Terça-feira, 17.04.12

Ler os outros (CXXIII)

Não custa perceber que aquilo que é agora apresentado como “transitório” vai ser, com um ou outro arranjo de circunstância, definitivo. Desiluda-se quem pensa que em 2015 (este é agora o ano oficial do fim do “ajustamento”) voltará a ser possível pedir reformas antecipadas.

Mr. Brown às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 30.03.12

'Piglia Tutti'

Estes querem cavar uma trincheira e por lá manter o CDS imóvel. O Cachimbo de Magritte enfrenta O Insurgente. A coisa não surpreende, mas há um motivo para o CDS ter crescido como cresceu. Não me parece que trazer para o CDS o mesmo vírus (invertido) que afecta o BE seja muito inteligente. A actual liderança do partido não ignorará isso.

Mr. Brown às 11:55 | link do post | comentar
Quarta-feira, 21.03.12

Os malabaristas

Estes senhores, a propósito da execução orçamental de Fevereiro, falam em malabaristas. Falam bem, só erram no alvo. Deviam aplicar tal qualificação a eles próprios e ao Governo anterior que apoiaram incessantemente. Nos dados da DGO sobre a execução orçamental de Fevereiro não faltam coisas preocupantes, mas só por ignorância ou má-fé é que alguém não perceberá que aqueles dados têm de ser lidos com extremo cuidado [a lógica da contabilidade pública vs contabilidade nacional explicará em parte porque assim é]. Ora vejamos: é certo que a partir da notícia que o «défice do subsector Estado quase que triplicou» é fácil ficar-se com uma opinião muito negativa sobre a execução orçamental até esta altura do ano, mas convém perceber que essa ideia pode estar tão longe da verdade quanto aquela que alguns pretenderam tirar da notícia que informava, em Março do ano passado, que o governo ia «apresentar um superavit histórico de €836 milhões na sua execução orçamental de fevereiro, quando comparado com um défice de €230,4 milhões no mesmo período de 2010». A leitura do blogue do Abrantes pode ser muito interessante, mas dos que nos desinformavam então, não se espere que nos venham a informar agora.

Mr. Brown às 18:21 | link do post | comentar
Sexta-feira, 16.03.12

Ler os outros (CXX)

A maior parte dos Governos prefere levar a austeridade até ao limite em que se torna óbvio, junto dos investidores, que não pagar é uma necessidade, e não uma escolha. Mas, a partir daí, os efeitos negativos são controlados.

Mr. Brown às 12:57 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.03.12

No princípio era assim

Há um consenso generalizado na sociedade portuguesa de que é indispensável realizar reformas profundas nos mais variados sectores de actividade, se o país não quiser ficar a marcar passo, distanciando-se irremediavelmente dos parceiros europeus. Mas esse consenso parece que se dilui quando é chegada a hora de agir. Perante o coro de protestos dos que possam eventualmente ser afectados pelas alterações que urge realizar, assiste-se a um silêncio ensurdecedor, designadamente dos opinion makers, que deixa isolados, e sob fogo intenso, todos aqueles que ousam fazer o que tem de ser feito.

Mr. Brown às 13:14 | link do post | comentar
Quinta-feira, 01.03.12

Ler os outros (CXIX)

Seja qual for o resultado, a Irlanda continua a ser um dos únicos países do Euro e da União Europeia (e às vezes o único, como no caso presente) a consultar os seus cidadãos sobre decisões importantes da «construção europeia». O que constitui um exemplo a seguir.

Mr. Brown às 16:49 | link do post | comentar
Sexta-feira, 24.02.12

Notas blogosféricas

1. Gosto do registo do Framentário - um blogue que recomendo -, mas como leitor habitual dos seus textos, tenho muita pena de ficar sem as análises políticas do Luís Naves.

2. Zélia Parreira, do blogue Açúcar Amarelo, numa referência simpática, entalou este blogue entre o de Patrícia Reis e o de Ana Cristina Leonardo. Não mereço tanto, mas fica um agradecimento sincero.

