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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Coelho entalado

Como deve o PSD responder à vitória de Costa? Pedindo uma remodelação do Governo? Não. O que faz falta é um processo de primárias no PSD em tudo semelhante ao do PS, nomeadamente com abertura a simpatizantes, que permita a Passos Coelho testar a sua liderança. Isso é que era. Até porque estou convencido que à direita, houvesse uma candidatura forte contra Passos nessas condições - por exemplo, encabeçada por Rui Rio -, e mesmo sendo Passos o actual PM - ou até por isso -, militantes e simpatizantes do PSD não deixariam o Coelho passar de candidato a candidato à renovação do seu cargo de PM.

Circuito fechado

Sempre os mesmos, sempre o mesmo: para a Presidência, Costa vê com bons olhos o ex-PM Guterres, Passos o ex-PM Santana. Ambos, ainda que por motivos diferentes, com péssimo histórico no ex-cargo. Venha o diabo e escolha. Renovação, mudança? Tudo ilusão. Não há ninguém que apareça que consiga pôr esta gente de lado? Ninguém, mesmo? Que triste país este. Falhamos; não aprendemos com o erro; falhamos novamente?

Antes que se faça tarde

O Governo, à medida que se aproxima o final da legislatura, prepara-se para aprovar uma série de medidas que visam agradar os grupos de interesses que rodeiam os dois partidos da coligação. Depois do lóbi verde próximo do PSD; agora é o lóbi das famílias numerosas próximo do CDS. Sobre o último caso, já expressei a minha opinião aqui. Coragem para de forma directa e transparente passarem a dar abonos de família a gente que ganha muito bem - de forma a que todo o eleitorado compreendesse perfeitamente o que está em cima da mesa -, não há. Não suporto esta gente, nem esta forma de actuação pela calada.

Lisboa como trampolim

Há um argumento usado pelos críticos de António Costa que considero particularmente irrelevante ou, ainda melhor, relevante no sentido inverso ao que apontam. É esse argumento o que se prende com o facto deste, ao disputar a liderança do partido e, por conseguinte, pretender concorrer a primeiro-ministro, não corresponder às expectativas nele depositadas pelos eleitores lisboetas e deixar pelo caminho um projecto com o qual está comprometido. Este mesmo argumento foi usado contra Paulo Rangel, acabado de triunfar numas eleições europeias, na disputa interna com Passos Coelho e sempre o considerei estúpido. Muitas das vezes irritam-me os candidatos sem provas dadas fora da política, mas não é menos irritante achar que quem deu provas de ser bom político - e alguém só pode provar ser bom político ganhando eleições e exercendo cargos políticos -, ter nisso algo que o diminui. António Costa ganhou as eleições de Lisboa e ganhou-as bem. Foi a novas eleições e foi reeleito: os eleitores gostaram do trabalho que fez à frente da câmara. Isso não o deve impedir de sonhar com voos mais altos, antes pelo contrário, e os habitantes de Lisboa só se deviam sentir ofendidos ou desiludidos se, porventura, achassem que o novo cargo a que Costa se candidata está num patamar de inferioridade ao de edil lisboeta, mas ainda não vi ninguém argumentar isso. Alguns dirão que tenho razão na mais-valia política que representa a vitória nas eleições e a boa avaliação feita à posterior pelo eleitorado sobre a obra realizada, mas António Costa poderia ter usado esse mesmo capital político para chegar a PM quando já não exercesse o cargo na Câmara de Lisboa. Devia cumprir o mandato até ao fim. Não pode ser assim porque na política o timing é tudo. E para Costa, como para Rangel naquela altura, este é o timing certo. Não inventemos barreiras à disputa interna dentro dos partidos onde elas não devem existir. Os partidos já estão suficientemente fechados sobre si mesmos, não os fechemos ainda mais.

