Do oito ao oitenta
Este Bastonário de Advogados é uma pessoa horrível. Ah! Grande Marinho Pinto! Amigo Vitor, se calhar agora pode ser presidenciável pelo lado direito da força? :)
Este Bastonário de Advogados é uma pessoa horrível. Ah! Grande Marinho Pinto! Amigo Vitor, se calhar agora pode ser presidenciável pelo lado direito da força? :)
87 anos? Por este andar, o Soares, apenas seis meses mais velho do que o Napolitano, ainda vai a tempo de se re-recandidatar à Presidência da República Portuguesa.
Se este Governo aguentasse toda a legislatura, coitado do próximo candidato à Presidência da República apoiado pela direita. Por outro lado, coitado de um primeiro-ministro socialista que tenha de exercer o poder nos tempos mais próximos.
Marcelo, na TVI, a comentar as presidenciais é delicioso. Primeiro, António Costa lançou um livro para lançar a candidatura a Lisboa. Depois, António Costa está lançado para ser candidato a líder do PS e a primeiro-ministro. Por fim lá refere que António Costa poderá estar igualmente interessado em ser candidato a Presidente da República. E continua Marcelo: nas legislativas, com data marcada para 2015, o PS já terá de ter um candidato presidencial definido, que ora pode ser Guterres, ora pode ser, é obrigado a reconhecer embora (digo eu) não o deseje, Costa. E à direita? Fala ao de leve em Santana, que (digo eu) não é grande ameaça, e depois não diz porque não pode dizer que a escolha à direita será entre ele, Marcelo, e Durão Barroso, que não tem direito a uma única referência. Mas o PSD lá terá também de saber fazer a sua escolha que está mais do que visto que na opinião de Marcelo só pode passar por ele.
Foi uma pena não terem colocado o nome de José Sócrates no lote dos presidenciáveis à esquerda. Do lote escolhido pela Aximage, Leonor Beleza seria de muito longe a melhor candidata à direita, mas infelizmente tenho como certo que é carta fora do baralho.
[foto retirada do mural do facebook de Francisco Louçã]
Será caça ao voto das «tias de cascais»? Recorde-se isto: «57% dos eleitores do BE (Aximage) ou 45% dos eleitores Louçã na 1ª volta (Católica) tencionam votar Cavaco numa 2ª volta».
Votantes no estrangeiro nas eleições presidenciais de 2011: 12.682
Votantes no estrangeiro nas eleições legislativas de 2011: 33.059
O Público ainda não engoliu na totalidade a derrota nas presidenciais. Abandonaram as histórias sobre as casas de Cavaco - que de muita relevância parece que passaram a relevância nenhuma -, mas continuam a insistir em fazer do homem um qualquer Sócrates.
Não fazer da derrota de Manuel Alegre uma derrota do PS e do governo, aceita-se. Já fazer da vitória de Cavaco Silva uma vitória do governo socialista é tirar um coelho da cartola que nem a Houdini lembraria. E não lembraria porque o coelho, de gordo, não caberia na cartola. Sendo-nos apresentado como um truque de mágica, mais não estamos do que a ser presenteados com uma palhaçada.
A propósito deste post, algumas notas:
1. José Manuel Coelho e Defensor Moura, por não terem atingido os 5%, não recebem subvenção alguma. Mas se tivessem ultrapassado essa percentagem também não ficavam ricos, como vi alguns jornalistas referirem a propósito de José Manuel Coelho. O dinheiro das subvenções só é atribuído para gastos com a campanha.
2. Ou seja, ninguém recebe a subvenção para pôr o dinheiro a render na conta bancária pessoal.
3. Por exemplo, Cavaco Silva e Fernando Nobre, como terão despesas inferiores ao que teriam direito a receber de subvenção, não irão ficar com a totalidade a que tinham direito e terão de devolver a diferença.
