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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Mr. Brown

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Outra ideia desfeita

O PS não se vai posicionar à esquerda para ganhar eleições, mas antes ao centro, como habitual. A vitória do Syriza na Grécia e os resultados dai subjacentes serviram para alguma coisa. Ou como Costa anunciou prontamente: «vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha». Uma linha contrária à do Syriza, portanto. Notável como em política é possível sugerir uma coisa e fazer precisamente o seu contrário.

Personæ non gratæ

Não deixa de ser irónico que dois dos ministros com mandatos mais longos da governação socrática, Luis Amado e Teixeira dos Santos, sejam ambos tidos como personæ non gratæ para os socialistas e acabem na presidência de dois dos bancos do sistema (Banif e Montepio, respectivamente). Cá está um argumento para validar a desconfiança do ex-querido líder com o sistema bancário. Mais a sério, a que se deve a inclusão de Amado e Teixeira dos Santos na lista negra dos socialistas? Deve-se a terem sido de entre os governantes socráticos os que melhor perceberam aquilo a que o contexto interno e externo nos obrigava e terem explicitado o que pensavam na praça pública, contrariando a narrativa socrática. Um deles muito tardiamente, mas, ainda assim, fê-lo. Para quem todos os dias faz de conta que a realidade muda-se com uma varinha mágica, a explicitação com realismo daquilo que são as bases em que nos devemos apoiar é motivo mais do que razoável para expulsão do grupo. É pena. Como a entrevista na SICN demonstrou, o PS tinha alguma coisa a ganhar se desse mais atenção a Amado do que aos «jovens turcos» que tem por lá: «Temos de aprender a governar em coligação».

Democracia e responsabilidade

O Governo do Syriza na Grécia vai aprovar a extensão do programa da troika sem recurso ao voto no Parlamento. Parece que se os deputados fossem chamados a votar, como aconteceu na Alemanha, a proposta arriscaria um chumbo (algumas facções do BE grego que alcançou o poder entraram em confronto). É bonito ver o Syriza a ter de lidar com a realidade e a sair da oposição feita na rua. Também é engraçado ver um Governo que acabou de se formar a ameaçar ruir nos seus primeiros dias. A irresponsabilidade frequentemente dá nisto.

O eixo do mal ibérico *

Aqui este pobre coitado contínua desesperado. Percebe-se, o coitado não está com vida fácil. Enquanto os alemães já aprovaram a extensão do programa grego por larga maioria no Parlamento, alguns gregos voltaram às manifestações com vidros partidos, sendo que as divisões no Syriza em relação àquilo que foi acordado continuam a se fazer sentir. Cerca de 1/3 dos deputados do Syriza não gosta do que foi assinado e fá-lo por demonstrar, ao mesmo tempo que é colocado em causa o quê que aquilo que foi assinado obriga e compromete o novo governo em funções (que, aparentemente, assina coisas sem garantir de assegurar todas as implicações legais do que assina). Mais, o superstar Varoufakis, que nas palestras antes de se apanhar no poder era muito assertivo e sabia como resolver tudo, agora, revelando no mínimo amadorismo, tem de perder tempo no twitter a tentar explicar histórias que continuam por explicar (a história em causa está relacionada com algo que muita gente suspeita, para não dizer que existe certeza sobre o assunto: o documento enviado pelos gregos com aquilo que se comprometiam a fazer, teve de ser minimamente negociado com as instituições antes do draft final tornar-se público). Mas há mais: uma das coisas que o Syriza tenta apresentar como uma vitória relativa das negociações com o Eurogrupo é a possibilidade de maior flexibilidade no objectivo para superavit primário. Essa narrativa tem apenas um pequeno problema (bem sabemos como o diabo pode estar nos detalhes): os gregos tinham um objectivo que estava fixado para um país que já tinha alcançado superavit, contudo, desde que ficou claro que o Syriza ia conquistar o poder, parte dos gregos cortaram nos impostos que pagavam e o superavit que já tinham, se não virou défice, desapareceu quase por completo, o que significa que qualquer potencial ganho de menor austeridade passível de ser obtido pela flexibilidade da meta tenderá a ser perdido por irem partir para o cumprimento daquilo com que se comprometerem de um ponto de partida pior. Também por isso, não é de estranhar que para quem vinha com a conversa do fim da austeridade, dê alguma graça ver que já admitem uma contribuição extraordinária dos mais ricos. Mas a austeridade já não tinha acabado? Ou como é sobre os gregos ricos já não conta como austeridade? Com tudo isto, o dinheiro dos bancos, esse, teima em não regressar à Grécia descapitalizada (pelo contrário, continua a sair, o que contradiz declarações do ministro das finanças grego). Mas, enfim, nesta fase do campeonato, quem é que pode dar grande credibilidade a este bando de amadores e utópicos que tomou o poder na Grécia? Eles que continuem a espernear que eu sinto-me muito feliz por ver o meu país a par com a Espanha a ser tratado pelo poder grego como se da sua Coreia do Norte e Irão se tratassem.

 

* como sugerido aqui.

Da oposição ao governo

Até estes continuam a implementar reformas impopulares. E a usar estratagemas para implementá-las que outrora, os próprios, consideraram anti-democratas. Deve ser por gosto. Mas o Syriza veio para revolucionar isto tudo e vai mostrar como é que deve funcionar uma democracia a sério, onde cumpre-se promessas feitas em campanha e as medidas adoptadas têm sempre o apoio do eleitorado. Claro que quer fazer isto tudo, entre outras coisas, com o dinheiro dos outros, mas isso é um pormenor. A verdade é que o Syriza já ganhou as eleições na Grécia, mas ainda não saiu da oposição. Apenas substituiu a oposição que fazia ao governo grego pela oposição às instituições europeias. Contudo, mais cedo ou mais tarde, vai ter de deixar-se de joguinhos e lidar com a realidade. Para quem prometeu a lua, a descida à terra não vai ser fácil.