3. 3 anos de Lisboa - Telaviv, parabéns ao David Levy!

4. Um blogue que reúne alguns dos meus companheiros de tertúlia no twitter: O Provinciano.

Mr. Brown às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 12.02.12

Matemática e manifestações

O Manuel Castelo-Branco e o Afonso Azevedo Neves agora fazem o papel que antes cabia ao João Pinto e Castro. Dito isto, permitam-me: é óbvio que os números da CGTP não são para levar a sério, mas que muita gente manifestou o seu descontentamento, manifestou. E muita é quantificação que baste para mim. Manifestações destas, feitas paradoxalmente num espírito quase festivo, parecem-me que são benéficas para o país, nomeadamente na actual situação onde há tanta gente que sofre na pele as agruras do dia-a-dia e precisa de uma forma de exprimir o que lhe vai na alma. E para isso, antes a forma como os portugueses se manifestam do que o que vejo acontecer noutros países.

Mas, imiscuindo-me na questão numérica, quem acompanhou de perto as duas manifestações, esta da CGTP e a da "geração à rasca", sabe que a adesão popular à segunda foi muito maior. A colagem política de uma e a transversalidade da outra, explica com naturalidade que assim tenha sido. E não, não estou a sugerir que o Rossio é maior do que a Praça do Comércio.

Mr. Brown às 12:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 08.02.12

Insinuações

Ter uma posição contra a nova lei do enriquecimento ilícito é indício de que somos criminosos.

Mr. Brown às 21:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 04.02.12

Ler os outros (CXVIII)

Ainda não percebi porque carga de água são sempre as “minorias” do mesmo lado, com direito à Antena paga pelos contribuintes. Se é para serem “fracturantes” e “originais”, e para haver verdadeira equidade, porque não há-de a rádio pública convidar aos seus microfones uns Nacionalistas ou simpatizantes Nazis que afinal também sabem juntar frases bombásticas com sujeito, predicado, e complemento directo?

Mr. Brown às 18:59 | link do post | comentar
Segunda-feira, 30.01.12

Partilhas

«When you want me, I am a woman. When I've hurt you, I am always German.»

 

Agradeço as palavras simpáticas do Adolfo Mesquita Nunes. Quanto à nossa partilha comum com Clara Ferreira Alves do gosto por Graham Greene, enfim, no que se refere à colunista do Expresso não me é novidade, até porque ela faz sempre por o lembrar. O que também me recorda que partilho este Mr. Brown com um tal de Richard Burton que protagonizou a adaptação cinematográfica da obra que dá o título a este blogue. Um filme tão medíocre que, tirando um ou outro momento, podia desaparecer sem deixar rasto que ninguém dava pela sua falta. Resta-me recordar que o Elvis Costello também usou «The Comedians» para título de uma letra sua, popularizada na voz de Roy Orbison; e o Alan Moore baseou-se nele para dar o nome a um personagem de «Watchmen». Está visto que, tal como escreve a Helena Sacadura Cabral no primeiro comentário ao post do Adolfo, «Graham Green tem esse especial condão de unir os mais desunidos. E até as gerações mais distintas.»

Mr. Brown às 11:06 | link do post | comentar
Segunda-feira, 23.01.12

Notas blogosféricas

1. O "memorando de entendimento" tardou a produzir efeito, mas João Gonçalves mudou finalmente de poiso. O Portugal dos Pequeninos entrou na galáxia Sapo e está com um visual muito bonito. Toca a actualizar o link.

2. O Ouriço entrou directamente para a barra lateral direita.

3. Agora também ando por aqui. A propósito, e aproveitando este post de um dos colegas da casa, faço minhas as palavras de Luís Naves sobre o Jardim de Micróbios, «um blogue com escrita de alta qualidade»: visitem-no que vale a pena.

