Ar puro (LIV)

 

A quantidade de pessoas que não gostam deste tipo, como uma simples visita aos seus vídeos no youtube comprova, não deixa de me surpreender. Mas compreendo: o seu sucesso irrita. Não implica que Lang Lang, nem o nome ajuda, não possa ser considerado um pianista cuja arte é pindérica, tal como cataloguei a de Joana Vasconcelos, mas para mim passa por sublime e é tudo o que importa (como não gostar de um pianista que interpreta Prokofiev a partir do Streetfighter). E a mim soma-se um conjunto extraordinário de jovens, sobretudo na sua terra natal, a China, que, além de gostarem de o escutar, querem seguir-lhe as pisadas. O stardom, mais associado a cantores do pop e rock, não cai bem a certa classe elitista que, embora raramente o confesse, gosta de sentir que a música clássica é só sua, mas há mudanças que eles, fechados no seu mundinho, não podem parar.

Por falar em mudanças, note-se que Lang Lang diz ter sido atraido para a carreira de pianista por isto. Traz à memória toda uma geração de futebolistas japoneses que cresceu a ver isto, mas sobretudo gostava de chamar a atenção para isto ou isto (neste último projecto o próprio Lang Lang esteve envolvido, sendo a interpretação de Chopin que se pode ouvir sua). No enorme sucesso disto junto da malta nova fica feita prova de que a música clássica não tem de estar relegada a um círculo muito restrito de pessoas e muito menos ser motivo de aborrecimento para os jovens que raramente a escutam. Se o objectivo é popularizar a música clássica, e gosto de pensar nisso como um bem e não como uma ameaça, acho que, pelo menos em algumas partes do mundo, vai-se no bom caminho.

Mr. Brown às 00:01 | link do post | comentar | favorito