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Mais de um em cada dez trabalhadores ganha o salário mínimo nacional: 485€. E é cada vez maior a proporção dos que só ganham isso. Mais de cinco em cada dez trabalhadores ganha menos do que 800€. E o salário mediano tem vindo a diminuir (os 800€ são uma estimativa por alto). Solução para a crise: aproximar ainda mais o salário mínimo do mediano. Efeito ao nível do desemprego: segundo os proponentes, pouco ou nenhum. É maravilhosa esta ideia da subida dos salários de uma dada economia por via de uma decisão administrativa do Estado, não é? Já agora, e para não vos maçar muito com a realidade, façam-me o favor de procurar outros países na zona Euro onde o salário mínimo represente mais de 60% do salário mediano, pode ser? Obrigado. É que posso não perceber nada disto, mas calculo que não seja por acaso que já está acima de 10% a percentagem de trabalhadores que não ganham mais do que o salário mínimo. Mas claro que os que dizem que o salário mínimo constitui uma barreira à entrada no mercado de trabalho, ou seja, um factor de agravamento do desemprego, só podem tratar-se de gente em delírio. Entre quem não delira, todos sabem que aumentar o salário mínimo só pode trazer benefícios.

 

Nota: em 1974, gente que não delirava acolheu apaixonadamente a ideia de uma economia de salários altos promovida por via administrativa e fixou um determinado salário mínimo ao seu gosto. Para azar dessa gente, um tal de Mário "Delirante" Soares chegou ao poder e num só ano, 1977, baixou esse mesmo salário mínimo em mais de 15%. Como? Inflação. Precisamente aquilo com que os que agora estão no poder pouco podem contar. Embora, repare-se: por pouca que seja a inflação, a cada ano que passa sem actualização do salário mínimo é um ano em que este, para todos os efeitos, baixa. Não baixa ao ritmo a que Soares conseguiu baixar (sim, porque em 1978 ainda conseguiu baixá-lo mais 6%), mas baixa.

Mr. Brown às 16:20 | link do post | comentar | favorito