Segunda-feira, 17.06.13

CDS travestido de PCP

Lembrando que o valor do SMN em Portugal é «o mais baixo dos países ocidentais da Europa o que, em termos reais, está abaixo do salario mínimo verificado em 1974». A acreditar nisto que leio, a malta do CDS que subscreve a moção que Pires de Lima levará ao congresso do partido, onde muito me espanta encontrar Adolfo Mesquita Nunes entre os subscritores, que use os argumentos que bem entender para defender a subida do salário mínimo nacional, agora, ir buscar 1974 como ano para comparação é que não. Saber um pouco da história económica nacional não lhes ficava mal. Infelizmente, o dr. Soares também anda agora muito esquecido, pois o homem que introduziu igualmente os contratos a termo em Portugal, poderia explicar a este CDS travestido de PCP como o salário mínimo nacional fixado em 1974 era absolutamente absurdo e totalmente desfasado da realidade. Tanto que o dr. Soares, com a ajuda do FMI, no biénio 1977/78 tratou de provocar uma baixa no SMN, em termos reais, superior a 20%.

 

Nota: leiam quem sabe.

Domingo, 16.06.13

Amazon

France lifts block on EU-US trade talks. A notícia é boa porque o avanço para uma zona de comércio livre entre Estados Unidos e União Europeia é uma forma reconhecidamente eficaz de promover o crescimento económico de que ambos os blocos tão necessitados estão. Para a UE, então, onde as ideias escasseiam, esta notícia é uma brisa de ar fresco num deserto assustador. No caso português, por exemplo, basta lembrar como a nossa adesão à EFTA e depois à CEE corresponderam às duas melhores décadas de performance económica dos últimos cem anos para perceber a importância que um tal acordo pode ter para o nosso lado. Mas é má no sentido em que nos recorda os entraves que serão colocados a que tais negociações cheguem a bom porto rapidamente e produzam os melhores resultados possíveis. De resto, que sejam os franceses, na figura do governo liderado pelo crescimentista Holande, os primeiros a levantar entraves sérios ao avanço das negociações não nos deve admirar. Afinal, estamos perante o povo que declarou guerra ao «canalizador polaco» e que no sector cultural tem uma paranóia, uma inveja e um complexo de inferioridade em relação aos norte-americanos terrível.

Mr. Brown às 18:14 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 07.06.13

Custa-me dizer isto,

mas a dupla Gaspar & Álvaro, pelo menos ao nível do discurso, cada vez mais faz-me lembrar a dupla Pinho & Lino: que vacuidade discursiva. Quem é que lhes anda a escrever os discursos, o Duarte Marques?

Mr. Brown às 19:49 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 04.06.13

George W. Bush

O pai, ao contrário do filho, foi um bom presidente dos Estados Unidos. Porquê? Exactamente por aquilo que acabam agora mesmo de lembrar na SIC numa analogia com Passos Coelho: fez uma campanha com a célebre «read my lips: no new taxes», promessa que não haveria de cumprir, mas foi exactamente por não cumpri-la, o que levou à sua derrota nas eleições presidenciais seguintes, que Bill Clinton - que não baixou os impostos que Bush havia subido e continuou o esforço sustentado de redução da despesa pública - beneficiou de um período de prosperidade económica, combinado com superavits nas contas públicas norte-americanas.

Mr. Brown às 20:26 | link do post | comentar | favorito

Um que não quer triturar o Gaspar

O Governador do Banco de Portugal (que, como Gaspar, goza de prestígio na Europa): Carlos Costa considera que o melhor indicador para avaliar o desempenho do ministro das Finanças é a evolução do défice primário estrutural, porque desconta parte dos impactos que não são controláveis pelo Governo. O saldo estrutural primário passou de um défice de 6% do PIB em 2010 para um excedente de 0,2% em 2012. “É um grande ajustamento”, realça o governador. Contudo, para não ir mais longe, a economista Constança Cunha & Sá muito provavelmente discordará desta análise. Enfim, Gaspar, de facto, não terá feito tudo o que devia e podia ao nível da consolidação orçamental, mas que tem sido muito melhor do que a maioria dos ministros das finanças que o antecederam, tem.

