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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Mr. Brown

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A terceira via socialista

Se se quiser manter ou mesmo aumentar as pensões, então a implicação óbvia é que os impostos e as contribuições terão de aumentar. Isso tem de ser tido em conta em muitas das discussões sobre pensões, essa é a compensação que tem de acontecer. Se há uma escolha social nessa direção, é possível. Mas sem isso, se os atuais contribuidores e contribuintes não estão dispostos a aumentar a sua contribuição, então os custos com pensões têm de descer. A menos que tenham uma terceira via… Eu não sei que terceira via possa ser essa. A terceira via seria pedir mais dinheiro emprestado, e, claramente, esse caminho não é sustentável. A dívida pública é elevada, e, claramente, não é possível um sistema sustentável que seja financiado através de financiamento no mercado.

Os agora jovens que não abram os olhos que não vale a pena

Os portugueses que estão agora no mercado de trabalho e os que estão a começar a trabalhar vão receber pensões que vão corresponder a menos de metade do que recebiam antes da reforma: a percentagem deve passar dos 57,5% do salário em 2013 para 44,8% em 2025 e para 30,7% em 2060, avança a edição de hoje do jornal Público.

Da desonestidade política

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Este senhor é o ministro da Segurança Social, mas para este senhor parece que só há um problema na Segurança Social se o PS também entender que o há. Este senhor não me quer dizer claramente se considera que há um problema de sustentabilidade da Segurança Social e muito menos revelar-me, existindo esse problema, a sua preferência para solucioná-lo: se alguns dos actuais pensionistas devem suportar a correcção do desequilibrio do sistema ou se todo o custo deve ser novamente atirado para cima das gerações mais novas. Este senhor, aproveitando a forma como a ministra das finanças colocou o problema, não é honesto. E é incompetente: porque foi ministro do sector durante todos estes anos e deixou a resolução de um problema grave para outro ministro no futuro (depreende-se pela sua posição pública que deve considerar que só um socialista está em condições de levar adiante a reforma do sistema). Enfim, no meio da forma pouco séria e obscura para onde se decide atirar o debate de um assunto tão importante quanto este - por exemplo, já reparam como não há números e estudos a suportar as posições dos nossos queridos governantes? -, pelo menos ganhamos em transparência numa coisa: esta posição ridícula deve-se, como é por demais evidente, ao CDS. Tem sido uma sina dos últimos quatro anos: foram muitas as vezes em que, no que à demagogia diz respeito, o CDS não se importou de andar de braço dado com o PS. Tudo em nome do santo eleitoralismo. E é em nome disso mesmo que questões importantes como esta não de devem discutir antes das eleições. «Falemos depois das legislativas».

Conversa socialista da treta

«Temos de encontrar alternativas complementares às contribuições patronais do lado dos salários, através de um sistema que também leve em linha de conta os lucros das empresas [IRC social]». Portanto, não só o PS vai travar a descida do IRC como pretende subi-lo para ajudar a garantir a sustentabilidade da SS? Brilhante (eu sei que o carissimo socialista demagogo, ex-ministro socrático, acrescenta «sem pôr em causa o valor global da contribuição patronal», mas se não põe em causa esse valor, qual o objectivo da mudança, de que forma é que a medida se reveste de garante da sustentabilidade do que quer que seja?). Enfim, quanto ao resto, não adianta perder muito tempo com a demagogia socialista. É como a história do combate ao défice que não se resolve com austeridade, mas antes com crescimento. Claro que se o emprego disparar, os emigrantes regressarem e os salários aumentarem, a segurança social pode entrar numa rota de sustentabilidade. O problema é que uma evolução (super) positiva destas variáveis é coisa que nem o PS, nem qualquer outro partido, pode garantir. Mais: qualquer pessoa com bom senso não acredita nisso. Como a reforma da SS do próprio Vieira da Silva, uma reforma que já à altura afectou gravemente as perspectivas dos mais jovens, deixando sem penalização os mais velho, é exemplo evidente: todas as previsões assumidas na elaboração desse documento falharam redondamente (e já agora, perguntemo-nos: porquê que foi necessária tal reforma? Não bastava o crescimento do emprego e yada, yada, yada?). Esta lógica socialista do «não precisamos de tomar medidas impopulares porque o futuro é rosa e tudo o que hoje parece um problema pode ser resolvido sem dor» é a maior conversa da treta que conheço. E mete nojo, para quem percebe que muito do que o país passou nos últimos anos derivou dessa mesma conversa da treta que se pauta pela inacção e pelo adiar da resolução de problemas inadiáveis.