Passos/Durão/Santana

A principal arma de Seguro contra Costa foi a principal arma da aliança governamental contra o PS nas europeias: o passado socrático. Não deixa de ser surpreendente, mas ainda que o racional tenha lógica, é má política. O partido acabará por penalizá-lo por isso, até por mecanismo de defesa (nota: a minha opinião até é a de que Seguro mais do que sabe que perdeu o partido e agora limita-se, já em pleno acto vingativo, a jogar para prejudicar Costa tanto quanto lhe for possível; mas ignoremos as intenções do ainda líder do partido). A vergonha com o passado é sempre tida como uma fraqueza pelo aparelho partidário, constituindo munição poderosa que fica ao dispor dos adversários. Afinal, o aparelho já esteve incondicionalmente ao lado de Sócrates, sem piar um protesto que fosse que se fizesse ouvir contra o antigo querido líder, dai que alegar agora que no passado tinham existido erros graves era tomá-los por hipócritas/oportunistas e isso é coisa que a malta do aparelho, ainda que exista quem diga precisamente o contrário, nunca é, certo? Acrescente-se que o PSD sentiu isto mesmo na pele quando a vergonha manifestada em torno do passado barrosista/santanista, causa de divisões internas, era usada por Sócrates abundantemente contra toda e qualquer liderança social-democrata que tivesse pela frente. Já agora e por falar nisto, recordam-se de algum comentário depreciativo de Passos Coelho em relação à governação barrosista/santanista? Provavelmente, não. Um acaso, certamente.

Hecatombe

O resultado dos partidos do Governo é uma derrota estrondosa. E, no entanto, os coitados parecem estar algo satisfeitos: é a esperança de verem o PS, apesar de tudo, ali tão perto. «Estamos mal, mas calma que eles não estão muito melhores», pensarão. No fundo, está de acordo com a «corrida para o fundo» que foi a campanha eleitoral: cada um tentou demonstrar qual dos dois governa pior; agora entretêm-se a analisar qual dos dois está em pior situação. Ainda assim, esta luta taco a taco entre PSD+CDS com o PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita. Assim, como se viu nos discursos eleitorais, PSD e CDS em conjunto são conotados com toda a direita. Isto torna quase impossível que sejam varridos do mapa; isto tornará mais fácil uma recuperação de ambos os partidos se entretanto saírem do poder.

Factor X

Marinho e Pinto é o factor que desequilibrou o jogo, concentrando em si muito do voto de protesto. Ele é o fenómeno destas eleições e o grande vencedor da noite. De resto, esta coisa do PS ganhar as eleições, mas não ter motivos para fazer uma grande festa não é novidade: nas autárquicas aconteceu precisamente o mesmo. Falta é saber para onde é que o voto daqueles que não se sentem representados pelos partidos do sistema, numas legislativas, poderá ser canalizado. Mas que muitas pessoas quererão e procurarão uma válvula de escape onde votar, não tenho grandes dúvidas. E é cada vez mais provável que das futuras legislativas decorra a necessidade de um acordo de governação entre PS e PSD.

Panorâmica política

36% foi aquilo que PSD e CDS obtiveram em 2005 quando o PS conquistou a sua primeira e única maioria absoluta. Neste momento, as sondagens (esta ou esta) apontam para que os partidos no Governo tenham estabilizado as intenções de voto em torno desse valor. O que impede então o PS de se aproximar do sonho de nova maioria absoluta? Em primeiro lugar, o PCP. Em 2005 teve 7,5% dos votos, agora anda em torno dos 10% (quando não acima disso). Bem, mas parece faltar aqui qualquer coisa, não é? O PS teve 45% em 2005, agora anda na casa dos 36,5%. Os números não batem certo? Uma explicação: outros, brancos e nulos. O que será consistente com aquilo que se verificou nas autárquicas. Para terminar, «Seguro como líder da oposição está a agir bem?» Sim, para a maioria dos inquiridos, que será, ainda assim, uma minoria no PS. O que recorda a tarefa espinhosa que Seguro tem pela frente: se radicaliza o discurso pode até conquistar parte dos votos perdidos para o PCP e agradar aos "seus", mas arrisca alienar o sempre importante eleitorado moderado, sem o qual não há maiorias absolutas. Além de que é muito duvidoso que a radicalização do discurso tenha grande capacidade de atrair votos em Portugal: por muito que o BE se esforce, continua a aparecer atrás do CDS.