Segunda-feira, 20.05.13

De modo que é isto

O conselheiro de Estado admite ainda como possível, "até do ponto de vista ideológico", um Governo PS/CDS. "Casam melhor neste momento", garante. Nunca a aproximação do CDS ao PS foi tão clara. É só ouvir o que dizem aqueles que na comunicação social estão associados ao partido. O CDS quer deitar este Governo abaixo, mas também quer tentar garantir que, apesar disso, fica no poder.

Mr. Brown às 13:17 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 13.05.13

Em defesa do CDS

A maioria dos portugueses achará que o Governo deve fazer frente à troika. Assim sendo, e assumindo que não é nossa intenção perdermos acesso ao financiamento que tanto necessitamos, como é que acham que os governantes podem fazer frente à troika por outra via que não a usada por Portas de bater o pé e assumir em público que uma das medidas que andava a ser discutida não teria, de forma alguma, a sua aceitação? Basicamente, estamos perante a estratégia, versão soft, de Pedro Nuno Santos: o agora famoso deputado do PS disse que nós tinhamos de ameaçar com o não pagamento da dívida, mas assumiu desde logo que tal não passaria de um bluff. Assim agiu Portas: nós não aceitamos de modo algum a medida x, mas tal afirmação tinha, como agora se sabe, o seu quê de bluff. Portas acabou por ceder alguma coisa (embora, no seu partido, venham jurar que tal não aconteceu, pretendendo passar a mensagem de que o que está acordado é para inglês ver, o que também diz muito sobre esta gente), mas também é inegável que terá ganho enorme margem de manobra para bloquear a medida. De certa forma, é como aqueles presidentes de clube de futebol que, antes de concretizarem um negócio, garantem que jogador x só sairá por uma determinada quantia, acabando, inevitavelmente, por vendê-lo a um preço mais baixo do que a fronteira anteriormente traçada, embora com um ganho maior do que teriam caso não tivessem vindo a público traçar tal fronteira previamente. Negociar na praça pública tem destas coisas. E, por isso mesmo, é uma estratégia que pode ser mortífera para um político. Dito isto, o que mais me irrita na posição do CDS é mesmo a medida a que se opõem e a motivação que calculo esteja por trás de tal posição. O CDS, ex-partido dos contribuintes, não quer cortar a sério na despesa e o cálculo que mais lhes interessa não é o do défice, é o eleitoral. Tudo o resto é treta.

O líder do maior partido da oposição

 

Equivocou-se e disse o que lhe vai na cabeça.

Mr. Brown às 19:20 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 12.05.13

Cisma grisalho

Para fecharmos a sétima avaliação, a fazer fé nas notícias que se conhecem, o Governo - de coligação PSD/CDS, é sempre bom lembrar - irá comprometer-se com a troika, caso não encontre outra alternativa, a avançar com a já célebre taxa sobre os pensionistas que tanto irritou o partido dos reformados. Apesar disso, o CDS nega que tenha cedido no que quer que seja. Ora, se a tal taxa não fosse uma possibilidade real, que sentido faria ser incluída no texto do fecho da sétima avaliação? O Partido de Portas, cada vez mais, adopta a atitude do PS: sente-se forçado a subscrever documentos que não conta ou não pretende levar a sério? Enfim, o CDS pode manter o discurso de que tudo fará para que tal taxa não venha a seguir adiante, o que não pode, se é um partido de gente séria, é vir com a treta de que de modo algum permitirá que ela siga adiante. A fronteira é mais flexível do que deram a entender. Dito isto, acrescente-se: há quem ainda finja não ter percebido, mas com PSD, CDS ou PS no Governo, enquanto por cá estiver a troika, a nossa fronteira de possibilidades no que toca ao leque de medidas disponíveis para serem adoptadas é muito limitada. Se Portas veio dizer o que disse e agora sujeita-se a esta mini-humilhação (e admito que a mesma é pequenina porque não acredito que a probabilidade da medida seguir adiante seja muito alta), isto não nos diz tudo o que há a saber sobre a margem de manobra dos nossos governantes? Ah, já sei: tudo seria diferente se Gaspar não fosse um homem da troika. Nesta última, acredita quem quiser. Eu não acredito.

Sexta-feira, 10.05.13

Regressou para fazer melhor

«O centro-direita perdeu as eleições», continuou Paulo Portas, salientando que a soma dos votos do PSD e do CDS-PP não excede os 36% e considerando que este é «o resultado mais fraco (do centro-direita) desde que há eleições legislativas em Portugal». [...] «Não há nenhum país civilizado no Mundo onde a diferença entre trotskistas e democratas-cristãos seja de um por cento», disse Portas, referindo-se à ascenção do extremismo e radicalismo de esquerda em Portugal. Se foi assim em 2005, pode ir-se preparando para 2015.

