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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Mr. Brown

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Litigância

A resolução adoptada para o banco BES acabaria inevitavelmente por também ser jogada em tribunal. Neste momento, por acção interposta por um fundo, já temos a venda da Tranquilidade suspensa por providência cautelar e a Goldman Sachs a mandar recados por jornais de que tudo fará para dificultar venda do Novo Banco, em defesa dos seus interesses. Até aqui, tudo normal. Quem se sente prejudicado, tem todo o direito de recorrer aos tribunais. Anormal, talvez, será a decisão do Banco de Portugal de comprar algumas destas guerras, como a com a Goldman Sachs, fruto de uma decisão fresquinha, é por demais evidente (Carlos Costa não anda a fazer amigos, é bom dizê-lo; e em muitas destas matérias tem evidenciado coragem). Dito isto, do resultado destas litigâncias dependerá a avaliação do tipo de resolução adoptada para o BES. Espera-se, pois, sob pena de nova e mais grave litigância vir a surgir no horizonte - recorde-se a "ameaça" de Ulrich de que se o Novo Banco não fosse vendido por bom preço o BPI avançaria para tribunal contra o Estado português - que no final disto tudo os tribunais acabem por dar razão ao Banco de Portugal. Diga-se, ainda, que alguns, sem qualquer decisão judicial definitiva tomada, vêem na existência desta litigância um dado objectivo para crítica ao Banco de Portugal. Curiosamente, parece não lhes passar pela cabeça que em caso de derrota do Banco de Portugal nos tribunais, também existirá motivo de crítica ao sistema judicial, ávido em favorecer determinados interesses em detrimento doutros. Nem, note-se, parecem recordar-se do tempo em que achavam muito fácil lutar contra os muito prejudicias contratos swaps e exigiam ao Estado o recurso aos tribunais para defender os seus interesses (como acabou por fazer no caso mais problemático dos contratos que envolviam o banco Santander). Da minha parte, por outro lado, assumindo-se como necessária uma intervenção no BES - como a que houve, visando tornar uma falência descontrolada numa controlada -, só posso ver com bons olhos esta litigância. A sua ausência é que seria de estranhar e denotaria que alguns interesses, como é costume, não estariam a ser defendidos (imaginem os de quem).

Porta-tontices e lata socialista

Se ontem elogiei uma deputada do BE, hoje digo que este tipo de intervenção da «porta-voz» do partido é, no mínimo, tonta. A venda do BPN, enquanto «caso político», é um nada absoluto. O caso político está a montante, mas claro que isso tem o defeito de não permitir atacar este Governo o que é uma chatice para a oposição. Mas há mais que importa dizer sobre o caso BPN: neste, o PS defendeu fortemente o governador do Banco de Portugal da altura. Compare-se essa defesa com a acusação insistente que faz agora do trabalho do actual governador no caso BES. Sim, bem sei, o PSD também terá invertido o seu lugar: mas, note-se, será que as falhas de regulação foram tão graves num caso como no outro? Serão mesmo comparáveis? Qual a dimensão do BPN em comparação com o BES? E o buraco de ambos, como é que comparam entre si? Tivesse o BES caído num buraco tão grande quanto o BPN e tivesse o governador do BdP, sem prejuízo de também ter cometido erros, tido uma actuação tão passiva quanto a do seu antecessor e coitados de nós.

Do regime

Depois do BES há cinco anos, agora é a vez dos três grandes do futebol português perderem o apoio da Portugal Telecom. BES e PT, o primeiro na parte de trás das camisolas e o segundo na da frente, chegaram mesmo - julgo não me equivocar - a ter o domínio em simultâneo da publicidade nas camisolas dos três grandes. É certo que o mercado futebolístico português tem características especiais, mas, na verdade, esta simples história diz muito sobre o país. O país tem sido isto e não passava disto. E isto é só mais uma história para ir completando este puzzle: O fim do Império Espírito Santo: Gestores da PT iam a despacho ao BES para receber instruções. Prova que a PT era mesmo uma empresa estratégica, ainda que o «para quem» e «para quê» não seja necessariamente no sentido que outros gostam de atribuir. Continuação de um trabalho jornalístico que já tinha destacado aqui. Já agora, nem de propósito, eis que nesta semana somos brindados com esta notícia: Manuel Pinho exige mais de dois milhões de euros ao BES.

A porca da política

Quando Vítor Bento e João Moreira Rato foram escolhidos para ficar à frente do BES, houve quem os confundisse com os Armandos Vara do PSD. Por outro lado, outros não se cansaram de elogiar a escolha e, com isso, elogiavam obviamente quem os tinha escolhido. O pedido de demissão de Vítor Bento e de Moreira Rato, mostra, pelo menos, que Varas não eram certamente. Nada que incomode os que já eram críticos, agora criticam por outro motivo qualquer. Para esses, Vítor Bento, por questões políticas passadas, é alvo a abater, dê lá por onde der. Por outro lado, por parte de quem achava a escolha muito boa, agora descobre-se defeitos que anteriormente não tinham ou, se tinham, não haviam sido realçados como particularmente relevantes. A capa do DN deu o mote: «nova equipa com perfil mais técnico e menos político». O spin para responsabilizar Bento como uma má escolha (com o foco mais na escolha do que em quem escolheu) e justificar os novos como uma boa escolha, melhor do que a anterior, é evidente. João Vieira Pereira, jornalista do Expresso sempre muito benevolente para com Carlos Costa, escreve agora no twitter que «finalmente uma equipa de banqueiros». Maravilhoso, até porque ao que me recordo Vieira Pereira foi dos que concordou com a escolha de Vítor Bento. Mas a ideia que importa passar agora é a seguinte: Bento tinha perfil político e não era um técnico. Bento era má escolha. Bento era incompetente para o papel. Bento não aguentou a pressão. Bento andava aos papéis. Ainda bem que Bento foi-se embora. «Finalmente uma equipa de banqueiros»: que enorme lata! Por fim, e para não me alongar mais, ontem, Marques Mendes, hoje, Paulo Portas - o homem da «demissão irrevogável» (a diferença da dele para a de Bento é que a dele, reveladora de um homem sem palavra, foi apenas jogada estratégica para ganhar peso no Governo, meter o amigo Pires de Lima lá dentro e livrar-se de Santos Pereira) -, também trituram Vítor Bento. Sobre Carlos Costa, a alcoviteira do reino foi muito mais contida, do ministro não lhe ouvi sequer um único indicio de crítica. Nuno Melo, entretanto, também anda desaparecido em combate. Bento é o bode expiatório para explicar o insólito. Feliz dia o dele em que recusou ser ministro das finanças - já lhe teria acontecido o mesmo que aconteceu com Vítor Gaspar -, infeliz dia aquele em que decidiu aceitar a missão BES. Resumindo: em política, qualquer pessoa séria e integra está sujeita a ser enxovalhada.

