Em defesa do CDS

A maioria dos portugueses achará que o Governo deve fazer frente à troika. Assim sendo, e assumindo que não é nossa intenção perdermos acesso ao financiamento que tanto necessitamos, como é que acham que os governantes podem fazer frente à troika por outra via que não a usada por Portas de bater o pé e assumir em público que uma das medidas que andava a ser discutida não teria, de forma alguma, a sua aceitação? Basicamente, estamos perante a estratégia, versão soft, de Pedro Nuno Santos: o agora famoso deputado do PS disse que nós tinhamos de ameaçar com o não pagamento da dívida, mas assumiu desde logo que tal não passaria de um bluff. Assim agiu Portas: nós não aceitamos de modo algum a medida x, mas tal afirmação tinha, como agora se sabe, o seu quê de bluff. Portas acabou por ceder alguma coisa (embora, no seu partido, venham jurar que tal não aconteceu, pretendendo passar a mensagem de que o que está acordado é para inglês ver, o que também diz muito sobre esta gente), mas também é inegável que terá ganho enorme margem de manobra para bloquear a medida. De certa forma, é como aqueles presidentes de clube de futebol que, antes de concretizarem um negócio, garantem que jogador x só sairá por uma determinada quantia, acabando, inevitavelmente, por vendê-lo a um preço mais baixo do que a fronteira anteriormente traçada, embora com um ganho maior do que teriam caso não tivessem vindo a público traçar tal fronteira previamente. Negociar na praça pública tem destas coisas. E, por isso mesmo, é uma estratégia que pode ser mortífera para um político. Dito isto, o que mais me irrita na posição do CDS é mesmo a medida a que se opõem e a motivação que calculo esteja por trás de tal posição. O CDS, ex-partido dos contribuintes, não quer cortar a sério na despesa e o cálculo que mais lhes interessa não é o do défice, é o eleitoral. Tudo o resto é treta.

publicado por Mr. Brown às 19:30 | link do post | comentar