De todos os aumentos de impostos possíveis para compensar a decisão do Tribunal Constitucional este acaba por ser o melhor e que deverá ter menores efeitos recessivos. Na prática, o Estado manterá em vigor o corte de dois subsídios a funcionários públicos e pensionistas, enquanto no sector privado aumenta o total das contribuições de 34,75% para 36%. E faz isto promovendo a ideia base da troika para recuperar a competitividade que é a de baixar salários*. Garante também que nas empresas em melhores condições económicas e cujo salário pago ao trabalhador não seja uma variável que pese actualmente na sua sobrevivência, o empresário/patrão possa manter o salário liquido dos seus trabalhadores a um nível quase semelhante ao actual. Mas é o fim da rigidez dos salários nominais no sector privado**. Dito isto, agora é esperar o melhor e prepararmo-nos para o pior.
* lembram-se de Passos Coelho, quando justificou o facto do corte de subsídios só afectar funcionários públicos e pensionistas, afirmar que cortes de salários no privado deviam acontecer em nome da competitividade das empresas e não do défice? Pois bem, o Governo consegue manter boa parte da coerência da sua política económica com a medida hoje anunciada.
** o mecanismo principal que até agora foi utilizado para produzir baixa salarial no sector privado foi a do aumento do desemprego: entenda-se, as pessoas que vão para o desemprego quando voltam a encontrar trabalho, na esmagadora maioria dos casos, encontram um onde auferem um rendimento inferior ao que recebiam no anterior. Este mecanismo tem o problema de ser lento a obter os resultados pretendidos e passar por níveis de desemprego muito superiores aos desejáveis. Esse processo agora é acelerado.