Mr. Brown às 22:06 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 19.01.12

Deus nos acuda

Não há nada como a sátira, mesmo que involuntária e sem grande brilhantismo, para tornar evidente o rídiculo de certas ideias. Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada, esforça-se por demonstrar isso mesmo. Ainda a propósito do projecto de lei 118/XII, a ex-ministra Canavilhas acredita, ou quer-nos pôr a acreditar, que «não são os cidadãos portugueses que devem pagar esta taxa. Esta não se devia notar no preço final do produto». Como é que alguém garante que o fabricante não irá repercutir a nova taxa sobre o seu cliente? Não garante e é mais do que provável que tal viesse a suceder. Mas reparem noutro pormenor delicioso, fosse mesmo essa a ideia, a de pôr os fabricantes a suportar a taxa e não o consumidor final - ideia absurda, mas ainda assim levemos a mesma em consideração -, permitam-me questionar: afinal, a que se destina esta lei? É que não consta que sejam os fabricantes quem irá realizar as cópias pelas quais o legislador diz ter intenção de compensar os autores. É preciso arranjar dinheiro para os autores nem que seja à força, é isso? Então, sejam descarados e usem os muitos impostos que já nos cobram actualmente, procedendo à sua redistribuição como muito bem entenderem, e não nos lixem mais a vida, ok?

Mr. Brown às 18:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 08.01.12

Ler os outros (CXVI)

Esta lei é um insulto à inteligência de todos. Quem compra um disco rígido, ou uma impressora poderá, eventualmente, utilizar o artigo adquirido para cópias ilegais. Logo, tem que pagar. Se o crime pode ser cometido, a pena é aplicada por antecipação. Somos todos criminosos, mesmo com prova em contrário.

Mr. Brown às 22:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 28.12.11

Ler os outros (CXV)

Nova técnica de chamar a atenção dos meios de comunicação social – entitular-se Comissão de Utentes [...] Seria curioso saber quantas pessoas estão inscritas em cada uma destas comissões, pergunta que nunca lhes foi feita, que me lembre de ter visto.

Mr. Brown às 14:30 | link do post | comentar
Terça-feira, 20.12.11

Ler os outros (CXIV)

Os alemães fabricam os submarinos, e depois corrompem-se entre si para os venderem ao estrangeiro próximo. No fundo fazem tudo. Os compradores só navegam...

Mr. Brown às 21:46 | link do post | comentar
Sábado, 10.12.11

Ler os outros (CXIII)

Se estas constantes recaídas na inércia do não-pensamento, nas lógicas imobilistas e nas retóricas populistas sempre que se fala em mudar o que quer que seja são desesperantes, que dizer das notícias sobre algumas guerras partidárias, no PSD e no CDS, a propósito das nomeações para as administrações hospitalares? Até agora a sensação que se tinha era de que o Governo estava a conseguir resistir à habitual corrida aos lugares no Estado por parte dos aparelhos partidários, tendo reconduzido muitas chefias e conselhos de administração. Até na área da Saúde, onde tradicionalmente a pressão das distritais é maior. Mas a notícia de que começa a haver notórias brechas em alguns hospitais EPE é péssima: será que nem neste serviço de higiene mínimo que consiste em barrar o caminho à sofreguidão dos boys se consegue cumprir com o prometido? Será que também aqui vamos todos pagar caro as consequências das recaídas nas velhas práticas? É mesmo muito difícil este país ter emenda.

Mr. Brown às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 07.12.11

Jugulares

No Câmara Corporativa defende-se João Galamba como se fosse um deles. Seguro não tem a mesma sorte.

Mr. Brown às 19:34 | link do post | comentar
Sábado, 03.12.11

Ler os outros (CXII)

Em 25 quilómetros de A24 – uma auto-estrada com duas faixas, viadutos impressionantes sobre os socalcos do Douro e túneis que rasgam montanha – contei 80 carros nos dois sentidos. Acho que só não foram menos porque fiz um troço perto de Vila Real. Eram 18 horas de uma segunda-feira. Não haja dúvidas: ligar Viseu a Chaves por auto-estrada foi uma decisão estratégica.

