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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Da desonestidade política

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Este senhor é o ministro da Segurança Social, mas para este senhor parece que só há um problema na Segurança Social se o PS também entender que o há. Este senhor não me quer dizer claramente se considera que há um problema de sustentabilidade da Segurança Social e muito menos revelar-me, existindo esse problema, a sua preferência para solucioná-lo: se alguns dos actuais pensionistas devem suportar a correcção do desequilibrio do sistema ou se todo o custo deve ser novamente atirado para cima das gerações mais novas. Este senhor, aproveitando a forma como a ministra das finanças colocou o problema, não é honesto. E é incompetente: porque foi ministro do sector durante todos estes anos e deixou a resolução de um problema grave para outro ministro no futuro (depreende-se pela sua posição pública que deve considerar que só um socialista está em condições de levar adiante a reforma do sistema). Enfim, no meio da forma pouco séria e obscura para onde se decide atirar o debate de um assunto tão importante quanto este - por exemplo, já reparam como não há números e estudos a suportar as posições dos nossos queridos governantes? -, pelo menos ganhamos em transparência numa coisa: esta posição ridícula deve-se, como é por demais evidente, ao CDS. Tem sido uma sina dos últimos quatro anos: foram muitas as vezes em que, no que à demagogia diz respeito, o CDS não se importou de andar de braço dado com o PS. Tudo em nome do santo eleitoralismo. E é em nome disso mesmo que questões importantes como esta não de devem discutir antes das eleições. «Falemos depois das legislativas».

Contado ninguém acredita

É positivo que estas histórias sejam contadas pelos próprios protagonistas. Desta forma, nas próximas eleições, teremos a possibilidade de beneficiar quem manteve a calma e preservou a estabilidade e penalizar quem se comportou como um rapazola interesseiro e fez abanar o executivo. Ah, espera... vão coligados às eleições. A sério, a política portuguesa às vezes parece um sketch dos Monty Python.

Ideias "roubadas"

Claro que estuda. Ou como o cenário macro do PS assustou os partidos do Governo porque veio "roubar-lhes" parte das ideias que tinham. Uma ideia que há muito os peritos do FMI têm vindo a defender para Portugal: Crítico assumindo do aumento do salário mínimo em Portugal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou esta quarta-feira à carga: a recente decisão foi "prematura" e deverá mesmo prejudicar os trabalhadores menos qualificados. Para o FMI, se o Governo quer elevar os rendimentos de quem menos ganha, deve adoptar um crédito fiscal – o chamado "imposto negativo". Agora, o que seria normal, dada a retória que acompanhou os principais blocos partidários neste período do ajustamento, seria os partidos da maioria virem com o crédito fiscal e o PS com o aumento do salário mínimo, até porque isso era uma marca que distinguia Costa de Seguro e ainda recentemente Costa voltou a insistir no tema. Contudo, contrariando essa pré-sinalização de enorme irresponsabilidade, o PS, até ver, com alguma lata, trocou a volta aos partidos da maioria, se bem que ainda estou convencido que os primeiros a atirarem o «cenário macro de Centeno» para o lixo serão os próprios socialistas. Restará o «cenário macro de Galamba», aquele que parte de projecções irrealistas para prometer o que não terá para dar.

Sobre os resultados na Madeira

1. Resultados disponiveis aqui.

2. A confirmarem-se os resultados, o PSD ganha a maioria absoluta à rasca. Fica com 24 deputados num Parlamento de 47. Vai continuar a governar sem, pelo menos, um parceiro que o fiscalize. Mau.

3. Depois do resultado de 2011, este era o ano para o CDS tirar a maioria absoluta ao PSD. Não sei o que correu mal na estratégia do partido nos últimos anos, mas não tirou e perdeu votos. Falhanço absoluto.

4. O PS meteu-se numa coligação macabra e acaba por ser o maior derrotado da noite. Mais do que asneira do PS, atrevia-me a dizer que o maior erro foi dos outros parceiros de coligação. Sobretudo de José Manuel Coelho: não percebeu que coligado com o PS o seu peso eleitoral aproximava-se de zero.

5. Para tirar António Costa de qualquer fotografia - aqui num aperto de mão ao parceiro de coligação local -, o PS nacional ensaia a defesa da autonomia do PS-Madeira, já no twitter culpa-se Seguro: parece que o candidato foi escolha dele. Curioso, porque ainda sou do tempo em que Seguro era criticado por pretender dissociar-se do legado socrático.

6. A oposição ao Governo levada a cabo por JPP na Quadratura contínua a dar frutos. Até na Madeira. Mais um pouco e relegava o PS, ainda para mais coligado, para quarta força na região [sim, sim, bem sei que o movimento Juntos pelo Povo que concorreu na Madeira não tem nada a ver com o José Pacheco Pereira]

7. Note-se que os votos nulos subiram (de 1,91% em 2011 para 3,40% agora) numa proporção muito superior à dos votos em branco (de 0,74% para 0,87%), provavelmente por efeito desta situação vergonhosa. Dada a margem da maioria absoluta do PSD é possível especular se a não inclusão do PDR nos boletins de votos não poderia ter efeito nessa mesma maioria absoluta.

Percebe-se que se saiba isto primeiro pela imprensa internacional

É preciso alguma discrição, porque quem primeiro defendeu isto, pelo menos com visibilidade política, foi o camarada António José Seguro, ou seja, o PS: «Among the Portuguese proposals is a common unemployment benefit scheme for the zone». Ou como, depois de tiradas todas as camadas de bullshit comunicacional, PSD, CDS e PS têm poucas diferenças entre si e acabam sempre por convergir para o mesmo sítio.

Swissleaks

Amnistias limpam rasto a 4,6 mil milhões da Suíça. Se algum político do PS, PSD ou CDS mostrar indignação com esta cena da malta ter usado contas na suiça para fugir ao pagamento do fisco, são hipócritas. Em nome da receita do Estado - e não só, para muitos o objectivo, estou convencidíssimo, foi mesmo proteger amigos -, os partidos do arco da governação decidiram passar uma esponja sobre o assunto. Chamaram-lhe RERTs e dele beneficiaram gente como Ricardo Salgado ou Carlos Santos Silva.