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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

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Ar puro (CVII)

Murakami volta a ser o favorito nas casas de aposta para vencer o prémio Nobel da Literatura que será atribuído em breve. Indicio claro de que não o ganhará. Sabem aquelas listinhas do «top» qualquer coisa em que, ainda mal começamos a correr os listados, nos pomos logo a adivinhar quem estará em primeiro lugar e frequentemente acertamos por ser óbvio? Pois bem, a Academia Sueca tem sempre a tentação de ignorar propositadamente o óbvio. Por um lado pode ser bom, é muito difícil adivinhar quem ganha. Por outro lado é péssimo, porque a lista de vencedores dificilmente acabará representando aqueles que ficarão preservados para a eternidade. E muito maior do que qualquer Nobel é o prémio da imortalidade, ainda que enquanto vivo um escritor só possa, com certeza absoluta, fazer proveito de um deles. Em segundo lugar, aparece a norte-americana Joyce Carol Oates. Não lhe li um único livro, sendo que, se é para torcer por um vencedor norte-americano, preferia que ganhasse o McCarthy ou o Roth, esses sim escritores da minha eleição. Mas na literatura, como se sabe e é da tradição, segundo os iluminados da Academia Sueca, são os europeus que dão cartas. Um pouco como os ingleses, fechados na sua ilha, achavam dominar o futebol que tinham inventado até que um dia foram postos a concorrer directamente com outros povos e levaram um banho de realidade. Mas voltando a Oates, Harold Bloom - nota: que gostava da literatura de Oates -, num texto datado de 2003 em que destilava fel em relação a um prémio atribuido a Stephen King, não a colocou num conjunto reduzidíssimo de romancistas norte-americanos vivos e em actividade que mereciam ser louvados. Desse grupo constavam apenas Pynchon, McCarthy, DeLillo e Roth. Por sinal, de acordo com a cotação da Ladbrokes, todos eles também no top 20 dos escritores com maiores probabilidades de ganhar o Nobel. Qual a particularidade de Oates? É mulher. Na história do Nobel da literatura, em 109 autores laureados, só 12 são mulheres. Misoginia, talvez acrescentasse o Carlos. Mas a verdade é que eu não conseguiria, nem poderia, ir tão longe. Olho para a minha reduzida biblioteca pessoal, acrescento mentalmente todos os outros livros que li e não os tenho comigo, e chego à conclusão que o meu rácio de escritores lidos (limitado aos que poderiam ter ganho o Nobel, para a comparação fazer sentido) em relação ao número desses escritores que eram do sexo feminino é ainda pior do que o de laureados com o Nobel. Venha uma quota imposta a nível pessoal: o próximo livro que comprar, vai ter um nome feminino contemporâneo na capa. Como ainda estou indeciso, só vos digo que não será nem Rowlings, nem Erika Leonard, mais conhecida por E. L. entre os amigos, em quem o ano passado era possível apostar um euro na esperança de receber quinhentos caso fosse ela a vencedora do prémio Nobel. Por falar nisso, se é verdade que as mulheres no campeonato dos prémios ainda têm muito que pedalar, no da facturação a história é, evidentemente, outra.

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