Ciclo eleitoral
Subsídios de férias e Natal serão repostos gradualmente a partir de 2015. Promessa para ano de eleições. Há coisas que nunca mudam.
Subsídios de férias e Natal serão repostos gradualmente a partir de 2015. Promessa para ano de eleições. Há coisas que nunca mudam.
«Optimismo é acreditar que as políticas duras dos próximos anos vão resultar num Portugal melhor em 2020». Mas essa é uma data que - ainda para mais num país que, tal como escreve Nuno Garoupa, votou «massivamente pela irresponsabilidade financeira e pelo endividamento excessivo para pagar consumo de curto prazo» - não serve a um Governo que sonha com a reeleição. Governar a apontar para 2020 quando há eleições legislativas marcadas para 2015 não cabe na cabeça dos governantes nacionais. O discurso optimista que adoptam em relação à segunda metade da legislatura é reflexo disso mesmo.
Votantes no estrangeiro nas eleições presidenciais de 2011: 12.682
Votantes no estrangeiro nas eleições legislativas de 2011: 33.059
Lello responsabiliza Cavaco pela situação no Rio de Janeiro. Muito gosta este gajo, e outros que o acompanham, do lamaçal. E pobre país o nosso que tem de os aturar. Como comentou o antigo dirigente socialista Manuel de Melo a propósito de um outro caso, «aqui está o resultado do rico trabalho de Lello, Pisco e Caio Roque». Gente que não devia estar na política, muito menos num partido com a importância do PS.
O BE teve o seu grupo parlamentar reduzido a metade. Entre as perdas, destaque-se a de José Manuel Pureza, em Coimbra, e a de José Gusmão, em Santarém, dois dos mais activos e melhor preparados deputados do BE na última legislatura. Contudo, Louçã não abandona a liderança do partido. Boa sorte. A continuar assim, não me admiraria se nas próximas eleições o partido ficasse reduzido a um deputado: o próprio do Louçã. Mais não merece e já é muito.
Socráticos, habituem-se: temos um novo primeiro-ministro.
Agora, por aqui, para além de malharmos nos suspeitos do costume, aplicaremos igual tratamento ao Coelho sempre que este fizer asneira. Está feito o esboço do que serão os posts deste blogue nos próximos meses. Amanhã é outro dia.
Hoje, José Sócrates conseguiu pior resultado para o PS do que o obtido por Santana Lopes para o PSD em 2005. 28,05% contra 28,76%.
Assumindo uma distribuição de 3 para o PSD e 1 para o PS nos deputados eleitos pelos círculos da emigração, os 230 lugares da Assembleia da República ficam distribuidos da seguinte forma:
PSD: 108 (+27)
PS: 74 (-23)
CDS: 24 (+3)
PCP: 16 (+1)
BE: 8 (-8)
Este gajo já arranjava um cargo vitalício bem remunerado no exterior para nunca mais termos de ouvir falar dele. Emigre engenheiro, emigre. Vá exibir o seu talento bem longe daqui.
Entre a convicção de vitória de Sócrates, a candidatura a primeiro-ministro de Portas e o pedido de maioria absoluta de Pedro Passos Coelho, o mais realista era o último cenário.
O PSD não terá maioria absoluta, mas valerá o quádruplo do CDS/PP. Paulo Portas não contava ir para o próximo Governo com base numa relação de forças tão desfavorável.
«O povo falou e falou bem claro». O champanhe já foi aberto. PS e BE derrotados em todas a linha. O PCP igual a si próprio. O CDS aquém das expectativas. O PSD ganha folgadamente. Já nos livramos de José Sócrates. Adeus e que não volte mais. Que Passos Coelho faça melhor. Muito melhor.
Álvaro Santos Pereira escreve aqui que «há cada vez menos dúvidas que as eleições de 5 de Junho são as mais importantes desde o início da nossa jovem democracia». Não concordo. Mais importantes foram as de 2009 e saiu-nos cara a escolha de então. Estas apenas permitem corrigir um erro, mas parte do mal já está feito. E já só falta 1 dia para nos livrarmos de José Sócrates.
Sou dos que acabaria com este dia da treta a que se convencionou chamar dia de reflexão, mas que há algo de agradável neste silêncio antes do grande dia, lá isso há.
Dia de eleições com aguaceiros e trovoadas. Um dia cinzento para marcar o fim de uma governação cinzenta. E já só faltam 2 dias para nos livrarmos de José Sócrates. Contudo, o legado sombrio deste governo socrático demorará anos a tratar.