5 pontos sobre a situação grega

1. Há uma "crise humanitária" na Grécia, mas a Grécia está longe, em redimento per capita, de ser o país mais pobre da União Europeia. Nem sequer da Zona Euro. E os outros países mais pobres, também têm uma crise humanitária? Como é que os outros vivem? Será que um país mais rico com uma crise humanitária que outros países mais pobres não têm, não será sinal de que a economia desse país está péssimamente estruturada e a precisar de reformas urgente? E note-se que a estes outros países mais pobres, se levássemos a sério tudo o que o governo grego tem andado a dizer que pretende, também está a ser pedido que ajudem a Grécia. É preciso mais do que isto para explicar parte da resistência que o Governo grego tem encontrado dos restantes membros do Eurogrupo?

2. A Grécia teve crescimento económico em 2014 (0,8% do PIB). É óbvio que a fase mais difícil do ajustamento grego já passou. O problema dos gregos é que olham para a vida que tinham no passado e querem recuperá-la depressa, como a esperança de fazer subir o salário mínimo, num ápice, para os valores do passado bem o demonstra. Mas mesmo com crescimento, outro tipo de ajudas europeias e a adopção de uma política económica adequada e reformista, depois de tudo o que caíram nos últimos anos, vão demorar muitos anos até voltarem a ter essa vida de volta. Da ilusão de que pode ser diferente, resultou o discurso demagógico que permitiu a subida do Syriza ao poder. Como são extrema-esquerda, devem estar a pensar que vão alcançar taxas de crescimentos anos a fio semelhantes às da China (nota: para este ano de 2015, já estava previsto a economia grega conseguir crescer acima dos 2%).

3. Uma das críticas mais estúpidas que vi ontem ser feita à decisão do Eurogrupo, nomeadamente à figura do seu presidente, o holandês Dijsselbloem, foi esta de Daniel Oliveira. É a narrativa do burocrata não-eleito a fazer frente ao governo grego eleito. Na verdade, Dijsselbloem é tão burocrata quanto o ministro das finanças grego, estando legitimado para presidir ao Eurogrupo precisamente por decisão dos governos eleitos democraticamente por toda a zona Euro (é, novamente, aquela coisa chata de a democracia não se confinar à Grécia). E, no caso em apreço, tal é a legitimidade democrática da posição pela qual ele deu a cara que sabe-se ter sido secundado por todos os ministros presentes na reunião, excepção feita ao grego.

4. Como se depreende deste tipo de artigo, graças aos gregos, Portugal tem tido muita publicidade positiva na imprensa internacional nos últimos tempos. E também, é minha convicção, temos mais facilmente beneficiado da boa-vontade dos nossos parceiros europeus e do FMI para connosco (ainda vamos precisando dela, como se viu na recente aprovação do reembolso antecipado ao FMI). É uma forma de contágio, pelo inverso, da situação grega que nos beneficia.

5. O exercício do poder também passa muito pela forma como se utiliza a linguagem. Que parte do imbróglio que envolve as negociações entre a Grécia e os restantes parceiros europeus passe muito por ai vem-nos recordar o que é a política. É certo que a linguagem, do ponto de vista jurídico, também pode ter diferentes implicações, mas não é só isso que afasta os gregos de outros parceiros europeus: é também as possibilidades para a construção da narrativa que esta ou aquela expressão, esta ou aquela frase, possibilita. Ou como a percepção sobre aquilo que foi feito/obtido pode valer mais do que aquilo que foi efectivamente feito/obtido.

Os amigos gregos

Aqui está um exemplo de quando os gregos eram nossos amigos (via: João Fernandes). Está lá tudo, a mesma motivação - queriam mais dinheiro - e a mesma ameaça geoestratégica de abandonar a NATO e fechar as bases americanas no território grego para dar maior peso à chantagem. Aliás, Margaret Thatcher, na sua autobiografia, Downing Street Years, fez uma interessante reflexão sobre esse período, que passo a citar (negritos meus): «At least on this occasion it was not Britain but Greece which was marked out as the villain of the piece – and with some justice. The two outstanding issues as regards the terms for Spain’s and Portugal’s entry had turned out to be wine and fish, on both of which the Iberian countries were heavily dependent. The negotiations seemed to be nearing a mutually satisfactory conclusion. It was at this point that Mr Papandreou, the left-wing Greek Prime Minister, suddenly treated us to some classical theatre. ‘A charming and agreeable man in private, his whole persona changed when it was a question of getting more money for Greece. He now intervened, effectively vetoing enlargement unless he received an undertaking that Greece should be given huge sums over the next six years. The occasion for this arose as a result of discussions which had been going on for some time about an “Integrated Mediterranean Programme” of assistance, from which Greece would be the main beneficiary. It seems that the Greeks’ appetite had been further whetted by unauthorized discussion of large sums within the Commission. Mr Papandreou’s statement threw the Council into disarray. Everyone resented not just the fact that Greece was holding us to ransom, nor even the particular tactics used, but still more the fact that, though Greece had been accepted into the Community precisely to entrench its restored democracy, the Greeks would not now allow the Community to do exactly the same for the former dictatorships of Spain and PortugalSobre esta parte final, já todos percebemos nos últimos dias que os gregos fazem uma valorização da sua democracia acima da dos restantes.

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