Terça-feira, 18.06.13

Comissões sem credibilidade

Boa performance mediática de um até agora desconhecido deputado do PSD licenciado em ciências da comunicação, Sérgio Azevedo de seu nome, na divulgação de um qualquer relatório sobre PPPs. Resposta à altura de um felizmente bem conhecido Rui Paulo Figueiredo a lembrar os piores tempos do socratismo. Enfim, foi tão boa a comissão de inquérito que quis desculpabilizar Constâncio, como é boa a comissão de inquérito que quer culpabilizar Sócrates. Não é pelos resultados irem de encontro ao que penso que deixo de ignorar o predomínio da politiquice sobre a análise séria e rigorosa em ambos os casos. Credibilidade das comissões de inquérito? Zero. Muito por culpa da falta de qualidade dos deputados que por lá andam que pensam sobretudo nos ganhos políticos que podem tirar destas coisas e não no apuramento da verdade. É assim nesta das PPP; foi assim noutras que a antecederam; será assim em futuras. Por exemplo, na comissão de inquéritos aos contratos swap.

Mr. Brown às 20:25 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 17.06.13

Engenheiro animal feroz

Muito poderia ser dito sobre o porquê de um ex-primeiro-ministro como José Sócrates não dever regressar com tanta pressa ao palco mediático e logo para um programa semanal de comentário à actualidade política nacional - refiro-me, inclusive, ao ponto de vista do que deveriam ser os interesses do próprio -, mas, de tudo o que poderia ser dito, nada bateria isto: «Greve dos professores é justificada». Há muita gente que acha, em alguns aspectos certamente com razão, que as linhas orientadoras da actual governação são puro nonsense, mas neste filme sem sentido que se desenrola em Portugal, sendo certo que no seu caso agora numa dimensão que não afecta em grande medida a vida das pessoas e, portanto, na qualidade de ser inofensivo - o que retira-lhe importância, mas não lhe dá mais sentido -, nada bate em nonsense aquilo que se desenrola todos os domingos no comentário político do engenheiro animal feroz.

Sexta-feira, 14.06.13

Greve dos professores (4)

A hipocrisia do PSD, do PS e do CDS nesta questão dos professores e da reforma da educação. O PS finge que não esteve em guerra com os professores e o sr. Nogueira há não muito tempo, fazendo exactamente o mesmo que o actual Governo agora faz (felizmente para o PS, no seu tempo, tinha uma "justiça" mais colaborativa). Por outro lado, o PSD e o CDS fazem-se esquecidos do aproveitamento político que fizeram da luta do sr. Nogueira para o combate ao animal feroz. Estes políticos medíocres que não conseguem olhar além dos interesses imediatos são, pura e simplesmente, uma vergonha.

Mr. Brown às 20:09 | link do post | comentar | favorito

Greve dos professores (3)

No direito à greve fala-se sempre da relação de forças entre o patrão e o trabalhador. Infelizmente, quando é uma greve contra o patrão-Estado, como são quase todas neste miserável país, sempre em sectores onde o Estado, não por acaso, é praticamente monopolista, é pena que ao contribuinte, esse ser desprezado e afastado do centro da vida política nacional, também não seja dado o direito de fazer greve ao pagamento dos impostos.

Mr. Brown às 19:56 | link do post | comentar | favorito

Greve dos professores (2)

Ainda que o número de professores actual fosse óptimo, há uma coisa que quem conhece os meandros do sistema, quanto mais não seja na qualidade de aluno ou ex-aluno, sabe perfeitamente: há professores que merecem ser despedidos para serem substituidos por outros com mais apetência e gosto pelo ensino. E quando digo que há professores nestas condições não falo de uma minoria insignificante.

Mr. Brown às 19:48 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 11.06.13

Rigor e exigência

Exame marcado há muito tempo para dia 17. Afinal, qual é o mal de mudar a data para dia 20? Qual é o mal? Nenhum. No país da bandalheira, da desorganização e da falta de decência, nenhum. Para mim, o Governo só tem um caminho: não mudar a data. Os sindicatos marcam greve, só participa nela quem quer. E escuso de voltar a dar a minha opinião sobre todo e qualquer professor que nela decida participar. Sobre a decisão do colégio arbitral também é melhor não adiantar muito, mas este parágrafo é paradigmático da diferença de tratamento que a "justiça" tem aplicado a este Governo face a anteriores: «A então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, decretou serviços mínimos, os sindicatos recorreram para os tribunais, mas o STA acabou, em 2007, por dar razão ao Governo, considerando que a realização de exames deve ser entendida como figurando entre as necessidades sociais impreteríveis, cuja realização deve ser assegurada como manda a lei. O TC entendeu que compete ao Governo definir o que entende por tal». Para terminar, é uma pena Crato não ler o Expresso, onde foi decidido que «Dia 17 não há exames no Secundário».

