Uma condecoração implícita
Não tem precedentes, desde o 25 de Abril, esta convergência de interesses políticos, empresariais e corporativos de várias espécies na tentativa de destruição de uma pessoa. Que esse clima mal-são tenha no topo do Estado um símbolo, é doentio. O motivo para o post de Porfírio Silva é a notícia do Expresso de que Cavaco Silva não pensa atribuir uma condecoração a Sócrates. Coitadinho do ex-primeiro-ministro, uma vítima do sistema, da circunstância e alvo do ataque de figuras menores. Até verto uma lágrima pelo sujeitinho que leva boa vida em Paris. Mas enquanto não se inventar uma condecoração para os que arruinaram o país acho que está mais do que na hora de acabar com esta tradição de presidentes a condecorarem ex-primeiros-ministros só porque sim. Começar pelo pior primeiro-ministro da história da democracia portuguesa parece-me acertadíssimo. É até uma forma de condecorar implicitamente Sócrates por aquilo que ele merece ser condecorado. E ainda assim fica muito aquém do que ele verdadeiramente merecia.
