Quarta-feira, 19.06.13

Adiar vs Antecipar

Mesmo levando em consideração que o que alguns pediram foi uma alteração da data do exame, as notícias não deixaram de cair todas para o mesmo lado: Pais e directores pedem ao Ministério que adie provas nacionais ou Pais e directores defendem adiamento dos exames de dia 27. Pode ser um pormenor, mas está carregadinho de carga simbólica. Está tão enraizado o hábito neste país de adiar o que tem de ser feito que poucos imaginaram que o exame podia ser antecipado.

Mr. Brown às 20:30 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 15.06.13

Ar puro (LXIX)

 

É um dos livros da minha vida e nem tão cedo deixará de estar na moda, ou não existisse recorrentemente quem nos fizesse lembrar a relevância da mensagem nele contida. Mas a recordação dos belos tempos que passei a ler este livro trouxe-me à memória outra coisa, mais propriamente aquilo que me propiciou o primeiro contacto com a obra, a Colecção Mil Folhas do jornal Público. Uma colecção que, na minha vida, esteve para os livros como o «Cinco Noites, Cinco Filmes» na RTP2 esteve para o cinema. A ambas devo parte daquilo de que hoje gosto.

Quarta-feira, 12.06.13

Contra informação 2

Segundo Pedro Tadeu, novamente, na RTPN: a televisão pública grega dava lucro. Este gajo tem tantas na cartola que já merecia um programa de humor só para ele.

Mr. Brown às 19:30 | link do post | comentar | favorito

Última hora

Notícia com alguns dias (07.06.13): Maioria aprova diploma que adia para Novembro reposição total do subsídio de férias. Bem sei que a lei ainda não foi promulgada, mas no seguimento disto o ideal era darem ordem aos serviços para começarem a processar o pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos o quanto antes. Mais, no que se refere ao orçamento rectificativo (23.05.2013): o Governo adiou o pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos e pensionistas para Novembro porque os serviços do Estado não tinham dinheiro para os pagar em Junho. É que apesar do Estado não ter problemas de financiamento este ano, antes do Rectificativo ser lei os serviços não têm autorização para fazer mais despesa do que a inicialmente prevista. Enfim, siga o circo mediático.

Terça-feira, 11.06.13

Rigor e exigência

Exame marcado há muito tempo para dia 17. Afinal, qual é o mal de mudar a data para dia 20? Qual é o mal? Nenhum. No país da bandalheira, da desorganização e da falta de decência, nenhum. Para mim, o Governo só tem um caminho: não mudar a data. Os sindicatos marcam greve, só participa nela quem quer. E escuso de voltar a dar a minha opinião sobre todo e qualquer professor que nela decida participar. Sobre a decisão do colégio arbitral também é melhor não adiantar muito, mas este parágrafo é paradigmático da diferença de tratamento que a "justiça" tem aplicado a este Governo face a anteriores: «A então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, decretou serviços mínimos, os sindicatos recorreram para os tribunais, mas o STA acabou, em 2007, por dar razão ao Governo, considerando que a realização de exames deve ser entendida como figurando entre as necessidades sociais impreteríveis, cuja realização deve ser assegurada como manda a lei. O TC entendeu que compete ao Governo definir o que entende por tal». Para terminar, é uma pena Crato não ler o Expresso, onde foi decidido que «Dia 17 não há exames no Secundário».

Mr. Brown às 21:29 | link do post | comentar | favorito

Contra Informação

Acabo de ouvir na RTPN um tal de Pedro Tadeu, subdirector do Diário de Notícias, praticamente afirmar que o Governo não tem cumprido a Constituição e que o Presidente da República, por esse lado, até teria razões para demitir o Governo. Repito o cargo do senhor: subdirector do Diário de Notícias. E acrescento: este tipo de argumento ou é má-fé ou é ignorância. Vindo de quem tem a responsabilidade de informar e estar bem informado, diz-nos muito do que é preciso saber sobre a comunicação social que temos.

Mr. Brown às 19:30 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 07.06.13

Novidades da Turquia

Pela imprensa portuguesa: Erdogan é mau da mesma forma que Chávez era bom.

