Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Da governação desonesta

«Queremos tudo. Somos o povo do sol na eira e da chuva no nabal. É evidente que, assumindo como pressuposto a manutenção da carga tributária – num cenário à economista, em que tudo o resto se mantém constante –, obviamente que se há desagravamento do ambiente fiscal para as famílias com dependentes, há um agravamento necessariamente relativo [para] as que não têm dependentes. É tão óbvio… Não percebo como é que se possa mascarar uma coisa destas.» Como já tinha escrito, só quero que deixem de me tomar por parvo. Isto, além de ser uma «salganhada», é uma cortina de fumo para esconder uma opção política óbvia do Governo. Da forma como a coisa é feita e anunciada, estamos a brincar com coisas sérias. É propaganda. Não há decência. Não há honestidade. Há trafulhice. Pura e dura. De um Governo em avançado estado de decomposição que se sentiu na necessidade de atirar medidas para cima da mesa neste orçamento, em ano eleitoral, só para mostrar que mexe, ainda que mexa mal e tenha vergonha de assumir de forma transparente o que faz, o que apenas mete maior dó. Há em mim sobretudo desilusão. Este orçamento, este final de legislatura, as opções reveladas, revelam uma fraude política. Os despiques propagandísticos nos jornais entre os partidos da coligação, insuportáveis. Esta dupla, Passos-Portas, assim que possível, tem de ser afastada do poder. Mas afastada com humilhação nas urnas. E afastada, de preferência, para todo o sempre. Quase ao ponto de merecer ser tratada abaixo de Sócrates.

O jornalismo do spin

B0PtI-9CUAEfo_3.jpg

(via: Henrique Figueiredo)

 

«Só os ministros do CDS se opuseram à taxa», conta também o Expresso. Abençoado CDS (isto teria sido tão pior não fosse o caso do partido dos contribuintes estar no Governo). Ou então isto é tudo spin do partido centrista com o alto patrocínio do Expresso. Enfim, analisando as capas do jornal dirigido por Ricardo Costa no seguimento da apresentação de medidas impopulares e parece-me que só um tolo não percebe que estamos perante o segundo caso.

Antes que se faça tarde

O Governo, à medida que se aproxima o final da legislatura, prepara-se para aprovar uma série de medidas que visam agradar os grupos de interesses que rodeiam os dois partidos da coligação. Depois do lóbi verde próximo do PSD; agora é o lóbi das famílias numerosas próximo do CDS. Sobre o último caso, já expressei a minha opinião aqui. Coragem para de forma directa e transparente passarem a dar abonos de família a gente que ganha muito bem - de forma a que todo o eleitorado compreendesse perfeitamente o que está em cima da mesa -, não há. Não suporto esta gente, nem esta forma de actuação pela calada.

Hecatombe

O resultado dos partidos do Governo é uma derrota estrondosa. E, no entanto, os coitados parecem estar algo satisfeitos: é a esperança de verem o PS, apesar de tudo, ali tão perto. «Estamos mal, mas calma que eles não estão muito melhores», pensarão. No fundo, está de acordo com a «corrida para o fundo» que foi a campanha eleitoral: cada um tentou demonstrar qual dos dois governa pior; agora entretêm-se a analisar qual dos dois está em pior situação. Ainda assim, esta luta taco a taco entre PSD+CDS com o PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita. Assim, como se viu nos discursos eleitorais, PSD e CDS em conjunto são conotados com toda a direita. Isto torna quase impossível que sejam varridos do mapa; isto tornará mais fácil uma recuperação de ambos os partidos se entretanto saírem do poder.

A possibilidade

Em coligação, se a actividade económica continuar a melhorar ao longo do próximo ano, CDS e PSD podem ficar à frente do PS de Seguro nas legislativas em 2015.

Derrapagem no tempo

A matemática é lixada e as contas mais simples baralham: nem nestas merdas acertam, o que diz tudo o que há a saber sobre a coisa e quem a encenou.

Panorâmica política

36% foi aquilo que PSD e CDS obtiveram em 2005 quando o PS conquistou a sua primeira e única maioria absoluta. Neste momento, as sondagens (esta ou esta) apontam para que os partidos no Governo tenham estabilizado as intenções de voto em torno desse valor. O que impede então o PS de se aproximar do sonho de nova maioria absoluta? Em primeiro lugar, o PCP. Em 2005 teve 7,5% dos votos, agora anda em torno dos 10% (quando não acima disso). Bem, mas parece faltar aqui qualquer coisa, não é? O PS teve 45% em 2005, agora anda na casa dos 36,5%. Os números não batem certo? Uma explicação: outros, brancos e nulos. O que será consistente com aquilo que se verificou nas autárquicas. Para terminar, «Seguro como líder da oposição está a agir bem?» Sim, para a maioria dos inquiridos, que será, ainda assim, uma minoria no PS. O que recorda a tarefa espinhosa que Seguro tem pela frente: se radicaliza o discurso pode até conquistar parte dos votos perdidos para o PCP e agradar aos "seus", mas arrisca alienar o sempre importante eleitorado moderado, sem o qual não há maiorias absolutas. Além de que é muito duvidoso que a radicalização do discurso tenha grande capacidade de atrair votos em Portugal: por muito que o BE se esforce, continua a aparecer atrás do CDS.

O cronómetro

Vejo Paulo Portas num congresso da juventude partidária do seu partido a inaugurar o cronómetro que conta o tempo para a saída da troika de Portugal. Isto ao mesmo tempo que quase se fala de um milagre económico que, aparentemente, está a ocorrer. Presumo que o "milagre" aconteça apesar da troika e não por responsabilidade dela. Não sei, sabem, às vezes fico confuso. Enfim, parece-me é que a encenação atinge níveis delirantes e adivinho que os próximos meses vão ser férteis em politiquice.

Os demagogos

João Almeida a explicar que uma meta para o défice de 4,5% em vez dos 4% faria milagres: permitiria baixar o IRS; o IVA na restauração; e sabe-se lá que mais. Pelo menos uma vez, elogiei-o por aqui, mas por agora só digo isto: farto de demagogos.

Um homem, um voto

Nuno Magalhães foi hoje reeleito líder da bancada parlamentar do CDS, derrotando o ex-líder centrista Ribeiro e Castro, que obteve um voto.