Terça-feira, 11.06.13

Televisão e dívida pública

«O Governo está disposto a sacrificar a rádio e televisão pública para cumprir» as exigências dos credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), afirmou o sindicato da ERT em comunicado. A ideia de que a troika impõe esta medida ao Governo grego é, atrevo-me a dizer, treta. A troika serve como bode expiatório. Contudo, vejamos: o que todo o credor quer é que paguem o que lhe devem. O que o FMI anda novamente a dizer sobre a Grécia é que esta, muito provavelmente, precisará de novo perdão da dívida (os que já teve não terão sido suficientes). Perante isso, deve ser engraçado explicar ao credor, que já perdoou uma parte da dívida e pelos vistos terá de perdoar ainda mais, para não falar de que continua feito tolinho a emprestar dinheiro aos gregos (a dívida não pára de aumentar), que o Governo grego não tem dinheiro para lhe pagar o que deve, mas que tem milhões por ano para sustentar uma televisão pública. Nesse sentido, está, implicitamente, presente aqui uma espécie de imposição. É a imposição de não tomarem os credores por parvos (os contribuintes há algum tempo que são tomados por tal). Lá como cá.

Mr. Brown às 20:19 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 06.06.13

Os erros do FMI (3)

Claro que teria. Não havia dinheiro, não havia alternativa. O FMI ou punha-se à margem e recusava integrar a troika, ou tinha de seguir o guião elaborado pelos líderes políticos europeus. O que a instituição liderada por Lagarde quer agora é tentar forçar a Europa a deixar de empurrar o problema com a barriga e a assumir um compromisso credível: Directors expressed concern that public debt is projected to remain high well into the next decade and concurred with the assessment that macroeconomic risks are on the downside. In this context, Directors welcomed the assurances from Greece’s European partners that they will consider further measures and assistance, if necessary, to reduce debt to substantially below 110 percent of GDP by 2022, conditional on Greece’s full implementation of all commitments contained in the program. E isto, claro, também é assunto que nos pode dizer respeito. Andam é muito equivocados aqueles que acham que uma reestruturação da dívida é o fim da austeridade e vai permitir o regresso à vida antiga. Não vai. Pelo contrário, um compromisso desta natureza também nos irá obrigar a deixar de empurrar a resolução dos problemas que dependem exclusivamente de nós com a barriga, sendo um dos principais destes problemas a insustentável despesa do Estado. É ir ver o que outro relatório produzido por técnicos do FMI diz sobre o que pode ser feito nesse campo.

Mr. Brown às 19:13 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 05.06.13

Os erros do FMI (2)

Um exercício de memória: no memorando português, havia uma medida muito associada ao FMI, a da baixa da TSU, o «game changer». Era não só uma das poucas medidas no memorando que visava favorecer o crescimento económico no curto-prazo como era, de muito longe, a mais importante nesse capítulo. O Governo português abdicou dela e, com excepção do FMI, pouco fomos pressionados a encontrar uma alternativa credível à mesma - alternativa que nunca encontramos. O FMI para Portugal pode fazer coisa semelhante ao que faz em relação à Grécia, mais do que assumir qualquer culpa, desculpa-se: no fundo, sabíamos que algo de diferente devia ter sido feito, mas não éramos só nós a mexer os cordelinhos.

Os erros do FMI

As previsões para a evolução da dívida, do défice e do crescimento económico eram uma autêntica chachada - e, no fundo, nós sabiamos disso -, mas se os restantes países da zona euro não queriam assumir imediatamente a bancarrota oficial do país, nem dar mais dinheiro à Grécia, pouco de muito diferente podíamos fazer.

 

Nota: o relatório do FMI, boas leituras.

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Mr. Brown às 21:10 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 04.02.13

Internacional fantasista

Seguro não podia pedir melhores companheiros mediáticos para a reunião da Internacional Socialista em Lisboa: a nulidade Royale e o fracassado Papandreou. Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. De resto, nota-se perfeitamente que esta gente continua a delirar, sobrestimando a importância da política europeia na resposta à crise e subestimando as respectivas responsabilidades de cada um dos Estados-membros no que lhes aconteceu. Aliás, quando se acha que só por Draghi se explica o regresso aos mercados, ainda muito tímido, de países como Irlanda e Portugal é essa ideia que está a ser reforçada. Já faltou mais para a maioria dos povos dos periféricos voltarem à argumentação de que não vale a pena dar especial atenção aos desequilíbrios nas contas públicas e externas. Afinal, se quase tudo Draghi resolve, se quase tudo Draghi explica, andamos a tentar reduzir o défice público e externo a que propósito? Se em vez de reduzi-los, estes tivessem aumentado, tanto faria, não é assim? Europa malvada que não nos deixa gastar mais e mais. Não se compreende.