Recordamos ainda que, em seis anos de governação, nunca o actual primeiro-ministro encontrou tempo para esclarecer os nossos ouvintes. Para não «[des]agradar ao auditório da Rádio Renascença», nada melhor do que nunca enfrentá-lo. É uma forma de fazer política que terá a resposta que merece dia 5 de Junho. Já só faltam 3 dias para nos livrarmos de José Sócrates.
José Sócrates está muito incomodado com os discursos dos «barões do PSD». Como o compreendo: nas suas conversas com o Luís, deve lamentar todos os dias o silêncio do barão-mor do seu partido, Mário Soares, em relação ao PSD e a Pedro Passos Coelho. Além de que estar limitado nos apoiantes à ministra do desemprego; ao homem do fim da crise; e ao gajo do aparelho; no antepenúltimo comício de uma campanha que não corre pelo melhor, não deve ser coisa agradável.
1. Que tenha dado conta, o Jornal de Negócios foi o primeiro a noticiar tal coisa durante o dia de hoje: Governo comprometeu-se com "corte substancial" na TSU. Façamos de conta que isto é notícia nova e não um facto conhecido há semanas. Se para o PSD têm criado notícias à conta de factos inventados, para o PS usam agora a técnica de criar notícia à custa de dados antigos apresentados como novos. Pobre jornalismo o nosso. A propósito disto, num dos episódios do Expresso da Meia Noite, assisti a uma opinião muito interessante de Martim Silva: o jornalista criticava o PSD por este ter demorado uma semana a demonstrar que o PS tinha-se comprometido com a «troika» a uma redução substancial da TSU. Pelos vistos não percebia que a crítica podia e devia ser dirigida a ele próprio e aos seus colegas: como é que os jornalistas alimentaram aquele pingue-pongue durante uma semana? Não leram o acordo da «troika»? O jornalista tem a obrigação de informar e estar informado, mas o conceito de informação para alguns dos nossos jornalistas parece passar única e exclusivamente pelo que os partidos dizem.
2. Outro pequeno exemplo de mau jornalismo, ainda no Jornal de Negócios: PSD sobe para 38,5% na sondagem da Marktest. Isto é o título, e no corpo da notícia: O PSD perde apenas 1,2 pontos percentuais face ao Barómetro de 11 de Maio. Com sorte pode ser que dêem pelo erro.
3. Sócrates diz que partidos da oposição vão ter surpresa no domingo. Coitado. O único surpreendido deverá ser ele, pela dimensão da derrota que o aguarda. Certo é que já só faltam 4 dias para nos livrarmos de José Sócrates.
Esta coisa dos prazos apertados aumenta a importância que tem de ser atribuída à escolha do próximo ministro das finanças. Este não pode ser um individuo que vá para o cargo com necessidade de perder tempo a inteirar-se dos assuntos que dizem respeito ao ministério. E não só tem de estar por dentro dos principais tópicos acordados no memorando de entendimento com a «troika», como tem de ter uma ideia clara de como cumprir o acordado. Do lado do PSD não me parece difícil adivinhar quem é a figura apropriada para o cargo. Homem experiente, que não precisa da política para nada, com carreira feita, incluindo anterior passagem pelo cargo de ministro das finanças, podemos até questionar-nos sobre o que levará um homem como Eduardo Catroga a aceitar tal missão nestes tempos difíceis, mas tenho poucas dúvidas de que não só aceitará o cargo - há rumores de que já aceitou - como, fruto das negociações que liderou em nome do PSD - quer para o OE2011, quer com a «troika» -, será difícil encontrar alguém mais habilitado do que ele para a tarefa hercúlea que se adivinha. Isto não implica que não tenha defeitos, mas as circunstâncias contam e estas limitam muito a capacidade de escolha no momento actual. O que já não sei responder, até porque o candidato não anda muito bem acompanhado no domínio económico, é em quem recairia a escolha caso o engenheiro Pinto de Sousa ganhasse as eleições. Só sabemos quem não seria: Teixeira dos Santos. Mas de quem colocou Silva Pereira como membro integrante da equipa de negociadores com a «troika», não faço ideia do que esperar. Enfim, que estupidez a minha perder tempo a pensar nesta matéria: esta é questão que não se colocará. É que já só faltam 5 dias para nos livrarmos de José Sócrates.