4. Há aqui espaço para discussão? Há, é possível defender que nenhuma campanha mereça ser financiada pelo Estado. Mas isso também constituirá um incentivo à trafulhice e aos cheques passados por baixo da mesa.
5. E noto que, sem perspectiva de financiamento estatal, candidaturas como a de Fernando Nobre e Manuel Alegre (em 2006) seriam as mais prejudicadas.
Francisco Teixeira resume o que se perspectiva a cinco anos de distância. Acrescento que tenho sérias dificuldades em compreender a quantidade de pessoas que torce e considera viáveis as candidaturas de António Guterres e de Durão Barroso. É da Presidência da República que falamos e os dois senhores mencionados largaram o cargo de Primeiro-Ministro quando o país atravessava sérias dificuldades e foram-se refugiar no estrangeiro. Elegê-los para o cargo mais alto da nação seria demonstração do pouco respeito que temos pela Pátria. Já António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, não tenho dúvidas, seriam óptimos candidatos.
Adenda: Francisco Teixeira refere António Vitorino e não Guterres, como erradamente assumi quando escrevi o post. Não o julgo um bom candidato, que continue entretido nos seus afazeres de advogado por muitos e longos anos que é onde está melhor.
Faz-se ouvir e explica o longo silêncio a que se remeteu durante toda a campanha presidencial, segundo o próprio - deixem-me rir - era assim que melhor defendia o partido de que foi fundador. Contudo, é preciso recordar ao senador que escreve sob o título o tempo e a memória, que o mau candidato Alegre conseguiu 19,75% dos votos. Não é brilhante, mas ainda assim foi superior aos 14,31% do último candidato presidencial apoiado pelo PS.
Escreve Carlos Abreu Amorim, é a campanha da desinformação que já ontem tinha sido levada a cabo por Pedro Adão Silva e Luís Delgado na SIC Noticias. Nunca é demais referir: em 2001, estavam inscritos 8.950.905 eleitores. Em 2011 o número de inscritos, após a "limpeza" dos cadernos eleitorais a que CAA faz referência, disparou para 9.629.630. São só 678.725 eleitores a mais. Portugal deve ser dos países no mundo com maior crescimento populacional. Ou isso, ou desde 2008 terão sido acrescentados cerca de 600 mil eleitores por via do recenseamento automático e a "limpeza" dos cadernos eleitorais deixou muito a desejar.
Alguns jornalistas, comentaristas e políticos ficaram muito escandalizados com o discurso de vitória de Cavaco Silva e criticaram a falta de magnanimidade do actual Presidente. Falam de um discurso indigno e de um azedume que não é bem vindo. Tenho de soltar a gargalhada, ou não foram esses mesmos jornalistas, comentaristas e políticos que alimentaram uma campanha suja, vergonhosa e indigna contra o actual Presidente da República? Não foram esses mesmos jornalistas, comentaristas e políticos os que ontem não escondiam a azia pela vitória de Cavaco Silva? Não são os mesmos que logo após o conhecimento dos resultados desataram a desvalorizar a vitória do actual Presidente? Eles que metam a magnanimidade num sitio que eu cá sei...
1. José Sócrates desresponsabilizou o PS pela derrota de Manuel Alegre e o poeta, no seu discurso, deu-lhe razão. Em parte tenho de concordar com Sócrates: foi Manuel Alegre quem forçou, com o apoio da ala esquerda do partido, o apoio do PS à sua candidatura. Foi Alegre que não soube lidar com a imediata colagem do BE à sua candidatura. Foi Alegre que não entendeu a votação que obteve em 2006. Foi Alegre quem iludiu-se, até ao último momento, que poderia atrair o eleitorado centrista (muito dele socialista) para a sua candidatura.
