Terça-feira, 18.06.13

Dilma, aprende

1. José Sócrates: «Não há dúvida de que o Euro 2004 superou todas as expectativas. Mas já na altura, quando nos candidatámos, tínhamos dois objectivos precisos: o primeiro era fazer a renovação dos nossos estádios com um retorno significativo para a nossa economia: o segundo era projectar internacionalmente Portugal como um país ambicioso, moderno e capaz.»

2. António José Seguro: «Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates.»

3. O ministro do Ambiente acusou no domingo Cavaco Silva de leviandade nas afirmações que proferiu no domingo sobre o Euro 2004. Para José Sócrates o ex-primeiro-ministro desconhece do que fala. Quando a Áustria e a Hungria, que se candidataram contra nós, nos invejam este projecto que foi muito disputado» surgem comentários de «elites extremamente hipocondríacas a achar, pelo facto de apostarmos num projecto de Euro 2004, que o país está doente».

4. José Sócrates: «Qual é realmente o nosso objectivo? É melhorar o nível do nosso futebol, é fazer o trabalho de remodelação dos estádios que tinha de ser feito com Euro ou sem Euro, é dar um pequeno empurrão à nossa Economia e é afirmar o prestígio internacional de Portugal. Depois disto, ficamos no lote dos países capazes de organizar grandes eventos: fizemos a Expo e vamos fazer o Europeu de futebol e o Mundial de atletismo, ficámos na rota.»

5. José Sócrates (Acção Socialista, Maio de 2004, link quebrado): «Pois, mas a construção dos dez estádios não é um odioso, é bem necessário ao país. Portugal tinha que fazer este trabalho. É também uma das críticas mais infantis que tenho visto, a ideia de que se Portugal não tivesse o Euro não tinha gasto dinheiro nos estádios. Isso é uma argumentação própria de quem é ignorante. Há muitos anos que o Estado português gasta dinheiro nos estádios. Aquelas cadeirinhas que nós vimos surgir e que foram postas no final dos anos 80 e princípios dos anos 90, eram também pagas por dinheiro do Estado. O Estado já estava a fazer investimentos de renovação dos estádios. Acontece que, mesmo assim, os estádios em Portugal não cumpriam as leis de segurança e conforto. Tínhamos, portanto, que fazer esta modernização. Podíamos era tê-lo feito em vinte anos; assim fizemo-lo em cinco anos e com um grande retorno para a nossa economia. Ouvi recentemente responsáveis pelo Euro dizerem que é já claro, em relação ao que o Estado gastou e ao que recebeu, que estamos perante um grande sucesso económico.»

Mr. Brown às 22:57 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14.06.13

Greve dos professores (4)

A hipocrisia do PSD, do PS e do CDS nesta questão dos professores e da reforma da educação. O PS finge que não esteve em guerra com os professores e o sr. Nogueira há não muito tempo, fazendo exactamente o mesmo que o actual Governo agora faz (felizmente para o PS, no seu tempo, tinha uma "justiça" mais colaborativa). Por outro lado, o PSD e o CDS fazem-se esquecidos do aproveitamento político que fizeram da luta do sr. Nogueira para o combate ao animal feroz. Estes políticos medíocres que não conseguem olhar além dos interesses imediatos são, pura e simplesmente, uma vergonha.

Mr. Brown às 20:09 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 09.06.13

Povo irmão

A presidenta Dilma veio tratar da privatização da TAP com o próximo primeiro-ministro. E o que nos vale é que os brasileiros são sempre bons amigos e negócios obscuros é coisa só de angolanos (ou empresários colombianos). De resto, está feita nova prova (para os ingénuos e distraídos): o PS não é contra as privatizações - pelo contrário, adora-as -, quer é ser ele a tratar delas. É que se feitas pelos outros são sempre obscuras, pouco transparentes, enfim, negociatas lesa-pátria.

