reflexo nos partidos políticos. Pode ser problema meu, mas acredite quando lhe digo que as lições que retiro desse microcosmos não são nada agradáveis.
Se Espanha dá a curvinha para cima e nós não, Passos ...
Vou-te dizer que apostas-te bem porque ganhas-te.
Vou-te dizer que economia é também uma questão de atitude e de postura porque é feita pelos homens.
Vou-te dizer que a tua atitude é a de um sofrível chefe de escuteiros, mas só isso.
E vou-te dizer que há apostas que não se fazem.
E dito isto, vou registar o meu totoloto.