Mr. Brown às 21:29 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 09.06.13

Gestão pública

Quando alguns dizem que o fecho de lojas dos CTT é uma forma de preparar a privatização da empresa e manifestam-se contra tais encerramentos, estão a deixar claro o porquê da gestão pública, na maior parte dos casos, apresentar piores resultados do que a gestão privada. Na gestão pública, objectivos meramente políticos têm a tendência a sobrepor-se a objectivos puramente empresariais. Dito isto, repare-se que se estão a fechar lojas com vista à privatização da empresa, só pode querer dizer que o fecho das lojas aumenta o valor dos CTT. Sendo assim, do ponto de vista empresarial, há muito que tal decisão devia ter sido tomada. Seja ou não para privatizar a empresa.

Sexta-feira, 07.06.13

Dança da chuva

1. «Sou uma pessoa de fé, esperarei que chova»

2. Gaspar: chuva do primeiro trimestre prejudicou construção civil e investimento

3. Ou como continuam as divergências insanáveis no seio do Governo.

Mr. Brown às 19:59 | link do post | comentar | favorito

Custa-me dizer isto,

mas a dupla Gaspar & Álvaro, pelo menos ao nível do discurso, cada vez mais faz-me lembrar a dupla Pinho & Lino: que vacuidade discursiva. Quem é que lhes anda a escrever os discursos, o Duarte Marques?

Mr. Brown às 19:49 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 06.06.13

Derrotar a máquina

Nas próximas autárquicas muito se falará de uma mais que provável penalização dos candidatos do PSD/CDS pela política que o executivo nacional da mesma cor está a praticar. Compreendo e até acho natural que em muitos casos isso aconteça. Menos natural, mas igualmente compreensível, seria que os eleitores na hora de votar recordassem o que o PS fez ao país e aplicassem aos seus candidatos igual penalização à que pretendem aplicar na "direita". Se Manuel Pizarro, ex-secretário de Estado de José Sócrates, figura menor que merece ser relegada ao esquecimento, já era boa justificação para penalizar o PS no Porto, o aparecimento deste tipo caido de pára-quedas não deixa de ser igualmente um bom avivar de memória, nomeadamente da péssima gestão da autarquia portuense durante os anos em que o PS a liderou. Nem todos os eleitores portugueses nas autárquicas o poderão fazer por falta de alternativas credíveis aos mesmos de sempre, mas quem tem um Rui Moreira no boletim de voto não devia ter muito por onde hesitar. O que quero dizer é isto: não deve ser a razão principal para votar em Rui Moreira, para isso deve contar sobretudo a competência que cada um lhe reconhecerá ou não para gerir o munícipio portuense, mas reconhecida essa competência, que independentemente de algumas divergências lhe reconheço - estou absolutamente convencido que se o objectivo é não desperdiçar a boa herança de Rui Rio, Moreira está, com grande distância, no topo da lista dos candidatos conhecidos -, não é de ignorar este bónus de pôr na segunda mais importante autarquia do país o PSD e o PS a ver navios. O CDS fará a festa, mas todos bem sabemos que é o CDS que se anda a tentar colar a Moreira e não o contrário.

Domingo, 02.06.13

Folclore transmontano

Tempos houve em que Pacheco Pereira fazia criticas à televisão do senhor Nuno Cabral de Montalegre, que só dava folclore transmontano. No outro dia, vá-se lá saber porquê, lembrei-me disso. E de como, hoje, o camarada Pacheco faz parte do tal folclore que antes tanto criticava.

Mr. Brown às 16:54 | link do post | comentar | favorito

Autárquicas e independentes

Nas sondagens do JN, três candidaturas independentes merecem destaque: 1) a de Rui Moreira, que gostava que ganhasse no Porto e é de muito longe aquela que melhor capta o espírito do que é e deve ser uma candidatura independente; 2) a de Guilherme Pinto, em Matosinhos, que prepara-se para manter nas urnas aquilo que quiseram tirar-lhe no jogo interno partidário - jogo esse ganho pelo extraordinário António Parada -; e 3) a de Guilherme Aguiar, em Gaia, que, depois de ter andado de braço dado com Guilherme Pinto em Matosinhos, está agora extraordinariamente bem colocado para sair vencedor da disputa em que se meteu - basta a campanha bipolarizar para a transferência de votos de Carlos Abreu Amorim para Guilherme Aguiar começar a fluir com naturalidade. Dito isto, neste último caso, um pouco à semelhança do que penso para Braga, uma vitória do candidato socialista, Eduardo Rodrigues, seria muito bem-vinda.