Quinta-feira, 06.06.13

Derrotar a máquina

Nas próximas autárquicas muito se falará de uma mais que provável penalização dos candidatos do PSD/CDS pela política que o executivo nacional da mesma cor está a praticar. Compreendo e até acho natural que em muitos casos isso aconteça. Menos natural, mas igualmente compreensível, seria que os eleitores na hora de votar recordassem o que o PS fez ao país e aplicassem aos seus candidatos igual penalização à que pretendem aplicar na "direita". Se Manuel Pizarro, ex-secretário de Estado de José Sócrates, figura menor que merece ser relegada ao esquecimento, já era boa justificação para penalizar o PS no Porto, o aparecimento deste tipo caido de pára-quedas não deixa de ser igualmente um bom avivar de memória, nomeadamente da péssima gestão da autarquia portuense durante os anos em que o PS a liderou. Nem todos os eleitores portugueses nas autárquicas o poderão fazer por falta de alternativas credíveis aos mesmos de sempre, mas quem tem um Rui Moreira no boletim de voto não devia ter muito por onde hesitar. O que quero dizer é isto: não deve ser a razão principal para votar em Rui Moreira, para isso deve contar sobretudo a competência que cada um lhe reconhecerá ou não para gerir o munícipio portuense, mas reconhecida essa competência, que independentemente de algumas divergências lhe reconheço - estou absolutamente convencido que se o objectivo é não desperdiçar a boa herança de Rui Rio, Moreira está, com grande distância, no topo da lista dos candidatos conhecidos -, não é de ignorar este bónus de pôr na segunda mais importante autarquia do país o PSD e o PS a ver navios. O CDS fará a festa, mas todos bem sabemos que é o CDS que se anda a tentar colar a Moreira e não o contrário.

Quinta-feira, 30.05.13

O quê que o PS devia estar a fazer...

... na certeza de que vai assumir a liderança do próximo Governo? Devia estar a aproveitar o tempo que lhe resta até às próximas eleições para preparar atempadamente um programa realista que lhe permitisse dar um rumo ao país. O quê que a maior parte dos socialistas está a fazer? A pensar que as eleições eram para ontem. Mais concretamente, o quê que isto produziu de relevante até agora? Nada. O quê que de relevante produzirá daqui para a frente? Nada. Excepto um conjunto de ideias vagas atiradas para o ar, sem fundamentação técnica que lhes dê substância, enfim, conversa política da treta. Porquê que digo isto? Porque se a maior parte da gente do PS achasse que o pensamento profundo os levaria a algum lado e a produção de ideias sólidas para o país fossem necessárias na caminhada para o poder, neste momento só podiam respirar de alívio por ainda lhes restarem uns largos meses para fazerem aquilo que já tiveram tempo para fazer e ainda não fizeram. Mas dentro do PS não existe sentido de urgência nesta busca a que faço referência, o único sentido de urgência que existe é o da necessidade de alcançar o poder. Os partidos - por exemplo, o PSD de Passos, de Mendes, da Manela, de Menezes, em nada diferiram na forma como orientaram o seu combate político do actual PS - são meras máquinas de conquista e manutenção do poder e mostram-se incapazes, porque não querem ou não podem - nomeadamente por falta de dinheiro para gastar nesse departamento -, de pensar o país para além do interesse imediatista. Alguns acharão que o medíocre Sampaio resumiu tudo o que aqui digo com a ideia de que a alternativa ao actual Governo precisa de «encorpar», mas esse mesmo Sampaio achou em tempos que o PS, só porque trocou de líder, «encorpou», o que diz tudo o que é preciso saber sobre a visão redutora do sujeito em relação ao «encorpamento». Já outro ex-presidente, Soares, em jeito de lamento, referiu que Seguro, apesar de sério, é «demasiado hesitante». Pois tenho para mim que se é sério, é normal que esteja hesitante. Sabe perfeitamente que, nesta fase do campeonato, não está minimamente preparado para governar. Temo que nunca o venha a estar. E ainda assim, muito provavelmente, será primeiro-ministro. Não será o primeiro a quem isso acontece, nem, infelizmente, o último.

