Injusta e iníqua
Cortar na despesa é inconstitucional (já de si, um corte na despesa fazendo-se passar por um aumento de impostos). É necessário aumentar mais os impostos ao sector privado para manter as pensões tal como o dr. Bagão Félix, ilustre membro do clube dos reformados, quer. O burro de carga que continue a sustentar os actuais pensionistas, sabendo de antemão que quando terminar a sua função não terá um burro que faça por ele o que ele fez por outros. Se o orçamento tiver de morrer, como escreve Henrique Monteiro, o exemplo por ele utilizado é o pior possível para justificar esse fim. Isto porque significará que o novo orçamento que há-de nascer será ainda pior do que este. Quem mais beneficiou com um sistema que se revelou insustentável, é quem mais deve perder com o reajustamento da sociedade a um sistema novo. No sistema de pensões isso é evidente: não é minimamente aceitável, como, por exemplo, a reforma de Vieira da Silva/Sócrates consagrou, passar o peso do ajustamento para os futuros beneficiários do novo sistema, deixando quase intactos quem do sistema antigo muito mais favorável beneficiou. «Um reformado com uma pensão mensal de 2200» não é, definitivamente e por larga distância, aquele que tem mais razões para se queixar nos tempos que correm. E se a Constituição o protege, pois dada a nossa situação, deixará desprotegido quem mais necessita de protecção. As consequências indesejadas desta interpretação da Constituição são óbvias, temos uma lei fundamental que fomenta a injustiça e a iniquidade. Tudo em nome da defesa do status quo. Quem não tem status, que se lixe!
