Em busca das despesas não fundamentais
Antes de 2008 não existia, agora é fundamental. Bem vistas as coisas, é quase tudo fundamental. E muitas outras despesas fundamentais só ainda não o são porque ainda não foram postas em prática. «Acrescentando que a crise económica levou também a uma maior procura». Maior procura, maior despesa. Maior despesa, maior necessidade de receitas para manter o défice. Mais impostos, maior crise económica. Daqui não saimos, daqui ninguém nos tira. Insustentável. Mas admito: o cheque-dentista, como o complemento solidário para idosos, como os subsídios ao cinema, e tudo e tudo e tudo, é fundamental. Muito bem: mas digam-me, por amor de Deus, o quê que não é fundamental? Porque algumas coisas que para alguns, em algum lugar, são fundamentais, garanto-vos, o Estado não conseguirá continuar a dar. Isto dito, sobre a «refundação do memorando» (?!?), para quem acredita, como eu, que o Estado não terá dinheiro para continuar a gastar o que tem gasto, tanto não vai ter esse dinheiro esteja lá este Governo ou outro de cor diferente. Mas como nada de relevante nesta área será feito sem o acordo do PS, dado que sem este qualquer tentativa de redefinição das funções do Estado esbarrará sempre no Tribunal Constitucional, podem começar a pensar em passar o poder para os socialistas o mais rápido possível. É um país refém de um partido e de uma ideologia? É, mas até o PS ser obrigado a equilibrar as contas e redimensionar o Estado - enfim, a pôr este país num caminho sustentável -, como acho que se estivesse agora no poder o seria, a direita não conseguirá governar em paz.