Quarta-feira, 29.05.13

A negociação do memorando

Não foi mal negociado, avançou-se foi para ele demasiado tarde. Devíamos ter recorrido à troika na mesma altura da Irlanda e não quando estávamos a entrar em plena bancarrota. O PS não tem moral para criticar Gaspar sobre a acusação de memorando mal negociado, ainda o mesmo tinha acabado de ser negociado pelo PS e este já pedia para que fosse revisto (uma chatice esta coisa da memória). O PECIV, que Vieira da Silva usa para explicar a "má" negociação, é a maior treta que continua a alimentar largos sectores da opinião pública e da política portuguesa. Este não evitaria de todo o nosso afastamento dos mercados, na altura já evidente, e Sócrates só andou continuadamente a adiar o inevitável para se defender a ele próprio e arranjar um pretexto para sair sem dar parte fraca, aproveitando ao mesmo tempo para fingir que defendia o país quando só o afundava cada vez mais (mesmo depois do chumbo do PECIV, acabou por ter de ser Teixeira dos Santos a forçar a vinda da troika, recordemos). Mas há narrativas fantasiosas que persistem, aliás, pior que isso, ganham força, pelo que concluo que uma mentira repetida muitas vezes compensa em política e há eleitores que gostam de ser tratados por parvos. Só mais um sinal de um país que não tem remédio.

Domingo, 26.05.13

O circo

Se entendermos o palhaço como o rei do circo é normal que alguns comecem a chamar isso a Aníbal Cavaco Silva. Ainda Teodora Cardoso, essa hiper-perigosa ultra-neoliberal, tinha acabado de referir que a defesa da flexibilização de défice pode ser «erro estratégico e táctico», já dou por mim a ler isto no site do Partido Socialista: «Renegociar défice de 4 para 4,5% pode não ser suficiente». Nesse mesmo site aparece como slogan bem destacado a expressão «Novo Rumo» e não deixo de sentir o cheiro bafiento de coisas passadas que bem gostava que jamais voltassem a sair do baú onde tinham sido arrumadas. Mas se hoje é assim, amanhã voltará a ser diferente: no exercício de enorme coerência a que se tem dedicado, o partido socialista criticará, como tem feito frequentemente, a subida da dívida, até porque, como sabemos, dívida e défice não têm qualquer relação entre si. Défice e eleições, provavelmente, também não, como PSD e CDS estão apostados em provar-nos. Ou então não.

Quinta-feira, 23.05.13

Jogo democrático enviesado

Executivo que se preze que governe a pensar em eleições sabe que, se necessárias, as medidas duras devem ser aplicadas em força no inicio do mandato e mais tarde, aproximando-se as eleições, é preciso começar a tentar que a economia ganhe balanço. Cá está: «Chegou o momento do investimento». Vem ai o crescimento. Ou talvez não, porque desta vez a crise é de outra natureza. Mas adiante: esta figurinha, de muito longe o pior Presidente da República pós-25 de Abril que este país conheceu, apesar do ar muito sério que ostenta, não se cansa de mostrar a sua mediocridade, a de quem não pensa além do curto-prazo e, especialmente, no bem-estar dos seus. Entenda-se: o bem-estar de alguns camaradas de partido. Não que discorde da desdramatização das eleições antecipadas, é só os partidos de coligação desentenderem-se de vez e assim entenderem que muito me agradaria ter eleições, até porque se estivesse na posição de Passos Coelho já as teria provocado há muito tempo, recusando-me a seguir um guião forçado que nunca seria o meu. Passos e Portas, que neste jogo do gato e do rato às vezes até parece que querem essas mesmas eleições antecipadas, só não pretendendo ficar com o ónus de as terem provocado, agora até as poderiam provocar e desresponsabilizar-se dos seus efeitos dizendo qualquer coisa como: «todos os partidos de esquerda pediram eleições antecipadas? Aqui as têm, agora não se queixem e assumam as consequências das mesmas». Mas voltemos e terminemos na figurinha já referenciada, o problema desta é que quer um presidente que, à sua imagem e semelhança, deite abaixo um Governo que, até prova em contrária, conta com um apoio inegável e absolutamente maioritário na Assembleia da República. A ideia, que seria apenas a repetição de história já antiga onde a figurinha foi protagonista central, é toda ela original, inovadora e brilhante, toda uma nova forma de centrar o nosso jogo democrático: os ciclos eleitorais dos governos PSD/CDS, denominados «governo de direita», deviam ser reduzidos a metade do ciclo eleitoral, precisamente aquele onde ainda só tiveram tempo de aplicar as medidas duras. Passada a fase mais dura do ciclo, este tem de chegar abruptamente ao fim de forma a dar a oportunidade ao PS de beneficiar da potencial bonança.