Mr. Brown às 20:21 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 04.06.13

George W. Bush

O pai, ao contrário do filho, foi um bom presidente dos Estados Unidos. Porquê? Exactamente por aquilo que acabam agora mesmo de lembrar na SIC numa analogia com Passos Coelho: fez uma campanha com a célebre «read my lips: no new taxes», promessa que não haveria de cumprir, mas foi exactamente por não cumpri-la, o que levou à sua derrota nas eleições presidenciais seguintes, que Bill Clinton - que não baixou os impostos que Bush havia subido e continuou o esforço sustentado de redução da despesa pública - beneficiou de um período de prosperidade económica, combinado com superavits nas contas públicas norte-americanas.

Mr. Brown às 20:26 | link do post | comentar | favorito

Não há atenuantes para a incompetência jornalística

Título: «Aumento horário da função pública atenua redução de funcionários». O que foi dito: «Atenua os efeitos de uma redução dos trabalhadores da administração pública». É o contrário do que o título sugere, sem aumento do horário da função pública, é mais difícil diminuir o número de funcionários públicos sem afectar os serviços prestados, logo, se os sindicatos conseguirem levar a sua avante e impedirem o aumento do horário de trabalho, sabem que estarão a atenuar a redução de funcionários, porque o governo terá de levar em conta o efeito que os despedimentos provocarão na qualidade do serviço prestado. Enfim, o secretário de Estado limitou-se a constatar o óbvio: com aumento do horário da função pública, é possível fazer o mesmo com menos gente. Logo, é mais fácil e melhor se justifica que se atirem funcionários públicos para o regime de mobilidade especial. Dito isto, faltando saber o que o Tribunal Constitucional dirá do tema, sou dos que apoia esta medida, mas insisto que preferia uma redução salarial directa.

Mr. Brown às 19:15 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 03.06.13

Democracia turca

Vendo, lendo e ouvindo a maior parte da nossa comunicação social sobre as manifestações violentas que ocorrem na Turquia, onde são feitas referências, inclusive, a uma qualquer Primavera Árabe, por vezes parece que não estamos perante uma democracia onde o actual primeiro-ministro venceu as eleições em 2002 com 34,28% dos votos; em 2007 com 46,66%; e em 2011 com 49,83%. O (bom) povo está contra (o mau) Erdoğan? Será mesmo isso?

Mr. Brown às 19:44 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 12.05.13

A Onda (2)

Cheguei à conclusão de que, por muito que me esforce, não consigo fazer melhor do que esta senhora. Ou seja, por momentos compreendi o que é estar na pele de um socialista e ver-me ultrapassado nas críticas ao Governo pela nossa dama de lata. Mas é compreensível: o desejo de vingança e o ódio pessoal são forças poderosas na altura de fazer brotar na mente de cada um as piores considerações possíveis sobre aqueles a que tais sentimentos se dirigem. Dito isto e finda esta experiência, estou aqui a pensar se no futuro não poderia fazer outra semelhante, mas agora aplicada ao tipo de comentador onde se insere este «zandinga». Enfim, a verdade é esta: perante o rol de comentadores de direita que desfilam nas nossas televisões, por vezes dou por mim a pensar que o comentador Sócrates é um tipo absolutamente suportável.

Domingo, 05.05.13

A Onda

Acho que consigo fazer melhor, pelo menos, do que a Ferreira Leite. A partir deste domingo e até à próxima sexta-feira vou tentar uma experiência: neste blogue não existirá um único post de compreensão para com as medidas tomadas pelo Governo. Vai ser malhar e malhar até fartar. E para malhar vai valer tudo, desde usar argumentos em que eu próprio não acredito até dobrar a realidade para servir o meu propósito. Provavelmente, muitos dirão, isto não terá qualquer utilidade, mas sempre quero ver como é que me sinto na pele de alguns comentadores da nação que são autênticos casos de estudo.

Terça-feira, 30.04.13

DEO

«O ano do grande esforço será o próximo, com o Governo a prometer medidas no valor de 2,8 mil milhões de euros. Em 2015 estão previstas medidas no valor de mais 700 milhões de euros, e em 2016 de 1.200 milhões». Espero para ver, contudo, duas coisas saltam imediatamente à vista: 1) o objectivo pouco ambicioso para 2015, ano que só por acaso é aquele em que se realizam eleições; e 2) «apesar de apresentar o DEO, o Governo não dará já a conhecer quais as medidas de austeridade concretas que serão aplicadas. Estas, disse Vítor Gaspar, serão apenas divulgadas nos próximos dias». No fundo, e os sinais apontam para isso, não tenho grande esperança que este DEO alguma vez venha a ser concretizado. Mas que a comunicação do Governo para o exterior está em alta, não tenho dúvidas:

 

 

Segunda-feira, 29.04.13

A guerra

Alguns elementos do Governo meteram-se numa guerra com a banca e outros interesses por causa dos swaps. Obviamente, se tudo correr como normalmente corre neste país, estão destinados a perder essa guerra.

