Estes querem cavar uma trincheira e por lá manter o CDS imóvel. O Cachimbo de Magritte enfrenta O Insurgente. A coisa não surpreende, mas há um motivo para o CDS ter crescido como cresceu. Não me parece que trazer para o CDS o mesmo vírus (invertido) que afecta o BE seja muito inteligente. A actual liderança do partido não ignorará isso.
Estes senhores, a propósito da execução orçamental de Fevereiro, falam em malabaristas. Falam bem, só erram no alvo. Deviam aplicar tal qualificação a eles próprios e ao Governo anterior que apoiaram incessantemente. Nos dados da DGO sobre a execução orçamental de Fevereiro não faltam coisas preocupantes, mas só por ignorância ou má-fé é que alguém não perceberá que aqueles dados têm de ser lidos com extremo cuidado [a lógica da contabilidade pública vs contabilidade nacional explicará em parte porque assim é]. Ora vejamos: é certo que a partir da notícia que o «défice do subsector Estado quase que triplicou» é fácil ficar-se com uma opinião muito negativa sobre a execução orçamental até esta altura do ano, mas convém perceber que essa ideia pode estar tão longe da verdade quanto aquela que alguns pretenderam tirar da notícia que informava, em Março do ano passado, que o governo ia «apresentar um superavit histórico de €836 milhões na sua execução orçamental de fevereiro, quando comparado com um défice de €230,4 milhões no mesmo período de 2010». A leitura do blogue do Abrantes pode ser muito interessante, mas dos que nos desinformavam então, não se espere que nos venham a informar agora.
1. Gosto do registo do Framentário - um blogue que recomendo -, mas como leitor habitual dos seus textos, tenho muita pena de ficar sem as análises políticas do Luís Naves.
2. Zélia Parreira, do blogue Açúcar Amarelo, numa referência simpática, entalou este blogue entre o de Patrícia Reis e o de Ana Cristina Leonardo. Não mereço tanto, mas fica um agradecimento sincero.
3. 3 anos de Lisboa - Telaviv, parabéns ao David Levy!
4. Um blogue que reúne alguns dos meus companheiros de tertúlia no twitter: O Provinciano.
O Manuel Castelo-Branco e o Afonso Azevedo Neves agora fazem o papel que antes cabia ao João Pinto e Castro. Dito isto, permitam-me: é óbvio que os números da CGTP não são para levar a sério, mas que muita gente manifestou o seu descontentamento, manifestou. E muita é quantificação que baste para mim. Manifestações destas, feitas paradoxalmente num espírito quase festivo, parecem-me que são benéficas para o país, nomeadamente na actual situação onde há tanta gente que sofre na pele as agruras do dia-a-dia e precisa de uma forma de exprimir o que lhe vai na alma. E para isso, antes a forma como os portugueses se manifestam do que o que vejo acontecer noutros países.
Mas, imiscuindo-me na questão numérica, quem acompanhou de perto as duas manifestações, esta da CGTP e a da "geração à rasca", sabe que a adesão popular à segunda foi muito maior. A colagem política de uma e a transversalidade da outra, explica com naturalidade que assim tenha sido. E não, não estou a sugerir que o Rossio é maior do que a Praça do Comércio.
«When you want me, I am a woman. When I've hurt you, I am always German.»
Agradeço as palavras simpáticas do Adolfo Mesquita Nunes. Quanto à nossa partilha comum com Clara Ferreira Alves do gosto por Graham Greene, enfim, no que se refere à colunista do Expresso não me é novidade, até porque ela faz sempre por o lembrar. O que também me recorda que partilho este Mr. Brown com um tal de Richard Burton que protagonizou a adaptação cinematográfica da obra que dá o título a este blogue. Um filme tão medíocre que, tirando um ou outro momento, podia desaparecer sem deixar rasto que ninguém dava pela sua falta. Resta-me recordar que o Elvis Costello também usou «The Comedians» para título de uma letra sua, popularizada na voz de Roy Orbison; e o Alan Moore baseou-se nele para dar o nome a um personagem de «Watchmen». Está visto que, tal como escreve a Helena Sacadura Cabral no primeiro comentário ao post do Adolfo, «Graham Green tem esse especial condão de unir os mais desunidos. E até as gerações mais distintas.»
1. O "memorando de entendimento" tardou a produzir efeito, mas João Gonçalves mudou finalmente de poiso. O Portugal dos Pequeninos entrou na galáxia Sapo e está com um visual muito bonito. Toca a actualizar o link.
2. O Ouriço entrou directamente para a barra lateral direita.
3. Agora também ando por aqui. A propósito, e aproveitando este post de um dos colegas da casa, faço minhas as palavras de Luís Naves sobre o Jardim de Micróbios, «um blogue com escrita de alta qualidade»: visitem-no que vale a pena.
Não há nada como a sátira, mesmo que involuntária e sem grande brilhantismo, para tornar evidente o rídiculo de certas ideias. Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada, esforça-se por demonstrar isso mesmo. Ainda a propósito do projecto de lei 118/XII, a ex-ministra Canavilhas acredita, ou quer-nos pôr a acreditar, que «não são os cidadãos portugueses que devem pagar esta taxa. Esta não se devia notar no preço final do produto». Como é que alguém garante que o fabricante não irá repercutir a nova taxa sobre o seu cliente? Não garante e é mais do que provável que tal viesse a suceder. Mas reparem noutro pormenor delicioso, fosse mesmo essa a ideia, a de pôr os fabricantes a suportar a taxa e não o consumidor final - ideia absurda, mas ainda assim levemos a mesma em consideração -, permitam-me questionar: afinal, a que se destina esta lei? É que não consta que sejam os fabricantes quem irá realizar as cópias pelas quais o legislador diz ter intenção de compensar os autores. É preciso arranjar dinheiro para os autores nem que seja à força, é isso? Então, sejam descarados e usem os muitos impostos que já nos cobram actualmente, procedendo à sua redistribuição como muito bem entenderem, e não nos lixem mais a vida, ok?
No Câmara Corporativa defende-se João Galamba como se fosse um deles. Seguro não tem a mesma sorte.