Mr. Brown às 19:35 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 20.05.13

De modo que é isto

O conselheiro de Estado admite ainda como possível, "até do ponto de vista ideológico", um Governo PS/CDS. "Casam melhor neste momento", garante. Nunca a aproximação do CDS ao PS foi tão clara. É só ouvir o que dizem aqueles que na comunicação social estão associados ao partido. O CDS quer deitar este Governo abaixo, mas também quer tentar garantir que, apesar disso, fica no poder.

Mr. Brown às 13:17 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 19.05.13

If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it.

«Em vez do Governo deixar que empresas viáveis vão à falência, eu proponho, por iniciativa dos empresários, que os créditos do Estado numa empresa sejam transformados em capital social. Estou a falar de empresas com saúde, que passam por momentos difíceis». Tudo, mas tudo, tão fantástico. Os bailouts à banca não nos bastam, temos de fazer bailouts a empresas que passam por momentos difíceis. Abaixo as privatizações, viva as nacionalizações. E como é que se averiguava a viabilidade das mesmas? Ah, mas isto está certamente tudo pensado, não faltariam critérios políticos para decidir que empresas ajudar. Quiçá, algumas da construção civil que muito precisam de ajuda. E esta ideia não custaria um cêntimo aos cofres do Estado? Claro que não, tal como o BPN durante muito tempo não nos custou um cêntimo, garantia de Teixeira dos Santos. Este é o regabofe que os nossos políticos adoram e os empresários aplaudem. Enfim, já se sabe como é que isto acaba. Baixar a TSU era uma vergonha, mas isto já é aceitável? Claro que é aceitável, é a cultura da mediocridade em todo o seu esplendor: não queremos ajudar as empresas fortes a serem mais fortes; queremos antes ajudar as empresas fracas a sobreviverem.

Terça-feira, 07.05.13

Com o parceiro errado

Sempre que oiço Paulo Portas a orgulhar-se da democracia-cristã centrista lamento que a parelha no Governo seja PSD-CDS e não PS-CDS. O CDS teve tudo para alcançar a felicidade no tempo de António Guterres. Infelizmente, na altura, só Daniel "Limiano" Campelo compreendeu isso.

Mr. Brown às 21:43 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 03.05.13

O monstro

Redução dos gastos em pensões e função pública. Enfim, o monstro que tem de ser derrotado. Custe o que custar. Isto se queremos crescer e não definhar, está claro. O resto é treta. E treta é o que ocupa 90% do espaço opinativo da comunicação social nos dias que correm. O país tem de encontrar soluções que lhe permitam baixar as taxas dos impostos e cortar na despesa. Dito isto, já se fala de novo em inconstitucionalidade. Como os percebo. E ainda mais percebo a irritação manifestada imediatamente por alguns quando descobriram que a Contribuição Extraordinária de Solidariedade foi declarada constitucional. Perceberam logo as portas que tal decisão abria. Se bem que estes juízes do TC são de uma originalidade extrema e por isso mesmo não são de fiar. Acrescente-se que apesar de tudo o que será dito a propósito das medidas anunciadas e cuja aplicação ainda está em aberto, de tímidas que são face à situação de urgência em que nos encontramos, passavam perfeitamente pelas medidas que, imagino eu, um Governo PS apresentaria ao país na lógica da austeridade não por gosto, mas por necessidade.

Quarta-feira, 01.05.13

Confrontação

Para mim, o caminho para o país não é o do consenso, é o da confrontação: até para a merda vir toda à superíficie. E sem prejuízo de não me agradar a forma algo politiqueira como o actual Governo tem gerido o dossier swaps - nomeadamente no que toca a timings para comunicações -, agrada-me ver a dupla Gaspar - Maria Luís, esta última uma gaja com telhados de vidro, ou pelo menos assim nos tentam vender - faz parte, quem vai à guerra dá e leva -, ao ataque. Sobretudo se entre os visados do ataque estiver o dr. Costa Pina, outro inimputável.