Mr. Brown às 19:17 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 24.01.13

Morreu

A ideia de que Portugal é a Grécia com um ano de atrasado.

Mr. Brown às 19:45 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 06.12.12

Antes fôssemos a Irlanda

Taxa de desemprego na Grécia agrava-se para 26%. É só uma subida de 0,7 pontos percentuais de um mês para o outro. Mas ser «mau aluno» é o que está a dar na douta opinião de uns seres muito respeitáveis da nossa praça pública... por outro lado, o «bom aluno» irlandês, também ele alvo de um resgate da tenebrosa troika, solicitado quando ainda não estava no desespero completo, e cujo Governo, que não deve ter grande jeito para a negociação, foi rápido a colocar a extensão das condições da Grécia fora das suas perspectivas, entalando o Governo português que não consegue fugir às pressões da esquerda histérica e abriu inúmeras brechas na sua estratégia inicial, viu a sua taxa de desemprego baixar para os 14,7%, o que contrasta com os 15% de há um ano. Mas nós temos uma atracção pelo abismo que é uma coisa parva. Os irlandeses tiveram o azar de ter banqueiros irresponsáveis, o nosso azar é mais com os políticos e a gentalha que farta-se de produzir lixo opinativo por tudo quanto é lado.

Terça-feira, 04.12.12

Das letrinhas pequenas no contrato

- Queres um prolongamento no tempo do teu empréstimo bancário, com período de carência e diminuição dos juros a pagar pelo mesmo como teve o teu amigo Giannakopoulos?

- Sim, sim, quero tudo. É tão bom, sinto-me tão feliz.

- Pois bem, estivemos a pensar melhor no teu caso e damos-te o que demos ao teu amigo Giannakopoulos se aceitares partilhar a propriedade da tua casa connosco.

- Mudei de opinião.

Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar | favorito

Antes fôssemos

«Não somos a Grécia. Gritavam os membros do atual Governo, há um ano, com alguma insistente sobranceria. Vendo as coisas, comparativamente, à luz de hoje, é caso para dizer, "antes fôssemos".» Vejamos as coisas, comparativamente: na variação percentual do PIB no terceiro trimestre deste ano quando comparado com trimestre igual do ano passado a Grécia caiu 7,2% contra 3,4% para Portugal; na taxa de desemprego a Grécia, em um ano, passou de uma taxa de 18,4% para uma de 25,4% quando em Portugal a subida foi de 13,7% para 16,3%; e, já agora, apesar das limitações do indicador, a percentagem da população em risco de pobreza ou exclusão social era no último ano de 31% na Grécia, o que representava uma subida significativa face a anos anteriores, enquanto em Portugal era de 24,4%, o que representava uma descida significativa face a anos anteriores. Dado isto, poderia ser dito: mas os gregos já percorreram um caminho que Portugal ainda está a percorrer. Nada mais errado: o défice, a dívida pública e até a previsão para crescimento económico em 2013 da economia grega têm valores piores do que os nossos. Claro que nada disto é de grande regozijo porque com o mal dos outros podemos nós bem e, não fosse a Grécia, a lanterna vermelha em quase todos estes indicadores éramos nós, mas só um lelé da cuca é que acha que seria preferível sermos a Grécia. Até porque o pior da Grécia é algo que não é medido por estes indicadores e que o dr. Soares traduz por um benigno «lá se arranjou o dinheiro necessário para dar à Grécia». Lá se arranjou forma da Grécia ficar na completa dependência da Europa sem acesso aos mercados por largos e largos anos. «Quando há vontade política, é assim que acontece.» Parece que a vontade de alguns senadores lelé da cuca é essa mesma: atirar-nos para a situação da Grécia, o que só pode ser entendido numa lógica de quanto pior, melhor. Deve ser isto que se entende por defesa do interesse nacional.

