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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Mr. Brown

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A melhor resposta possível que a extrema-esquerda podia dar ao Presidente da República

Invés do discurso de vitimização, a extrema-esquerda, à boleia do PS, só tinha uma resposta a dar a Cavaco para mostrar, perante o eleitorado, o quanto este está errado: governo de coligação a três. Não venham é com o discurso dos coitadinhos que estão a ser excluídos da governação quando são eles próprios que, aparentemente, se excluem disso mesmo. Ou como Cavaco Silva também referiu: «é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível». E é significativo também porque, como os comunistas nem se coíbem de continuar a referir, demonstra que os programas de uns e outros são incompatíveis (voltando a evidenciar a razão do nosso Presidente da República).

O fim da picada

Se a TAP não for privatizada, quem se opôs à privatização da TAP vai finalmente ficar a saber qual a solução alternativa. Um governo PS, apoiado por BE e PCP, a ter de meter dinheiro público na companhia, com obrigatoriedade de a reestruturar, entenda-se, despedir pessoal, seria o fim da picada. Ou, como gosto de dizer, não fosse o mal que pode fazer o país, essa solução governativa tem tudo para ser um enorme divertimento. O choque com a realidade é sempre tramado.

O eleitorado que decida o que o partido mostra-se incapaz de decidir

António Barreto anda equivocado. O PSD não foi o partido mais votado e é impossível dizer se sozinho teria mais votos do que o PS. A PàF foi a força mais votada. É verdade que o PSD tem o maior grupo parlamentar, mas também só o tem porque concorreu coligado com o CDS às eleições. No dia em que Passos Coelho e Paulo Portas decidiram coligar os seus partidos e concorrer como PàF, mataram qualquer hipótese de coligação que só incluísse um dos partidos da PàF em caso de vitória eleitoral, como veio a acontecer (os dois partidos seguirem caminhos diferentes depois de terem ganho as eleições seria um desrespeito enorme por quem votou neles). Mas como tenho visto o argumento repetido, ainda não percebi: um governo de bloco central não pode ser constituído por PàF mais PS por que motivo? Porquê que com o PSD era viável e com o PSD/CDS não o é? Na única sondagem que conheço sobre o tema, dados os resultados eleitorais, até seria a solução preferida dos portugueses. Mais: não julgo que essa solução tenha sido vedada pela PàF: «a disponibilidade vai ao ponto de admitir a entrada de António Costa ou outros nomes do PS num futuro Governo». Passos, aliás, volta a mostrar que a porta está aberta quando escreve agora em resposta a Costa que «se o PS prefere discutir estas matérias enquanto futuro membro de uma coligação de Governo mais alargada, então que o diga também com clareza». Qualquer pessoa que preste atenção à forma como decorreram as negociações entre PàF e PS fica com uma ideia clara sobre quem é que não quer discutir o que quer que seja nesses termos (nem, aparentemente, em quaisquer outros): o partido liderado pelo homem que disse em campanha, de forma bastante irresponsável, que chumbaria o orçamento da PàF. Que o PS não queira participar num governo de coligação com o PSD/CDS, ainda compreendo - a própria PàF, ainda que não feche essa porta, talvez também não tenha muito interesse nisso -, mas que o PS não aceite discutir de forma séria a viabilização do governo formado pelo vencedor das eleições parece-me muito mais difícil de compreender. Ainda que compreenda que ter o centro-direita a comportar-se como um bloco único levante enormes problemas ao PS, porque a esquerda está e vai continuar dividida (é ver as presidenciais: ai vem outra candidatura da área da esquerda), divisão que se repercute no próprio PS. Não se pode pedir é ao centro-direita que se divida só para resolver o imbróglio à esquerda onde, verdadeiramente, não existe um bloco, mas dois: o de centro-esquerda e o da extrema-esquerda. Sendo a realidade a que é, agora convinha que o PS, perante a preferência manifestada pelos eleitores, anunciasse de vez e sem rodeios quem julga estar em melhores condições de participar e garantir uma solução governativa estável e responsável para o país (Costa não contava ter uma posição consolidada sobre a matéria até ao final desta semana?). Se optar por um caminho que implique a ideia de que a preferência revelada pelos eleitores coloca o país numa situação ingovernável e traduz-se em instabilidade, nas próximas legislativas é pedir ao eleitorado do PS que decida e resolva pelo partido aquilo que ele mostra-se incapaz de decidir e de resolver por si: quem prefere o país governado pelo bloco de centro-direita, vota no centro-direita; quem prefere o país governado pela extrema-esquerda, vota na extrema-esquerda. Até ver, não há motivo para ser o eleitorado dos outros blocos a deslocar-se para o PS. Sendo certo que o PS teme que a partir do momento em que tome uma posição parte do seu eleitorado faça mesmo um desses percursos (fuga de votos para o bloco preterido). Não está fácil a vida para os socialistas.

