Destino final
Sem outras medidas orçamentais este ano além das permitidas pelo Tribunal Constitucional, o défice de 2013 será superior ao défice previsto para 2011 no memorando original acordado com a troika. O PM que não se demite - faz muito mal -, aproveitou para vir anunciar que não aumenta impostos, antes vai cortar na despesa por outro caminho. Educação, saúde e segurança social, como não podia deixar de ser, as três áreas abrangidas pelo simples facto de serem as que representam maior despesa. E cortará mais do que o previsto, certamente. Como, ninguém tenha ilusões, qualquer outro Governo teria de cortar. O que não cortará, neste ano pelo menos, é nada que se pareça com o que as medidas chumbadas pelo TC valiam - as próprias decisões do TC invalidam cortes com efeito instantâneo. Anuncia que tentará cortar porque interessa passar essa mensagem lá para fora. Enfim, para evitar o segundo resgate, começa-se desde logo a tomar as medidas que seriam incluídas no segundo resgate. O país, esse, vai continuar a patinar. Agora, apenas com maior intensidade. Estamos como no tempo de Sócrates, de PEC em PEC, até ao destino final. De resto, há quem ache que os juízes do Tribunal Constitucional estão imunes à crítica, a esses só lhes digo: vão dar banho ao cão, ok? É mesmo ridículo quando acusam o Governo por este deixar claro que discorda da interpretação que os juízes fizeram da Constituição: ó meus grandes comediantes, então se o Governo concordasse alguma vez poderia ter apresentado o orçamento que apresentou?



