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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Mr. Brown

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Ler os outros (CLX)

Como já aqui referi, por via das portarias de extensão, os contratos colectivos negociados pelos sindicatos que representam 10% dos trabalhadores têm influenciado 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivas. Por esta via, a concertação social tem tido principalmente o papel de defender os «direitos adquiridos» das corporações empresariais e sindicais, aumentar o desemprego e assim manter o statu quo.

Ler os outros (CLVII)

Assim, para uma despesa com os atuais pensionistas que não se reduz, as receitas diretas das contribuições para a SS (e CGA) diminuem por duas vias: efeito quantidade (menos empregados) e efeito preço (salários menores), resultando naturalmente num aumento do deficit do sistema de pensões que tem de ser colmatado com transferências crescentes do OE, o que por sua vez implica um aumento adicional de impostos – que em parte voltam a recair sobre os mesmos (poucos) empregados.

As coisas são o que são

Voltando ao fado português, noto que Luís Naves teve o cuidado de não incluir a literatura no rol de sectores culturais onde Portugal nas comparações europeias faz fraca figura. A Hungria pode ser tudo isso, sinceramente, conheço mal para pronunciar-me, mas ainda assim não produziu nenhum Saramago (embora também tenha um prémio Nobel recente). Não tem o fascínio que nós temos pelo resto do mundo e valoriza muito o que é nacional? Admito que sim - não deixando de notar que um escritor e um jornalista portugueses estão sempre nos nossos tops de vendas, sendo ambos, um mais do que o outro, relativamente desprezados pela elite literária -, mas também há razões históricas que podem ajudar a explicar que assim seja: o império húngaro não foi propriamente igual ao império português, nem conheço aos húngaros fluxos migratórios iguais aos nossos. Somos o que somos e muito do que somos é fruto das nossas circunstâncias. E bem podem os húngaros fazer tudo por tudo para preservar a sua língua que nós entretanto já temos a nossa espalhada pelos quatro cantos do mundo. Mesmo no caso espanhol não é difícil de perceber a necessidade que têm de promover uma identidade comum a toda a Espanha com as fracturas que por lá abundam e que por cá nem vê-las. Ou seja, de certa forma, acho que a observação de que somos um «país com fortíssima identidade nacional», não torna «tudo ainda mais bizarro», pode mesmo ajudar a explicar aquilo que é tomado por bizarro e nada neste comportamento tem de estar associado a um conceito de provincianismo. Sei que esta minha argumentação deixa muitos buracos em aberto e para ganhar consistência tinha de ser mais elaborada, mas fica o esboço do que penso sobre o assunto. A língua portuguesa está bem e recomenda-se, muito antes de existir cinema já estava bem e recomendava-se, e bem podia o Luís acrescentar uma ou outra palavrinha em inglês ao seu texto que não arriscava perder nada com isso. 

Mudando de assunto, só consigo imaginar a quantidade de novos leitores que Os Miseráveis do Victor Hugo ou a Anna Karénina de Tolstoi alcançaram com as adaptações em formato xaropada que Hollywood lhes dedicou recentemente. E assim passa-se da linguagem básica de alguns filmes americanos para os grandes clássicos da literatura mundial e posteriormente para a capacidade de ler os filmes do Oliveira (antes o problema dos filmes do Oliveira fosse a falta de capacidade para interpretá-los). Mas é certo que o cinema popular ajuda a «alta cultura». Entendêssemos isso e tudo seria mais fácil. Não se começam a construir casas pelo telhado.

Para terminar, se o filme 'português' mais visto deste ano é «O Comboio Nocturno para Lisboa» - e, de facto, o filme foi 'vendido' na comunicação social por força da sua associação à produção nacional -, são mais uns quantos espectadores de cinema, dos poucos que ainda arriscam ir ver filmes com o selo de produção nacional, que vão ficar sem vontade de tornar a fazê-lo tão cedo. O melhor do filme foi mesmo isto. Quer isto dizer que fomos afastados dos nossos autores? Não, os nossos autores é que se afastaram de nós, ao teimarem em fazer filmes que o comum dos portugueses não compreende, nem gosta. Mas que sirva como desculpa a quem a quiser usar: o problema é dos portugueses a quem falta intelecto para leituras inteligentes (enfim, há uma parte verdadeira nisto, porque o nível de educação terá alguma correlação com os produtos culturais que se consomem e como se sabe o nosso panorama no que se refere à escolaridade não é propriamente brilhante). Contudo, olhando para o panorama literário e para o cinematográfico e comparando-os, percebendo que na literatura também temos o nosso Dan Brown, enquanto no cinema só temos Woody Allens wannabes, sou tentado a concordar com o Luís quando escreve que a escrita não morreu «porque publicar um livro é mais fácil do que produzir e distribuir um filme». Mas note-se que ao contrário dele não acho que os «híper-best-sellers» matem o que quer que seja. Pelo contrário, dão vida.