Mr. Brown às 00:09 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 25.04.13

Mal-estar

«Cavaco rejeita eleições e pede combate ao desemprego», diz o Económico. «"É imperioso firmar consensos", diz Cavaco Silva», destaca o Expresso. «Cavaco Silva: “É indiscutível que se instalou na sociedade uma fadiga de austeridade”», refere o Jornal de Negócios. «Cavaco reconhece que existe "uma fadiga da austeridade" e insiste nos consensos», opta o Jornal de Notícias. «Cavaco defende que combate ao desemprego deve ser prioridade do Governo», escreve a Renascença. «Cavaco insiste no consenso para lá do calendário eleitoral», conta o Sol. «Cavaco reconhece que há «uma fadiga da austeridade» e insiste nos consensos», lê-se na TSF. «Cavaco pede consenso alargado e medidas urgentes para relançar economia», títula o Público. «Presidente ataca quem pede eleições antecipadas», indica o Diário de Notícias. Combate ao desemprego; consenso; fadiga da austeridade; recusa de eleições antecipadas? Se o principal do discurso de Cavaco está nestes títulos, confesso alguma dificuldade em compreender o evidente mal-estar que o mesmo provocou nas hostes socialistas, até porque tudo o que vem nos títulos não acrescenta nada ao que já se sabia ser o pensamento de Cavaco.

Quarta-feira, 24.04.13

Dormir na forma

O Expresso tentou? Em Janeiro deste ano? Em Julho de 2012 já Vítor Bento escrevia isto. Mais, tenho pena de não encontrar a capa, mas lembro-me bem desta manchete de dia 5 de Setembro de 2012: «Transportes abrem novo ‘buraco’ de 2,2 mil milhões com derivados financeiros», no Jornal de Negócios. Há é muito jornalista preocupado com o acessório e não com o fundamental.

Mr. Brown às 22:43 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 12.04.13

Do mesmo barro

O coordenador, manifestamente, teria de achar que o assistente tinha mais do que competência para dar aulas na faculdade. Até porque, posso estar equivocado, julgo que é costume o coordenador ter intervenção na escolha do seu assistente. Enfim, apesar de ser reveladora para os mais distraídos, um dia, em vez deste tipo de notícia avulsa e cirúrgica com intuito declarado de prejudicar alguém em concreto, era bom que se fizesse uma investigação séria sobre tudo aquilo para que serviu um certo "ensino superior". Não foi só para arranjar títulos de "senhor doutor", mas também para arranjar tachos de "senhor professor". Políticos e jornalistas estiveram na linha da frente desse "sistema". Talvez por isso, esse dia nunca chegará.

Mr. Brown às 21:24 | link do post | comentar | favorito

O povo

E o povo - do CDS ao Bloco de Esquerda (basta ouvi-los na televisão) não suporta este Governo. Já não é só a esquerda, é a direita. De Bagão Félix, a Manuela Ferreira Leite, de Pacheco Pereira a António Capucho ninguém parece continuar disponível a acreditar em algo que este Governo faça. Sem discordar que boa parte do povo quer que o Governo caia, por amor de Deus, ouvir a gente referenciada é ouvir o povo? A sério? Enfim, vai ser muito difícil livrarmo-nos da lógica político-partidária que tem dominado o país. De resto, quando Henrique Monteiro diz que «ninguém defendeu aquele despacho nem aquele ministro», só tem razão se se refere exclusivamente ao tipo de pessoas citadas. Pois bem, e só para dar um exemplo pouco referido, eu ouvi João Ferreira do Amaral, insuspeito de simpatia para com a política seguida pelo ministro Gaspar, afirmar preto no braco em entrevista à TVI que se o despacho fosse coisa para durar alguns dias era compreensível. Mas Ferreira do Amaral não deve pertencer aos que dão voz ao povo, pois infelizmente não é dado a joguinhos de política partidária.

Mr. Brown às 19:36 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 05.04.13

Políticos

Primeiro, ontem, surge a informação no Expresso de que a decisão do Tribunal Constitucional vai ser divulgada hoje. Sexta-feira, fim da semana. Agora, mais se sabe, o anúncio será feito em pleno horário nobre. Durante a abertura dos jornais da noite. Podem ser juízes, mas o comportamento é de políticos.