A certeza do dia-a-dia socialista: uma história de enganos

Vai acabar a lixar a malta que ainda não recebe pensão. Mas o discurso de Costa é o discurso certo para o eleitorado que não consegue largar a lógica do pensamento «dia-a-dia». Uma lógica limitada e tonta, ainda que compreensível numa sociedade onde parte da população vive amedrontada e sem grande esperança e perspectiva para o futuro. Mas responde o PS a essa falta de esperança? É o PS factor de confiança? Enfim, o PS quer dar certezas no curto-prazo, aumentando a incerteza e imprevisibilidade do futuro. Todo o discurso do PS está carregado desta carga imediatista, de resolução dos problemas do presente num abrir e fechar de olhos. Tivemos toda a primeira década do século XXI nesta lógica, tem corrido optimamente como se constata. No final da década de noventa do século passado, qual era o futuro risonho que o PS prometia para a primeira década do século XXI, lembram-se? E durante a governação socrática, durante a segunda metade da primeira década do século XXI, qual era o futuro risonho que o PS prometia para a segunda década do século XXI, lembram? E agora, na segunda metade da segunda década do século XXI, qual é o futuro risonho que o PS nos promete para a terceira década do século XXI? Aqui já não é uma questão de lembrança, é mais de confiança. Confiança de que o futuro risonho com que o PS acena nunca se irá concretizar, com todas as consequências que dai advirão para quem agora, no presente, não souber fazer as escolhas acertadas, desbaratando o futuro em nome do curto-prazo. Há aquele provérbio do «engana-me uma vez, a vergonha é tua; engana-me outra vez, a vergonha é minha». Como é que isto fica para quem se deixar enganar uma terceira vez?

"Cenário macroeconómico" (3)

Até ontem, a baixa da TSU era estúpida porque, entre outras coisas, provocava um rombo na Segurança Social. Hoje, deixou de o ser. Mais: ridicularizaram o Marco António por ter dito que uma baixa da TSU provocaria aumento do emprego e por essa via aumentaria as contribuições o que compensaria em parte a perda de receita com a medida. O PS faz argumento semelhante para explicar a forma como compensa a perda de receita associada à sua baixa da TSU, mas já não é ridículo.

Como financiar programas socialistas sem aumentar a dívida pública?

Onde é que o PS pensa ir buscar o dinheiro para as suas politicas e como pensa contornar o Tratado Orçamental? A pergunta começa a ter resposta, basta ver como o PS quer «usar uma pequena parcela do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social para animar um programa de reabilitação urbana». Ou como promover política socialista com o nosso dinheiro sem fazer repercutir os custos de tal política na dívida pública (note-se que esta prática defendida pelo PS é ainda pior do que o investimento directo do fundo em dívida pública, uma opção já de si péssima, mas que também ocorre em larga escala nos dias de hoje). Onde é que já vi este filme? De resto, ficará cada vez mais difícil não pensar nos descontos para a Segurança Social como mais um qualquer imposto.

O paralítico português

Portanto, "tontos" foram aqueles que, de entre os 107 mil portugueses em situação semelhante, notificados ou não, acabaram por pagar a contribuição exigida pela Segurança Social. Até porque, depreende-se pela história, muitos não o fizeram dado que estes pagamentos em falta não foram participados para efeito de cobrança coerciva e a prescrição era o destino óbvio destas dívidas. Afinal: 1) não são só os gregos que usam de todas as artimanhas para não pagar impostos; 2) falta moral e autoridade a um governo liderado por este PM para levar a cabo o maior aumento de impostos de que há memória na história da democracia portuguesa, fazendo acompanhar esse mesmo aumento por mecanismos de perseguição aos contribuintes incumpridores particularmente agressivos; e 3) melhor que a notificação da máquina fiscal, só mesmo a notificação do Público para pôr o PM Coelho a pagar voluntariamente o que o homem, vejam bem, já imaginava pagar em data futura. Enfim, note-se que se se tratasse de um cidadão vulgar, alegar a prescrição da coisa e não pagar nada seria aquilo que me parecia mais apropriado e teria o meu apoio: mas um PM não é um cidadão vulgar e se tomou (ou voltou a tomar) conhecimento dessa dívida passada que tinha ficado sem cobrança logo em 2012, devia imediatamente ter aproveitado para dar o exemplo. Quanto à perplexidade manifestada pelo primeiro-ministro da «circunstância de terceiros estarem alegadamente na posse de dados pessoais e sigilosos relativos à sua carreira contributiva, os quais nunca lhe foram oportunamente transmitidos pelas vias oficiais», a segunda parte desta afirmação fica arrumada pelo próprio reconhecer que tomou conhecimento da situação em 2012 (já não havia uma obrigação legal, mas a obrigação moral era evidente) e a primeira recorda-me as críticas dos socráticos à violação do segredo de justiça (não sendo difícil perceber qual a fonte, para o trabalho jornalístico de José António Cerejo ou a relevância política do principal assunto em causa, isso é matéria marginal). Para terminar, sobre questões de timing da publicação da notícia que venham a ocorrer (o que chegou aos ouvidos do PM em 2012, também já devia ter chegado aos ouvidos dos jornalistas há algum tempo): faz parte do jogo. O que interessa, no fim, é se o que é publicado é verdadeiro ou não. Se é verdadeiro, não adianta atacar o mensageiro.

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