«Há um desejo que Costa se demita»

Mas calma que Lains tem outra solução: que Passos se demita. Esta gente nem inventada. E depois, se for preciso, ainda vêm dizer que a dupla PSD/CDS é que não percebeu os resultados eleitorais. Igualmente brilhante é o argumento de que o PSD radicalizou quando é o PS que anda a negociar com a extrema-esquerda. É preciso encontrar forma de justificar o injustificável (nota: o PS na campanha usava uma pergunta para atacar a PàF que era aquela do «pode alguém ser quem não é?», curiosamente, a mesma pergunta é perfeita para ser feita aos novos "companheiros" do PS: o BE e o PCP).

A direita até treme com medo das próximas legislativas

«nunca mais em nenhum acto eleitoral poderá a direita contar com a antiga certeza da incomunicabilidade entre a esquerda e, consequentemente, com a exclusividade das coligações de governação». Pois é, na próxima campanha eleitoral quando a direita defender que um voto no PS arrisca colocar o BE e o PCP no poder, tal já não será interpretado apenas como conversa política de quem assusta sem razão. Por outro lado, do lado socialista, perde força o discurso do voto útil que a própria Isabel Moreira ensaiou na campanha, quando escreveu e passo a citar: «qualquer voto no BE ou no PCP é um voto na direita».

Tempo histórico

Estejamos contentes ou não com a situação política para onde o país se encaminha, agora parece possível afirmar com elevado grau de certeza de que vivemos um tempo histórico. Vem ai uma «experiência» nova, como lhe chamou Almeida Santos, e o país será o laboratório. Acho que à direita, Cavaco Silva incluído, não há muito que inventar. É atirar para cima de Costa, Catarina e Jerónimo toda a responsabilidade possível e deixá-los entretidos na construção e viabilização do seu «governo de esquerda». No final, veremos quanto do estrutural e bom que os últimos quatro anos nos trouxeram se manterá de pé. E, perante isso e os resultados obtidos, todos os que nos conduziram à «experiência» e a levarão a cabo serão julgados em novo momento eleitoral, como sempre acaba acontecendo em democracia. Resta-nos, a todos, ficarmos felizes com isso.

Foi só a cabeça de lista do partido em Coimbra

Mais uma ajuda para compreender o motivo pelo qual uma tentativa da esquerda de impedir a PàF de governar tem tudo para lhes rebentar na cara: Independente do PS contra governo à esquerda. Ou como a esquerda que ainda não recuperou do resultado eleitoral gosta agora de dizer, muito animada que anda com o sonho de uma coligação unitária de esquerda: mais um dia de desespero para a malta do PSD/CDS.

Os mercados

Ter o PCP e o BE a dar cobertura a um governo liderado pelo partido do Jorge Coelho e do António Vitorino, respeitador do Tratado Orçamental e de todos os outros compromissos internacionais assumidos pelo país, não me parece que seja coisa má para os mercados. Pese embora alguns excessos que tal governo viria a cometer, seria, pelo contrário e no essencial, a vitória final da economia de mercado sobre o radicalismo ideológico da nossa extrema-esquerda. Não acredito é que PCP e BE se vergassem a um tal diktat e por isso está-se mesmo a ver no que é que a coisa vai dar (se o PS sonha domar esta gente, está muito enganado). Mas sonhar não custa.

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