Mr. Brown às 19:31 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 29.03.13

Tem conseguido?!?

Dívida pública engorda mil milhões de euros em 13 dias. «No que respeita à dívida, o Governo tem conseguido fazer engordar o respectivo rácio, agravando assim a responsabilidade que terá de ser assumida pelos contribuintes actuais e pelas “gerações futuras”», lê-se. Espectáculo. Aparentemente, este Governo tem gasto dinheiro como se não houvesse amanhã. Mas é só aparentemente, pois a mesma notícia que sugere que a responsabilidade é do actual Governo - um espectáculo o nosso jornalismo -, acaba por concluir: «Existe muito mais dívida ainda por reconhecer e que o será quando o Eurostat assim o decidir». Ah, portanto falamos de dívida que tinha sido varrida para debaixo do tapete e que agora está a vir à superfície. Quando é que foi varrida? Por quem? A que propósito?

Quinta-feira, 28.03.13

O passado

O PSD e o CDS quando foram para o Governo deixaram-se enlear na conversa de que de pouco valia andar a discutir o passado. Pois bem: ontem adormeci e hoje acordei com o país a discutir o passado. Temos, portanto, um país a debater tudo o que já havia sido debatido há dois anos, com os mesmos argumentos - e mentiras - de então, mas com a memória do auditório a quem se dirige o debate muito menos fresca. Sinceramente, não tenho paciência para voltar ao mesmo debate e à mesma teia de mentiras. De resto, é isto: Fool me once, shame on you; fool me twice, shame on me. A culpa já não é de quem «toma a palavra», a culpa é de quem lhe dá valor.

Mr. Brown às 13:42 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 27.03.13

Intriguistas

Ai não que não criam. Em boa parte, servem para criar empregos para os próprios e amigos, numa procura constante de fragilizar quem lhes bloqueia o caminho. Se antes da crise já assim era, então agora com a crise não é difícil imaginar o que uma pessoa no poder poderá fazer pela carreira dos que têm os cartões e as relações certas.

Mr. Brown às 20:05 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 22.03.13

Por outro lado

Quem é que dá importância aos Marcelos; aos Costas; aos Mendes; aos Sócrates (vamos já incluir este no lote, pois não estou esquecido do espaço televisivo que partilhou com Santana Lopes, o qual muito o ajudou a catapultar-se para onde se catapultou); e demais gurus do comentário político? O povo que, aparentemente, sem ouvir a opinião de tais gurus não teria opinião "própria" sobre os assuntos de enorme importância que alimentam a nossa vida política. Enfim: mais de cem mil numa petição contra Sócrates na RTP? E então? Quantos é que irão assistir à estreia do sujeito no comentário televisivo pós-regresso de Paris?

Mr. Brown às 22:41 | link do post | comentar | favorito

Gurus do comentário político

Marcelo Rebelo de Sousa; Marques Mendes; José Sócrates; Manuela Ferreira Leite; Augusto Santos Silva; Morais Sarmento; António Costa; e a lista podia continuar. Todos já tiveram responsabilidades governativas. A maioria ainda terá ambições políticas. A política vista de dentro para fora. E depois há quem pergunte porquê que o país pouco muda. Se são os mesmos que têm exercido o poder a influenciar em maior escala a forma como o povo olha para quem exerce o poder a cada momento, como podem esperar que a forma de exercer o poder mude o que quer que seja?

Uma e a mesma coisa

A petição contra Sócrates na RTP já passou das 110 mil assinaturas, coisa nunca vista em tão pouco tempo em nenhuma outra petição em Portugal. A maior que conheço é esta e para atingir as assinaturas que obteve demorou bem mais do que dois dias. Dito isto e outras considerações à parte, permitam-me constatar que tirando um pequeno grupo de gente com muita influência na comunicação social e que de alguma forma está ligada ao círculo dos que são próximos do ex-primeiro-ministro, a grande maioria do povo, à esquerda e à direita, tem anti-corpos fortíssimos contra Sócrates e os socráticos. Sampaio há não muitos dias referiu que a «disfunção entre a classe política e o povo é cada vez maior», aproveito a boleia e pergunto: e entre a comunicação social e o povo? Ou por que carga de água continuam a ter os socráticos tanta visibilidade nos órgãos de comunicação social? Bem, talvez a resposta seja evidente: porque a distinção entre "classe política" e "comunicação social" é cada vez mais ténue.

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