Mr. Brown às 19:19 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 08.05.13

Sorriso pepsodent


O ministro pepsodent diz que cortes na Segurança Social têm de garantir "contrato de confiança". Deve estar a falar só para os actuais pensionistas, pois para os que ainda esperam ter uma reforma no futuro não é de certeza. E mesmo assim, enfim, nem para os actuais será. Mas percebe-se a necessidade do sorriso pepsodent, é para exibi-lo sempre que goza connosco. Estes tipos do ex-partido dos contribuintes, actual partido dos pensionistas e futuro partido do que lhes der mais jeito, são uns gozões.
Mr. Brown às 21:18 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 07.05.13

Com o parceiro errado

Sempre que oiço Paulo Portas a orgulhar-se da democracia-cristã centrista lamento que a parelha no Governo seja PSD-CDS e não PS-CDS. O CDS teve tudo para alcançar a felicidade no tempo de António Guterres. Infelizmente, na altura, só Daniel "Limiano" Campelo compreendeu isso.

Mr. Brown às 21:43 | link do post | comentar | favorito

Teatro

Acho cada vez mais que muito do que aconteceu nos últimos dias foi ensaiado. Teatro, é só teatro. Passos fez a comunicação ao país na sexta sabendo de antemão o que Portas diria no domingo. Tudo o que se passa segue o guião combinado entre os dois. É por estas e por outras que pouco do que esta gente diz é para levar a sério. O que parece divergência mais não é do que sinal de uma coligação que está de pedra e cal.

Domingo, 05.05.13

Dupla personalidade

Passos Coelho, o hemisfério esquerdo do cérebro governamental, anuncia uma coisa à sexta. Ao domingo já está Paulo Portas, o hemisfério direito do cérebro governamental, a lançar para a imprensa que há no Governo quem ache que uma das medidas apresentadas é para cair. Lamento, mas isto não é forma de governar. Meus senhores: demitam-se. Demitam-nos. Alguma coisa. Isto assim é insuportável e não nos leva a lado algum.

O Talentoso Mr. Portas

Muito bom. Mas no fundo, nós, que assisistimos ao filme, sabemos perfeitamente que Portas, homem de múltiplos "talentos", a dissimulação sendo o maior de todos, matou o partido dos contribuintes há algum tempo, embora continue a fazer o seu querido CDS-PP passar por este.

Domingo, 28.04.13

Quem te avisa teu amigo é

1. Calma, o homem avisou. Se for como da outra vez, já se sabe no que o aviso dá: em nada. Excepto uma desculpa para Cavaco mais tarde afirmar: eu avisei. Aliás, a intenção é tão clara que o homem já anda a dizer que avisou.

2. Apesar de tudo, a verdade é que Seguro já fala em «rigor,  sacrifícios e contenção orçamental» que são para continuar. E pede a maioria absoluta, pois claro, mais sabe ele que «rigor, sacrifícios e contenção orçamental» não são coisas para se fazerem com um BE às costas. Pelo que fica o meu aviso: quando as eleições chegarem ou o PS tem maioria absoluta ou, apesar de discursos em sentido contrário no congresso, teremos coligação alargada com o PSD ou CDS. Diga-se, ainda assim, que este pedido de maioria absoluta sem que esteja prevista a realização de eleições num horizonte próximo é ridículo.

3. Ridículas são também as notícias que dão conta de um Portas que ameaça romper com a coligação: e com isso arriscaria perder os tachos que o partido centrista tem agora por sua conta? Por favor. Nuno Melo, do mesmo CDS, ainda hoje avisou o PS que eleições só para 2015.

4. Para terminar, o Coelho na fase pré-Governo fartou-se de avisar na campanha eleitoral que era preciso diminuir a despesa e não aumentar os impostos; infelizmente, o Coelho na fase Governo teima em ignorar os avisos do Coelho pré-Governo; agora aviso eu, o mais tardar em 2015 o Coelho entrará na fase pós-Governo.

Domingo, 14.04.13

Uma remodelação «mais completa»

Tirar de lá o Gaspar e pôr alguém do CDS a liderar o ministério das finanças.

Domingo, 24.03.13

Remodelar

Manifestamente, isto vai ao lugar assim que Pires de Lima passar a ministro da economia.