Segunda-feira, 03.12.12

Condições muito onerosas

É bom lembrar o custo da "ajuda" à Grécia: «Uma das consequências do que se está a passar com a Grécia é que a Grécia se tornou um protetorado europeu». A Europa não tem dado benefícios à Grécia, mas meros balões de oxigénio a um país sem qualquer outra saída que perdeu autonomia. E é isso que o ministro das finanças alemão, mas também o ministro das finanças do governo do senhor Hollande, vieram recordar hoje: quando Portugal estiver em situação «chocante» igual à da Grécia, entalado e sem saída, pois que procuremos os "benefícios" da Europa, entretanto, não pensemos muito nisso que nem nos faz bem.

O fantasma grego

Beneficiaremos de todas as condições da ajuda à Grécia quando e se formos a Grécia. Entretanto, temos de continuar a tentar ser a Irlanda: «A Irlanda não é a Grécia, a situação grega é totalmente diferente daquela da Irlanda, e o pacote concebido para a Grécia é único para a Grécia, e tem condições muito onerosas associadas». O mal é que a nossa economia, o nosso Tribunal Constitucional, a maior parte da nossa classe política, enfim, a nossa sociedade, teimam em empurrar-nos para a situação grega, muito mais do que para a irlandesa. E Passos Coelho e Vítor Gaspar, que estão sob enorme pressão, foram, nas declarações já realizadas sobre a extensão da ajuda grega a Portugal, manifestamente precipitados e pouco cautelosos na ideia que deixaram passar. É bom lembrar que quando a Grécia conseguiu o primeiro perdão da dívida, nenhum outro país pediu um igual para si. Escuso de explicar porquê.

Terça-feira, 27.11.12

Benefícios

Pois pode: podemos beneficiar das condições da Grécia, como beneficiaremos em qualquer caso e já beneficiamos no passado, sem termos de passar pelas «figuras tristes» da Grécia. Essa é uma oportunidade - a possibilidade de debater a nossa situação fingindo que debatemos únixa e exclusivamente o caso grego - que este Governo, resistindo às pressões da esquerda estérica e não só, nunca deixou escapar. E entenda-se que o não passar pelas «figuras tristes» da Grécia é uma estratégia win-win. Para a Europa, que mantém a aparência de que só lida com uma Grécia. E a aparência conta porque depois os governantes do norte têm de ir vender aos seus povos estes acordos. Para Portugal, que não sofre os efeitos económicos negativos que as «figuras tristes» da Grécia trouxeram a esta. Além de que, como é óbvio e relacionado com o primeiro ponto, temos todo o interesse em facilitar a aprovação do nosso resgate pelas democracias dos países que nos resgatam.

 

Nota: «Portugal ganha no alívio da dívida mas perde por ser identificado com a Grécia».

Mr. Brown às 12:02 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 15.11.12

Insustentável tolerância

«A situação internacional, a crise na Zona Euro, a situação em Espanha não ajudam nada Portugal a ultrapassar a situação insustentável a que chegou nos desequilíbrios da sua economia». Talvez se não tivesse existido tanta tolerância para com quem destruiu o país, hoje não estaríamos tão dependentes do exterior. É que há várias formas de destruição e o presidente, pelo que não fez, compactuou com a que mais contribuiu para estarmos hoje como estamos. Fez um discurso onde alertou para a situação explosiva, é um facto e ele não se cansa de lembrá-lo, mas quando fez tal discurso já o rastilho estava aceso há algum tempo e Cavaco sabia-o. E tinha sido aceso muito antes de Cavaco ter chegado a presidente; muito antes de Sócrates ter chegado a primeiro-ministro; muita gente sabia disso e tão pouca gente tentou fazer o que quer que fosse. «Deus nos livre de ficarmos parecidos com a Grécia»? Pois, não é por Cavaco que nos livramos.

Sexta-feira, 02.11.12

Patinam, patinam

Fixing Greek Debt Remains Elusive Euro-Zone Target 

 

E não saem do mesmo sitio: Dívida pública [grega] atingirá os 189.1% do PIB em 2013. É um valor aproximado ao que tinham antes do tão badalado perdão da dívida que, pelos vistos, de pouco serviu. Mas isso já se sabia. O que também se sabe é que novo perdão terá de estar na calha. Só um milagre faria com que os gregos pagassem o que devem.

Mr. Brown às 13:17 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 30.10.12

O mal esteve no mensageiro

Se Portugal aguenta mais austeridade? É óbvio que aguenta. Os gregos, por exemplo, estão a aguentar uma austeridade muito mais agressiva do que a nossa. Mas saber que aguentamos mais austeridade, não significa que nos devemos atirar a ela de cabeça. Por isso, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para não cairmos na situação da Grécia, apesar de alguns irresponsáveis que por ai andam não contribuirem em nada para esse desiderato. Foi mais ou menos isto que depreendi das palavras de Ulrich, embora o jornalista - da Lusa - que escreveu esta notícia tenha depreendido coisa diferente. A minha interpretação final deste episódio é a de que hoje em dia para alguém estar razoavelmente informado, tem de evitar ao máximo o recurso à intermediação dos jornalistas no processo de obtenção da informação.