Domingo, 28.04.13

Quem te avisa teu amigo é

1. Calma, o homem avisou. Se for como da outra vez, já se sabe no que o aviso dá: em nada. Excepto uma desculpa para Cavaco mais tarde afirmar: eu avisei. Aliás, a intenção é tão clara que o homem já anda a dizer que avisou.

2. Apesar de tudo, a verdade é que Seguro já fala em «rigor,  sacrifícios e contenção orçamental» que são para continuar. E pede a maioria absoluta, pois claro, mais sabe ele que «rigor, sacrifícios e contenção orçamental» não são coisas para se fazerem com um BE às costas. Pelo que fica o meu aviso: quando as eleições chegarem ou o PS tem maioria absoluta ou, apesar de discursos em sentido contrário no congresso, teremos coligação alargada com o PSD ou CDS. Diga-se, ainda assim, que este pedido de maioria absoluta sem que esteja prevista a realização de eleições num horizonte próximo é ridículo.

3. Ridículas são também as notícias que dão conta de um Portas que ameaça romper com a coligação: e com isso arriscaria perder os tachos que o partido centrista tem agora por sua conta? Por favor. Nuno Melo, do mesmo CDS, ainda hoje avisou o PS que eleições só para 2015.

4. Para terminar, o Coelho na fase pré-Governo fartou-se de avisar na campanha eleitoral que era preciso diminuir a despesa e não aumentar os impostos; infelizmente, o Coelho na fase Governo teima em ignorar os avisos do Coelho pré-Governo; agora aviso eu, o mais tardar em 2015 o Coelho entrará na fase pós-Governo.

Core Tier 1

Bill Conti - Tema de Norte e Sul

 

Este tipo não é um panhonha e vai injectar milhões na economia.

Sexta-feira, 26.04.13

Regra de ouro

Maioria e PS aprovaram lei da regra de ouro. A notícia tem sete dias. Uma das coisas que não percebo na irritação que os socialistas demonstram com o discurso de Cavaco Silva prende-se com o facto de boa parte da mesma vir simplesmente deste último ter recordado o que a regra de ouro implica. Não me digam que os socialistas em seis dias descobriram que aprovaram uma coisa que não pensam cumprir? Talvez nunca tenham pensado cumprir? Se assim é, gente de boa-fé esta, não?

Quinta-feira, 25.04.13

Jogo de sombras

Seguro, a certa altura, colou-se demasiado a Cavaco. Agora, parece estar arrependido. No Governo, a certa altura, sentiram-se incomodados com as críticas de Cavaco. Agora, estão coladinhos a ele. O mundo mudou.

Mr. Brown às 15:24 | link do post | comentar | favorito

Mal-estar

«Cavaco rejeita eleições e pede combate ao desemprego», diz o Económico. «"É imperioso firmar consensos", diz Cavaco Silva», destaca o Expresso. «Cavaco Silva: “É indiscutível que se instalou na sociedade uma fadiga de austeridade”», refere o Jornal de Negócios. «Cavaco reconhece que existe "uma fadiga da austeridade" e insiste nos consensos», opta o Jornal de Notícias. «Cavaco defende que combate ao desemprego deve ser prioridade do Governo», escreve a Renascença. «Cavaco insiste no consenso para lá do calendário eleitoral», conta o Sol. «Cavaco reconhece que há «uma fadiga da austeridade» e insiste nos consensos», lê-se na TSF. «Cavaco pede consenso alargado e medidas urgentes para relançar economia», títula o Público. «Presidente ataca quem pede eleições antecipadas», indica o Diário de Notícias. Combate ao desemprego; consenso; fadiga da austeridade; recusa de eleições antecipadas? Se o principal do discurso de Cavaco está nestes títulos, confesso alguma dificuldade em compreender o evidente mal-estar que o mesmo provocou nas hostes socialistas, até porque tudo o que vem nos títulos não acrescenta nada ao que já se sabia ser o pensamento de Cavaco.