Ensaio sobre a cegueira

Como é que se diz a alguém que fica na história do cinema que não há dinheiro para ele filmar? Acho que quem de direito chegou à conclusão que não se diz e por isso ninguém lhe disse. Mas isso teve, dada a limitação de apoios existentes para a produção de filmes portugueses, custos altíssimos para o cinema nacional, porque quase monopolizou - sei que estou a exagerar, mas vocês percebem o meu ponto - a indústria num realizador que, pese embora concordar com o Luís Naves na importância de Aniki-Bóbó, nunca teve a projecção internacional necessária para catapultar a indústria nacional para outras paragens. Concretizando e abusando no name dropping, Oliveira não é um Verhoeven; um Almodovar; um Weir; um Yimou; um Vinterberg; um Fatih Akin; ou um Chan-Wook Park; e a lista podia prolongar-se. E a estes nomes podia associar um Rutger Hauer; uma Penélope; um Mel Gibson; uma Gong Li; um Madds Mikkelsen; um Moritz Bleibtreu; ou um Min-sik Choi; e vocês ainda percebem melhor onde quero chegar. Todos os realizadores citados não são norte-americanos. Todos eles terão beneficiado de apoios estatais. Todos eles terão ajudado a contrariar o ascendente hollywoodesco no cinema mundial, embora muitos deles tenham acabado a dormir com Hollywood (importa contudo notar que não só foram influenciados por esta, como influenciaram-na igualmente: a via não tem sentido único). E com todos eles conheci e interessei-me um pouco mais pela história e a cultura de povos que não o meu. Com isto, até posso estar a justificar a existência de apoios estatais ao cinema, mas a discussão já fugiu há algum tempo do âmbito dos apoios à Cinemateca: no estado em que está o nosso cinema, existindo apoios, não é isso, nem principalmente isso, que importa apoiar e, repito, que no que mais importaria apoiar, a produção de filmes portugueses com valor acrescentado, o pior caminho possível foi o da cultura de subsídios em circuito fechado. A existência de subsídios não pode ser um fim em si mesmo; da mesma forma que a existência de um filme que ninguém vê não projecta cultura alguma.

Então, para que estamos a lutar?

Claro que a veracidade da história de Churchill nada muda na discussão. Mas, e nisso concordo com Luís Naves, se o essencial na discussão é a resposta à pergunta «para que estamos a lutar?», sempre vou dizendo que não consta que The Man Who Shot Liberty Valance tenha sido feito com fundos públicos. Dito isto, até posso aceitar, em relação à Cinemateca, que «a partir de certo grau de corte, a casa fica vazia ou sem tecto, ou sem chão ou sem janelas», mas na vasta casa do que devia ser o panorama cinematográfico nacional, a Cinemateca é o telhado e de nada adianta ter um museu do cinema que nos custa milhões e uma indústria que produz tostões. Por exemplo, continuando no filme de John Ford, um dos meus westerns favoritos, vejo aqui que as receitas do filme em 1963 foram mais do dobro do que o que gastaram nele. Esclarecedor. Depois, temos a questão do que o Estado gasta na cultura. É pouco? Não sei, mas vejamos: um país que gasta muito em cultura, enriquece; ou um país que enriquece, passa a gastar mais em cultura? Suspeito que seja esta última, pelo que julgo que Luís Naves centra mal a discussão. Perceba-se: nem precisa ser o Estado a aumentar a sua despesa com a política cultural, à medida que um país enriquece os próprios orçamentos das famílias tendem a dedicar uma maior percentagem dos seus gastos a bens culturais. Mas, mais importante ainda, e aceitando que o Estado tem de ter uma política cultural activa com orçamento próprio, o "pouco" que gastamos na cultura, nomeadamente no cinema, é bem gasto? Aqui é que não tenho dúvidas, é pessimamente gasto. Anos e anos a subsidiar o Manoel de Oliveira, num esforço, porventura explicativo para a importância que se dá à Cinemateca, que só se compreende à luz da preservação da memória e do passado, descurando o presente e o futuro, são a prova disso mesmo.

Meditando

A direita portuguesa devia meditar numa história famosa de Winston Churchill. Luís: a história é bonita e recorrentemente evocada, mas não há qualquer registo de ser verdadeira, bem pelo contrário, tudo indica tratar-se de pura invenção que se espalhou como sendo a verdade. Já sobre a cinemateca, esta deve limitar-se a fazer o que pode com o que tem. Acenar com o fecho da cinemateca, numa lógica de ou nos dão mais dinheiro ou fechamos, é claramente táctica chantagista. Se o que tem não dá para fazer tudo o que faz hoje, faça menos. E a própria lógica das suas receitas virem sobretudo de uma taxa sobre a publicidade já é altamente discutível, mas esta história levava-nos longe, até porque o problema do cinema em Portugal é o de que ao fim de anos e anos de subsídios estatais, continuamos a não ter uma indústria cinematográfica digna desse nome.

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