Mr. Brown às 19:43 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 27.05.13

Krugman e a Fórmula 1

No último fim de semana assisti na tv ao Grande Prémio do Mónaco em Fórmula 1 e fiquei bastante preocupado com a falta de competitividade do mundial de construtores, com especial foco nalgumas equipas do fundo da tabela como a Caterham-Renault, a Marussia-Cosworth ou a Williams-Renault que, com seis provas realizadas, ainda não conseguiram pontuar. Perguntei a mim próprio se uma troca dos pilotos destas equipas não poderia alterar este estado de coisas, mas não demorei muito a chegar à conclusão que chamasse-se o piloto Passos ou Seguro, tendo em conta as caracteristicas do carro, nenhuma alteração substancial ocorreria e o mais certo era estas equipas continuarem com grande dificuldade em pontuar nas próximas provas. Contudo, não desisti e procurei um especialista: mandei um mail ao nobel Krugman a perguntar-lhe o que poderia ser feito para corrigir tal situação e a resposta foi pronta e simples: as equipas no topo da tabela, nomeadamente a Red Bull Racing, a Ferrari, a Lotus-Renault e a Mercedes deveriam diminuir a potência do seu motor, bem como a qualidade de outras peças mecânicas desenhadas pelos seus engenheiros pagos a peso de ouro, e a competitividade das equipas do fundo da tabela sairia reforçada. Agradeci a resposta, até por fazer todo o sentido, e decidi dedicar-me nos próximos tempos a convencer as equipas do topo da tabela a seguirem as recomendações feitas pelo grande nobel. Desejem-me sorte.

Mr. Brown às 20:21 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 26.05.13

Mudança de chip

1. Vítor Bento: «Neste momento não precisamos de mais auteridade»

2. António Borges: «Portugal não precisa de mais auteridade»

3. A narrativa é de novo a de que os estabilizadores automáticos vão resolver tudo?

4. Doce ilusão.

Sexta-feira, 24.05.13

Pesadelos

«Falta por parte de todos os actores que legitimamente têm interesses conflituantes a noção que o compromisso possível não pode ir contra as restrições que se colocam ao País. [...] Os que ignoram as restrições acordam sempre de manhã com pesadelos pois elas impõem-se mesmo que as tentemos esquecer». E nem imaginam como é exasperante para os que percebem as restrições a que o país está sujeito assistir ao digladiar desses actores com interesses conflituantes que não têm noção da realidade e que atiram-nos a todos para um pesadelo colectivo. Há mais de uma década que tem sido assim, desde que aderimos ao Euro, sempre em declínio, ainda que muitos não o tenham percebido imediatamente. Contava que a queda livre que tivemos nos últimos dois anos abrisse os olhos a muito boa gente. Mas nem isso, antes pelo contrário. É tudo a querer manter a mesma fatia de um bolo que já não existe.

Mr. Brown às 20:19 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 23.05.13

«Chegou o momento do investimento»

Isto agora já não interessa para nada.

Mr. Brown às 20:25 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 21.05.13

Empreendedorismo

Acabem com o Prós & Contras e metam no seu lugar um programa tipo Shark Tank. Infelizmente, julgo que este último programa não tinha grande margem de progressão em Portugal. Primeiro, não faço ideia quem poderiam ser os «sharks» nacionais, mas sobretudo adivinho que faltariam as pessoas com ideias para ir lá apresentar (o Martim, apesar de lhe elogiar o esforço, lamento, mas ainda não é nada). Quando se fala dos Estados Unidos e da sua possível recuperação económica e se lhe compara com o que se passa em alguns países europeus uma das variáveis frequentemente ausente da análise é a natureza profundamente capitalista da América que não existe em muitos países europeus. Portugal incluído.

Mr. Brown às 20:15 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 17.05.13