Segunda-feira, 22.04.13

Mais participação

Uma vénia a todo o cidadão que tiver a pachorra de ler este lençol, encharcado da mesma treta de que são feitos os programas políticos dos partidos para ninguém ler. Mas a iniciativa valeu pelo regresso de betinho Silveira (se a memória não me falha, o baptismo foi feito pelo João Gonçalves) à frente de uma trupe de jugulares, da Moreira e do Nuno Santos. Eles ainda mexem, mas o líder, esse, agoniza no deserto de audiências.

Quinta-feira, 18.04.13

Consenso. Alternativa. Coerência.

1. Já não tenho pachorra para a conversa do consenso, o PS que fique no seu canto e mostre-se contra tudo e mais alguma coisa que este Governo faça, muito embora no PS saibam que não conseguiriam fazer melhor, nem diferente. Menos pachorra tenho, nunca tive, para a conversa da alternativa, é que basta olhar para o que este Governo tem feito, agora mais do que nunca, e ver que quase tudo o que faz corresponde ao que o PS sugeria como alternativa num passado recente. Para quê consenso, na óptica do PS pelo menos, se mesmo sem consenso este governo PSD/CDS faz aquilo que um governo PS, com elevadíssima probabilidade, faria? Enfim, não é oficial, mas em todo o caso é o bloco central quem nos governa. Como sempre tem sido. Viva o consenso. Eu preferia a ruptura.

2. A propósito do que afirmo: 1) PPP alvo de imposto se poupança não atingir 300 milhões. Tempos houve em que Seguro foi ao Parlamento e a medida sound bite que levava consigo era a do imposto sobre as PPP, depois deixou de falar dela, mas deve ter sido na lógica de não ferir muito a sensibilidade dos socráticos. Agora, porque a isso é obrigado, o PS vem de novo com ar pomposo assumir a medida como sua, que o é, mas, pasme-se, é logo um gabiru socrático, um tal de Pedro Marques, quem fala em nome do partido. Há quem lide bem com isto porque acha que na política vale tudo, mas a mim estas coisas dão-me, pura e simplesmente, asco. 2) Governo encerra processo de privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Sem comentários.

3. Aproveito e arrumo os assuntos todos que tinha para o dia de hoje num único post: 1) adoro os crescimentistas que detestam Thatcher, estão sempre ai para nos lembrar que o crescimento económico não é tudo; e 2) adoro igualmente a malta de direita que só tem elogios para Thatcher, mas passou os primeiros meses do actual Governo, sobretudo no que toca à política espelhada no OE2012, a malhar na política do mesmo, estão sempre ai para nos lembrar que há políticas que só são boas quando não nos afectam a nós.

Segunda-feira, 15.04.13

Grupo dos 13

«Pedro Nuno Santos foi quase ostracizado quando, há um ano, defendeu que o país devia ameaçar não pagar as suas dívidas, recusando a austeridade. Esta semana escreveu no jornal i quase o mesmo, com muitos na bancada a aplaudir sigilosamente», devem ser os restantes 12 que, tal como Pedro Nuno Santos, abstiveram-se no voto de pesar pela morte de Margaret Thatcher. É o grupinho dos que têm um pé no PS e outro no BE.

Segunda-feira, 08.04.13

Inadmissível

Carlos César acusa Tribunal Constitucional de agir a pedido. Gosto desta: «a política falou mais alto, no Tribunal Constitucional o jurídico é quase uma formalidade», e desta: «é uma decisão um bocado estúpida e uma tolice, porque tem uma reserva mental que não se aplica à realidade». Perante isto, Passos é um anjinho.

Sexta-feira, 05.04.13

Nem mais

«Quem criou o problema que o resolva». Ouviste, Passos? Queres um desenho, Passos?

Domingo, 24.03.13

Está a fazer teatro

O líder socialista também assegurou à troika composta por Comissão Europeia, BCE e FMI que o PS não se está de modo algum a desvincular do memorando que os próprios socialistas negociaram e subscreveram.

Mr. Brown às 00:33 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 20.03.13

Portugal «precisa de outra governação»

Diz o tipo que tem no curriculum a presença no Governo mais brilhante que Portugal conheceu.

Mr. Brown às 20:48 | link do post | comentar | favorito

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