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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

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Cinema e política

A avaliar pelo que li em muitos sites informativos norte-americanos, está muito mal Nuno Galopim com esta opinião, o grande ausente dos nomeados não pode ser um velho branco, mas antes a jovem negra que dirigiu Selma. Enfim: as nomeações para os Óscares têm sempre motivo para polémica - e este ano voltam a ter -, mas a forma como certos sectores na América têm discutido as mesmas sobretudo numa base política e não cinéfila é por demais irritante. A Academia, presidida por uma mulher negra, é misógina e racista (como devem ser todas as instituições que entregam prémios nesta altura, uma vez que os Óscares seguem basicamente a tendência de todos os outros prémios) e tem de ser chamada à pedra. É preciso nomear (e premiar) mulheres e negros à força. Não há pachorra. Note-se que não nego que exista uma sub-representação óbvia das mulheres no mundo do cinema - a dos negros, nos últimos anos, já começa a ser muito mais discutível -, mas não é atribuindo prémios a quem não os merece que se resolve isso. De igual modo, também não ignoro que os Óscares sempre tiveram uma dimensão política - logo a começar, a forma como os filmes são escolhidos cada vez mais depende de campanhas de marketing bem montadas que fazem lembrar qualquer outra campanha eleitoral política -, mas nunca nos termos colocados no actual contexto. E a que se deve isso? Basta ler a imprensa e revistas norte-americanas: há um acentuar da guerra cultural (i.e. feminismo) e uma das consequências irritantes disso mesmo é a forma como tudo passa a ser motivo de divisão e batalha política. No cinema, um filme só é bom se ajudar à causa. Graças a isto, de todos os nomeados para os Óscares, só conto ficar com Selma por ver. O marketing do filme produzido por Oprah Winfrey foi de tal forma baseado em critérios políticos que ganhei-lhe irritação e agora prefiro deixar o seu visionamento para um tempo futuro onde esteja menos influenciado por este contexto que quer fazer do cinema apenas outro campo de batalha política.

 

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Mas, em parte, os movimentos políticos tiveram o seu sucesso: num ano em que houve Nightcrawler (Jack Gyllenhall e Rene Russo podiam facilmente ter sido nomeados nas categorias de melhor actor e melhor actriz secundária respectivamente); Gone Girl (David Fincher vai passar outro ano sem ganhar um Óscar: ao que dizem tem poucas hipóteses por ser um grande cabrão); ou Intersetllar (Nolan pode agradar muito ao público - o seu filme é o número um no imdb dos filmes de 2014 -, mas quem entrega prémios continua a confundir blockbusters com Michael Bay); todos eles também relativamente esquecidos pela Academia, conseguem ser esquecidos enquanto esquecidos porque é sobretudo a marginalização de Selma a gerar títulos (isto para não falar de quem lembra-se de trazer à baila a Jolie e o Unbroken). Contudo, para estes movimentos políticos liberais (no sentido americano), um tiro saiu-lhes pela culatra: vendo em American Sniper um alvo a abater, por ser realizado por um homem branco e conservador, o homem do diálogo com a «empty chair», acharam por bem usar o filme do extraordinário Clint como indicativo do tipo de trabalho ao qual a Academia estaria injustamente inclinada a dar preferência em relação a Selma (às tantas até parece que Hollywood não tem forte inclinação Democrata). Como resposta, o grande Clint prepara-se para conseguir com o seu filme arrecadar mais de 100 milhões de dólares numa semana (a pirataria contínua a matar o cinema). Como? Com um filme que retrata uma daquelas histórias que cai bem numa parte significativa do público americano. E como o cinema americano ainda é movido essencialmente por dinheiro, tem esta coisa aparentemente absurda de fazer arte dando ao público o que ele quer e gosta de ver. E é tão revigorante ver este velho de 84 anos a fazer isso mesmo.

 

whiplash.jpg

 

Para terminar esta cena dos Óscares, diga-se que achei as biografias dos britânicos Alan Turing (The Imitation Game) e Stephen Hawkings (The Theory of Everything) algo aborrecidas e nada de especial - não é, definitivamente, o meu tipo de filme favorito -, mas adorei, muito mesmo, o super energético e emplogante Whiplash: de tudo o que vi, o melhor filme de 2014. Mas, não esquecendo as novas tendências, importa dizer que foi escrito e dirigido por um homem branco; tem dois protagonistas brancos; entra uma rapariga branca que serve sobretudo como adereço e não tem qualquer profundidade; e negros só aparecem de forma marginal. Para a "nova" malta que faz do sexo e da cor da pele dos participantes num filme o principal tópico de discussão, é capaz de ser importante referir estes dados. Ficam referidos. A quem está apenas interessado em ver bom cinema: fica a recomendação.

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