Mr. Brown às 00:52 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 21.02.13

Quem mais ordena

Junta-se a vontade do dr. Leal "Taliban" da Costa com as pressões do Dr. Pires "Unicer" de Lima e do lóbi do vinho muito acarinhado pelo CDS e deparamo-nos com uma lei ridícula que expõe uma das muitas fragilidades deste Governo. Os grupos de pressão com acesso facilitado aos ministros deste Governo são quem mais ordena. Que é como quem diz que para o Governo uns são filhos e outros são enteados. O que nos vale é que já nem fazem por esconder isso, é tudo muito transparente e clarinho.

Mr. Brown às 19:11 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 10.01.13

Crise política

O betão que sustenta a coligação PSD/CDS. Não é o único, mas se me pedissem um único motivo para dificilmente acreditar que o CDS pularia pelo seu próprio pé para fora do Governo, seria o espelhado na notícia.

Mr. Brown às 13:37 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 09.01.13

Demarcação

O partido do contribuinte foi rápido a demarcar-se de um relatório que, ainda que possa não ser perfeito, apresenta várias propostas de cortes na despesa. Oiça-se o discurso de Carlos Moedas e perceba-se de vez que parte deste Governo defende realmente o contribuinte e quer cortes a sério na despesa.

Mr. Brown às 19:19 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 27.11.12

Nem tão cedo superará

Deputado do CDS acusa, na sua declaração de voto, o Governo de não superar "modelo socialista", como se exigia. Também, não há porra de alminha que queira ajudar o Governo a superá-lo. Adolfo Mesquita Nunes fala de um «caminho liberal» que também «depende de medidas impopulares». As medidas impopulares que fossem enunciadas e logo se via como não passariam do papel, dado o receio que se instalaria imediatamente com a possibilidade de tais medidas originarem uma revolta popular com origem no Partido do Estado. A maior parte das medidas que um Governo pode tomar agora são impopulares, mas há umas mais impopulares que as outras. O CDS sabe tão bem que assim é que nem se atreve a enunciar as medidas que supostamente defende. Enquanto autodenominado Partido do Contribuinte, o CDS passa a vida a jogar na retranca, com auto-carro à frente da baliza, e assim não se ganham jogos. A esquerda, por outro lado, massacra a baliza adversária: apesar de terem lixado o país com políticas despesistas, em violação clara das regras que deviam orientar uma sociedade minimamente responsável, não só já falam como se tal facto não tivesse nada a ver com eles, como ainda sabem que o árbitro está do lado deles: o Tribunal Constitucional. É caseiro o árbitro, pois, como se sabe, em Portugal, a esquerda joga em casa. O Gaspar, coitado, tem tanta culpa de não superar o que quer que seja como o Vercauteren tem de não conseguir pôr o Sporting a jogar bom futebol.

Mr. Brown às 20:49 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 18.10.12

No shit

 

Portas garante que CDS vai viabilizar Orçamento.

Quarta-feira, 17.10.12

Da coligação

1. Primeiro, um reconhecimento: não contava que o CDS fizesse a figura triste que está a fazer e nunca achei que por esta altura fossem divergências entre os dois partidos da coligação que estivessem à beira de lançar o país numa crise política. Sobre as minhas limitações enquanto analista, estamos conversados. Dito isto, permitam-me reafirmar que não temo a crise política, se ela tiver de vir, que venha. Mais ainda: defendi que Passos Coelho devia ter-se demitido, alegando não ter capacidade para seguir o caminho que tinha escolhido para o país, logo após a decisão do Tribunal Constitucional. O meu único receio é que à pala da conversa da crise política, entreguem o poder a um qualquer Monti sem que este tenha de vir a uma campanha eleitoral explicar-me o que pretende fazer.

2. Este texto do Henrique Raposo, secundado pela Maria João Marques, é um bom ponto de partida para discutir o ar que se respira hoje em Portugal. Entendamo-nos, não é o provocar da crise política que tornará o CDS irresponsável, mas antes o facto de não ter uma verdadeira alternativa ao que está a ser feito. Se tem, alguém que me explique qual é. Depois, escreve o Henrique, que este é um «orçamento injusto e que protege o status quo». Em parte terá razão, mas torno a interrogar: que propostas tem o CDS, ou quem quer que queira chumbar o actual orçamento, para o tornar mais justo? Que outros cortes na despesa/aumentos da receita propõe o CDS enquanto partido do Governo e que Vítor Gaspar não tem aceite? O ar está cheio de retórica e politiquice, mas de concreto, nada. Não me peçam para elogiar isso, porque por norma não elogio o vazio. Como pequena nota de rodapé, acrescente-se que o mesmo Henrique que sinaliza a irresponsabilidade das estradas que foram construídas, refere-se ao OE para 2013 como um que defende o status quo, talvez ainda não tenha reparado que a construção de estradas parou e as empresas de construção civil estão quase todas à beira da falência. Um pormenor, certamente. Mas estando numa de elogios e de status quo, permitam-me fazer o elogio do Álvaro e o desprezo da Cristas.

