Barril de pólvora
Sim, é verdade que o desemprego não é neste momento um flagelo na Alemanha, antes pelo contrário, e isso incentiva-os a seguirem a estratégia que tem sido seguida na resolução da crise da zona Euro. Aliás, as sondagens que por lá são feitas não deixam margem para dúvidas sobre a avaliação extremamente positiva que o eleitorado alemão faz da forma como Merkel tem lidado com a crise europeia. Mas não ignoremos que é uma política de quem colhe frutos após tê-los plantado não sem muito trabalho e sacrifício - nomeadamente ao nível de uma enorme moderação no que a subidas salariais diz respeito. Até porque, como o gráfico também deixa por demais evidente, para o desemprego estar tão baixo agora foi preciso deixá-lo subir anteriormente. E torno a realçar para os mais distraídos: não foi Merkel quem começou por adoptar esta estratégia, mas sim Gerard Schröder, pelo que os esperançosos de uma alteração significativa na política alemã para o Euro após as eleições deste ano irão ter uma grande decepção. Além disso, outros que não mudaram de política após as eleições foram os franceses, pelo que aquilo que explica em grande parte o motivo pelo qual o senhor Hollande não consegue pôr a França a crescer, não só está por resolver como, aparentemente, agrava-se:
O rastilho do barril de pólvora continua bem acesso na Europa. Como não estar, se até num país como Portugal anda-se a discutir o aumento do salário mínimo nacional?


