Partido bom, partido mau
i) A culpa do estado do país não é exclusiva de Sócrates, que só é responsável pelos últimos seis anos de governação. Contudo, a culpa será toda de Passos Coelho se não aprovar o orçamento, embora nem por um dia tenha exercido funções governativas.
ii) Quando Santana Lopes governou o país durante seis meses, segundo os analistas, levou o país para o abismo. Sócrates lidera há seis anos, doze vezes mais tempo, mas a culpa pelo estado do país é fruto de vários governos. As 'trapalhadas' foram varridas do léxico dos analistas.
iii) Quando Manuela Ferreira Leite era líder do PSD, raro era o analista que concordava com o que esta dizia ou fazia. Agora, todo o analista partilha as razões de Ferreira Leite para a necessidade do PSD abster-se no orçamento. De um momento para o outro, Ferreira Leite tornou-se uma estratega brilhante.
iv) José Gomes Ferreira dizia há dias que se Passos Coelho não deixar passar o orçamento, não tem condições para ser primeiro-ministro. Condições para continuar a ser primeiro-ministro tem José Sócrates, presume-se. Porquê que com Sócrates as coisas nunca são colocadas num plano igualmente claro e frontal? É por deferência para com quem exerce o poder? O respeitinho é bonito, evidentemente.
v) António José Teixeira disse, ontem, que Passos nunca poderia ter dito que não aceitava mais impostos. Já a Sócrates tudo é permitido dizer, incluindo o mesmo que Passos nunca poderia ter dito. Tem maior poder de escolha o entalado ou o que tem a faca e o queijo na mão?
O PS de Sócrates é o irresponsável a quem tudo se permite. O PSD de Passos Coelho / Ferreira Leite / Filipe Menezes / Marques Mendes / Santana Lopes é o responsável a quem tudo se exige. Que gentalha é esta que pulula no 'comentarismo' nacional? Que papel tem sido o deles, se não o de perpetuar José Sócrates, o inimputável, no posto que ocupa?
