Do bom senso da lei eleitoral
Já aqui escrevi que seria favorável a uma antecipação das eleições legislativas, mas tal teria sempre de ter a concordância dos partidos que apoiam o Governo. Faz parte das regras que assim seja e outra coisa que não esta seria uma farsa. Como farsa é o discurso de crítica a Cavaco Silva nesta matéria em concreto (ainda para mais quando este até deu a hipótese de mudarem as regras a meio do jogo; hipótese que o PS, na altura segurista, não quis/soube aproveitar). Sobre a questão do bom senso, se das regras (dos prazos eleitorais) agora discordam (ao ponto de pretenderem que sejam alteradas no fim do jogo), Ferro, Costa e restantes socialistas têm primeiro e acima de tudo de se responsabilizarem a si próprios, dado que a lei eleitoral em vigor, datada de 1999, foi aprovada com os votos favoráveis do PS e do PCP (mais Verdes) e resultou de trabalho desenvolvido pelo próprio do António Costa. Bem sei que «as ideias são estúpidas independentemente de quem as tem», mas que quem as teve esteja na linha da frente a criticá-las como se não tivesse nada a ver com elas, bem, não lembra a ninguém e só passa sem crítica num país desmemoriado. O PS que meta o oportunismo político num saco que não há pachorra.
