Nota: entre os dez referenciados, há pessoas que muito respeito. Outros casos, nem por isso. Mas dez é um batalhão e não posso encontrar nada de normal nisso. Contudo, é o que temos: os orgãos de comunicação social, nos dias que correm, são postos avançados para fazer política, não jornalismo. E está visto que se a comunicação social está hoje maioritariamente a jogar contra o Governo é porque, entre muitas outras coisas, o Governo esvaziou a comunicação social dos seus.
A ignorância é atrevida. Ouço na televisão pessoas a dar de barato que o objetivo do Governo é chegar aos 3% de défice com estas medidas. No Eixo do Mal a minha amiga Clara Ferreira Alves até cita o discurso de Clinton sobre a aritmética. Mas não têm razão.
Com a medida anunciada o Governo consegue apenas contrariar o efeito do TC através da manutenção ardilosa do corte dos subsídios aos trabalhadores da FP e aos pensionistas. ISSO EM SI não faz descer o défice se comparado com este ano!
Com o aumento da contribuição para a Segurança Social, por parte dos trabalhadores, o Governo só vai arrecadar 1,25%. Ao aumento de sete por cento aos trabalhadores, tem de subtrair-se a diminuição de 5,75% às entidades patronais. Ora isso dá 500 milhões, diz hoje o Publico. A contração para chegar aos 3% terá de ser de 4 mil milhões, sem contar com o efeito TC. Ou seja, como esse efeito já está descontado, terá de ser efetivamente 4 mil milhões. O que quer dizer que FALTAM AINDA CORTAR 3,5 MIL MILHÕES. OK? (ou 1,9, caso haja uma etapa intermédia à volta dos 4%).
De qualquer modo falta uma batelada de dinheiro. Onde vão buscá-lo - se cortes nas despesas, se mais impostos, se suicídio em massa - não sei. Mas falta e por isso não deem de barato que isto é tudo!!!!
Nota: na sequência do que escreve Henrique Monteiro, diga-se que Passos só acelerou a divulgação daquela medida por um motivo, este. Era preciso explicar, e depressa, aos agentes económicos o que substituiria a medida decretada inconstitucional.
Nota: este Governo é muito criativo na hora de aumentar impostos. Impostos que este Governo havia prometido não aumentar.