Televisão e dívida pública

«O Governo está disposto a sacrificar a rádio e televisão pública para cumprir» as exigências dos credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), afirmou o sindicato da ERT em comunicado. A ideia de que a troika impõe esta medida ao Governo grego é, atrevo-me a dizer, treta. A troika serve como bode expiatório. Contudo, vejamos: o que todo o credor quer é que paguem o que lhe devem. O que o FMI anda novamente a dizer sobre a Grécia é que esta, muito provavelmente, precisará de novo perdão da dívida (os que já teve não terão sido suficientes). Perante isso, deve ser engraçado explicar ao credor, que já perdoou uma parte da dívida e pelos vistos terá de perdoar ainda mais, para não falar de que continua feito tolinho a emprestar dinheiro aos gregos (a dívida não pára de aumentar), que o Governo grego não tem dinheiro para lhe pagar o que deve, mas que tem milhões por ano para sustentar uma televisão pública. Nesse sentido, está, implicitamente, presente aqui uma espécie de imposição. É a imposição de não tomarem os credores por parvos (os contribuintes há algum tempo que são tomados por tal). Lá como cá.

publicado por Mr. Brown às 20:19 | link do post | comentar