2. Contudo, o PS (e o governo) envolveu-se na campanha de Alegre mais do que seria expectável e não pode desresponsabilizar-se totalmente dos resultados obtidos pelo candidato apoiado pelo partido. As intervenções do ministro Santos Silva são exemplo disso, a notícia do Expresso de que a campanha suja do BPN foi incentivada por membros do governo também não passou em claro. E muito haveria a dizer da candidatura, sem objectivo claro aparente, do deputado socialista de Viana do Castelo. Cavaco Silva saberá tirar ilações da forma como decorreu esta campanha - aliás, se há coisa que não se cansou de mencionar nos discursos de vitória, para desilusão dos muitos comentaristas, foi a campanha suja que montaram contra o próprio.
1. O grande vencedor da noite é, como não podia deixar de ser, Aníbal Cavaco Silva. Queria ganhar à primeira volta e ganhou. Contudo, com base nas expectativas, é certo que não foi uma vitória estrondosa. Mas 52,94% dos votos é, recordo, maior do que os 50,64% que obteve em 2006.
1.1. Cavaco ganhou em todos os distritos, conseguindo superar o candidato apoiado pelo PCP em Beja, coisa que não aconteceu em 2006.
1.2. Mesmo com a oposição explicita de Carlos César, o actual presidente obteve 56% dos votos nos Açores. Fica o registo.
1.3. Na votação por distrito, Cavaco seria obrigado a segunda volta pela votação na Madeira (44%); Beja (33%); Setúbal (36%); Évora (37%); Lisboa (48%); e Portalegre (44%).
1.4. Os melhores distritos para Cavaco Silva: Bragança e Vila Real, em ambos acima de 65%.
2. O grande perdedor da noite é Manuel Alegre. Os 19,75% obtidos agora contrastam com os 20,7% obtidos há cinco anos quando não contava com o apoio do PS e do BE.
2.1. Manuel Alegre ficou em segundo lugar em todos os distritos, excepto na Madeira e em Beja. O melhor resultado obteve-o no distrito de Portalegre, com 26,42% dos votos.
3. Fernando Nobre só por distracção é que se pode considerar o grande vencedor da noite. Andou a pregar que ia à segunda volta, não foi, e logo de seguida diz-se o grande vencedor da noite? Aprendeu depressa com os políticos. Sim, acho-o também um dos vitoriosos da noite, mas não foi o grande vencedor, afinal, a corrida presidencial acabou e Nobre não será o Presidente.
3.1. Os melhores resultados da candidatura de Fernando Nobre foram obtidas nos distritos de Setúbal e Lisboa, acima dos 16%. Contudo foi no distrito de Leiria que esteve mais próximo de ter ficando com o segundo lugar. Ficou a míseros 0,12 pontos de Manuel Alegre.
4. Francisco Lopes alcançou 7,15% dos votos, abaixo dos 8,59% que Jerónimo de Sousa havia obtido em 2006. Não foi óptimo, mas foi q.b. para cumprir os mínimos exigidos pelo PCP.
4.1. Há muito que distrito de Beja é onde o PCP tem mais força, por isso não é de estranhar que Francisco Lopes tenha obtido ai o seu melhor score, 26,44% dos votos, ficando em segundo à frente de Alegre. Contudo, não fez proeza igual à de Jerónimo de Sousa que havia derrotado Cavaco em 2006.
5. José Manuel Coelho, o candidato anti-sistema, obteve uns surpreendentes 4,5%. Mas ainda mais relevantes são os 39,01% dos votos obtidos na Madeira, tendo inclusive, penso ser possível afirmá-lo, retirado a maioria absoluta a Cavaco Silva na região. Um caso a seguir com atenção nos próximos tempos.
6. O candidato de Viana do Castelo, deputado socialista, quedou-se pelos 1,57% e esteve ao seu nível, o da cretinice, quando recusou felicitar o vencedor das eleições. Teve o seu melhor resultado, como não podia deixar de ser, no distrito de Viana do Castelo, onde atingiu os 10,65%.
7. Participaram na eleição 4.489.904 eleitores, tendo a abstenção atingido os 53,4% (reparem, participaram mais pessoas que em 2001, parte deve-se, naturalmente, ao crescimento populacional, mas a diferença do nível de abstenção em mais de 3% também terá alguma explicação nas alterações à forma como o recenseamento passou a ser efectuado).
