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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Pedro e o Lobo

Isto é um pouco como a história do Pedro e do Lobo ainda que invertida. Já avisaram tanta vez que não havia lobo quando havia, que agora é difícil acreditar neles. Mas, aparentemente - e mesmo com o último chumbo do TC -, a elaboração do orçamento de Estado para 2014 está a ser a piece of cake. Por outro lado, Marco António tem razão, o próprio chumbo recente do TC a uma medida impopular do Governo atesta-o. O Governo pode ter mais medidas de cortes na manga? Pois se as medidas de cortes apresentadas são bloqueadas, é normal que as tenha.

«Tudo o que foi roubado deve ser devolvido.»

 

Moita Flores não votou em Ferreira Leite e acha que o governo de Passos Coelho o tem roubado. Moita Flores, a acreditarmos que o que diz em ano de eleições autárquicas é para levar a sério, deve achar que o PSD é para ele algo semelhante ao que o PND era para o José Manuel Coelho.

Marco António Lains

O vice-presidente do PSD defendeu que quem passa pela banca só após um período de nojo é que deveria poder ingressar em cargos do Estado. Pergunto-me porquê ficar pela banca, mas percebo que a ideia lhe agrade: os políticos profissionais ficariam a ganhar. Paulo Macedo, já foste. Para substituir-te, aconselho um qualquer Marco António.

Círculo do poder

José Luís Arnaut é o 41.º mais poderoso da economia. Estes rankings valem o que valem, mas o simples factos da nulidade do Arnatur entrar nele, revela muito do que é preciso saber sobre o país. E ele lá está, volta e meia, a dar a cara na televisão em defesa do PSD. E eu, por achar-lhe de argumentação tão fraquinha, questiono-me: quem se lembrou dele? Como é que chegou ali? Só posso imaginar. Mas o poder tem mistérios que desconheço. Contudo, uma análise ao seu percuso profissional, dirá alguma coisa. Licenciado em direito na brilhante e reputadissima Lusíada (nota: além de Pedro Passos Coelho, a Maria Luís Albuquerque também o é, o que não abona muito a seu favor, mas isso é uma discussão longa: é que podia haver um ou outro caso de quem licenciado em universidade privada tivesse chegado longe na política, mas os casos são tantos que só não estranha quem está muito distraído - e, sim, com isto estou a assumir o que é óbvio: os melhores alunos entram normalmente em universidades públicas que são, aliás, as mais prestigiadas), iniciou actividade na Pena, Machete & Associados e destacou-se no PSD, sobretudo, como braço direito de Durão Barroso, do qual foi ministro-adjunto, ou seja, é o Pedro Silva Pereira do nosso querido e fugitivo Cherne, servindo de cão de fila deste sempre que preciso. Tendo isto em conta, se querem um retrato de um produto do regime, este Arnaut parece-me caso exemplar.

Regime no pasa nada

1. PSD recebeu financiamento ilícito da Somague em 2002 (claro que nunca se soube o que levou a Somague a pagar facturas a outra empresa por serviços prestados ao PPD/PSD)

2. António Preto, o homem da mala (pesquisei para saber novidades e a última coisa que encontro é mesmo de 2009 sobre a suspensão do julgamento)

3. Há dias em que me lembro destas coisas, mas não façam caso que isto não tem nada de importante.

4. E, nunca se esqueçam, é preciso «pôr a construção a mexer».

O acordo




Este é do tempo em que o CDS mantinha-se à margem das negociações. Depois foi para o Governo e passou a querer ser visto como aquele que queria manter o diálogo aberto com o PS. Claro que, depois deste profundo acordo entre os dois homens de cabelos brancos que permitiu aprovar o orçamento para 2011, tivemos, como esperadas, eleições no ano de execução desse mesmo orçamento que tanto custou a aprovar. O que agora está em questão é coisa semelhante. Porquê que tivemos de voltar a esta palhaçada se o actual Governo até tem apoio de uma maioria absoluta na Assembleia da República? Porque o CDS, no governo como na oposição, contínua a querer descolar-se das medidas duras que têm de ser aprovadas. E, já agora recorde-se, não foi com a ajuda do BE e do PCP que o PS conseguiu aprovar o seu orçamento de 2011, se bem que anda por ai uma malta entretida a pensar que um Governo de coligação entre o PS e o BE é possível. Quando não há responsabilidades envolvidas, à esquerda podem entreter-se com jogos teatrais, o que até fica muito bem ao partido que tem uma actriz ao comando, mas quando as responsabilidades pesam a história é outra. Cavaco Silva tem em mente o "suicídio político" de Seguro, por amor de Deus, ainda que não tenha isso em mente, que provoque isso de vez: avancemos para eleições antecipadas e deixemos o poder entregue ao PS de Seguro, pois tal mais que «implicaria que o Partido Socialista renunciasse ao que tem dito nos últimos anos». Só um tolo é que não o percebe.

Previsão de crescimento para 2014 reduzida de 1,1% para 0,3%

PSD: Números do BdP mostram «viragem» na economia portuguesa

Do entendimento

Três partidos assinaram o memorando com a troika. E a troika, entre outras coisas, representa nada mais, nada menos, do que os nossos credores. E assinaram-no porque nenhum dos três tinha outra alternativa melhor. Mais: dada a nossa situação, nos próximos anos, qualquer que seja o partido no poder, desde que não queira atirar Portugal imediatamente para um buraco sem fundo, terá de estar em sintonia com os nossos credores. Perceba-se: não havia alternativa melhor em 2011; não há alternativa melhor em 2013; não haverá alternativa melhor em 2014 e por ai adiante. E com isto ainda estou só no básico. Se os partidos do arco governativo sabem isto? Sabem. Se querem algo diferente disto? Podem querer, mas não passam de sonhos. Assim sendo, convinha que prestassem mais atenção ao que as coisas são e, para além do jogo de poder natural entre partidos que concorrem entre si, procurassem um entendimento sobre os fundamentos mínimos que devem nortear a acção governativa de qualquer um deles caso esteja no poder. Mas, confesso, julgo que nisto sou eu que sonho. Acabo por onde comecei: três partidos assinaram o memorando com a troika, se estes acordos fossem para levar a sério - e esse, por maioria de razão, devia ter sido levado muito a sério -, a que propósito, não tendo sido alcançado o prazo estipulado para o término da intervenção da troika, já se anda a falar da necessidade de um novo acordo?

Temos Presidente?

 

Se bem entendi e apesar de algumas zonas cinzentas, que não podiam deixar de existir, posso ser tentado a gostar da posição de Cavaco Silva. Deixo de gostar a partir do momento em que seja a antecâmara para um governo de iniciativa presidencial liderado por uma personalidade escolhida pelo próprio presidente. Dito isto, a proposta apresentada desagradará aos três partidos chamados a tomar posição, mas, no fundo, também antecipa aquilo que era previsível que viesse a suceder no fim do programa com a troika. Portas fez all-in e entrou a matar no jogo; Cavaco não é menos jogador do que ele. Infelizmente, gostem ou não gostem, os portugueses é que pagam o jogo.

Moção de censura

Portas desempenha bem o papel de cobra venenosa que sempre foi o seu. Passos fica bem no papel de nabo que tardou em perceber o que o esperava. Ainda que Passos possa achar que deve continuar em funções, só um tolinho é que não percebe que já não irá longe. Dito isto, não me lixem: venham eleições.