Quinta-feira, 16.05.13

Pós-troika

O eixo franco-alemão prepara-se para dar mais um passo em frente na construção europeia e na desconstrução da soberania de cada Estado-membro. Os franceses querem o Governo comum, os alemães preocupam-se em definir desde logo a política que o Governo comum, a existir, pode traçar. Os franceses são parolos e os alemães sabem-na toda. É a repetição da história da moeda única, agora num patamar superior. Os franceses quiseram a moeda única; os alemães primeiro mostraram-se difíceis, mas depois fizeram-na à imagem e semelhança do seu Deutsche Mark. A história irá repetir-se e neste xadrez, nós, portugueses, não passamos de peões.

Domingo, 28.04.13

Islândia não aguentou Governo de esquerda

«People seem to have a very short memory». A Islândia, um caso de sucesso, o modelo a seguir na recuperação da crise financeira que abalou o mundo. Foi assim que a história desta nos foi vendida nos últimos anos e em parte é verdade. Mas, assim sendo, a que se deve esta derrota estrondosa da Aliança Social Democrata que a tem governado? Pois bem, o problema da história que se conta sobre a Islândia é a parte que fica por contar. Ainda que sem Euro e com moeda própria, também houve austeridade com o patrocínio do FMI. Muita. E os efeitos da crise financeira ainda se fazem sentir. Muito. Não há receitas milagrosas, mas por muito que isso seja explicado ao eleitorado, quando este começa a sofrer na pele os efeitos das políticas que têm de ser seguidas, revolta-se e começa a busca por uma alternativa. E mesmo que a "alternativa" venha daqueles que num passado bem recente foram duramente penalizados pela responsabilidade inegável que tiveram na crise que abalou a ilha, aderem a ela. Depois, existem outros factores em jogo: não só os islandeses não têm Euro, como mantêm-se muito eurocépticos, pelo que procuram refúgio nos velhos partidos de centro-direita que habitualmente os têm governado e que melhor representam aquilo em que acreditam, numa promessa de não casamento entre a Islândia e a UE. Com tudo isto, quem agora regressa ao poder limitou-se a fazer o papel que por cá cabe ao PS: «We've seen what cutbacks have done for our healthcare system and social benefits... now it's time to make new investments, create jobs and start growth». E é preciso aliviar o fardo da dívida que pesa sobre as familías islandesas, acrescentam. Mais havia a dizer, mas mais não digo, até porque o meu conhecimento sobre a situação da Islândia não vai muito além disto. Confesso, contudo, que estou em pulgas para ouvir a opinião do especialista Daniel Oliveira.

Domingo, 31.03.13

Desgovernados

Em Itália estão a desenvolver uma nova forma de democracia: governa quem não foi a votos ou tendo ido a votos tenha ficado longe dos mais votados. Se bem que ainda não percebi muito bem qual é o objectivo da máfia política italiana, se continuar a deixar a responsabilidade pelas medidas dificeis que são necessárias tomar para alguém que não esteja associado aos partidos do poder - a ideia inicial -, se não ter pura e simplesmente um Governo legitimado e com isso continuarem a arrastar no tempo a necessidade de tomarem as medidas que se impõem. A situação é deste tipo: de Bruxelas ninguém dá indicações ao nosso Governo porque pura e simplesmente não temos Governo. Acredito que agora seja mais isto. A guerra política deixou de seguir as regras tradicionais, estamos no campo da política de guerrilha.

Mr. Brown às 12:51 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 26.03.13

União das Repúblicas Socialistas Europeias

Um comediante. Dois comediantes. Aparentemente, adeptos do totalitarismo comunista: o teu dinheiro é o nosso dinheiro. Foi a crença nesta ideia utópica o que matou a "Europa", não o seu contrário.

Mr. Brown às 20:34 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 19.03.13

Pioneirismo

Um bom país para testar o efeito de uma saída do Euro.