7.1. Muito preocupante, talvez mais preocupante que a abstenção, é notar que 277.702 dos votantes optaram pelo voto em branco/nulo. Para a maioria destes, garantidamente, estas eleições não apresentaram nenhum candidato credível que fosse merecedor do seu voto. Representam 6,19% dos que foram votar (número que de elevado é novidade para mim) e, portanto, eram mais do que suficientes para obrigar Cavaco Silva a uma segunda volta.
1. Cavaco Silva ganha; contra toda a esquerda em peso; contra uma certa direita; contra muitos dos comentaristas de serviço; contra campanhas sujas; ganha.
2. Manuel Alegre perde. Ainda nem sabe se conseguirá maior percentagem do que a que teve em 2006, quando não tinha o apoio de qualquer partido. O apoio do PS e do BE de pouco lhe serviu.
3. Ainda hoje conto fazer uma análise mais detalhada aos resultados eleitorais.
1. Para reavivar a memória: Jorge Sampaio, em 2001, foi reeleito com 55,55% dos votos (2.401.015), numas eleições cuja abstenção foi de 50,29% (fonte). Mas mais do que a percentagem da abstenção em 2001, será relevante saber que nessas eleições votaram 4.449.800 eleitores.
1. A afluência às urnas nas presidenciais 2006, às 16:00 horas, era de 45,56%. Este ano ficou-se pelos 35,16%. Apesar da diferença ainda ser notável, numa análise simplista com recurso à regra dos três simples, temos uma previsão de 47,48% de participação dos eleitores inscritos, ou seja, houve uma melhoria face à situação que se verificava ao meio dia. A este ritmo, talvez venhamos a ter uma abstenção inferior a 50%.
2. Em 2006, estavam inscritos 9.085.339 eleitores. Para estas eleições, passados cinco anos, estão inscritos 9.656.474. A diferença em 600 mil eleitores explica-se pela automatização do RE feita em 2008, no âmbito da criação do Cartão de Cidadão (fonte). Para levar em conta na abordagem ao valor da abstenção.
3. Pois: problemas técnicos vão aumentar abstenção. E a responsabilidade, vai morrer solteira?
1. Cartão do Cidadão provoca filas na votação para a Presidência. Numa campanha recheada de factores que desincentivam o voto, não era preciso mais um.
2. Participação 6% mais baixa do que em 2006. Em 2006, às 12:00 horas, haviam votado 19,32% dos eleitores, este ano, à mesma hora, votaram 13,39%. Nas eleições presidenciais de 2006 acabaram por votar 61,53% dos eleitores inscritos. Se, em 2011, verificar-se igual padrão, votariam nestas eleições 42,64% dos eleitores. Espero que um maior número de pessoas tenha optado por ir votar durante o período da tarde.
Cavaco Silva não é o menos mau dos candidatos. Cavaco Silva é o melhor dos candidatos. Não é perfeito, mas quem anda à procura da perfeição num político para dar-lhe o voto nem tão cedo irá votar em quem quer que seja. Claro que é possível pensar que existiriam melhores candidatos do que Cavaco Silva. Talvez, mas só conta quem vai a jogo, só contam os que se apresentam a eleições, não os que podiam ter ido. E de todos os que estão em jogo, reafirmo quantas vezes for preciso, Cavaco Silva é o melhor. É muito melhor que todos os outros. Indiscutivelmente melhor do que Manuel Alegre. E no domingo irei votar no único candidato que mostrou estar preparado para ocupar o cargo de Presidente da República. Não são tempos fáceis os que vivemos, também por isso não são tempos para andarmos a brincar aos políticos e à política (por exemplo, com a ideia do cartão amarelo a Cavaco Silva na primeira volta). E se há um melhor que todos os outros, é despachar isto o mais cedo possível. Está feita a reflexão, amanhã é dia de ir passear o cão.