As regras do jogo
Portugal é uma pequena economia aberta que pertence simultaneamente à UE e à zona Euro. Não somos, nem julgo que queiramos ser, uma Coreia do Norte. Olha-se para os períodos de maior crescimento económico português nos últimos cem anos e percebemos que estão associados a dois momentos de abertura da economia portuguesa ao exterior: em primeiro lugar a adesão à EFTA, em segundo a adesão à então CEE. Desde então a globalização aprofundou-se e o mercado global ficou mais competitivo e mais exigente? Certamente. Mas não estavam à espera que tudo fosse um mar de rosas, pois não? Nem estarão certamente à espera que invertamos o processo de abertura da economia ao exterior: seria um passo trágico, rumo a uma sociedade muito mais pobre. Ora, sendo assim, jogar no mercado global obriga-nos a aceitar as regras impostas pelos jogadores das grandes ligas. Isto se queremos vencer alguma coisa, claro está. Eu compreendo que certos sectores políticos detestem as actuais regras e lutem para vê-las alteradas: faz parte do processo. O que eu não suporto, não suporto mesmo, é que às tantas há quem se esqueça que o mundo é o que é e não o que nas cabecinhas deles devia ser. Fecham-se zonas francas da Madeira e quem lá operava vai para o Luxemburgo e para as Caimão. Passa-se a ideia de um regime fiscal instável e as empresas vão para a Holanda. Não gostam? Mas não querem emprego e crescimento económico? Então percebam as linhas com que nos cosemos.