Mr. Brown às 19:08 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 18.03.13

Fracos, inúteis e nulos

É óbvio, só um tolo não repara, que a Europa «está a trilhar caminhos perigosos» e «a brincar com o fogo». Da mesma forma que é óbvio que «caminhos perigosos» e «brincar com o fogo» é o que se pode dizer dos políticos medíocres e sem visão que nos atiraram de braços abertos para um processo de integração europeu acelerado e precipitado. O processo não podia parar, os eurocépticos eram gente a quem não se devia prestar muita atenção e ainda hoje esses mesmos políticos, onde se inclui o dr. Cavaco e o dr. Seguro, não só não percebem que o processo foi demasiado acelerado e precipitado, como têm a esperança de que para resolver o actual imbróglio o processo possa ser ainda mais acelerado. Não aprenderam nada com a loucura da última década, onde a UE deu passos maiores que a perna. Basta recordar como os alargamentos sucederam-se na UE e na zona Euro - recorde-se que o Chipre adoptou o Euro em 2008 e, cumulo do ridículo, chegou-se mesmo a discutir a entrada da Turquia na UE. As intenções eram boas, mas, infelizmente, diz-nos a história que os projectos utópicos acabam sempre por correr mal. Termino citando Tolstoi em Guerra e Paz (um livro que, intercalado com outras leituras, acompanha-me há cinco meses): «Enquanto o mar da história está sereno, é lógico que o governante - piloto que na sua ligeira embarcação manobra o leme do navio de grande calado que é o Estado julgue ser ele quem o faz mover. Mas assim que se levanta uma tempestade, logo que o mar se encapela e o navio é levado pela corrente, então a ilusão acaba. O navio prossegue na sua rota, independente e majestoso, e o leme do piloto já para nada serve. Esse homem, momentos antes todo-poderoso, centro de todas as energias, não passa então de um ser fraco, inútil e nulo.» Fracos, inúteis e nulos é tudo o que se pode dizer de todo e qualquer governante português nos tempos que correm.

Sexta-feira, 08.03.13

Petróleo

Sonhos molhados: a UE paga o subsidio de desemprego e nós definimos o valor e duração do mesmo?

Mr. Brown às 19:11 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 28.02.13

Sem comentários

 

Segunda-feira, 04.02.13

Internacional fantasista

Seguro não podia pedir melhores companheiros mediáticos para a reunião da Internacional Socialista em Lisboa: a nulidade Royale e o fracassado Papandreou. Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. De resto, nota-se perfeitamente que esta gente continua a delirar, sobrestimando a importância da política europeia na resposta à crise e subestimando as respectivas responsabilidades de cada um dos Estados-membros no que lhes aconteceu. Aliás, quando se acha que só por Draghi se explica o regresso aos mercados, ainda muito tímido, de países como Irlanda e Portugal é essa ideia que está a ser reforçada. Já faltou mais para a maioria dos povos dos periféricos voltarem à argumentação de que não vale a pena dar especial atenção aos desequilíbrios nas contas públicas e externas. Afinal, se quase tudo Draghi resolve, se quase tudo Draghi explica, andamos a tentar reduzir o défice público e externo a que propósito? Se em vez de reduzi-los, estes tivessem aumentado, tanto faria, não é assim? Europa malvada que não nos deixa gastar mais e mais. Não se compreende.

Mr. Brown às 19:17 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 19.12.12

Harmonização fiscal

Toca a harmonizar: portanto, a ver se percebo, os Estados que têm taxas de imposto acima da média devem baixá-las, certo? O Depardieu até é capaz de concordar com tal ideia e ainda acabava por permanecer em França. Ou isto da harmonização só funciona num único sentido que é o de forçar quem tem impostos abaixo da média a subi-los? Pois, como os compreendo. Assim sendo, a ideia tem graça, mas não passa disso mesmo, duma ideia engraçada. No fundo, no fundo, há uma certa esquerda que só ficará satisfeita quando instituir uma União das Repúblicas Socialistas à escala mundial.

Mr. Brown às 21:47 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 05.12.12

O que hoje não se vislumbra

Mas quanta da «luz ao fundo do túnel» e do «crescimento muito forte» que se seguiu ao aperto do cinto do período 1983/85 se deveu a isto:

 

Terça-feira, 04.12.12

Das letrinhas pequenas no contrato

- Queres um prolongamento no tempo do teu empréstimo bancário, com período de carência e diminuição dos juros a pagar pelo mesmo como teve o teu amigo Giannakopoulos?

- Sim, sim, quero tudo. É tão bom, sinto-me tão feliz.