Mr. Brown às 16:10 | link do post | comentar | favorito

A corrida autárquica começa

1. Lisboa, no que toca ao vencedor, é assunto arrumado.

2. Vai ser difícil, mas Rui Moreira tem hipótese de derrotar Menezes. É preciso transferir votos da nulidade do Pizarro, ex-secretário de Estado de José Sócrates, para o candidato independente.

3. Berta Cabral.

4. Era bom que isto se confirmasse. A Braga, por vários motivos, quase todos relacionados com Mesquita Machado, uma varridela de quem por lá tem ocupado o poder era muito bem-vinda.

Mr. Brown às 00:52 | link do post | comentar | favorito

Povo unido no Optimus Primavera Sound

 

A grande manifestação deste fim de semana foi no Porto. Em três dias, 75 mil pessoas. Indicio de que a crise, muito provavelmente, continuará a não passar de forma significativa pelos festivais. Dito isto, aquela coisa do «que se lixe a troika», rapaziada ligada na sua maioria ao bloco de esquerda, por si, vale pouco ou zero. É muito provável que um dia voltem a ser pretexto para dezenas de milhares de portugueses saírem á rua e virem demonstrar o seu descontentamento com a política que esta a ser seguida, mas o tal movimento, enquanto representante fidedigno do sentimento popular, é mito, é fantasia. De resto, é melhor não nos lixarmos para a troika ou ainda descobrimos que ficamos sem dinheiro para festivais.

Sexta-feira, 31.05.13

O povo quer eleições?

Muito estranho mesmo. Especialmente quando a informação está disponível e não é difícil de dar com ela. Enfim, estas sondagens valem o que valem e para mim é pouco, porque ainda que dissessem coisa contrária não julgo que um país deva fazer depender a sua governação de sondagens, mas aqui está o que encontrei facilmente sobre o assunto no depósito de sondagens da ERC:

 

1. Primeiro, fiquemos pelas expectativas. Aximage, 7 a 10 de Maio de 2013:

 

 

2. Em seguida, vamos à pergunta que interessa. Aximage, 1 a 4 de Abril de 2013:

 

Mr. Brown às 21:35 | link do post | comentar | favorito

Famílias numerosas

Outro nicho de mercado eleitoral do CDS. Dai esta possível medida estúpida. Para alguma coisa existe o abono de família: aumentem-no. Abono de família esse que, na sua atribuição, tem em consideração a condição económica das famílias. Vir agora com a treta de baixar o IRS a famílias que dispõem de um rendimento acima da média só porque têm muitos filhos, por favor, vão dar banho ao cão, ok?

Mr. Brown às 13:42 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 30.05.13

O quê que o PS devia estar a fazer...

... na certeza de que vai assumir a liderança do próximo Governo? Devia estar a aproveitar o tempo que lhe resta até às próximas eleições para preparar atempadamente um programa realista que lhe permitisse dar um rumo ao país. O quê que a maior parte dos socialistas está a fazer? A pensar que as eleições eram para ontem. Mais concretamente, o quê que isto produziu de relevante até agora? Nada. O quê que de relevante produzirá daqui para a frente? Nada. Excepto um conjunto de ideias vagas atiradas para o ar, sem fundamentação técnica que lhes dê substância, enfim, conversa política da treta. Porquê que digo isto? Porque se a maior parte da gente do PS achasse que o pensamento profundo os levaria a algum lado e a produção de ideias sólidas para o país fossem necessárias na caminhada para o poder, neste momento só podiam respirar de alívio por ainda lhes restarem uns largos meses para fazerem aquilo que já tiveram tempo para fazer e ainda não fizeram. Mas dentro do PS não existe sentido de urgência nesta busca a que faço referência, o único sentido de urgência que existe é o da necessidade de alcançar o poder. Os partidos - por exemplo, o PSD de Passos, de Mendes, da Manela, de Menezes, em nada diferiram na forma como orientaram o seu combate político do actual PS - são meras máquinas de conquista e manutenção do poder e mostram-se incapazes, porque não querem ou não podem - nomeadamente por falta de dinheiro para gastar nesse departamento -, de pensar o país para além do interesse imediatista. Alguns acharão que o medíocre Sampaio resumiu tudo o que aqui digo com a ideia de que a alternativa ao actual Governo precisa de «encorpar», mas esse mesmo Sampaio achou em tempos que o PS, só porque trocou de líder, «encorpou», o que diz tudo o que é preciso saber sobre a visão redutora do sujeito em relação ao «encorpamento». Já outro ex-presidente, Soares, em jeito de lamento, referiu que Seguro, apesar de sério, é «demasiado hesitante». Pois tenho para mim que se é sério, é normal que esteja hesitante. Sabe perfeitamente que, nesta fase do campeonato, não está minimamente preparado para governar. Temo que nunca o venha a estar. E ainda assim, muito provavelmente, será primeiro-ministro. Não será o primeiro a quem isso acontece, nem, infelizmente, o último.