Mr. Brown às 15:22 | link do post | comentar
Terça-feira, 08.11.11

Ler os outros (CIX)

Em suma, o que agora está em causa é tudo menos a discussão sobre a justeza e o "equilíbrio dos sacrifícios". O que importa saber é qual é a dimensão necessária e sustentável do Estado, na certeza de que, quanto maior ela for, maior é o volume de receitas que o Estado tem que arrecadar para a suportar.

Mr. Brown às 23:57 | link do post | comentar
Terça-feira, 01.11.11

Ler os outros (CVIII)

Enfim, a solução menos má, de facto, talvez esteja numa saída negociada do euro... E é para isso que começo a inclinar-me. Uma solução que nos permita sair do euro, pacificamente, minimizando os prejuízos de todos, dos países devedores e dos países credores. Aceitemos, por fim, a ideia de que o federalismo político na Europa, sem o qual a união monetária não sobreviverá, está rejeitado à partida porque não há, nos países da União Europeia, nem consciência nem cidadania europeia; há, quanto muito, consciências e cidadanias nacionais. Por isso, pedir aos gregos (portugueses) que se comportem como alemães ou, pior ainda, que se tornem eles próprios alemães, não é viável. Tal como não é aceitável exigir que continuem a ser os alemães a acomodar aqueles que não se querem “reformar”. E, portanto, se a União Europeia ainda é um projecto democrático, então, é simples: dê-se voz e poder ao povo. Que seja o que o povo quiser. Sejamos, numa só palavra, Democratas!

Mr. Brown às 12:00 | link do post | comentar
Sábado, 29.10.11

Ler os outros (CVI)

As gongóricas "Grandes Opções do Plano", de traça eminentemente estalinista, têm de ser "apreciadas" por uma coisa designada por Conselho Económico e Social (ex-Conselho Nacional do Plano). Tudo isto tem - sempre teve - uma utilidade ZERO, constituindo um absoluto desperdício de tempo e recursos.

Mr. Brown às 15:27 | link do post | comentar
Sexta-feira, 28.10.11

Ler os outros (CV)

Em resumo, a UTAO chama a atenção para dois elementos de risco no Orçamento, o que me leva a concluir que, muito provavelmente, serão necessárias medidas adicionais para atingir o défice de 4,5% do PIB no próximo ano.

Mr. Brown às 00:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 25.10.11

Ler os outros (CIV)

As previsões económicas inscritas no Orçamento do Estado são bastante explícitas quanto à ambição do Governo no reequilíbrio da economia: no próximo ano, não só o défice orçamental primário (o que exclui juros e um dos mais considerados por analistas e "opinion makers") deverá ser positivo como, mais surpreendente, se prevê um défice da balança de transacções correntes de 3,9% do PIB.

Mr. Brown às 04:00 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.10.11

Ler os outros (CIII)

O problema de fundo do País, e que está na base desta “discriminação”, encontra-se exactamente reflectido em situações como os funcionários públicos serem mais qualificados do que os do sector privado. È que, e seria bom de uma vez por todas todos entendermos isto, a riqueza de uma economia é criada essencialmente no sector privado e, dentro deste, no sector transaccionável. O que tivemos durante anos e anos foi o conforto e segurança do Estado a atrair (desviar) muita mão de obra qualificada e a criar, em torno de si, um ambiente protegido (não transaccionável) para onde também o Capital se dirigiu. E o País chegou aqui. Agora a ideia é mesmo (embora nenhum membro do Governo o possa reconhecer) criar as condições de “desconforto” necessárias para que o trabalho e o Capital, que se habituaram durante décadas ao “quentinho” dos impostos de quem produz, se sintam “incentivados” a saltar da tutela não produtiva do Estado para a economia produtiva e real. Claro que, devido à pressa, dentro do próprio Estado estão a pagar “justos” e “pecadores”. Mas a injustiça é só essa. E nesse caso sim, deveria ser o mais rapidamente possível corrigida. Assim a Constituição permita discriminar dentro do próprio sector público. Quanto à suposta falta de equidade, que alguns por aí falam, ou se trata de delirios de imaginação “socializante”, ou de … má economia.

Mr. Brown às 01:22 | link do post | comentar

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