- Pois bem, estivemos a pensar melhor no teu caso e damos-te o que demos ao teu amigo Giannakopoulos se aceitares partilhar a propriedade da tua casa connosco.

- Mudei de opinião.

Mr. Brown às 19:18 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 03.12.12

Condições muito onerosas

É bom lembrar o custo da "ajuda" à Grécia: «Uma das consequências do que se está a passar com a Grécia é que a Grécia se tornou um protetorado europeu». A Europa não tem dado benefícios à Grécia, mas meros balões de oxigénio a um país sem qualquer outra saída que perdeu autonomia. E é isso que o ministro das finanças alemão, mas também o ministro das finanças do governo do senhor Hollande, vieram recordar hoje: quando Portugal estiver em situação «chocante» igual à da Grécia, entalado e sem saída, pois que procuremos os "benefícios" da Europa, entretanto, não pensemos muito nisso que nem nos faz bem.

Visões distorcidas

O que é o neoliberalismo? É este regime sem cheta que nos é "imposto" por parte desses países europeus super-ultra-hiper-mega-liberais como é o caso da Suécia e da Finlândia? Ou é o modelo económico onde se baixa a TSU às empresas como no caso da super-ultra-hiper-mega-liberal França? Se ao menos a Europa não tratasse de dar atenção àqueles países europeus que os americanos tratam por socialistas, talvez neste momento a super-ultra-hiper-mega-socialista Irlanda não fosse o país que está a lidar melhor com o resgate de que foi alvo e as super-ultra-hiper-mega-liberais Grécia e Portugal tivessem melhor sorte.

Mr. Brown às 13:57 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 02.12.12

Gauleses

No PCP ouviram o discurso de António Costa e fizeram a sua proposta patriótica. A minha pátria é a Europa, responde o outro. Coligação do PS com o PCP? É mais aquilo que os separa do que o que os une.

Mr. Brown às 09:55 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 27.11.12

Benefícios

Pois pode: podemos beneficiar das condições da Grécia, como beneficiaremos em qualquer caso e já beneficiamos no passado, sem termos de passar pelas «figuras tristes» da Grécia. Essa é uma oportunidade - a possibilidade de debater a nossa situação fingindo que debatemos únixa e exclusivamente o caso grego - que este Governo, resistindo às pressões da esquerda estérica e não só, nunca deixou escapar. E entenda-se que o não passar pelas «figuras tristes» da Grécia é uma estratégia win-win. Para a Europa, que mantém a aparência de que só lida com uma Grécia. E a aparência conta porque depois os governantes do norte têm de ir vender aos seus povos estes acordos. Para Portugal, que não sofre os efeitos económicos negativos que as «figuras tristes» da Grécia trouxeram a esta. Além de que, como é óbvio e relacionado com o primeiro ponto, temos todo o interesse em facilitar a aprovação do nosso resgate pelas democracias dos países que nos resgatam.

 

Nota: «Portugal ganha no alívio da dívida mas perde por ser identificado com a Grécia».

Mr. Brown às 12:02 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 23.11.12

Não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar

Anos após a entrada na Europa, Portugal mostra-se hoje tão ou mais dependente do dinheiro da Europa do que então. Anos após a entrada na Europa e consequente desenvolvimento económico, nunca houve tantos portugueses dependentes do Estado para sobreviverem. Há qualquer coisa aqui que correu muito mal. Anos a comer peixe caido do céu, esquecemo-nos do que é ter de pescar.

Mr. Brown às 20:43 | link do post | comentar | favorito

O dinheiro dos outros

O senhor Cameron agora é o mau da fita. O que me faz recordar a questão da carta. De resto, é tão fácil pretender que o dinheiro dos outros venha parar aos nossos bolsos. Com o dinheiro dos outros qualquer um sabe governar e em Portugal, até por vício, fruto de muitos anos mal habituados, há quem já não se imagine a governar de outra forma que não essa.