Sexta-feira, 12.10.12

Pois

Como é que se mete uma economia a funcionar quando inserida numa moeda forte que é areia a mais para a sua camioneta?

Mr. Brown às 21:03 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 09.10.12

E a Irlanda, pá?

Grécia, Espanha e Portugal. E a Irlanda? Já está em fase de crescimento económico. Moderado e frágil, mas, ainda assim, crescimento. Quem diria? Mas, mais importante, porque será?

 

Adenda: porque há imagens que valem mais do que mil palavras, aqui fica o quadro com as previsões do FMI para o crescimento económico de um dado conjunto de países (em %):

 

Mr. Brown às 23:43 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 26.09.12

Não há troika

Em Espanha as manifestações não podem ser feitas com o slogan «que se lixe a troika». Lá ainda não chegou a troika. O que há em comum entre a Espanha, Portugal e Grécia não é a troika, é o fim do dinheiro que jorrava e a repercussão dessa realidade em países que não só precisam de alimentar um défice público muito elevado como estavam habituados a viver à custa do endividamento externo.

Mr. Brown às 20:06 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 13.09.12

Comparações

Se há coisa que não suporto é quando usam o exemplo da governação espanhola ou grega para dar lições a quem nos governa. O desemprego em Espanha está nos 25,1% e na Grécia em 23,1%, muito afastado dos 15,7% que se verifica em Portugal. Devem estar a ir por melhor caminho do que nós.

Mr. Brown às 13:13 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 10.09.12

PSD não é o PASOK?

 

Até quando? Portugal anda a mimetizar a Grécia com um ano de atraso.

Mr. Brown às 20:33 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 03.09.12

Baixar salários

Melhor que eliminar 4 feriados é eliminar 52 dias habitualmente de descanso. Uma medida radical, mas que demonstra o esforço sobre-humano a que troika gostaria de submeter os gregos para estes permanecerem na zona Euro. De resto, sabendo que o corte de subsídios a funcionários públicos tinha como objectivo a baixa salarial na economia portuguesa e a sua substituição por um imposto não replica esse efeito, pelo contrário, no sector privado irá ser um empecilho a diminuições salariais, gostaria muito de saber o que andará pela cabeça dos homens de negro que estão a tratar do caso português. E não deixa de ser notável que por esta altura ainda não façamos a mais pequena ideia do que irá substituir o corte de subsídios declarado inconstitucional. Por outro lado, sei muito bem o que os juízes do Tribunal Constitucional tinham na cabeça quando tomaram aquela decisão: nada, um vazio absoluto, uma ignorância brutal sobre aquilo a que a sua decisão nos poderá/irá submeter. Em países como Portugal, Espanha e Grécia, não há só um problema de contas públicas, mas também um problema grave de competitividade, expresso na problemática do défice externo. A resolução deste último problema vai dar tantas ou mais dores de cabeça do que o primeiro.

Sexta-feira, 27.07.12

Letónia vs Grécia

Lessons from Latvia. O ajustamento da Letónia para superar a crise foi muito doloroso, mas bem sucedido - e fizeram-no sem recorrer à desvalorização da moeda, ainda que o recurso a tal medida estivesse disponível -, por isso, tal como aos finlandeses, não lhes falta moral para fazer afirmações deste género.

Mr. Brown às 14:11 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 22.07.12

Sinais

1. FMI quer cessar ajudas à Grécia, que poderá abrir falência em Setembro

2. Saída da Grécia da zona euro «é possível e já não assusta»

Mr. Brown às 18:24 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 18.06.12

Ganhar tempo

É o que sai do resultado das eleições na Grécia. Ainda não foi desta que tivemos um qualquer BE a governar um país da zona Euro. Bolas! E o fim da austeridade logo aqui tão perto. Mas no fundo, para Portugal, penso que acaba por ser melhor assim. E no fim é isso o que mais interessa.

Mr. Brown às 22:18 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 17.06.12

Election day

«here come the fucking Greeks again»

Mr. Brown às 10:57 | link do post | comentar | favorito

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