Quarta-feira, 29.05.13

A negociação do memorando

Não foi mal negociado, avançou-se foi para ele demasiado tarde. Devíamos ter recorrido à troika na mesma altura da Irlanda e não quando estávamos a entrar em plena bancarrota. O PS não tem moral para criticar Gaspar sobre a acusação de memorando mal negociado, ainda o mesmo tinha acabado de ser negociado pelo PS e este já pedia para que fosse revisto (uma chatice esta coisa da memória). O PECIV, que Vieira da Silva usa para explicar a "má" negociação, é a maior treta que continua a alimentar largos sectores da opinião pública e da política portuguesa. Este não evitaria de todo o nosso afastamento dos mercados, na altura já evidente, e Sócrates só andou continuadamente a adiar o inevitável para se defender a ele próprio e arranjar um pretexto para sair sem dar parte fraca, aproveitando ao mesmo tempo para fingir que defendia o país quando só o afundava cada vez mais (mesmo depois do chumbo do PECIV, acabou por ter de ser Teixeira dos Santos a forçar a vinda da troika, recordemos). Mas há narrativas fantasiosas que persistem, aliás, pior que isso, ganham força, pelo que concluo que uma mentira repetida muitas vezes compensa em política e há eleitores que gostam de ser tratados por parvos. Só mais um sinal de um país que não tem remédio.

Domingo, 26.05.13

Simulacro

O mais preocupante no actual Governo é que ele já não governa. Simula que governa. É um espantalho cuja existência explica-se única e exclusivamente pela necessidade de afastar o segundo resgate. Tão pouco. Tão pobre. Tão triste. E não, não estou a dar um argumento àqueles que defendem que Cavaco devia deitar o Governo abaixo, coisa que nunca defendi, nem defenderei, mesmo que achasse que tal não implicasse um segundo resgate. Antes pelo contrário, têm razão aqueles que dizem que o Presidente é corresponsável pela actual governação: foi ele próprio que no seu joguinho de enfrentamento e delimitação do poder do executivo quando isso lhe interessou, acabou por atirar-lhe para este estado vegetativo. O Conselho de Estado agora inútil, noutro tempo serviu para minar toda a autoridade do Governo e de Passos Coelho. Lançou foguetes, agora apanha as canas. Como curiosidade, note-se que ficamos com o Governo possível face ao que são as exigências e crenças da esquerda: um Governo em coma, que limitará-se a fazer o mínimo dos mínimos perante as exigências da troika, afinal, a máquina que o mantém vivo. E, contudo, essa mesma esquerda quer que o Governo caia. Sonham com o Governo zombie, aquele que desligada a máquina, apesar de morto, levanta-se e caminha.

Mr. Brown às 20:15 | link do post | comentar | favorito

O circo

Se entendermos o palhaço como o rei do circo é normal que alguns comecem a chamar isso a Aníbal Cavaco Silva. Ainda Teodora Cardoso, essa hiper-perigosa ultra-neoliberal, tinha acabado de referir que a defesa da flexibilização de défice pode ser «erro estratégico e táctico», já dou por mim a ler isto no site do Partido Socialista: «Renegociar défice de 4 para 4,5% pode não ser suficiente». Nesse mesmo site aparece como slogan bem destacado a expressão «Novo Rumo» e não deixo de sentir o cheiro bafiento de coisas passadas que bem gostava que jamais voltassem a sair do baú onde tinham sido arrumadas. Mas se hoje é assim, amanhã voltará a ser diferente: no exercício de enorme coerência a que se tem dedicado, o partido socialista criticará, como tem feito frequentemente, a subida da dívida, até porque, como sabemos, dívida e défice não têm qualquer relação entre si. Défice e eleições, provavelmente, também não, como PSD e CDS estão apostados em provar-nos. Ou então não.

Quinta-feira, 23.05.13

«Chegou o momento do investimento»

Isto agora já não interessa para nada.