Mr. Brown às 19:10 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 12.11.12

Pensa mesmo bem

Só a Autoeuropa é responsável por 4,6% das exportações totais portuguesas. Por outro lado, nós, Portugal inteiro, enquanto país receptor, não chegamos a representar 0,7% do total das exportações alemães (dados de 2011, fonte). Claro que, como bem sabemos, e alguns na comunicação social não se fartam de sugerir, se não fossemos nós a comprar produtos alemães estes estariam praticamente na miséria. Enfim, como o exemplo da Autoeuropa tão bem documenta, de nada nos vale ser hostis para com as empresas alemãs, muito pelo contrário, devíamos era conseguir explicar-lhes os motivos que torna vantajoso virem para cá instalar-se. A pergunta que se coloca é: que motivos temos para lhes apresentar? Ah, queiram perdoar-me, voltei a focar a discussão nas nossas próprias falhas/virtudes e isto é tudo tão mais fácil quando nos limitamos a analisar o problema do ponto de vista do bicho papão externo.

Mr. Brown às 20:06 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 11.11.12

O circo mais os seus palhaços

Manifestação contra Merkel? A sério? Mas foi a política económica da senhora que nos trouxe à situação em que estamos? A indignação pela situação desastrosa por que passamos deve ser dirigida sobretudo a quem não nos dá o dinheiro de que precisamos ou aos que desbarataram dinheiro como se não houvesse amanhã quando obtê-lo nos mercados não era uma dificuldade? Qualquer pessoa com dois dedos de testa saberá que os principais responsáveis pela situação em que estamos não são de outra nacionalidade que não a portuguesa. E como é que estão esses tugas que mais advogaram e concretizaram a política económica que nos trouxe até aqui? Em primeiro lugar nas sondagens, a um pequeno passo de voltarem ao poder. Manifestação contra Merkel? A sério? Vão dar banho ao cão. Mas claro que é muito mais fácil e cómodo concentrar as nossas energias negativas em quem não nos é próximo ao mesmo tempo que, para consumo interno e na senda da procura por um bode expiatório entre os nossos, não falta quem se dedique a triturar o recém-chegado Vítor Gaspar por não conseguir descobrir petróleo na costa e "colaborar" com a gorda da alemã. Só assim o circo na Assembleia da República e nos órgãos de comunicação social pode continuar. Falta saber se a Alemanha alguma vez decidirá ser cúmplice do circo mais os seus palhaços.

Quarta-feira, 17.10.12

Paz

UE envia Barroso, Rompuy e Schulz a Oslo para receber Nobel

Domingo, 07.10.12

União orçamental

David Cameron afirma que é preciso pôr um travão à despesa europeia e sugere uma Europa a dois orçamentos, um para os países da Zona Euro, e outro para os países com moeda própria. Resumindo: não queiram pôr o Reino Unido a pagar a sustentação financeira dos países periféricos da zona Euro.

Mr. Brown às 12:00 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 05.10.12

Do experimentalismo

Compreender a TSU: o experimentalismo pioneiro deu-se com a criação da UE, mas o passo decisivo foi dado sobretudo com o Euro. A TSU era apenas uma experiênca dentro de uma experiência. Uma tentativa de gerar um antídoto para o vírus que nos afecta. Há quem tenha antídotos ainda mais radicais: fazer em tempo recorde de uma Europa com várias nações uma nação chamada Europa. Sobre experimentalismo radical acho que estamos conversados. Enfim, se o problema é de experiências, seria preferível cortar o mal pela raíz e retroceder até aos primórdios da experiência inicial. Mas o experimentalismo evoluiu de tal forma, que a reversão até ao ponto anterior ao da experiência inicial será em si mesmo uma experiência e pêras, de resultados imprevisiveis. Moral da história: quem em experiências se mete, ao experimentalismo está condenado.

Mr. Brown às 03:02 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 24.09.12

Às avessas

Barcelona quer ganhar soberania em relação a Madrid. Madrid está a perder soberania para Bruxelas. Isto não vai acabar bem.

Mr. Brown às 12:38 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 06.08.12

«Dever de educar os parlamentos»

Excelente frase de um tecnocrata não eleito que ocupa o poder em Itália para simbolizar o processo de construção desta Europa. Um processo feito de cima para baixo, sem respeito pela vontade popular. É isto que eles pensam do povo e dos seus representantes: gente que tem de ser educada. Educada por eles, naturalmente, os iluminados. Quando mais oiço esta gente, mais reforço a minha convicção: oposição a toda e qualquer perda de soberania para Bruxelas. E se essa posição significar que têm de ser dados alguns passos atrás no percurso de construção europeia até agora seguido, pois que sejam. Pode-se começar pelo fim deste Euro.

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