Nem tão cedo superará
Deputado do CDS acusa, na sua declaração de voto, o Governo de não superar "modelo socialista", como se exigia. Também, não há porra de alminha que queira ajudar o Governo a superá-lo. Adolfo Mesquita Nunes fala de um «caminho liberal» que também «depende de medidas impopulares». As medidas impopulares que fossem enunciadas e logo se via como não passariam do papel, dado o receio que se instalaria imediatamente com a possibilidade de tais medidas originarem uma revolta popular com origem no Partido do Estado. A maior parte das medidas que um Governo pode tomar agora são impopulares, mas há umas mais impopulares que as outras. O CDS sabe tão bem que assim é que nem se atreve a enunciar as medidas que supostamente defende. Enquanto autodenominado Partido do Contribuinte, o CDS passa a vida a jogar na retranca, com auto-carro à frente da baliza, e assim não se ganham jogos. A esquerda, por outro lado, massacra a baliza adversária: apesar de terem lixado o país com políticas despesistas, em violação clara das regras que deviam orientar uma sociedade minimamente responsável, não só já falam como se tal facto não tivesse nada a ver com eles, como ainda sabem que o árbitro está do lado deles: o Tribunal Constitucional. É caseiro o árbitro, pois, como se sabe, em Portugal, a esquerda joga em casa. O Gaspar, coitado, tem tanta culpa de não superar o que quer que seja como o Vercauteren tem de não conseguir pôr o Sporting a jogar bom futebol.