Mr. Brown às 20:25 | link do post | comentar | favorito

Jogo democrático enviesado

Executivo que se preze que governe a pensar em eleições sabe que, se necessárias, as medidas duras devem ser aplicadas em força no inicio do mandato e mais tarde, aproximando-se as eleições, é preciso começar a tentar que a economia ganhe balanço. Cá está: «Chegou o momento do investimento». Vem ai o crescimento. Ou talvez não, porque desta vez a crise é de outra natureza. Mas adiante: esta figurinha, de muito longe o pior Presidente da República pós-25 de Abril que este país conheceu, apesar do ar muito sério que ostenta, não se cansa de mostrar a sua mediocridade, a de quem não pensa além do curto-prazo e, especialmente, no bem-estar dos seus. Entenda-se: o bem-estar de alguns camaradas de partido. Não que discorde da desdramatização das eleições antecipadas, é só os partidos de coligação desentenderem-se de vez e assim entenderem que muito me agradaria ter eleições, até porque se estivesse na posição de Passos Coelho já as teria provocado há muito tempo, recusando-me a seguir um guião forçado que nunca seria o meu. Passos e Portas, que neste jogo do gato e do rato às vezes até parece que querem essas mesmas eleições antecipadas, só não pretendendo ficar com o ónus de as terem provocado, agora até as poderiam provocar e desresponsabilizar-se dos seus efeitos dizendo qualquer coisa como: «todos os partidos de esquerda pediram eleições antecipadas? Aqui as têm, agora não se queixem e assumam as consequências das mesmas». Mas voltemos e terminemos na figurinha já referenciada, o problema desta é que quer um presidente que, à sua imagem e semelhança, deite abaixo um Governo que, até prova em contrária, conta com um apoio inegável e absolutamente maioritário na Assembleia da República. A ideia, que seria apenas a repetição de história já antiga onde a figurinha foi protagonista central, é toda ela original, inovadora e brilhante, toda uma nova forma de centrar o nosso jogo democrático: os ciclos eleitorais dos governos PSD/CDS, denominados «governo de direita», deviam ser reduzidos a metade do ciclo eleitoral, precisamente aquele onde ainda só tiveram tempo de aplicar as medidas duras. Passada a fase mais dura do ciclo, este tem de chegar abruptamente ao fim de forma a dar a oportunidade ao PS de beneficiar da potencial bonança.

Mr. Brown às 19:35 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 22.05.13

Conselho de pai

Se o primeiro-ministro demitir-se vem ai um segundo resgate? Iupi! Mais tempo e mais dinheiro. Demite-te, filho. Demite-te. E faz feliz a tua família que te adora. Deixa a quem está mortinho por chegar a primeiro-ministro, como tu outrora já estiveste, a responsabilidade de nos governar neste momento difícil. Se bem que Seguro não me parece homem para gritar com a troika. Mas mortinho para chegar ao poder está, ou não estará? Ai que isto não tem conserto!

Mr. Brown às 14:15 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 20.05.13

O tempo político

«Portugueses estão preocupados com o dia de amanhã e não com o pós-troika». Tenho lido e ouvido muitas críticas, é quase unânime, ao tema que serve de mote á convocação do Conselho de Estado por causa da sua preocupação com um tempo que não é o tempo que preocupa os portugueses. Não tendo particular gosto, nesta fase do campeonato, em defender Cavaco Silva e muito menos em achar alguma coisa de positivo neste inútil Conselho de Estado, não deixo de discordar desse mar de gente bem pensante. Não duvido que a maior parte dos cidadãos tem a cabeça no que será a sua vida no dia de amanhã e não daqui a cinco ou mais anos, mas não elejo políticos para pensarem o dia de amanhã. Aliás, critico-lhes frequentemente que se regulem por questões imediatistas. Esta preocupação constante com o curto-prazo é em boa parte responsável pela crise que vivemos. Que haja tanta gente que continue sem perceber isso, diz tudo o que é preciso saber sobre a degradação da vida política em Portugal. Mas percebo o motivo de muitas críticas e, por isso mesmo, acrescento: a única coisa que nos faltava é que o Presidente também andasse com a cabeça a pensar em eleições. Passos, Portas, Seguro e companhia são mais do que políticos suficientes a pensarem nisso mesmo.

Mr. Brown às 19:21 | link do post | comentar | favorito

De modo que é isto

O conselheiro de Estado admite ainda como possível, "até do ponto de vista ideológico", um Governo PS/CDS. "Casam melhor neste momento", garante. Nunca a aproximação do CDS ao PS foi tão clara. É só ouvir o que dizem aqueles que na comunicação social estão associados ao partido. O CDS quer deitar este Governo abaixo, mas também quer tentar garantir que, apesar disso, fica no poder.

Mr. Brown às 13:17 | link do post | comentar | favorito

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