O irmão metralha

Quando o caso BES já estava bem quente e Salgado praticamente queimado, Mário Soares alegou que «nós fizemos tudo e estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável», acrescentando que teve «sempre o culto da amizade. E [teve] sempre o culto da amizade por muita gente.». Na altura, suspeitei que o ex-presidente tinha, entre outras coisas, Ricardo Salgado - e o que sucedia ao BES - na cabeça. Julgo que não me equivoquei. Até porque agora, em declarações à RTP, disse ainda que «Quando ele [Ricardo Salgado] falar, e vai falar, as coisas vão ficar de outra maneira. Ao princípio era tudo banditismo, mas agora os portugueses já perceberam que não é assim». Proença de Carvalho tem aqui um belo adjunto e se o branqueamento das actividades fraudulentas do amigo Salgado, ainda que a imprensa internacional tenha dado grande destaque ao caso (exibindo-o como um irmão metralha), é para levar em frente no âmbito nacional, o amigo Soares dá um bom tiro de partida. Acrescente-se que na mesma reportagem exibida hoje na estação pública, Mário Soares contou com brevidade a história de como o BES, aquando da privatização, regressou à família Espírito Santo por sua intervenção directa: em conversa onde Soares solicitava a Salgado para assumir o controlo do banco, este respondeu-lhe que não tinha dinheiro para concretizar tal operação, mas super Mário logo o tranquilizou, dizendo que dinheiro não era um problema. Bastou um telefonema a François Mitterrand, o Crédit Agricole foi metido ao barulho e, voilá, fez-se luz. E o dinheiro nunca mais foi um problema. Até agora. Quando tantos falam na promiscuidade entre poder político e económico como algo de muito negativo, achei esta uma bela história. É, aliás, exemplar de um certo modus operandis enraizado na sociedade portuguesa. Assim geraram-se os grupos de amigos influentes que deviam favores uns aos outros e garantia-se a preservação do status quo [Cavaco - Dias Loureiro - Oliveira e Costa: a mesma história precisamente]. Nunca houve um só «dono disto tudo», existem é os que se julgam e, em parte, têm sido «donos disto tudo». É um grupo, não é uma individualidade. E Soares faz parte desse grupo. De resto, bem diz Seguro que quem apoia Costa tem mais queda para a promiscuidade.

Mau demais

A solução de Carlos Costa era a melhor possível dadas as circunstâncias? Com coisas destas, deixa rapidamente de o ser. Perceba-se: se o Novo Banco já tem andado a perder activos, com notícias insólitas deste calibre essas perdas só podem intensificar-se. Contudo, não me passa pela cabeça, ainda que com a (pouca) informação disponível, responsabilizar os gestores pela situação, estes apenas terão pretendido ser mais do que meros «verbos de encher» - recorde-se que foram chamados quando a realidade era o BES e não o Novo Banco e, mesmo quando a realidade mudou, teriam legítima pretensão de querer ter no banco papel semelhante ao de Horta Osório no Lloyds e não o papel de meros temporários que se limitarão a dar a cara pela venda apressada do mesmo (venda rápida que defendi e, agora com razões reforçadas, continuo a defender; o que não me impede de perceber a leitura diferente que o gestor do banco quererá fazer) -, mas responsabilizo sim o governador do Banco de Portugal. Se na questão da supervisão já tinha revelado problemas, dos quais, ainda recentemente, quis sacudir a água do capote, atirando as culpas para o vice-governador, agora demonstra problemas graves na forma como lidou com a solução final encontrada (não garantindo à partida que os gestores encarregues de pegar no banco aceitariam um timing rápido para a venda deste). Perante isto, e como em quase tudo, no fim, a competência das pessoas mede-se pelos resultados. E os resultados de Carlos Costa começam a ser maus demais.

Estatuto de privilégio

Ricardo Salgado e outros que o acompanham, num país como deve ser e só com o que se conhece, já devia ter caído em absoluta desgraça e estar a ser vilipendiado por toda a parte. E, provavelmente, isso já devia ter acontecido há muito tempo, não só agora. Por cá, o homem ainda sonha manter alguma influência no BES. Quantos dos opinadores profissionais da praça que comentam o caso GES/BES por estes dias são independentes e livres de qualquer ligação à família Espírito Santo? Mais grave: consegue a nossa justiça ir até ao fim e apresentar, finalmente, resultados em processos que envolvem esta gente? Enquanto estes tubarões gozarem de um estatuto privilegiado na sociedade, não sairemos da cepa torta.

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