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Os Comediantes

We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

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We mustn’t complain too much of being comedians—it’s an honourable profession. If only we could be good ones the world might gain at least a sense of style. We have failed—that’s all. We are bad comedians, we aren’t bad men.

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Diferenças salariais e acesso da mulher ao mercado de trabalho

No ténis, há algum tempo que as mulheres conseguiram que os prémios dos principais grand slams fossem equivalentes aos dos seus colegas masculinos. Esforço igual, prémio igual? Nem por isso, nestes torneios, os homens jogam à melhor de cinco sets enquanto as mulheres ficam-se pelo três. O potencial publicitário do ténis masculino também é superior ao do ténis feminino (ainda que a diferença seja muito menor do que é noutros desportos como no futebol), portanto, também não é por aqui que se explica a justiça de um prémio semelhante. A que se devem os prémios semelhantes? É a política, estúpido (as mulheres no ténis conseguiram tornar os prémios diferentes em publicidade negativa para os torneios e, com isso, passaram a beneficiar de discriminação positiva). Vem isto a propósito de um tema muito recorrente nos dias que correm: o das diferenças salariais entre homens e mulheres. Na verdade, mostram inúmeros estudos sobre o assunto, boa parte das diferenças salariais encontradas não se devem à discriminação negativa por parte dos empregadores das trabalhadoras do sexo feminino, mas antes a outras variáveis como o número de horas trabalhadas ou a experiência (controlando estes factores, a diferença salarial diminui consideravelmente). Porquê? A maternidade, por exemplo, mais do que levar algumas mulheres a ausentarem-se do trabalho por um longo perído de tempo - o que também as penalizará sempre -, muitas das vezes tem impacto no número de horas que a mulher consegue posteriormente dedicar ao trabalho nos anos seguintes (não é que elas sejam menos profissionais do que os homens, passam é a ter, de certa forma, duas profissões, coisa que os colegas masculinos, ainda que também tenham filhos, não sentem de igual modo na pele). É também por aqui que se explica que as mulheres sem filhos consigam obter salários superiores aos das suas colegas femininas que são mães. Alguns dirão que este peso da maternidade não é propriamente uma escolha da mulher e pode ser colmatado se as relações entre homens e mulheres e a forma como é encarada a paternidade mudarem? Faz sentido e é legítimo pensar assim, mas também faz sentido e é igualmente legítimo pensar que, até por factores biológicos, a "profissão" de mãe deve e pode ser diferente da "profissão" de pai e não faz particular sentido colocá-las num plano igualitário (pano para mangas, bem sei, mas permitam-me avançar em frente). Nesse sentido, as diferenças salariais terão sempre tendência a manifestar-se (e depois ainda podíamos ir à questão das diferentes opções de carreira profissional pelas quais as mulheres revelam preferência em comparação com os homens e como parte dessas carreiras profissionais implicam menores salários, etc... e teríamos de nos perguntar o porquê de ser assim e já estão a ver onde é que esta conversa ia parar, mais um tópico para passar à frente).

Outro aspecto relacionado com este debate é que é hoje globalmente aceite entre os economistas que uma maior participação da mulher no mercado de trabalho seria benéfica para a promoção do crescimento económico (há não muitos dias, lia na Economist que logo a seguir a uma maior abertura do comércio, este aumento da participação da mulher no mercado de trabalho seria o principal catalisador para um maior crescimento económico, segundo um conjunto significativo de economistas entrevistados). E o FMI, liderado por uma mulher, Christine Lagarde, tem-se esforçado por passar essa ideia, ao mesmo tempo que tenta ajudar os vários governos nacionais a implementá-la. Mas como concliar isso com esta ideia do "peso" que a maternidade pode representar para a mulher e a também muito na moda promoção da natalidade? Está visto que temos caso bicudo. E daqui, deste debate, têm resultado várias iniciativas governamentais que visam discriminar positivamente as mulheres (particularmente, a favorita nos dias que correm, é a das quotas para cargos de topo nas empresas). No Japão, então, um país por natureza muito patriarcal, o Governo está a ir ao ponto de forçar jornadas de trabalho menos longas para os trabalhadores japoneses (em certos casos, contra a vontade manifesta destes), uma vez que estas, pelos motivos acima citados, são particularmente desfavoráveis para a inserção da mulher, que também quer ser mãe, no mercado de trabalho. Certo é que há um processo em marcha, de natureza global, para elevar a mulher a um estatuto que até agora não tem tido - nuns casos com iniciativas que considero muito bem-vindas, noutras que passam por maior intervenção governamental com iniciativas em relação ás quais me oponho -, que acabarão por transformar a sociedade em que vivemos. E, enfim, apesar de discordar da forma como algumas destas mudanças estão a ser implementadas - que passam por usar o poder coercivo do Estado para acelerar processos que de qualquer forma já estão em marcha (mas que por serem forçados coercivamente podem resultar numa situação anti-natural e desequilibrada) -, acredito que no fim a tendência é para acabarmos com uma sociedade melhor do que a que temos hoje. Assim seja.

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