Dar voltas e voltas e voltar ao mesmo

Luís M. Jorge consegue num mesmo post citar um texto onde contesta-se a «austeridade a qualquer custo imposta pela Alemanha à Europa» e dar-nos a saber que qualquer dia repesca «o que se afirmou por cá sobre a “falta de alternativas à austeridade” e outras apologias maviosas do suicídio». Curiosamente, parece-me que não precisa repescar grande coisa, uma vez que o texto que cita e que serve de base à observação final assume directamente o carácter obrigatório e sem alternativa da austeridade. De resto, sem um Hollande que dê a muita gente o exemplo do milagre crescimentista que buscam, há quem procure refúgio em Obama, como se os Estados Unidos da América pudessem alguma vez ser comparados aos Estados Desunidos da Europa e as soluções que estão disponíveis a um, estivessem disponíveis a outros. Não estão, dai a ideia da «austeridade a qualquer custo imposta pela Alemanha», o que também não passa de uma mistificação, mas adiante: noto que essa mesma Alemanha estúpida não tem défice (tem superavit), tem uma dívida inferior à norte-americana e, apesar de uma perfomance recente ao nível do crescimento económico inferior à que se tem verificado nos Estados Unidos - ainda que, note-se, no início da crise tenha tido uma quebra do PIB muito inferior à que abalou os states -, tem uma taxa de desemprego mais baixa que a norte-americana. Qualquer que seja a política que estes alemães estão a seguir, não me parece que mudem radicalmente a mesma tão cedo. Outra crença que não esta passa facilmente por «apologia maviosa do suicídio».

Mr. Brown às 19:19 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 15.05.13

Uma vénia ao pensionista Silva Lopes

«A geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui. Não pode ser. Eu sou pensionista, sou da geração grisalha, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio». Como nunca me canso de dizer, Silva Lopes é um tipo decente. Entretanto, na capa do Económico, prova da asfixia financeira por que passam os actuais pensionistas. E, sim, entre os pensionistas há vários casos e é comovente vir com a imagem do pensionista pobrezinho que mal ganha para ter uma vida decente e digna, o que porventura até será o caso de boa parte dos pensionistas, mas quando se fala de taxas sobre os pensionistas e outras contribuições tais, está-se a falar de medidas que afectam sobretudos aqueles que ganham bem acima da média. E, esses, por muito que berrem, é da mais elementar justiça que sejam chamados a contribuir de forma significativa para o reequilíbrio das contas públicas em Portugal.

Domingo, 12.05.13

Refúgio internacional

O relatório da OCDE dá especial atenção à necessidade de políticas para o desenvolvimento económico. Neste contexto, defende uma descida dos impostos, nomeadamente do IRC e também a redução das contribuições para a Segurança Social. A sério, andam a encomendar estes estudos porquê e para quê? Baixar o IRC e a célebre TSU, é esta uma das brilhantes conclusões da OCDE para promover o crescimento económico que, como todos sabemos, é uma ideia que não tinha passado pela cabeça de ninguém cá em Portugal. O problema deste Governo nunca foi não ter informação suficiente sobre o que precisava de fazer, antes pelo contrário, foi não ter conseguido fazer tudo o que sabia que tinha de ser feito. Agora anda à procura do apoio das instituições internacionais para levar a cabo aquilo que não quis fazer logo no inicio. Triste.

Mr. Brown às 00:01 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 10.05.13

Empenho ao nível da incompetência

Isto foi com o Governo a apostar tudo por tudo nas exportações. O que seria se não o tivesse feito. Enfim, com este Governo, mesmo naquilo em que este se empenha a 200%, os resultados obtidos face aos objectivos nunca passam da mediania. Ou seja, não é um problema de empenho, é mesmo de profunda e terrível incompetência.

Mr. Brown às 13:14 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 08.05.13

Seja o que Deus quiser

1. Como meta, fixa um crescimento sustentável da economia nacional acima de 2% ao ano, em 2020.

2. Governo prevê crescimento do PIB igual a 2,2% em 2017

3. Ou o crescimento previsto para 2017 não é sustentável ou o Governo trabalha com base em previsões em que, verdadeiramente, não acredita. Aposto na última.

Terça-feira, 07.05.13

I love the smell of Napalm in the morning

«Ajustamento de Portugal é muito mais bonito».

 

 

Smells like... victory.