3. Para terminar, quer-me parecer que a história que se desenrola agora tem algumas semelhanças com a que se desenrolou entre Sócrates e Passos Coelho no período 2010-11. Só muda o facto de Passos ter passado a desempenhar o papel que coube a Sócrates e Portas o que era de Passos. Da outra vez, houve um jogo do gato e do rato para apurar quem ficava com a responsabilidade de termos recorrido à troika, quando era certo que a troika, mais cedo ou mais tarde, viria. Agora, andam num jogo do gato e do rato para saber quem fica com a responsabilidade de um «segundo resgate» - perdão de dívida incluído? - quando tal começa a assumir contornos de inevitabilidade. Um jogo que tem, para mim, muito pouco interesse.

Sábado, 06.10.12

Não passará

PS avança com plano para reduzir deputados. Óptimo, se conjugada com a eleição de boa parte dos deputados em círculos uninominais melhor ainda, e se nos fiássemos na conversa ocorrida neste debate poderíamos até dizer que há uma base para o entendimento: Sobre a redução do número de deputados para 181 ventilada pelo PSD, Paulo Portas diz que até admite um Parlamento só com 115 deputados, mas com uma ampla mudança da lei eleitoral. Infelizmente, o condicionalismo imposto por Portas nesse debate deve ter apenas uma leitura: nós, CDS, faremos exigências tão parvas que nunca existirá acordo sobre a redução do número de deputados. Ou seja, qualquer que seja a proposta do PS irá ter a mesma sorte que a reforma da lei eleitoral autárquica.

Segunda-feira, 24.09.12

Estratégia de comunicação para o exterior

 

Kaput: Portugal – failing to stay the course

 

Nota: E quando Pedro Passos apresentar as novas medidas de austeridade, com aumento de impostos por tudo quanto é lado, espero que tenha o «Paulinho das Feiras» ao seu lado. Aliás, será incompreensível que assim não seja.

Quinta-feira, 20.09.12

Aconselhamento matrimonial

PSD e CDS criam grupo de acompanhamento da coligação

Domingo, 16.09.12

Abaixo as forças de bloqueio

«Não bloqueei a decisão porque isso era trágico para Portugal».

Quinta-feira, 13.09.12

PSD contra PSD

Há uma diferença significativa entre uma parte do PSD não perder sentido crítico em relação à governação de Passos Coelho, o que faltou ao PS durante os governos de Sócrates, e uma parte do PSD ser de tal forma oposição a este Governo que o PS só pode ambicionar chegar-lhe um dia aos calcanhares. Há duas facções claramente distintas no PSD que não sabem conviver uma com a outra. É só pensar na forma como caiu Santana Lopes, com meio partido a pedir a Sampaio que deitasse o Governo abaixo; como Ferreira Leite foi prejudicada por gente de dentro nas eleições de 2009, nessa altura houve uns figurões que cheguei a tomar por socráticos e que hoje seguem Passos Coelho por tudo quanto é lado; ou como o partido está novamente à beira de auto destruir-se. É fácil compreender o CDS, coitado, arrisca-se a ver a coligação vir abaixo mais uma vez e, como da outra vez, nem poderá gabar-se de ter sido ele a cortar com Passos. Dito isto, e voltando ao PSD, parece-me que um partido em permanente guerra civil é instável e não pode dar garantias ao eleitorado. Ou resolvem os problemas internos de vez, ou este PSD, que pretende abranger no seu núcleo a social-democracia de esquerda com a direita liberal, não merece o meu voto. Nunca mais. É preferível virar-me para o CDS.

Quarta-feira, 12.09.12

A hipocrisia do CDS

«Se o IRS ou o IRC tivessem sido aumentados, as pessoas teriam dito: mas porquê o IRS, porquê o IRC? Se fosse o IVA também se queixariam. Qual seria a alternativa? Qualquer medida que fosse tomada teria também gerado um debate grande». Não é por acaso que os exemplos apontados são todos relativos a aumentos de impostos: fruto da decisão do Tribunal Constitucional, só se evitaria nova subida significativa dos impostos sobre o sector privado se existisse uma revolução na sociedade portuguesa que nenhum partido defende. Também por isso, a hipocrisia do CDS, bem presente no show off aparentemente dado pelo deputado João Almeida no confronto de ideias com o ministro das finanças, é notável. Mas não me surpreende, toda a nossa classe política quando sente o peso da responsabilidade só sabe ludibriar.

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