Mr. Brown às 20:34 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 03.05.13

Rigidez na defesa do cumprimento da lei

Graças a uma reportagem que acabo de ver na SIC, fiquei a saber que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) visita empresas e faz cumprir a lei. Se és empresário e tens extintores fora do prazo de validade, toma lá multinha e não te queixes (se bem percebi, a multinha em causa por cada extintor equivaleu a 3 salários mensais de um trabalhador com remuneração baixa, mas podia ir aos 12). Contudo, o empresário multado decidiu fazer uma visita à ACT no Porto e qual não é o seu espanto quando descobre que os extintores presentes nos escritórios desta estão fora do prazo de validade. Devia ser permitido ao empresário passar uma multa à ACT que revertesse a favor do próprio. Estas autoridades moralmente desautorizadas são do pior que há no país. E com as suas multinhas ridículas por tudo e por nada, ainda que no estrito cumprimento da lei, só prejudicam o crescimento económico e a criação de emprego. E o que se perde com isto não é só medido pelas multas que passam: não faltam empresas em Portugal que podiam estar a contratar mais pessoal, ou a pagar melhor aos actuais funcionários, e abdicam de o fazer porque preferem gastar dinheiro a garantir que cumprem todas as merdinhas que estão obrigadas a cumprir por lei. Noutro contexto, até podia compreender o alcance da legislação em vigor. No actual contexto, não compreendo.

Terça-feira, 30.04.13

DEO

«O ano do grande esforço será o próximo, com o Governo a prometer medidas no valor de 2,8 mil milhões de euros. Em 2015 estão previstas medidas no valor de mais 700 milhões de euros, e em 2016 de 1.200 milhões». Espero para ver, contudo, duas coisas saltam imediatamente à vista: 1) o objectivo pouco ambicioso para 2015, ano que só por acaso é aquele em que se realizam eleições; e 2) «apesar de apresentar o DEO, o Governo não dará já a conhecer quais as medidas de austeridade concretas que serão aplicadas. Estas, disse Vítor Gaspar, serão apenas divulgadas nos próximos dias». No fundo, e os sinais apontam para isso, não tenho grande esperança que este DEO alguma vez venha a ser concretizado. Mas que a comunicação do Governo para o exterior está em alta, não tenho dúvidas:

 

 

Domingo, 28.04.13

Tango

Apresento-vos o ministro da economia da Argentina:

 

Recordar: o exemplo argentino.

Sexta-feira, 26.04.13

Regra de ouro

Maioria e PS aprovaram lei da regra de ouro. A notícia tem sete dias. Uma das coisas que não percebo na irritação que os socialistas demonstram com o discurso de Cavaco Silva prende-se com o facto de boa parte da mesma vir simplesmente deste último ter recordado o que a regra de ouro implica. Não me digam que os socialistas em seis dias descobriram que aprovaram uma coisa que não pensam cumprir? Talvez nunca tenham pensado cumprir? Se assim é, gente de boa-fé esta, não?

Terça-feira, 23.04.13

A mudança

Do governo do excel para o governo do powerpoint.

Mr. Brown às 21:40 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 17.04.13

Thatcher leads the way

Primeiro a tempestade (recessão e aumento do desemprego), depois a bonança (a Thatcher também foi uma crescimentista):

 

 

Primeiro a despesa sobe, sobretudo despesa com a segurança social resultantes do impacto da recessão, como normal, depois a despesa baixa, para um nível inferior ao que se verificava antes da recessão:

 

 

Basicamente, isto é o que devia acontecer e muita gente espera que aconteça em Portugal. Infelizmente, ainda que o Reino Unido fosse à altura da chegada de Thatcher ao poder «the sick man of Europe», comparado com o estado em que Portugal se encontrava quando cá chegou a troika, estava em relativa boa forma.

 

Nota: os gráficos foram retirados daqui.

Mr. Brown às 19:12 | link do post | comentar | favorito

Convergência


Daqui
. A explicação para estas coisas é sempre complexa e implica a análise de muitas variáveis, mas quanto do gráfico acima exposto pode ser explicado simplesmente pelo aprofundar da globalização?

Mr. Brown às 19:00 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 08.04.13

Euro

 

25 Euros, mais coisa, menos coisa.

Mr. Brown às 21:00 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 25.03.13

Considerem-se avisados

Chipre pode ser modelo para futuros resgates. Depois suavizou as declarações, mas o aviso estava dado e dirige-se a países com bancos falidos que poderiam pensar em pôr todos os contribuintes da zona Euro a fazer o bailout total dessa mesma banca. E aqui está uma opinião com a qual todos os portugueses que criticam a nacionalização do BPN devem concordar: «Não queremos que os contribuintes salvem os bancos. Os bancos têm que se salvar a eles próprios». Em Espanha, e um pouco por toda a zona Euro, sentiu-se o tremor de terra.

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